My Dark Angel

42 Remember those walls I built?They're tumbling down


Notas iniciais
Heeeeeeey! Tô de volta, meu povo!
Primeiro: Nome original do capítulo: Remember those walls I built? Well, baby they're tumbling down (Lembra-se daquelas paredes que eu ergui? Bem, baby, elas desmoronaram)
Mas o Nyah! não foi muito complacente e o nome não coube ali u_u
Segundo: Atraso do capítulo por causa do meu aniversário na semana passada. Completei 15, gente o/ A semana foi cheia, não consegui postar no sábado passado, mas esse cap. tá grandinho, dá pra compensar, eu acho.
Então, bora ler gente?!
Capítulo quentinho, espero que gostem!
Divirtam-se!
Beijos!

Joguei sobre o sofá minha bolsa pesada em decorrência dos livros que ali faziam moradia. Um silêncio se fez, enquanto eu o observava, de costas para mim, as mãos fechadas em punhos, fortemente pressionadas; o corpo visivelmente rígido. A respiração tensa poderia ser ouvida a metros de distância. Era aterrorizador. Nunca o vira daquela forma antes. Inclinei a cabeça para o lado tentando ver a que estado encontrava-se sua face naquele momento. Impossível dali.

-O que está acontecendo? –murmurei, receosa, temendo algum ato inconsciente de sua parte. Ouvi sua respiração puxar ao fundo oxigênio, como se assim, tentasse inalar também a calma e paciência que precisa naquele momento.

-Quem. É. Ele? –disse pausadamente, em um tom de voz controlado. As mãos contorcendo-se mais um pouco de forma assustadora.

Não precisei pensar. Eu sabia a quem ele se referia. E como imaginara pela manhã, o ocorrido na frente da escola me renderia alguma discursão, mas confesso, nunca pensei que sua reação seria tão ruim quanto a que se punha frente aos meus olhos.

-Zac Harner. Ele ainda é novo na escola. Chegou logo quando nos casamos. Estava com problemas de adaptação no Arizona, os pais resolveram traze-lo pra cá, onde a mãe dele nasceu e ele viveu durante cinco anos. Ele é da minha sala. Acabamos virando amigos há pouco tempo. Desculpa, acho que deveria ter te contado antes, mas não tive tempo para isso.- expliquei desatenta.

-Pare de mentir! –a frase soou quase como em um rosnado enquanto ele virava-se para mim. Meus olhos arregalaram-se, dei dois passos para trás, quase que involuntariamente. –ELE NÃO É SÓ SEU AMIGO! NÃO MINTA PARA MIM! –gritou, fazendo-me estremecer vagamente.

-Axl, o que está fazendo? O que está dizendo? –perguntei confusa, visivelmente assustada.

-Ah, não se faça de desentendida! Eu não sou idiota! –exclamou.

-Não é idiota? Olha só o que está fazendo. Está duvidando de mim. E quantos motivos eu te dei para duvidar de mim, hein, Axl?! Achei que confiasse em mim, como eu consegui reconstruir minha confiança em você mesmo depois de tudo que fez. Acho que se alguém aqui deve ter medo de ser traída essa pessoa sou eu. É repugnante pensar que você acredita que eu faria o mesmo. –permiti-me pronunciar alterando o tom de voz. Virei-me apressando-me até a escada. Mas antes que pudesse por os pés no segundo degrau o senti puxar com força meu braço fazendo-me virar.

-Está agindo como uma vaga...-impediu-se de terminar a frase. –Mulheres casadas não tem amigos homens, não recebem beijos de garotos desconhecidos. Ponha-se no seu lugar de esposa. Não sabe o quanto me controlei para não ir até lá e quebrar a cara daquele filho da puta! Você é minha, e é melhor deixar isso bem claro a ele. –indagou Axl, entre dentes, enquanto eu balançava sutilmente a cabeça, em uma súbita expressão de incredulidade. Eu mal podia acreditar nas blasfêmias que ouvia. Palavras tão toscas, tão egoístas que chegavam a ferir meus ouvidos, correndo-me pelo corpo, de forma cortante, esmagadora. Meus olhos arderam tanto quanto o braço que ele apertava. Engoli o choro desesperado que me entupiu a garganta.

-Então, sinto lhe informar, senhor Axl Rose: Eu NUNCA serei a esposa perfeita. Mas não se esqueça que foi com uma garota imperfeita que você se casou. Sabia disso, sempre soube. Eu disse que eu não me encaixava nesse papel. E caso não tenha dito antes: Eu não deixarei de lado meus amigos e a vida que eu tinha antes para ser aquilo que você quer que eu seja. Eu não sou a mesma idiota. É hora de ser adulta e eu o fiz. Acostume-se. E suas blasfêmias me embrulharam o estômago. Nunca esperei ouvir tudo que ouvi hoje logo de você. Por pior que seja, tenho de confessar que por um momento eu me perguntei “Onde está o homem com quem eu me casei?” Acho que ele está se perdendo aí dentro, Axl. –rebati. Sentindo sua mão afrouxar-se em meu braço e seus olhos distanciarem-se, digerindo tudo que lhe dissera.

Subi correndo as escadas, queria estar longe dele quando as lágrimas me banhassem o rosto. E elas o fizeram, explodindo de meus olhos. Bati a porta do quarto, jogando-me ao chão, próximo a cama. Eu poderia então sentir sozinha a dureza das palavras de Axl, a frieza das minhas próprias palavras, que feriram-me tão violentamente quanto as dele. Eu não queria uma nova destruição dentro de mim. Tudo ali estava tão limpo havia tempo. Tudo reconstruído com tanta dedicação. Não queria aquelas cicatrizes doendo novamente, não queria um coração sangrando de novo. Mas eu nem mesmo podia impedir aquele mal de se propagar dentro de mim. Axl tinha o total controle sobre meu corpo, ele pertencia a Axl, assim como o coração que acabara de tirar um pedaço. Só ele podia me destruir e me refazer de forma completa. Contudo quando a destruição vinha por sua ação ela era arrasadora, quase insuportável, fazendo arder até o sangue que corria em minhas veias.

Cravei as unhas na colcha branca que cobria a cama, chorando alto. Senti o estranho vazio no coração que havia tempo que não me atormentava. E eu tão tola e ingênua que acreditei que nunca mais sentiria aquilo. Eu vi um caminho de flores se formar para nós no dia de nosso casamento e de repente até mesmo o chão me faltava. Uma peça fácil, derrubada sem pudor naquele jogo de tabuleiro onde a dor é como um furacão, destruindo cada parte do corpo, sem exceções, apenas áreas onde a ação é ainda mais arrasadora.

Senti-me inútil, senti o arrependimento cortante de minhas palavras insanas lá embaixo. Eu ainda estava lá, eu ainda estava presa aquele momento, parada na beirada daquela escada. Pelo quarto restara só corpo a queimar.

Não quis levantar. Eu poderia ficar por ali, ouvindo o ressonar de minhas palavras repetidas, ouvindo as dele explodirem em minha cabeça que a essa altura já latejava. Meu pescoço protestou, quando dei por mim uma dor horrenda arrastava-se por minha coluna. Aquela posição não poderia ser mantida por muito tempo, e maldito era meu corpo que não me permitia permanecer da forma que eu desejara.

Quando meu choro permitiu, ouvi passos pesarem sobre o assoalho de madeira do corredor, corrompendo o som das palavras que bailavam pelo quarto, acompanhadas do meu choro insistente e doloroso. Calei-me, levantando-me rapidamente, sentindo o reclamar de um dos meus pés, sobre o qual estava sentada. Ignorei a dor e corri até o banheiro do quarto, chaveando a porta.

Fazia aquilo na tentativa tola de esconder a humilhação de meu choro de quem quer que fosse. Ninguém precisava presenciar minha dor e minha fraqueza incontestável, por mais que já tivessem conhecimento daquilo. Nem mesmo eu sabia por que fazia aquilo, talvez só quisesse poupar-me de perguntas e lamentações. Eu queria ficar sozinha, e eu só o conseguiria com o silêncio de minhas lágrimas e o não questionamento de meu choro.

Tinha de confessar, eu temia que fosse Axl. Eu não queria ouvi-lo naquele momento. Estava fragilizada demais. Acabaria me rendendo e deixando sem explicações as perguntas que surgiram em minha mente. Um nó maior em meus pensamentos perdidos era tudo do que eu não precisava.

Segurei a porta, encostando ali o ouvido.

-Senhora Rose. –ouvi a voz de Louise ao bater na porta do quarto.

-Entre Louise. Estou no banheiro! –subi um pouco o tom de voz para que ela me ouvisse.

-Senhora Rose, queria saber se precisa de algo. –perguntou ela, desta vez a voz já mais próxima.

-Não, Louise. Caso precise eu lhe aviso. –respondi, controlando o choro evidente na voz falhada.

-Okay. –respondeu ela. Ouvi alguns passos de sua parte.

-Louise. –chamei uma última vez.

-Sim. –atendeu-me.

-Onde está Axl? –perguntei.

-Saiu agora pouco de carro, mas não disse para onde ia nem se voltaria para o jantar. –respondeu.

-Tudo bem, Louise. Pode ir. –eu disse. Ouvi o fechar da porta do quarto. Sentei-me encostada na porta fechada do banheiro, recolhendo minhas pernas contra meu corpo, deitando sobre elas minha cabeça.

Nem mesmo sei dizer quanto tempo passei ali. Provavelmente só o tempo o bastante para que meus pensamentos se calassem por um momento, deixando-me com o silencio da minha dor, a escuridão da minha mente, o vazio debaixo do corpo. As serpentes em meus estômago finalmente sossegaram, evaporando por um momento que fosse. Elas me deram uma falsa paz de alguns minutos. Contudo, “paz”, era uma palavra desconhecida para mim naquele dia. E eu já não sabia quando ela voltaria a se aplicar em minha vida conturbada.

Meu corpo ergueu-se, minhas pernas caminharam até a banheira, preparando-a para um banho. Afundei o corpo na água fria logo que já estava em quantidade aceitável. Deitei para trás minha cabeça, distanciando-me em pensamento.

-Louise. –chamei, descendo as escadas.

-Sim, senhora Rose. –respondeu.

-Pode preparar o jantar. Mas eu vou comer no quarto. Não precisa por a mesa.

-E o que a senhora quer que eu faça para o jantar? –perguntou.

-Faz aquela quiche de queijo que eu gosto e a salada de rúcula. –respondi.

-Okay. –respondeu. Voltei ao quarto, sentindo a seda de meu robe varrer o chão.

O relógio marcava as seis e meia, Axl não dera nem mesmo sinal de vida. Eu odiava preocupar-me com ele depois do ocorrido. Eu odiava me sentir por um momento o monstro daquela história. Odiava mais ainda me sentir errada quando estou certa, me arrepender de algo que não fiz, e saber que ele não se arrepende do que ele fez.

Então toda aquela raiva que eu sentia no inicio da tarde me esvaíra pelos dedos. O desejo de não tê-lo por perto por algumas horas agora era nulo, e eu quase implorava para que ele estivesse ali, para que ele voltasse e eu seria capaz de pular em seus braços e pedir desculpas por algo que não fiz só para vê-lo ficar, dizendo que me ama. E como eu poderia ser tão tola? Entretanto, como poderia ficar longe daquele que amo?

O orgulho entalara em minha garganta, recusava-se a descer, desaparecer, corroído pelo ácido de meu estômago; estava em conflito com o desejo insano de tê-lo ali, de pedi-lo perdão por minhas palavras, as palavras que eram certas, mas recuantes, voltariam para minha boca, pois não tinha coragem o bastante de enfrenta-lo e correr o risco de perde-lo. Pois eu preferia confessar-me fraca, assumir minha impossibilidade, do que estabelecer uma briga com Axl.

O som do telefone berrou pelo quarto. Atendi apressada.

-Alô. –minha voz soou em tom de afobação.

-Lizzi?! –ouvi a voz de Sarah soar calma ao outro lado. Suspirei decepcionada.

-Oi Sarah. –disse desanimada.

-O que aconteceu? Está estranha. –perguntou ela.

-Nada...quer dizer eu e o Axl discutimos, hoje, quando cheguei da escola, ele saiu de carro e ainda não voltou, estou preocupada. –respondi.

-Ah, o carro...

-Não. Dessa vez não foi por causa do carro... –eu disse fazendo em seguida silêncio, enquanto fitava minhas pernas, lembrando de todas as palavras que voaram pela sala mais cedo. –Amanhã conversamos sobre isso. –murmurei. Não queria falar o motivo naquele momento, as lembranças me banhariam a mente mais uma vez e novas lágrimas arderiam em meus olhos. Eu já podia prever o acontecimento. Talvez, no dia seguinte, depois de meus pensamentos descansarem por algumas horas sobre o travesseiro eu pudesse falar sobre aquilo com mais tranquilidade.

-Não acha melhor eu ir para aí. Não gosto de te deixar sozinha quando está nesse estado. –disse ela.

-Não, não...eu estou bem. Vou ficar bem. Não precisa se preocupar. Acho que tudo que eu preciso agora é deitar a cabeça no travesseiro e dormir até amanhã. E você queria falar algo comigo quando me ligou? –perguntei.

-Ah, não, liguei mais para saber se estava bem e para resolver algumas coisas do trabalho de história, mas podemos resolver isso amanhã. –respondeu.

-Então, nos vemos amanhã.

-Promete que vai ficar bem?

-Prometo. –murmurei com um vestígio de sorriso nos lábios.

-Qualquer coisa é só me ligar, ok?! –ela disse.

-Tudo bem.

-Durma com os anjos, irmã. –despedimo-nos dando fim a chamada telefônica.

Acabei deitada na cama, fitando o teto branco, analisando cada detalhe do lustre sobre mim.

-[...]Eu ainda sou uma menina, eu ainda tenho 17 anos, e em algumas horas estaremos morando juntos, como um verdadeiro casal, tendo de lidar com responsabilidades que eu não sei se estou pronta para suportar, e haverão brigas, e... Eu estou com medo Axl. –olhei em seus olhos em minha súbita expressão de temor. – Eu estou com medo. Estou com medo de que as coisas não deem certo, estou com medo de não suportar o fato de que agora tenho de amadurecer, estou com medo de parecer uma criança mimada e idiota para você. –completei. Ele afagou meu rosto com um vestígio de sorriso desenhado nos lábios rosados.

–Talvez as coisas tenham acontecido um pouco rápido para nós e é normal que você se assuste. Mas se preocupar com isso não passa de bobagem, meu amor. Você será a melhor esposa do mundo, e você já é a melhor esposa do mundo. Não ligo se você não é a melhor cozinheira e a melhor dona de casa. Você é minha e isso me basta. Mas, por favor, por favor, nunca ache que parece uma idiota para mim, nunca diga isso. Garota, você tem noção que você é o meu mundo? Quanto a idade. Você já mostrou que é diferente de muitas garotas de 17 anos. Eu te amo, senhora Axl Rose!

-Onde estamos errando, Axl?! –murmurei baixinho, comigo mesmo, após ser invadida pela lembrança de nosso estágio final na Grécia, as palavras que me foram ditas na tarde que pairava esplendorosa pela cidade.

Passei horas deitada sobre a cama. Fitando o relógio por onde as horas arrastavam-se e a agnoia corroia-me. O motor do carro não ressonara na frente da casa, barulho da porta ainda não banhara meus ouvidos com a glórida da certeza de que ele chegara e que eu então, já poderia correr pela casa, pulando pelos degraus da escada e saltando em seus braços.

Do jantar não fiz proveito. Talvez aquela espera angustiante mexesse em meu equilíbrio, em meu estômago que se recusara a aceitar qualquer tipo de alimento. Minha visão então embaçou, deixando-me ver por fim apenas os números que marcavam a meia-noite. O sono não me permitiu mais que aquilo.

Axl Point of View

Passava das duas da madrugada quando estacionei o carro enfrente a casa. Olhei a casa branca, cintilando na escuridão da noite. As luzes que beiravam o caminho até a porta já haviam sido apagadas. Restava apenas a luz da entrada.

Pousei minha testa sobre o volante, respirando fundo e fechando os olhos por alguns minutos.

Interrompi a confusão de pensamentos que se aproximara de minha mente abrindo novamente os olhos e saindo do carro. Se os deixassem continuar provavelmente amanheceria ali dentro.

Perguntei-me se ela ainda estaria acordada. Entrei então em silêncio. Na sala havia apenas um abajur aceso e sofá vazios. Evitei qualquer tipo de barulho. Tirei os sapatos pondo-os em um canto qualquer da sala. Subi as escadas temendo o estalar do assoalho que pudesse acorda-la se dormia. Caminhei pelo corredor, indo até o quarto. A porta estava encostada, uma mínima brecha aberta. A empurrei para trás cuidadosamente.

Lizzi dormia quieta sobre a cama, iluminada apenas por um abajur fraco de luz amarelada ao outro lado do quarto. Aproximei-me silenciosamente. Os olhos fixos nela, os cuidados concentrados nos pés para que não errassem o caminho, tropeçando em algo que a pudesse tirar de seu sono leve.

Sentei na beirada da cama, de forma que tivesse total visão de seu rosto relaxado. Nada me satisfazia mais do que vê-la dormir daquela forma. E naquele momento a sensação de arrependimento intensificou-se em mim. Sabia que a havia feito chorar. E como eu poderia ferir aquela pequena menina, que a mim pertencia? Como eu pude por um momento desprezar o amor que ela sente por mim? Como pude questionar a ingenuidade daquela garota?

Eu era um incontestável idiota. E agora fervia em um ódio terrível de mim mesmo. Eu prometi cuidar dela e o deixei de fazer. Havia algo em mim que nem mesmo eu conseguia controlar. Explodia de repente fazendo-me questionar mais tarde o que fizera. Já era tarde demais, então.

Martirizei-me. Culpei-me cruelmente por todos os meus erros. Ela suspirou na cama, movendo-se vagamente.

Não podia mais deixar os meus pensamentos atrapalharem seu sono, deixaria que ela dormisse sem nenhum intervenção minha. Fui até a beirada, buscando o cobertor enrolado embaixo de seus pés. A cobri até sua cintura. Beijei seu rosto por fim.

-Eu te amo. Por favor, nunca duvide disso. –sussurrei, de olhos fechados, antes que erguesse o corpo para deixar o quarto.

Lizzi Point Of View

O orvalho da noite tocou minha pele. O cheiro de terra molhada intensificando-se, materializando-se em meus pulmões. O vento frio varrendo-me abruptamente. As folhas secas pinicando meu corpo, coberto apenas por uma camisola branca. Abri os olhos. Tudo que vi foi a cadeia de árvores formada sobre minha cabeça. Árvores anciãs, enormes, escuras, de verde musgo, o mesmo que já cobria lhes o tronco. Levantei, assustada, questionando-me o que fazia ali, que lugar era aquele, cuja existência meus olhos e minha memória desconheciam.

O silvo do vento intensificando-se em direção contrária soou em meu ouvido. Ouvi também som de corujas, cantantes na noite escura que fazia.

Caminhei curiosa, o rosto sem estabelecer uma reação exata. Eu sabia apenas que queria ir embora. Não gostava do ar que respirava-se ali. Era pesado, cortante, tinha cheiro de dor, de lembranças ruins, tinha o cheiro da minha antiga casa, aquela que deixei para trás quando mudei-me para Los Angeles. Minha casa no Brasil.

Por entre as arvores, perdida naquele lugar, fechei os olhos por algum motivo que não sabia o qual. O vento então arrastou-me, ouvi um barulho ensurdecedor corromper meus ouvidos e então abri novamente os olhos. O cheiro de minha casa tornara-se mais vivo naquele quarto em que me encontrava. O carpete estava manchado por tinta vermelha. A chuva respingava na grande janela de madeira branca. Alguns brinquedos estavam recolhidos ao canto do imenso quarto.

Uma prateleira estava repleta de livros, uma etiqueta colada ali dizia “Meus preferidos”. Estranhei a literatura dificultosa dos livros que sem encontravam ali. Eram livros que nem mesmo adultos leriam com facilidade. Mas eu poderia recitar as várias páginas de cada um deles. Eu já os lera mais de 20 vezes quando mais nova. Então quando a incredulidade tomou minha face, o mistério daquele quarto desembolando em minha cabeça, ouvi o som açucarado de uma música suave tocando próximo a mim. Fitei então a mesa de cabeceira onde encontrava-se uma caixinha de música. A minha caixinha de música. Eu a amava desde pequena, mas quando tinha 12 anos a perdi em algo canto que nem mesmo conseguia recordar, treze dias antes do natal daquele ano.

A bailarina rodopiou mais uma vez frente aos meus olhos antes que a música se calasse. Movi-me para faze-la tocar de novo, mas fui interrompida pelo som da voz de minha mãe. Caminhei até a porta, timidamente, temendo o que veria, ouvindo com atenção as palavras que dizia.

-EU JÁ ABRI MÃO DE MUITA COISA POR VOCÊ! –gritou minha mãe.

-ABRIU MÃO DE QUE? DE SER UMA VAGABUNDA?! ACHO QUE NÃO FEZ ISSO DIREITO PORQUE VOCÊ AINDA PARECE UMA. –a voz que gritava agora pertencia a meu pai. Caminhei pelo corredor, ouvindo mais alguns argumentos. Cheguei até a escada, beirando o primeiro degrau para a descida. Escondi-me atrás da parede, de forma que não me vissem.

Vi papai segurando mamãe fortemente pelos braços.

-EU DEIXEI MINHAS AMIGAS POR VOCÊ. MINHA VIDA POR VOCÊ. –gritou ela.

-SUAS AMIGAS ERAM TODAS VAGABUNDAS COM VOCÊ E A VIDA DE PUTA, ACHO QUE VOCÊ NUNCA DEIXOU. –ele a arremessou contra a escada.

Fechei novamente os olhos, sentindo lágrimas brotarem neles. Quando novamente os abri, vi uma criança encolhida contra a parede, aos prantos, silenciosamente. Vestia sua camisola branca e trazia-me uma doce lembrança. A menina de pele branca, quase translucida, bochechas grandes e cabelo bronze, lisos, lembrava-me alguém. Eu a conhecia, a conhecia como ninguém. Aquela criança era eu.

Quis pega-la nos braços, faze-la parar de chorar. Eu conhecia a dor que sentia, estava doendo em mim novamente. Foi então que ela ergueu os grandes e redondos olhos azuis, tão angélicas, tão lindos e puros. Levantou. Fitou-me com estranheza. A mãozinha movimentou-se, a minha repetiu o ato, erguendo-se como a dela. Nossos dedos aproximaram-se, tocando um ao outro. Foi quando eu vento soprou forte contra meu rosto e um arrepio percorreu minha coluna.

Caindo na escuridão ouvi novamente os argumentos usados em minha discursão com Axl, misturando-se aos daquela discussão de meus pais. Havia uma grande semelhança ali e o fato me fizera sentir uma sensação quase insuportável. Minha pele repuxou, fortemente, como se fosse arrebentar em todas as partes de meu corpo, uma série de espasmos atingiu-me e eu gritei pela claridade de novo.

Saltei na cama, procurando um ar respirável. Senti o suor escorrendo por minha testa enquanto um sol fraco habitava o quarto, era apenas a claridade de mais uma manhã. Olhei para o lado, vendo o lugar de Axl da mesma forma como na noite anterior. O relógio marcava as seis e quinze da manhã. Acordei alguns minutos antes que o mesmo despertasse.

Levantei-me, procurando, tonta, o caminho para o banheiro. Fechei a porta, olhando-me no espelho. No rosto de traços aprofundados naquela manhã, apenas umas olheiras não muito profundas. O pequeno inchaço logo abaixo dos olhos revelavam que chorara há algumas horas.

Ignorei o que o espelho refletia indo até o chuveiro. Banhei-me em água quente, baixando o volume dos cabelos, esfriando qualquer tipo de pensamento insano que me perturba-se logo pela manhã. Queria apenas saber o que acontecera a Axl. Queria ter a certeza de que ele voltara para casa depois que me rendi ao sono.

Quando dei-me pro satisfeita saí. Completando minha higiene matinal. Vesti-me com o uniforme de sempre. O dia talvez não cobrasse um moletom, mas o levaria junto a mim. Organizei minha bolsa, checando todos os materiais. Desci as escadas carregando todas as minhas tralhas, em silêncio. Meus olhos procuram imediatamente por Axl. Porém tudo que vi ao chegar ao primeiro andar fora uma linda mesa posta de café da manhã. Alguns buquês de flores espalhados por vasos pela sala de estar.

Observei, estática, a mesa de tamanho esplendor. Mãos então surgiram, vendando meus olhos. Macias e frias. Eu as conhecia. Conhecia aquele cheiro que penetrou em minhas narinas, então.

Notas finais
E aí, gostaram? Clima meio tenso nesse, não? Bem, mil desculpas por ainda não ter respondido os comentários, vou tentar responder hoje a noite (Lê-se: de madrugada) quando eu voltar com meus amigos, porque hoje é dia de Party o/ Que mais? Ah, desculpas também a Lady Rose que é uma querida comigo, mas tô em falta com Crazy Love, a fic dela que eu vi "nascer", me sinto até madrinha u_u
Que mais? Que mais? Acho que só.
Ah, Claro, obrigaaadinhaaa a todos que comentam.
Beijos e até a próxima!