My Dark Angel
49 Sweet Dream or A Beautiful Nightmare
Notas iniciais
Divirtam-se!
Com a árvore de natal a ânsia pelo dia 25 aumentou consideravelmente, porém éramos reles vitimas de um tempo traiçoeiro e enfim era véspera do feriado mais aguardado do ano. Pela casa já haviam cartões de votos e felicitações de alguns amigos. O aroma de comida e panetone fresco rondando os quatro cantos enquanto Zyan acompanhava ao encalço cada alma que se movimentasse pela cozinha transportando alimentos que tão forte exalavam.
Dispensamos Louise naquele dia, era de praxe que passasse o natal com a família, eu poderia me virar sozinha, ou melhor dizendo, com a solene ajuda de Martha e Sarah ao lado de quem passaria meu primeiro natal.
Antes do cair da noite a mesa da sala de estar já era apinhada por diversos pratos costumeiros da ceia. Percebi então que havia aprendido com perfeição tudo que mamãe me ensinara sobre aquele dia. Era como em minha antiga casa, porém, desta vez era na minha nova casa, com minha nova família, sem julgamentos, sem tensão pesando sobre a mesa, apenas o divertimento previsto.
Quando o crepúsculo dançou no céu eu já podia ouvir do quarto os carros cortando a rua silenciosa, e se calando em frente a casa. Em seguida vinham berros eufóricos com o timbre diferenciando entre os que chegavam. Rodopiei em frente ao espelho, conferindo o vestido de cetim vermelho, de corte moderno e consideravelmente curto. Os cabelos escurecidos a luz amarelada cintilavam em ondas bem feitas que levemente caiam pelos ombros. Subi nos sapatos prateados. Admirei uma última vez a barriga que aos poucos sobressaia no vestido, com a entrada de meu terceiro mês de gestação.
Ouvindo a mistura de vozes dominar a sala desci as escadas enquanto olhos já me sondavam.
-Caralho, não cansa de ser linda. –disse Slash, em certa inconformação que me fez gargalhar.
Ao reunir sob o mesmo teto Sarah, Martha, Steven, Slash, Izzy, Axl, Duff, Alice e Bel — que desde então revelara certa simpatia por mim que desconhecia, quanto mais depois de ouvir de Axl que a mesma certa vez o tentara agarrar, e que também já traíra por diversas vezes Steven. Mas talvez seus erros estivessem ligados a problemas antigos, e isso eu já podia perceber.
Enfim, tinha a noite que tanto planejara, mesmo que ainda restasse os desentendimentos de Sarah com os garotos. Porém, o melhor momento da noite fora quando recebi uma ligação de mamãe, desejando um feliz natal adiantado e presenteando-me com a notícia de que estava acompanhada em Milão, naquele natal, e sua felicidade da procura por um novo amor me era plenamente satisfatória.
Depois de tantas risadas, e conversas, terminamos a noite sob a luz das luminárias que irradiavam no jardim, bem como o falso boneco de neve aceso junto algumas renas, e o faiscar de alguns fogos que acenderam-se no céu quando o relógio marcou a meia-noite. Libertos então para fazermos trocas de presentes e depois acabar a beirada da piscina, embriagados por bons goles de bebidas, exceto eu, abruptamente impedida de beber por Axl.
Na tarde do dia 25 tudo que restara fora exaustão, ao silêncio da casa em que eu e Axl almoçamos em remanescente felicidade. Dias depois, com a chegada do Réveillon, acabamos por comemorar em uma casa alugada, a beira da praia, em Manhattan. Não diferentemente, os garotos nos acompanharam na festa de virada do ano. Duff cabisbaixo, distanciando-se do resto, já que não pudera levar sua nova namorada, só então ele resolveu contar-me definitivamente sobre quem se tratava.
Era uma garota de família classe-média, bonita, formalmente correta, no entanto, tinha apenas 16 anos, e para que completasse a façanha tinha pais religiosos, firmes e conservadores. Eu me vi refletindo naquela história. Era como dois anos antes, quando cheguei em Los Angeles, quando conheci Axl, estava se repetindo, no entanto, propus-me a ajuda-los, tendo em vista que a situação já me era conhecida.
O alivio de perceber sua desesperada paixão ao falar de Elena me engolira naquela noite. Não me restava mais uma mínima dúvida, Duff havia encontrado seu caminho.
Um novo ano se iniciava, eu não era adepta a planos, promessas, papéis escritos, listas imensas. Gostava o improvável, impremeditável, gostava que a vida cumprisse seu curso sem interrupções, da forma que o tempo planejava. Não havia mais nada o que pensar, eu já não sabia o que vislumbrar daquele ano, via apenas a felicidade do nascimento de meu filho, que me deixava mais corroída e ansiosa a cada dia que lentamente passava.
Era inicio do quarto mês de gestação quando a gravidez era definitivamente evidente, o que aguçou alguns jornais e foi impossível conter a noticia que logo se propagou: eu me tornava a futura mãe do filho de Axl Rose, o líder da então banda de rock que mais crescia nos últimos meses. Guns N’ Roses beirava um auge, e o seguinte single do CD estava prestes a ganhar um clipe, no entanto, a música era Sweet Child O’ Mine, fora escrita para mim, com isso, minha presença no clipe foi decretada, bem como a aparição de namoradas do outros garotos, exceto por Elena, que fora substituída por outra mulher que faria o papel da então namorada de Duff.
As gravações foram mais descontraídas do que eu poderia imaginar, fora ainda tremendamente fascinante estar ali, entre câmeras, testes de som e o que havia de mais novo na industria de vídeos musicais; era um tanto complicado entender que toda aquela grandiosidade era para a gravação de um clipe que carregaria uma música feita a meu respeito. Era inexplicável.
Logo viera também minha primeira ultrassonografia, na qual Axl me acompanhara explodindo em um contagiante entusiasmo. Eu pude ver as lágrimas que brilharam em seus orbes verde-oliva. As minhas, porém não foram contidas ao ver pela primeira vez o corpo que vagamente ganhava forma dentro de mim.
Com tudo, o momento mágico daquele mês, ficara marcado nos bastidores da gravação de Sweet Child O’ Mine. Enquanto eu e Axl desfrutávamos das regalias do camarim particular uma movimentação em minha barriga fez-me congelar, estendendo um choque por minha coluna. Era como se minha pele fosse cutucada internamente. Ele havia mexido pela primeira vez.
Minha gravidez fora devidamente e finalmente lançada, e confirmada, ao mundo quando o clipe chegou às tevês pela MTV, deixada mais clara quando em cena preto e branco Axl beija carinhosamente minha barriga, visivelmente inchada.
No mês seguinte viera a tão aguardada notícia. Estava grávida de uma menina, nossa primeira herdeira. Axl por sua vez, estava preenchido por fogos a estourarem. Nunca teve uma preferência de sexo, bem como eu. Estávamos felizmente surpreendidos, vislumbrando frequentemente como nossa filha seria. Do enxoval de poucas peças o rosa e o lilás passaram a encher malas e mais malas de roupas infantis, ursos de pelúcias já ocupavam o quarto vazio que estava prestes e encarar um projeto de decoração. Àquela altura, até Zyan parecia animado, como se já pudesse prever o que aconteceria. Obviamente Axl teve de lidar com as brincadeiras dos rapazes do Guns N’ Roses, que pareciam devidamente felizes pelo fato de ser uma menina a criança que estava por vir. Já Sarah, mal podia se conter, estava tão animada quanto eu e Axl, demonstrando tal com os presentes frequentes.
Já pensávamos em nomes, mas eram tantas opções que nunca chegávamos a uma conclusão. Tudo parecia perfeitamente bem, até que Zac voltasse de sua viagem de 3 meses para Alemanha, como tinha de fazer todo ano, já que seu pai era Alemão e gostava de levar a família para viver sob seus antigos costumes, por pelo menos 60 à 90 dias.
Sarah garantira que ele ainda não sabia da gravidez, porém não iria demorar muito para que acontecesse, já que estava em Los Angeles novamente. Preferi então que soubesse por mim do que pelos jornais que estampavam as bancas. Marcamos de nos ver no mesmo dia que chegou.
Fora quase desesperador vê-lo atravessar a porta de vidro, ao fim do corredor extenso onde se punha mesas e eu aguardava, trêmula, ao fim dele. Senti uma leve tontura, enquanto ele surgia com seu sorriso espontâneo-fixado na face traços leves-, por entre as luzes que atravessavam as janelas de vidro aquela tarde. O cheiro de madeira e álcool pareceu intensificar, embrulhando meu estômago.
-Não sabe o quanto eu estava com saudades! –disse sorridente, quando se aproximou, não correspondi, ainda em face de agonia, e então levantei-me para cumprimentá-lo, deixando claro de antemão a barriga que se estendia, por debaixo da camiseta cinza.
Seus lábios ficaram por entre aberto, os olhos dilatando, e um silêncio tenso se estabelecendo entre nós. Senti as flamas que queimava avidamente por minha garganta e o gelo que gravemente propagava-se em minha mente. No desespero de palavras mudas tomei liberdade para me declarar:
-Me desculpa, por favor, eu sei que eu deveria ter contado antes...-minha voz tem tom de choro.
-Há quanto tempo sabe disso? –perguntou, paralisado, os olhos cravados em minha barriga.
-Desde o acidente, quando fui atropelada. –lembrei, temendo sua reação. –Zac, eu só quero que saiba que eu não contei antes porque tive medo da sua reação...-completei, perante o súbito silêncio.
-Não deveria ter escondido isso de mim. –suas palavras eram tão duras quanto os traços leves estavam agora, petrificados.
-Eu não tinha escolha, estava com medo que isso te abalasse...-ele então me interrompeu.
-Como eu deveria reagir ao saber que a garota que eu acreditei ser a mulher da minha vida está grávida de um outro cara? –perguntou, desta vez olhando-me nos olhos, com certa amargura, obrigando-me a conter lágrimas.
-Você sabia que nada poderia acontecer entre...-novamente me interrompeu, como se recusasse ouvir tais palavras.
-Sim, eu sabia, só que nem sempre é tão fácil acreditar. –murmurou. –Mas eu te amo e eu disse que nunca te abandonaria, eu estaria lá sempre que você precisasse, e eu vou estar, mesmo que isso me machuque de certa forma. Eu vou amar essa criança tanto quanto eu te amo. Eu ainda continuo sendo seu amigo idiota que prometeu ficar por perto pra sempre, lembra? –um sorriso de alivio vagamente aparecia em meus lábios, a medida que as palavras eram lentamente processadas. Ele sorriu fraco, caminhando até mim. Plantou um beijo no alto de minha testa.
-Obrigada! –eu disse.
Era evidente que não seria fácil para Zac aceitar aquilo, mas aos poucos ele dava sinais de evolução, e então tudo parecia como antes, como se não houvesse uma barriga inchando cada vez mais em mim, como se não houvesse certas dificuldades de uma grávida, como se não houvesse um entusiasmo com a chegada de minha filha declarado e personificado na garota que ele amava.
Era como um carma. Ardia em cada centímetro da minha pele, intensificava em meu cheiro e eu perguntava ainda, com insistência absurda, que maldição caíra sobre mim que enfeitiçava tão facilmente a alguns poucos que eu não podia decepcionar? Primeiro Duff, agora Zac, ambos meus amigos e pretendentes ocultos, me seriam amores perfeitos se Axl não existisse. E eu que um dia acreditei que passaria a vida inteira sozinha, que talvez grandes amores fossem uma tremenda blasfêmia, que não poderíamos amar um homem a ponto de entregar sua vida por ele, então o mais vivo gosto, ora amargo, ora doce, crepitava em minha língua, e permanecera ali por quase dois anos, já dizia que se estenderia por mais milhares se fosse preciso, pela eternidade. Pensando nisso lembrei-me de quando diziam que o amor era eterno e eu tolamente debatia sobre a eternidade de um ser humano, o que diria impossível aquele argumento. Percebi que não, amor não se carrega no corpo que um dia desfalece, se carrega na alma que sempre prossegue.
Em tantos devaneios que começavam por uma alucinação de Duff ou Zac eu sempre acabava no mesmo lugar. Minha alma encontrara o amor a qual carregaria por uma eternidade, era Axl, e eu nunca poderia substituí-lo. Duff e Zac encontrariam o seus grandes amores bem como o meu me surgiu quando mais precisei, e então não houvera duvidas, era a ele que estaria presa até o fim dos tempos.
No entanto, toda aquela predestinação declarada por um Senhor maior, estava parecendo desgasta e opaca àquela altura de um casamento relutante e uma relação decadente.
-O que será que uma grávida faz tanto na rua? Do que você precisa? Roupas novas? Coisas para o quarto do bebê ou sei lá o que...? Eu posso comprar isso pra você. Eu posso mandar alguém comprar. –insistia ele em uma falsa calma enquanto eu balançava a cabeça em face de incredulidade.
-O que eu preciso? Eu preciso dos meus amigos, eu preciso sair dessa casa, preciso comprar uma coisa porque achei adorável e que ficaria bonito no bebê, montar o enxoval do meu filho da minha forma, não colocar a lista de roupas de criança na mão de uma pessoa e falar que ela saia por aí comprando qualquer coisa. –respondi, tentando ser tão calma quanto ele, porém meu objetivo não foi alcançado com tamanha eficácia.
Pressionou os lábios em nervoso, olhando os pés à medida que sua respiração alterava significativamente.
-Você precisa é daquele idiota, não é? Você precisa daquele filhinho de papai que pra mim não passa de um belo de um filho da puta? – a voz alterou-se ao fim da frase.
-E se eu precisa-se, hein? Eu devo preciso tanto de alguém que me faça bem como você precisa das suas putas e das suas drogas. –puxei minha bolsa de cima do sofá, o driblando e indo em caminho a porta.
Sua mão envolveu meu braço fortemente, me fazendo recuar.
-Onde você acha que vai? –perguntou ele. Puxei meu braço de volta.
-Não faz diferença, só não vou ficar aqui discutindo a mesma coisa novamente. –respondi, apressando-me.
-Lizzi! Elizabeth volte aqui, agora! Elizabeth! –antes que ele desse um último chamado, chegando à porta eu já rodava a chave no painel do carro, sumindo pelos declives da rua extensa, fazendo curva por trás das árvores.
Notas finais
Obrigada por tudo!
Ah, esqueci de avisar lá em cima, não estranhem o fato de Lizzi "assumir" o papel da Erin, essa era a ideia inicial, fazer a história baseada no relacionamento dos dois.
Acho que agora é só :3
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