My Dark Angel

48 Remember we used to be


Notas iniciais
Cá estou alguns dias atrasada, ia postar ontem mais não tive muito tempo, hoje interrompi meus estudos de frânces e vim. Bem, antes de tudo, preciso muito que leiam nota final, tá meio grandinha, mas importante, pelo menos para quem estiver interessado em acompanhar uma próxima fic minha, incluindo a do Guns N Roses que eu prometi. Ah, e esse capítulo está super A Saga Crepúsculo, pelo menos na parte da formatura, mas a INSPIRAÇÃO, veio de lá mesmo, sou apaixonada pelos livros, e amo a parte da formatura, então, NÃO ME MATEM por isso, ok? shuashua
Agora podem ler o capítulo novo o/
Divirtam-se!

{Ponha essa música para carregar}

Senti a leve brisa de lucidez tocando-me à medida que liberava todos os pensamentos afugentados em minha mente pelas árvores que ao lado de fora do carro faziam moradia. Presenteou-me com a lembrança de que nada mais me importava quando eu estivesse com Axl, e que fosse no baile de formatura, eu estaria bem enquanto estivesse no calor de seus braços e no zelo de seus olhos atentos a tudo que pudesse a mim ocorrer. Pois Axl me fizera viver até os sonhos que um dia tentei expulsar de mim, escondi em partes sombrias de meus devaneios. Ele me fez crer no improvável, experimentar do proibido, e viver o possivelmente fatal, com a segura garantia de que estaria ali quando minhas pernas não suportassem, me permitindo desabar. Ele me protegeu do impacto ao chão em meus deslizes. Visto desta forma de nada mais me importaria à presença no baile. De repente eu estava novamente recolhida dentro da cúpula protetora que apenas Axl poderia expor a minha salvação.

Sorri fraco, a fitar minhas pernas, balançando sutilmente a cabeça ao ter em mente minha tolice corriqueira que prosseguira até minutos antes, negando-me a ir ao baile. Meus olhos flamejaram pela janela observando o percurso que indicava proximidade ao local. Minhas mãos sacodiram-se, rebatendo meus dedos sobre minhas penas paralisadas. Meus lábios secos, abrindo e fechando sem dizer nada.

–Lizzi. – meus olhos perderam-se no painel do carro.

–Fala. –murmurei, tornando por completo meus olhos para ele.

–Está inquieta. Não consegue parar por um segundo. –alertou. Fitei minhas mãos, saltitavam por si só.

–Devo estar nervosa. –respondi, sentindo uma furiosa brisa envolver-me, de forma tão violenta em suas ondas gélidas que obrigou-me a trincar o maxilar, mantendo meu corpo paralisado, tão rígido quanto meus lábios curvados em apreensão.- Eu tô bem. –completei com vestígio de sorriso. –Só acho que estou beirando uma crise claustrofóbica ou uma crise de pânico. –desta vez havia desespero mascarado em minha voz, meu corpo estremeceu vagamente.

–Ó Deus! Lizzi, respire fundo. –a preocupação ardeu na face de Axl.

–Tudo bem, eu estou bem. –tentei acalma-lo, mesmo que ainda sentisse o sufocamento rastejando-se por minha garganta. Meu corpo tinha reações automáticas sempre que sentia-se sobre pressão psicológica, mesmo que fosse uma ansiedade mórbida ou um temor violento.

–É só um baile, Lizzi. –disse em riso fraco, provavelmente achando graça de meu estado de nervoso absoluto.

–Eu sei. Nem sei por que estou assim. Quer dizer, me senti assim no nosso casamento e para falar a verdade foi ainda pior. Mas eu subi ao altar antes de desmaiar, por mais que eu quase tivesse desmaiado durante a entrada. –relembrei, as palavras saindo de minha boca em pressa.

–Poxa, tão ruim assim se casar comigo? –perguntou em sarcasmo.

–O ruim não era casar com você e sim casar. Mas se fosse para fazer isso que fosse com você, ou por você. Foi por isso que eu não saí correndo dali, porque eu sabia que era você quem estaria no altar, esperando por mim. –respondi, sendo seguida pelo desligar do motor. Seus olhos abrasadores pesaram sobre mim. Afagou meu rosto, um sorriso de canto ostentado na face.

–Nunca me reneguei correlação a casamento, mas eu o teria feito se fosse à outra pessoa e não você, porque ninguém poderia ou pode me fazer tão bem quanto você. Só do teu lado eu consigo me sentir em casa, a paz que eu nunca senti, é como se eu me libertasse de tudo que me acorrentava antes. Não tive uma vida muito fácil, Lizzi, mas você recompensou todas as dificuldades que existiram. –murmurou, tão sinceramente que do sufocamento incendiando minha garganta restara apenas o borbulho das lágrimas contidas. Estiquei-me um pouco mais, agarrando seus lábios avidamente.

Saiu, direcionando-se até o outro lado de forma que pudesse abrir a porta para mim, como costumava fazer. O fitei em face de aceitação, porém minha insatisfação de ali estar não foi mascarada com eficácia que planejara anteriormente. Sorriu vitorioso quando toquei sua mão, recolhendo-me junto a ele que batia a porta do carro.

Meus saltos estalaram na terra húmida.

Desta vez o baile de formatura da escola seria realizado em uma mansão, de construção semelhante à de um castelo de era medieval, o que visto dos olhos dos ingênuos alunos tornaria aquela noite de príncipes e princesa.

O jardim fazia envolto a estrutura grotesca em pedras de representação rustica, e em suas formas de castelo tinha decoração de tipos diversos de flores brancas e fitas em tons frios. Velas faziam caminho, acesas dentro de recipientes de vidro transparente, virados para baixo, impedido que o vento apagasse as chamas. Ao norte os feixes de luz de sol adormeciam, em iluminação fraca, anunciavam o fim da tarde. O crepúsculo estava prestes a se apresentar, fazendo paisagem sobre o lago espelhado e as arvores que distantemente rodeavam o jardim extenso, balançando ruidosamente conforme a mudança brusca de vento.

As vestimentas elegantes cobriam o corpo dos alunos que chegavam, em braço dados com seus devidos acompanhantes, as faces com traços que eu já me acostumara a ver em dois anos estudando naquela escola. Os olhares passando por nós em curiosidade; eu já os havia previsto.

–Espero que ninguém te peça autografo. –murmurei em tom de sarcasmo, ouvindo sua risada sombria se perder no som das árvores balançando.

A música já poderia ser ouvida à medida que atravessávamos o arco frondoso que fazia entrada para a mansão.

O salão estava apinhado por alunos, que em valsa rodopiavam sob o imenso lustre de luz amarelada. Espremendo-se em seus vestidos bufantes, smokings clássicos incrementados por algo da mesma cor da vestimenta de suas parceiras. A sinfonia abrira espaço para as canções das pistas de danças de casas de festas noturnas. Os olhares intensificaram-se sobre nós dois, à medida que avançávamos pelo salão, agarrei-me ao seu braço, encolhida em meu corpo frio, tendo Axl caminhando em postura perfeita, o sorriso continuo nos lábios.

Ele então tomou minha mão, puxando a outra para que fosse posta em seu pescoço. Ericei-me, balançando sutilmente a cabeça enquanto fitava meus pés imóveis. Olhei em meu envolto, meus olhos capturando imagens nebulosas e embaçadas dos alunos que faziam de nós espetáculo, observando-nos. Ao canto, um grupo de garotas, que em dias de aula já costumavam a me perturbar com seus cochichos a meu respeito, sorriam maliciosas e convidativas a Axl, aumentando meu desconforto por ali estar. A inveja que ardia nos olhos das mesmas era assustadora.

–Eu-eu não quero dançar aqui. Não estou me sentindo bem aqui. –murmurei. O par de verde oliva me fitou então cobertos pela preocupação.

–O que há de errado? É algo com o bebê? –perguntou, a preocupação já avançava por sua voz também.

–Não, só não quero ficar aqui. –respondi, fitando seus olhos, tentando acalma-lo de alguma forma.

Puxou-me pela mão, abrindo caminho até os fundos do lugar, onde alguns degraus de escada levavam a um jardim tão imenso quanto o da frente. A decoração ali tinha alguns pinheiros naturais decorados por luzes natalinas amareladas. Mas a frente um gazebo, coberto pelas mesmas luzes, de onde um único casal saia, passando por nós em pressa. O lago artificial sob ele iluminado era por velas artesanais rodopiantes ali dentro, como se ainda dançassem a valsa que há pouco corria pelo salão.

O piso era escorregadio e desenhado; o cheiro de terra molhada repousando em minhas narinas. A brisa que ali soprava era extremamente fria, porém, não incomoda, exalava também um estranho cheiro de carmim junto a um aroma que eu desconhecia, mas que em minha ignorância parcialmente satisfeita lembrava-me neve.

A estrutura de ferro estava gélida, quente eram apenas as luzes acesas sobre ela.

–Isso é...lindo. –murmurei, analisando o lago que vagamente era escurecido pelo crepúsculo que se punha sobre ele. As velas bailaram, em suas chamas estremecidas por qualquer golpe de ar que não eram o bastante para apaga-las.

Em vista da coloração lilás que sorrateiramente era tomado pelo azul-marinho opaco na imensidão do céu sobre nós, podia-se dizer que aquela seria uma fascinante noite de outono que se despedia do Hemisfério Norte, logo para dar lugar a mais um inverno, junto ao anúncio do esperado natal marcado ao calendário.

Seus lábios macios tocaram meu ombro parcialmente desnudo em meio a minha distração de deslumbre.

–Teria valido a pena perder isso tudo? –perguntou. Virei-me para ele, contendo-me em seus olhos fixos em mim.

–É, agora, estando aqui, somente nós dois, eu acho que valeu a pena ter vindo. –respondi, sorrindo timidamente.

–A noite está só começando. –disse ele. Seus lábios pressionaram levemente os meus, e na ânsia de tê-los, em minha insanidade momentânea não percebi a troca de música, até que em seu abandonar de minha boca ele buscou por minha mão, ganhando posição devida, frente a meu corpo.

A melodia doce ecoou em meus ouvidos de forma compreensível junto a minha recente lucidez novamente retornada, desta vez uma incrível harmonia pianística nos envolvia, nas teclas tocadas com perfeição de autor cujo nome não me vinha à mente naquele momento.

Meus olhos arregalaram-se em curiosidade, percorrendo sua face, banhados pela dúvida.

–Me concede essa dança, senhora Rose? –brincou e eu ri nasalado.

–Não vai mesmo desistir de me fazer dançar, não é? –perguntei e ele sorriu malicioso, balançando a cabeça. Apertei mais fortemente sua mão, passando a outra por seu pescoço.

Logo nossos pés deram inicio a um bailar perfeito, entre rodopios e piruetas, seguíamos a experiência ganha em nosso casamento, porém, em meu caso, estar junto a ele tornava-se tudo tão mais fácil que em alguns momentos de devaneios eu nem mesmo percebia que dançava tão harmônica e corretamente quanto ele. Em segundo algum permitiu-se desviar os olhos de meu rosto, sorrindo exultante, sem abandonar a face de vitória e satisfação. Ri, quando por alguns segundos observei sua face em comemoração silenciosa, era engraçado demais para mim vê-lo naquela situação.

–Do que está rindo? –perguntou.

–De você. Está se saindo um ótimo roqueiro. –completei em risos, ao lembrar-me de antigas palavras de Sarah a respeito de roqueiros. –Seria engraçado se os garotos estivessem aqui.

–Eles me ririam da minha cara e fariam piadas até o fim dos meus dias. –respondeu revirando os olhos.

–Não acho que todos fariam isso. –rebati. –Alice já deve ter feito Izzy dançar alguma vez. –lembrei. –E Duff...Duff é romântico, só é meio destrambelhado e desajeitado, mas é romântico, acho que ele não se importaria de dançar no baile com uma garota. Mas acho que os garotos não tem muito jeito para papa-anjos. –comentei, ao relembrar a idade deles para garotas que ainda se formavam.

–Hum, até parece. Mulher é mulher, não importa a idade, eles pegam tudo que aparecer, se for bonita e gostosa, é com eles mesmo. –indagou.

{Ponha a música para tocar}

–Ah é. E você ficou comigo por que eu era bonita? –perguntei, o encurralando. Sua risada sombria ressonou.

–Não, fiquei com você porque achei dentro dos seus olhos tudo que um dia eu procurei em alguém. Eu encontrei em você um “eu” que achava que tinha perdido há muito tempo. –respondeu e eu mordi o lábio em meio a sinceridade que embalou sua voz e o brilho que intensificou-se em seus olhos verde-oliva. –Mas correlação a papa-anjos, acho que eu sou um velho papa-anjos então?! –o sorriso de ironia voltou a seus lábios.

–Quem disse que sou um anjo? Talvez eu seja uma velha acorrentada ao corpo de uma jovem. Ou então, minha data de nascimento pode estar errada em minha certidão e no final das contas temos a mesma idade. –ironizei.

–Não fuja. –riu de minhas hipóteses. –Sou um papa-anjo. –declarou.

–Já tenho 18 anos. –respondi.

–Tinha dezesseis quando nos conhecemos. –retrucou.

–Ok, então você é um papa-anjo. Eu me rendo. Porém eu não me importo. Idade é só um número idiota que define nossas rugas e cabelos brancos a mais. E você só um bobo que se apaixonou por uma criança tola. –murmurei, seus dedos apertaram-se em minha cintura, não abandonando o compasso perfeito que prosseguia.

–Eu me apaixonei pela minha criança, a única criança que poderia ter me feito tão bem. Eu quis ser para você tudo que eu pudesse, pai, melhor amigo, irmão, companheiro, confidente, mas nunca desejei tanto uma coisa como desejei assumir o posto de seu marido. –disse ele.

–E veja só onde essa brincadeira nos trouce. –comentei. Riu nasalado. Curvou o pescoço, afundando os lábios em meus cabelos.

–Acho que aquela criança foi melhor do que eu esperava que tivesse sido para mim. Não vou passar uma eternidade sozinho pelo menos. –riu. Apliquei-lhe um soco fraco no ombro com a mão que o mesmo ocupava. –Você é a melhor coisa que poderia ter acontecido na minha vida idiota e insignificante. A única coisa que eu mudaria se pudesse voltar atrás era ter te conhecido antes. –ri nasalado as suas palavras.

–Você mudou minha vida. –murmurei, tendo a possibilidade de alcançar seus olhos.

–Não tanto quanto você mudou a minha. Se eu ainda estou vivo é porque tenho você, e te tendo do lado eu não tenho medo de enfrentar mais nada. Você me completa. –murmurou, seus olhos sondando-me no contorcer de seus lábios, desta vez sem nenhum sorriso. –Eu não poderia ter me apaixonado assim por ninguém mais.

Lágrimas arderam em meus olhos, em tentativa de evita-las observei a lua, ao alto, sobreposta as arvores, a oeste, em sua coloração leitosa, a iluminação sobressaindo às nuvens diáfanas que a cercavam.

Uma lágrima atravessou a barreia que compus, rolando por meu rosto.

–Ei, por que está chorando? –posicionou um dos dedos embaixo de meu pescoço enquanto nossos pés pausavam.

–Não é nada. Só acho que isso tudo parece tão surreal. Eu estou no baile de formatura, em Los Angeles, casada, aos dezoito anos, e grávida. Nos melhores momentos da minha vida você está inteiramente incluso, e eu não consigo acreditar como isso aconteceu tão rápido. – abraçou-me, sorrindo de canto. Aninhou-me ao seu peito.

–Algumas coisas já estão marcadas para acontecer. Deus quis te dar a felicidade depois de tanto sofrimento. –disse ele.

–Ele me deu mais do que a felicidade. Me deu uma nova vida. Me deu você. –murmurei. –Eu te amo.

–Eu também te amo. –disse carinhoso.

Por mais constrangedor que aquele baile tivesse sido em parte para mim, fora um acontecimento em minha vida irrevogável, indispensável, e que deixaria marcas. Fora uma noite em tanto, oficializando meu último adeus a onde tudo começara, a escola, o ensino médio, porém, nascia ali uma nova vida, a vida da mulher que aos poucos eu me tornara construída em sólidos tijolos que não mais pudessem desabar na primeira tempestade. Contudo, naquela noite eu me permitira ser pela última vez a menina que eu escondera no fundo do baú de memórias em minhas mente confusa, vendo Axl se despir no garoto de ingenuidade transtornada a quem eu me entregara quase um ano antes, pela primeira vez. Então, foi como se voltássemos aquela noite, em nossos primeiros toques e sensações descobertos com o corpo de ambos, flamejando na ardência daquele quarto, em noite fria de Paris.

–Pertencemos um ao outro como naquela noite em Paris. –sussurrei, deitada em seu peito desnuda que recebia iluminação parcial da luz do luar que habitava nosso quarto.

–Só que dessa vez sem receios. Sem temer por mais nada. Você é minha e ninguém nunca mais poderá tira-la de mim. –comentou.

Dias depois, enviei por correio a mamãe a foto que me cobrara em carta quando me dera o vestido, nela estava com Axl, na entrada do local onde acontecera o baile. Ao verso, apenas o dizer “Obrigada!”.

O clima natalino se intensificava por Los Angeles, presenteando seus moradores com músicas doces e já conhecidas ressonando pelas ruas, decoração festiva, repleta de laços vermelhos e sinos dourados, o inverno já dava sinais com dias um pouco mais frios, o que indicava que aquele provavelmente seria mais rigoroso do que o último.

Ainda com o afastamento de Zac e Sarah, decidimos passar o final de semana em Manhattan Beach, não muito distante, porém com clima diferenciado. Abandonando a vista magnifica da casa alugada, frente ao mar, voltamos para a nossa casa plenamente satisfeitos e relaxados.

A rotina voltara, na correria de final de ano correlação ao trabalho de Axl, e eu novamente ficara praticamente sozinha em casa. Com sorte Sarah logo estava de volta, e assim como ela Zac. Aproveitando a proximidade ao natal resolvemos ir juntas as compras pelas ruas de L.A., permitindo-nos um café de descanso ao final da tarde e então podermos reunirmo-nos com Za c, por sua vez com mais animo que nós duas, ambas exaustas depois do dia cansativo.

Entretanto novas dificuldades surgiram, por assim dizer. Novos confrontos de horários de trabalho de Axl tiveram inicio, e novamente me fizera suspeitar que tais horários ultrapassados não fossem apenas por trabalho. O cheiro de álcool voltara a exalar dele toda vez que chegava silencioso as 5 da manhã, as desculpas continuavam as mesmas, em sua embriaguez passageira e na voz hesitante que repetia as palavras já gravadas em uma evidente mentira que eu me recusava a ver por diversas vezes. Pois eu preferia acreditar naquelas palavras tolas e mentirosas.

Porém, quando tudo parecia insuportável, ele mudava, dando-me a impressão que as coisas começavam a entrar no eixo por alguns dias. Tentando esquivar-me de tais fatos e concentrar-me em algo mais, foquei-me no natal, que chegava sorrateiramente.

A casa já estava inteiramente decorada, desde o corrimão da escada, enfeitado com uma plumagem verde e laços vermelhos ao jardim, cercado por fictícios bonecos de neve e renas artesanais feitas de finos galhos de árvores. Porém, faltava o principal, a árvore, em canto da sala. Decidira que esta ficaria por minha conta e de Axl, era um símbolo especial para mim, e naquele ano, seria a árvore de natal de nossa casa, e que fosse como no ano anterior, montaríamos juntos o pinheiro de natal.

Porém, não fora desta forma que ocorrera na noite programada. O relógio bateu as duas horas da manhã, e Axl não dava ao menos vestígios de chegada, horas atrasado do que anteriormente prometera. E a remanescente esperança de que fosse apenas um mero atraso obrigou-me àquela insistente e cansativa espera, ao lado do pinheiro ao chão da sala, junto aos enfeites da decoração. Contudo, relutava contra a verdade que a cada minuto chegava mais dolorosa com brisa de noite fria a beirada do mar, a verdade de que aquele ato já não era excepcional, e sim costumeiro, impedindo-me de dormir toda noite na angústia de um aguardar desesperado e amedrontado, o medo de que algo lhe tivesse acontecido. Mas a única coisa que lhe acontecia era a luxúria e a embriaguez, porém, ambas nulas a meus olhos cegados pelo amor que era transbordante por ele, era tolo.

No prosseguir da noite morta derramei algumas lágrimas. Os passos errantes de Axl estavam me machucando a cada dia mais, e aquele só fora mais uma ferida exposta, gravemente aberta pelo insano pensamento de seu atual ato que o impedia de estar ali. Eu tinha a extrema necessidade de parar de enganar a mim mesma, e acreditar que ele não mudaria, que nada o faria repensar em seus atos. E então ele chegaria e diria que fora mais um atraso no decorrer das reuniões, decisões e gravações do Guns N’ Roses, deitaria ao meu lado, exalando a mistura de perfume feminino a álcool, e dormiria como se nada mais tivesse se passado, eu engoliria minha insatisfação e dormiria assim como ele, fingindo esquecer, porém eu nunca me livrava das repugnantes lembranças.

Lembra o que fizemos para o natal do ano passado? Eu lembro. Nós saimos por aí como loucos e então comparamos enfeites e um pinheiro enorme. Você me ajudou a monta-lo no canto da sala do meu antigo apartamento, lembra? Pois é, eu pensei que esse ano não seria diferente, ou quem sabe melhor. Você sabia o quanto essa data era importante para mim, não sabia? Pois eu fiquei te esperando o resto da noite, ao lado do pinheiro, na sala da nossa casa. Mas você não apareceu. Hoje faz exatamente I ano desde aquela noite. Acho que uma das noites mais divertidas da minha vida. Pena que esse ano será diferente.

E que diferença faz? É só uma árvore de natal idiota, mesmo, não é?

O QUE O TEMPO ESTÁ FAZENDO COM A GENTE, AXL?

Uma de minhas lágrimas molhou o canto do papel amarelado, mal cortado, de tinta preta ainda fresca, que ficou sobre o sofá da sala de estar.

Aquela noite teve fim nos lençóis quentes da cama, onde adormeci a sentir o soco no estômago tornar-se de dor intensa até cessar com o meu inconsciente. Contudo, a madrugada passara rápida por mim e logo era manhã.

Ouvi o canto dos passarinhos a longa distância. A claridade que estreitava-se pela janela era fraca, branca, indicando o céu nublado naquela manhã. As brechas abertas deixaram também que o vento frio que soprava por entre as árvores dominasse o quarto a cada cinco minutos. Semicerrei os olhos, tendo em vista o lado de Axl plenamente vazio. Toquei a área com as mãos deixando escapar um pesado suspiro.

Uma momentanea exaustão obrigou meus olhos a fecharem-se novamente, até que um novo som tocasse-me os ouvidos. O som de metal a tocar o piso pode ser identificada rapidamente mesmo em minha confusão mental costumeira àquele horário. Arregalei novamente os olhos. Uma linha tenue de pensamentos ativou-se em minha mente.

Estava convicta de que não passava das dez da manhã, mesmo que não tivesse sequer conferido o relógio, porém o som vindo da sala indicava nova presença ali, que provavelmente não era de Louise, já que só chegaria as 11:30, quanto a Axl...Eu teria percebido se o mesmo tivesse se deitado ali, até porque, o cansaço o faria dormir até 12:00 como costumava ser toda vez que chegava pela madrugada.

Rolei na cama em face de estranhesa. Proucurei pelo relógio que marcava as 09:55. Ergui-me, estarrecida. Antes que pudesse mover-me até a porta ouvi os latidos estridentes de Zyan a uma consideravel distância. Virei-me para a janela, aproximando-me do vidro. O pelo brilhava a medida que corria atrás do próprio rabo, destacando-se no jardim verde, sob feixe de luz oscilante. Quem então teria aberto a porta e permitido que Zyan saísse?

Vesti o robe de seda rosa que fazi conjunto a curta e sensual camisola. Desci hesitante os degraus, ouvindo barulhos prosseguirem na sala de estar. Minha visão enfim abrangeu os quatro cantos do local, vizualizando em um deles a arvore de natal erguida, dejaeitada, com pouco enfeites ainda, e por trás dela, Axl dobrava-se a seus pés, acertando algum pequeno detalhe.

–O que está fazendo? –perguntei, ainda em meado da escada. Virou-se surpreso. As olheiras levemente arroxeadas lhe pesava sob os olhos, assim como a face de exaustão.

–Oi, meu anjo! –disse ele, desatento. –Eu estou só...-interrompeu-se, deixando os ombros cairem desanimados. –Ok, eu estou só tentando me redimir do meu erro na noite de ontem. –A surpresa então foi minha. –Só que acho melhor começar a fazer um desses cursos toscos de como lidar com um bebê, porque não tenho capacidade nem de montar uma árvore de natal sozinho, quanto mais trocar uma fralda, daqui a alguns meses. –permaneci estática, a feição rígida. –Ah, e eu preparei o café também. –alertou. Observei rapidamente a mesa de jantar onde o café-da-manhã encontrava-se posto. Perdi os olhos no assoalho, o silêncio pairando entre nós.

Naquele medo de dizer qualquer coisa que a garganta entalasse, o percebi inquieto, pensando em suas palavras hesitantes.

–Olha, eu sei que eu sou um idiota e que eu só faço besteira. Eu sabia que isso era importante pra você, mas eu sou um imbecil e insensivel. E agora eu tô tentando arrumar meus erros tentando fazer algo que te agrade, mas acho que já errei demais para simplesmente montar uma árvore de natal e cobrir um das minhas besteiras. Mas eu tô aqui, pedindo desculpas de novo, pedindo para você me perdoar mais uma vez. –busquei pela sinceridade em suas palavras. Não esboçei nova expressão.

–E se eu não o fizesse? E se eu achasse que esse é o limite? Que eu fui além do que eu poderia ir, e você foi além do que eu poderia aceitar? E se eu dissesse que aqui é o ponto final? Será que faria tanta diferença pra você me ver sair por essa porta? Talvez fizesse, você nunca aceitou perder nada, não é? Nunca aceitou a derrota. –declarei. –E se eu fosse embora, hein, Axl?

–Eu provalvelmente daria um tiro na cabeça. –havia um sorriso de desespero escondendo-se em seus lábios.

–Pois eu não iria estar aqui para te impedir de novo. –minhas palavras eram duras.

–Mas se fosse pra ficar sem você eu preferia assim. Preferia morrer. Preferia que ninguém me impedisse, me salvasse, até porque ninguém mais poderia me salvar, eu já estaria morto de alguma forma sem você. Por isso eu prometi a mim mesmo que nunca te deixaria ir, eu prometi isso a você há um ano atrás. E é por essa promessa que agora eu estou me jogando aos seus pés


Já era de se prever que eu acabaria em seus braços novamente. No final das contas eu acabava por me render a relutar, talvez estivesse cansada de dor, ou então, era só a convicção de que não poderia ficar sem ele. As blasfêmias se tornaram a mais pura realidade, a mais pura verdade.


Notas finais
Primeiro, desculpem qualquer erro, não tive tempo de revisar, to na correria de sempre com escola. Deu para perceber que na última postagem que eu ressuscitei o Mike no lugar do Zac...Tô doida, trocando os nomes já. Nesse caso foi alguém que me avisou por review e eu não lembro quem era (é o sono dando seus sinais de chegada), mas obrigada, e se alguém ver algo mais, please, avisem por review. Obrigada!
Mas estou aqui para falar principalmente de algo que vocês já devem saber: O Nyah! Está fechando a categoria Bandas. Ainda temos um bom tempo até que My Dark Angel não esteja mais aos olhos de vocês, não tive tempo de ler o comunicado minuciosamente mais isso eu confirmei, porém eu prometi uma nova fic do Guns N Roses que eu já comecei a escrever, bem como outras fics de outras bandas. O fato é que agora essas estão desabrigadas, e eu estava rachando a cuca nos últimos dias tentando encontrar um jeito de posta-las, e que fosse ser mais confortável para quem quiser ler e que também não me desse muito trabalho. Mas eu não cheguei a grandes conclusões e eu queria que vocês dissessem por review, pelo menos quem quiser acompanhar a nova fic do GNR, como ou onde vocês preferem, Tumblr, blog, um outro site de fics, mesmo que seja interativo...Não sei, o que for melhor para vocês, ok?!
Quanto ao fim de My Dark Angel, tenho de dizer que estamos a cerca de 10 capítulos do fim. Isso segundo meus cálculos, podem ser um pouco menos, mas provavelmente não vai passar disso. Já tá muito grande e chata, né?!
Ah, obrigada a AliceRose pela recomendação perfect que fez pra fic, muito obrigada mesmo, e obrigada a todos pelos reviews, ainda não tive tempo de responder , mas já li tudinho. Obrigada pela paciência de ter lido isso tudo também. Talvez volte no sábado, ok?!
Beijos!