My Dark Angel

43 Cause nothin' lasts forever


Notas iniciais
HEEEEEEEEEEEELLOOOOOOO! Ó eu aqui de novo meu povo. De novo, nada, passei o sábado sem postar. Claro, quase não tive comentários :( Minhas leitoras sumiram, foi?!
Enfim, aí está o capítulo, meados dele está bem ruim, escrevi no começo da fic, mas acho que está até aceitável.

-Espero que me perdoe por ontem. Eu fui um idiota como sempre sou. –murmurou.

Deixou meus olhos e eu virei-me para ele. O abracei rapidamente.

-Por favor, nunca mais saia assim. Não me deixe sem notícias, por favor. –supliquei.

Meu erro tornou-se correto naquele momento. Nem mesmo que eu quisesse poderia ter agido de forma contrária. Eu estava desesperada, estava banhada pela culpa de o tê-lo feito ir na noite anterior. Eu não podia ver Axl sair, sem a certeza de que voltaria, nem que fosse de brincadeira. A verdade é que aquele amor que faiscava dentro de mim era capaz de corroer até o orgulho que insistisse em aparecer. Não me importava de me sentir uma idiota mais tarde, de fato, eu o tinha ao meu lado, e aquilo me bastava, me era satisfatório.

-Axl, estou atrasada! –eu disse, levantando-me apressada da cama e vestindo novamente o uniforme espalhado pelo chão do quarto.

-Ah, por que não falta aula, só hoje? –resmungou.

-Não posso. –respondi já vestindo a saia. –Tenho trabalhos e avaliações. E você nem deveria estar em casa.

-Vou chegar mais tarde. Já avisei a eles. –explicou.

-Eu sei que hoje a noite tem show e você tem de ser preparar. –disse, curvando-me sobre ele e aplicando-lhe um beijo nos lábios.

-Mas eu poderia ficar mais um tempo com você, aqui. –sentou-se na cama e aproveitou meu descuido ao dar-lhe as costas, puxando-me para seu colo.

-Não, não pode. –murmurei tomando seus lábios para mim.

-Então eu te levo na escola. –indagou.

-Não. –recusei. –Vou estrear meu carro. –ele fez careta e eu levantei de seu colo.

-É melhor eu te levar. –insistiu.

-Não insista. –disse ríspida saindo do quarto.

O futuro dificultoso foi visado quando Axl noticiou-me com uma turnê próxima do Guns N’ Roses. Eu obviamente não poderia acompanha-lo já que a escola me impedia. Era meu último ano, logo tudo aquilo teria fim.

Tivemos poucas discursões ao decorrer do mês, coisas bobas que em algum momentos nos perturbava, tirava um de nós do sério, e a falta de paciência, aquela altura já começava a nos subtrair.

Era final de setembro, outubro chegava ligeiro, quando as complicações foram tornando-se mais arrasadoras. O tempo. Digo que tudo estava ligado a ele...ou quase tudo.

Axl já quase não dormia em casa, muitas vezes chegava de madrugada, deixando-me sozinha o resto do dia. Até que cheguei a ponto de questionar-me se tinha mesmo um marido ou se não era uma doce ilusão.

Sua obsessão por me controlar piorava toda aquela situação. E todas aquelas discussões de antes estavam se agravando.

Festas, shows, reuniões... O Guns N’ Roses estava chegando ao topo aos poucos e eu já era considerada por algumas revistas -cujo fenômeno dono do hit Welcome To The Junlge estampava a capa -, a musa GN’R. Junto a ascendência a fama vinha o dinheiro, e com ele as tentações. Sexo, drogas, bebidas...Já não suportava mais sentir o cheiro de álcool exalando de Axl pela manhã.

Problemas com a policia também aconteciam, mas ao menos disso, meu marido poupava-me, já os outros meninos nos renderam preocupações nas poucas madrugadas que eu e Axl passamos juntos.

As dúvidas sobre o comportamento de Axl então me atormentaram. Havia algo de errado e eu estava certa disto.

-Oi, Louise. –disse, adentrando a cozinha.

-Oi Lizzi. –respondeu, mexendo em algo na geladeira.

-Axl já chegou? –perguntei.

-Já. –respondeu.

-Ah, não vi o carro dele ali fora. –comentei dando a primeira mordida na maçã que peguei.

-Ele disse que deixou no concerto, eu acho. Chegou agorinha e subiu. Eu disse que a senhora tinha ido fazer compras e que não ia demorar. Ele disse que ia esperar a senhora para almoçar. –explicou.

-Então vou subir. –eu disse.

Juntei as sacolas e as levei até o quarto, pondo-as em um canto qualquer. Ouvi o barulho do chuveiro vindo do banheiro. Ri nasalada ao ver a camisa que Axl largara sobre a cama. Suas bagunças nem mesmo mil broncas poderiam resolver. Peguei então a blusa, mas antes que a colocasse no cesto de roupas sujas percebi uma coisa. Havia um cheiro forte vindo dali, e aquele com certeza não era o perfume de Axl.

-Oi amor! -ele disse chegando ao quarto, com o corpo ainda enxarcado, enrolado em uma toalha, virei-me para ele, com a expressão plenamente enfurecida, os olhos transbordando em amargura. Ele me olhou curioso, provavelmente perguntando-se o porquê de minha expressão raivosa. Não dei tempo para que ele achasse uma resposta.

-Cara-de-pau, filho da mãe... -eu disse partindo para cima dele e socando o seu peito molhado, enquanto ele tentava controlar meus braços. –COMO VOCÊ TEVE A CORAGEM? -questionei. – COMO VOCÊ PODE ME TRAIR? – perguntei, o tom de voz já alterado, sentindo meus olhos mais húmidos em decorrência das lágrimas que arderam ali. -HEIN?! -gritei, esperando uma resposta.

-Você só pode estar louca. -ele disse incrédulo.

-LOUCA, AXL? Você chega em casa com a camisa cheirando a perfume barato de vagabunda, e eu sou a louca? -perguntei enquanto algumas lágrimas escorreram pela face fervente em ódio. -E eu que achei que você sentia algo por mim. -murmurei balançando a cabeça sutilmente. Dei de costas e saía andando em direção a porta do quarto.

-Lizzi, volta aqui. –ele disse, seguindo em meu encalço e eu ignorei. -LIZZI! -eu já estava próximo a escada quando ele agarrou meu braço. -Temos de conversar. -murmurou.

-Eu não tenho NADA mais para falar com você.

-Mas eu tenho. -ele disse e agarrou meus lábios, pressionando-os com os dele. Mordi seu lábio inferior, o vi levar a mão a boca que sangrava. Antes que ele pudesse reclamar acertei-lhe um tapa na cara.

-Eu não sou esse tipo de mulher, Axl. Eu não sou mais uma puta nas tuas mãos. Não vou ficar aqui que nem uma idiota, suspirando de amor por você e aceitar quando você parecer com uma marca de batom ou cheiro de outro perfume. Desculpe, mas não sirvo para o papel de traída. -eu disse e desci as escadas correndo. Puxei a bolsa que larguei no sofá. Saí batendo a porta ignorando sua pergunta que questionava para onde eu iria.

Liguei meu carro cujo motor ainda não esfriara por completo. Alguns minutos e eu já podia ver as árvores que apinhavam a estrada, caminho que levava a casa da única pessoa que eu poderia recorrer naquele momento. Derramei lágrimas pelo caminho, elas eram inevitáveis. Mas evitei um choro mais prolongado, pois isso acabaria desviando minha atenção direcionada a estrada vazia. Cerca de 40 minutos depois eu já entrava na rua residencial onde Sarah morava.

O motor já não roncava mais, e eu ainda estava dentro do carro, encorajando-me a sair e tocar a campainha. Sequei algumas lágrimas e peguei a bolsa que eu largara no banco de carona. Bati a porta e então seguia até a entrada da grande casa branca. Toquei a campainha apenas uma vez. Podia ouvir os passos delicados de Sarah, enquanto ela bailava em direção a porta principal.

Houve o barulho da maçaneta e um rosto angelical se contorcendo em súbita curiosidade. Corri para o conforto de seus braços aninhando minha cabeça em seu ombro e escondendo meu rosto em seu cabelo com cheiro de morango.

-Ai meu Deus! O que aquele brutamonte, fez com você? -perguntou assustada. Calei-me, mal conseguia falar.

Ela apenas apertou os braços em volta de meu corpo de forma acolhedora. Depois de alguns segundos, afastou o corpo quente e fitou minha face. Secou as lágrimas de meu pranto soluçado.

-Ah, meu amor. Olhe só como você está?! -ela disse. -Vem, entre. -puxou minha mão casa a dentro, direcionando-me a seu quarto no segundo andar.

Talvez minha vida de casada com Axl estivesse tendo apenas o começo da conturbação. Eu já não via mais a mesma luz ressoante o envolvendo, eu temia que ela se apagasse para sempre. Os primeiros dias morando juntos fizeram de nossas vidas uma perfeita lua de mel, lua de mel que pensei durar eternamente, mas naquela tarde conclui que ela já não existia mais havia tempo.

As horas de conversa com Sarah foram o bastante para me fazer refletir bastante. Ela tinha sempre bons conselhos, ela possuía um dom único de acalmar a qualquer um que estivesse a beira de um de um abismo.

A volta para casa não foi de lágrimas, e sim de reflexão. Busquei serenidade naquela estrada vazia, por onde o carro deslizava calmamente, deixando que meus pensamentos se perdessem nas árvores iluminadas pela luz da noite de lua cheia.

Ele não estava em casa e eu não desejava nem esperava que ele estivesse. Eu precisava de um tempo sozinha, mais do que quarenta minutos em um carro, eu precisava de uma noite de sono bem dormida.

A casa silênciosa e escura me fez crer que ele dispensara a empregada. Subi até o quarto, passando cautelosamente pela porta entre aberta de nosso quarto. A toalha branca ainda estava jogada sobre a cama. Taquei-a, imediatamente, no cesto de roupa suja, eliminando as evidências de que ele estava ali. Sentei-me no chão, próximo a cama, abraçando as pernas encolhidas contra o corpo e deitando a cabeça sobre os joelhos. Eu tive longos 60 minutos daquela forma até que tomasse uma decisão.

Juntei algumas coisas no quarto, tudo que ele necessitasse para passar aquela noite na sala de estar. Pus tudo sobre o sofá. Caso ele não estivesse adepto ao conforto do extenso sofá branco ele poderia passar a noite no quarto de hóspedes.

Voltei ao quarto e chaveei a porta. Tomei um banho e vesti minha camisola. Deitei na cama fria e vazia. Os olhos não estavam satisfeito com o horário, ainda não havia sono. Enrolei por mais uma ou duas horas, até que ouvi o bater da porta da sala. Um silêncio se fez, por longos segundos, nada pode ser ouvido. Até que passos pesados corressem pela escada e cruzassem o corredor.

-Elizabeth, abra essa porta. Para que todas aquelas coisas lá em baixo? -ele disse batendo insistentemente na porta. -Elizabeth, por favor, abra essa porta, meu amor, vamos conversar, por favor. -murmurou e eu deixei que algumas lágrimas vazassem de meus olhos. -Elizabeth, por favor, me escuta, meu anjo, eu te amo. Juro por tudo que é mais sagrado que eu não te traí. Ah, Elizabeth, por favor, abre, vamos conversar. -continuou a suplicar e eu a ignorar.

Axl insistiu por mais alguns minutos. Então silenciou-se.

Não consegui dormir bem. As lágrimas derramadas na calada da noite me privaram de um sono tranquilo. Por várias tateei lado vazio da cama onde Axl deveria estar. Era só uma ilusão de encontrar o corpo quente esparramado por ali.

A manhã chegou com o assoviar dos passarinhos e o sol que habitava vagorosamente quarto. Fitei o relógio que marcava meio-dia. Não estava tão cedo como esperei que estivesse. Despois de alguns minutos, encorajei-me a levantar da cama, agora quente, e tomar um banho frio que pudesse aliviar-me do estresse da noite anterior.

Sequei bem os cabelos, penteando-os de forma graciosa. Vesti uma decotada camiseta branca, e um short jeans de lavagem clara. Coloquei no pulso algumas pulseiras e esbanjei perfume. Não deixaria que aquele dia se tornasse ruim por causa de Axl. Mas enquanto me olhava no espelho, após arrumar-me senti um espasmo eu pensar em o que eu teria que enfrentar quando passasse da porta do quarto.

Torcia para que ele não estivesse em casa, contudo eu não poderia ficar trancada ali o dia todo, esperando a confirmação de que ele estava fora, ou não. Abri a porta com coragem, sentindo algo em mim tremular aterrorizado, algo que eu podia enfrentar.

-Bom dia, Louise. -eu disse enquanto descia as escadas.

-Bom dia, dona Lizzi. -ela respondeu amigável. -A senhora dormiu até mais tarde hoje, não sei bem o que preparar para o almoço. -disse-me ela.

-Ai, Louise, prepare alguma iguaria italiana. -eu disse sem paciência para pensar em o que degustar no almoço. Ela seguiu minhas ordens tomando a direção da cozinha. -Louise? -chamei.

-Sim.

-Sabe onde está Axl? -perguntei.

-Ah, o senhor Axl saiu hoje de manhã. Ele estava tão triste. Antes de sair eu acho que ele estava até chorando aqui na sala. Ele falou algumas coisas sem sentindo, sabe? Disse que ele era um idiota e que só fazia besteira, mas quando eu perguntei se ele precisava de alguma coisa ele disse que tinha magoado a mulher da vida dele e que só queria que a senhora soubesse que ele a ama de verdade. Confesso que fiquei muito surpresa. Nunca esperava ouvir aquilo tudo de um homem, quanto mais do senhor Axl. Olha dona Lizzi, a senhora é mesmo uma mulher de sorte, viu? Porque igual ao seu Axl é difícil de achar hoje em dia. E se a senhora estiver mesmo magoada com ele, não fique não, viu, porque pelo que eu venho acompanhado aqui nessa casa e pelo que eu vi do senhor Axl hoje ele a ama, de forma inexplicável e a ligação de vocês chega dar arrepio na gente, é paranormal. É como se fossem feitos sob medida um para o outro. São como alma gêmea. -ela disse enquanto eu permanecia calada a fitar o vazio. Meu rosto procurava a expressão certa para reagir as palavras de Louise, mas as sensações foram tão mistas que fiquei perdida em pensamentos sem saber como agir em meio a tudo que ouvi. Louise parecia tão sincera em suas palavras que deixava-me cada vez mais espantada e...surpresa. Nem mesmo eu esperava uma atitude daquela de Axl, e se qualquer outra pessoa tivesse me contado sobre o possível ocorrido eu certamente não teria acreditado em uma sequer palavra, mas vindo de Louise não. Louise tinha a sinceridade e a simplicidade estampados na face maltratada pelo tempo, dois fatores que me induziram a gostar dela desde a primeira vez que a vi.

-Mas ele não disse para onde ia? -perguntei assim que consegui falar alguma coisa.

-Não. Ele só disse que precisava esclarecer e colocar os pensamentos em ordem. Mas acho que talvez ele chegue logo, já saiu a bastante tempo. -respondeu. -Olha dona Lizzi, eu não gosto de me meter na vida de vocês, mas percebo pelo clima da casa o que está acontecendo, então se vocês realmente brigaram, acho que precisam conversar, sem gritos, de forma que nenhum dos dois machuque o outro. Desde que conheci senhor Axl percebi que apesar do jeito turrão ele é sensível, se fere facilmente e nenhuma ferida dói mais nele do que a causada pela mulher que ele ama. Isso ele não é capaz de suportar. E nós duas sabemos muito bem quem é essa mulher que pode machuca-lo de forma tão dolorida, não é?! -ela disse e eu novamente fitava o nada. Ela estava certa, eu precisava deixar de ser tão hipócrita, tinha de ouvi-lo também.

As palavras de Louise fizeram sentir-me como um monstro, pensar por várias vezes em meu ato. Agora eu já não temia mais a atitude de Axl perante o que fiz no dia anterior e sim a dor que eu veria em seu rosto a partir do momento em que ele estivesse ao alcance de meus olhos.

Qunado dei por mim, Louise já estava a preparar o almoço na cozinha. Fui até lá para dar-lhe um aviso.

-Louise, assim que meu marido chegar pede para ele subir,por favor. Eu estou esperando por ele no quarto.

Antes que ele chegasse, Louise pediu licença para arrumar o quarto. Com sua agilidade e rapidez logo pude voltar ao quarto que desta vez cheirava a um perfume floral. Sentei-me na cama minuciosamente arrumada e esperei por Axl por alguns minutos. Cerca de meia-hora até que ouvisse uma mão pesar na maçaneta. Ele entrou cauteloso, sem olhar-me nos olhos de imediato. A face repleta de dor fez-me estremecer e humedeceu meus olhos. Lágrimas que podiam ser controladas.

-Acho que precisámos conversar. -eu disse um tanto amarga.

-Olha, eu tenho de pedir desculpas, eu fui um idi...-eu o interrompi.

-Se alguém aqui precisa dizer desculpas primeiro, esse alguém sou eu, Axl. -murmurei. -Eu fui uma idiota, deveria ter te ouvido. -eu disse e ele sentou-se na cama, próximo a mim. -Foi um erro, eu...eu não conseguia...eu estava confusa, nervosa...eu, eu... -atropelava minhas próprias palavras quando desta vez foi ele que me interrompeu.

-Não, você estava certa. Eu entendo, estava nervosa, acho que nós dois estávamos e...no seu lugar eu teria feito o mesmo. -murmurou. -Mas eu tenho de te explicar o que aconteceu. -ele disse. -Ontem quando eu estava com os garotos a namorada do Steven apareceu e ela sempre gostou de mim, nunca ligou muito para o fato de eu ter você então, quando os garotos se afastaram ela se atreveu a me agarrar. — ele não precisava explicar, mas nada. Eu estava certa de que ele não estava mentindo, os olhos que pareciam mais claros não carregavam sombra de dúvida, a expressão fácil estava leve, como alguém que só estava a explicar uma história verídica.

-Ai Axl, desculpa. -eu disse o abraçando rapidamente. -Eu fui uma completa idiota, mas estava com a cabeça quente, não estava pensando direito. Eu deveria ter te ouvido. -eu estava coberta de remorso pelos meus atos insanos.

-Eu deveria ter insistido em explicar antes. Desculpa, ter te magoado. O fato é que eu te amo muito garota, eu não quero te perder. -ele disse e por fim soltou-me de seus braços para um beijo.

A paz que se fez entre nós era perfeita, mas não forte o bastante para evitar futuras discursões. Às vezes por coisas bobas, às vezes por coisas que eu considerava sérias demais para serem ignoradas.

-MAS NÃO É VOCÊ QUE FICA TRANCADO NESSA MERDA DESSA CASA O DIA INTEIRO, E O HOMEM QUE DEVERIA ESTAR AO MEU LADO ESTÁ FAZENDO SABE-SE LÁ O QUE! -gritei. A briga desta vez se iniciara na sala e encaminhara pela cozinha, naquela tarde de domingo.

-VOCÊ SABE QUE ISSO É PRECISO! -gritou e eu permiti soltar uma gargalhada sombria.

-Preciso, Axl? É preciso eu ficar fazendo papel de idiota aqui enquanto você está fora, quem sabe se deitando com vagabundas! -eu disse desta vez com um tom de voz mais baixo. Virei-me em direção a pia e ele puxou bruscamente meu braço.

-Quando é que você vai perceber que eu te amo, que foi com você que eu casei, que foi você que eu escolhi para ser a mãe dos meus filhos, hein? Pelo amor de Deus, Elizabeth! Eu te amo, é você que eu quero ao meu lado, pro resto dos meus dias. -ele disse grudando seus lábios nos meus, beijando-me avidamente. Não hesitei, havia muito desejo em jogo para que eu pudesse tentar fugir.

Era difícil confessar isso, mas a grande verdade era que aquele casamento estava me machucando, e o romance antes perfeito já escorria pelo ralo. Eu não conseguia enxergar mais o encanto no meu príncipe encantado, o que estava a me deixar assustada. Talvez eu pudesse dizer que aquele amor estivesse perto do fim, mas era impossível declarar aquilo quando os dois sofrem tanto após uma briga, quando eu choro nos dias que me deito sozinha, nos lençóis frios do quarto vazio, quando nos amamos tão intensamente no momento em que nossos corpos clamam pelo calor um do outro.

Nossos altos e baixos eram contínuos. Digo que impressionantes. Em algum momento poderíamos adotar o adjetivo “perfeito” em outros mais parecíamos um furacão devastando tudo que encontrava pela frente, derramando lágrimas, quebrando vasos e despedaçando coração. Uma fúria momentânea que se esvaia algumas horas depois e aquela cena trágica parecia nunca ter acontecido. Mais uma vez eu era iludida pela falsa mudança que nunca se mantinha.

-Amor! –ouvi o chamar quando entrou em casa.

-Oi. –respondi, saindo da cozinha em direcionamento a sala.

-Trouce uma coisa para você. –disse com um vestígio de sorriso malicioso nos lábios. Escondia as mãos atrás do corpo enquanto eu esticava o pescoço curiosa.

-O que é? –perguntei.

-Primeiro um beijo. –indagou e eu me aproximei para beija-lo. -Agora sim. –disse ele, desvendando o cachorrinho que escondia atrás do corpo.

O filhote dourado, de pelos macios e orelhas caídas fez-me arregalar os olhos e abrir a boca de tamanha surpresa.

-Axl! Ele é lindo! –exclamei deslumbrada, tomando nos braços o pequeno filhote de Golden Retriever que acabara de ganhar. –Eu sempre sonhei em ter um cachorro.

-Eu sei. Agora temos um novo filho. Pense em um nome para ele. –disse ele, aparentemente satisfeito por minha alegria ao ter nos braços o filhotinho.

-Hmm...Ele é macho...Acho que pode ser...Zyan! –declarei. –Isso, Zyan, gosto deste.

-Tudo bem. Então Zyan é o novo membro da família. –indagou, beijando-me enquanto acolhia mais confortavelmente o pequeno Zyan em meus braços.

Zyan era mesmo um encanto, e trouce mais brilho a casa. Talvez ficar sozinha quando se tem uma nova companhia animal não seja tão ruim. Ele era incrível. Mesmo com suas besteiras de cachorro eu mal conseguia brigar com ele, e ainda punha-me a bronquear Axl caso gritasse com ele. Era inegavelmente um filho para mim.

Ver Axl brincando com Zyan no tapete da sala de estar, a sós, com tanto carinho fazia-me enxergar mais uma vez o homem por quem me apaixonei, tão sereno e perfeito em cada gesto mínimo. E eu prolongaria aqueles minutos apenas para não perder aquela imagem.

Porém aquela paz não se instalou por muito tempo. E doía ver nossa relação decaindo de novo. As brigas não cessavam. Era quase insuportável ter tantas discussões o tempo todo. E pensar por um momento na palavra “divórcio” era arrasador.

Era tarde ensolarada do primeiro domingo de novembro quando a campainha berrou pela sala. Zyan já corria latindo, seu latido quase engraçado, tão baixo e fraco ainda, soando com sacrifício daquela pequena bola de pelos dourados. Desci correndo as escadas, Louise saíra para fazer compras e Axl estava em viagem com o Guns N’ Roses já havia longos 9 dias.

Driblei Zyan que interrompia-me o caminho. Abri a porta deparando-me com a imagem de uma mulher sedutora, vestida de roupas modernas e cabelos de corte chanel, e apesar da diferença, da radical mudanças de visual eu nunca a deixaria de reconhecer, nem mesmo cegada pela surpresa.

-Mãe! –disse, abraçando-a rapidamente. Ela riu doce, me apertando contra o corpo enquanto eu ofegava.

-Como vai, minha filha. –murmurou.

Notas finais
Gostaram? Tava chatinho, né?! Desculpe :/
Bem, antes de dar tchau, alguém viu o video de uma cantora escocesa, chamada Sandi Thom, no qual ela fez o cover de November Rain. Confesso que fiquei deslumbrada, ficou incrível. Vale a pena conferir.
Enfim, muito obrigada aos poucos comentários do capítulo passado. Ainda não tive tempo de responder, mas assim que conseguir vou lá responder a todos, ok?!
Beeeeijos e até o próximo!