My Dark Angel

58 Kissed by an angel


Notas iniciais
Bem, eu atrasada como sempre. Saí a noite antes de postar e não cheguei a tempo, mas aqui está, bem rapidinho, perdoem qualquer erro. Usei nesse toda minha experiência de "Nunca fui mãe" e um pouco de "Tem pavor de imaginar a dor do parto" aí saiu isso...haha...Mentira minha, eu pesquisei muito, muito, muito para fazer essa gravidez da Lizzi, a evolução e o parto, mas confesso que mantive um pé na dor que eu imaginei. Sempre um pé na realidade e um na imaginação :D
E para quem ainda não sabe My Dark Angel também está sendo postada aqui: http://animespirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-idolos-guns-n-roses-my-dark-angel-466579
Mais uma vez muito obrigada a todos os lindos comentários, vou responder a todos assim que possível. Quanto ao próximo capítulo vou me desdobrar para acaba-lo hoje e trazer, ok?!
Divirtam-se!
Beijos!

Ela não pode passar por um parto normal, é arriscado! –ouvi a voz de meu médico não muito distante, porém, longe da abrangência de meus olhos em consequência do tumulto de enfermeiros que preparavam aparelhos.

Ela vai ter de enfrentar, mesmo que haja riscos. Ela está pronta para um parto normal. Já passei por situações de gravidez de risco antes, farei o parto. –desta vez eu desconhecia a voz feminina que sobressaía.

Recostei na parte elevada da cama, atrás de minha cabeça. Fitei o teto sentindo uma nova tontura à medida que um acumulo de lembranças engarrafou em minha mente. Parecia mais difícil agora, ter de estar diante da morte, sabendo que por trás daquela porta Axl caminhava angustiado, esperando poder ouvir o choro estridente de nossa filha, não a minha morte. E a morte nunca fora tão torturante para mim quanto passara a ser naquele momento. Todavia, não queria confronta-la, nem implorar a Deus pela vida, que acontecesse o que deveria acontecer. Morte ou vida, muitas vezes não é uma escolha, e no meu caso não havia escolha, não imploraria por uma nova opção, deixaria o rio concluiu se curso. Não havia nada mais a ser feito.

Antes que pudesse refletir por mais algum tempo já havia uma grande luminária de pé, sob minha barriga. Meus pés presos a pedais elevados permitiam que minhas pernas segurassem um lençol rosa, por onde nada podia-se enxergar. Minha barriga contraiu quando finalmente uma enfermeira a tocou com suas pequenas mãos quentes. Sorriu-me simpática, sem nem mostrar os dentes.

Novas mãos surgiram de todo os lados, fazendo diferentes ligações em meu corpo com os fios de todos aqueles aparelhos.

–Elizabeth, eu sou a doutora Ellen. É um prazer conhecê-la, mesmo que nessa situação. –não respondi a mulher de cabelos negros que me surgiu. Sorri-lhe fraco, tentando refletir a mim suas palavras. –Bem, eu estarei aqui para ajudar o doutor Thompson com o seu parto. Sei que acabamos de nos conhecer, mas agora preciso que confie em mim, e faça tudo aquilo que eu pedir. Faremos dar tudo certo, ok?

–Ok. –respondi com certa falha na voz.

Quando os começaram os trabalhos eu não poderia sentir mais nada além de dor e ânsia. Minha barriga contraia cada vez mais profundamente, meu corpo agia por si só enquanto eu tentava bloquear qualquer reação à sensação de dor.

–Preciso que faça força agora, ok? –pediu. –Vamos lá.

Segui suas instruções usando toda força que me restara contra a minha barriga, com contribuição da enfermeira que pressionava levemente a área de meu estômago para baixo. O suor porejava em minha testa enquanto trincava os dentes. Sentia espasmos chegando ao resto de meu corpo que compartilhava de dor e suor para tamanho esforço. Não estava certa de que conseguiria fazê-lo.

Gritei. Joguei a cabeça para trás à medida que meus olhos ardiam pelo pranto da agonia. A dor era pior agora, como se a força tivesse despertado o centro dela.

–Vamos lá, Lizzi. Vamos! –incentivou Ellen.

Sem pensar muito relutei para encontrar forças novamente. Minha barriga enfrentou uma generosa contração, que quase me fez contorcer. Contive mais um grito tentando concentrar-me apenas na força.

Axl point of view

Era um ato quase inconsciente. Estava atordoado, afundando no desespero. O gosto metálico tornou a minha língua, meus lábios eram mais secos que um deserto. Minhas mãos estavam frias, imensuravelmente frias e úmidas, não podiam conter o suor porejando por quase todo o meu corpo a cada respirar arfado. Então eu continuava, sem ao mínimo demonstrar exaustão, andando de um lado para outro naquele corredor vazio onde as paredes eram silenciosas e meus ouvidos imploravam por uma notícia, um som que desse a entender o que se passava naquele quarto. Não tinha o costume da ansiedade ou de tamanho nervosismo, costumava ser calmo para muitas das coisas deste tipo, mas aquele não era o caso. Em todas as minhas lembranças de vida nunca estivera da mesma forma antes. Estava sufocando.

Podia ouvir a pulsação de meu coração, o sangue latejando em minhas veias, a surdez me tampando os ouvidos, os pensamentos me matando na ânsia. Minhas pernas eram moles, como se já pudesse tropeçar em meus próprios pés se já não houvesse adaptado-me a sincronia de meus passos.

De dois e dois minutos um novo jaleco branco, ou um macacão surgia no final do corredor. Eu os examinava atentamente, esperando que de alguma forma alguém tivesse uma noticia para mim. Estava sendo esmagado por um rolo compressor. Era aterrorizante.

Eu mal percebera o passar dos minutos que a meus cálculos pareciam séculos, até que finalmente Duff, Izzy, Steven e Slash surgissem próximo ao balcão, logo me identificando em meados daquele corredor. Havia um parcial alivio de não estar mais sozinho ali, embora a parte que ansiava amargurada fosse muito mais barulhenta.

Telefonara para o local onde aconteceria o show logo que cheguei ao hospital, queria alerta-los sobre a situação. Estavam decididos a ir até a maternidade, aguardar junto a mim o nascimento de Lara.

De longe Izzy me saldou assim que me viu, indicando-me aos outros. Seguiram até mim em fila, visto daquela distância causavam um grandioso destaque em meio a decoração fria do local. Suas roupas um tanto diferentes do habitual e aquele estranho visual visto pelos pais que aguardavam por corredores diversos e salas de espera soava um tanto quanto excêntrico.

Cumprimentaram-me enquanto as perguntas sobre o estado de Lizzi começavam a saltar, mas nada havia para ser dito. Lizzi estava trancada em uma sala, passando por sabe-se lá o que, definhando talvez, tudo para trazer ao mundo nossa filha.

Embora não estivessem adeptos a locais silenciosos e comportados como aquele agiam de forma decente, controlando até mesmo o tom de voz. Slash não estava em seu melhor estado alcoólico, foi incentivado a não falar, acabava sempre dizendo algo errado, fazendo algo errado.

Não muito se passou para que da mesma parte surgisse a loura minúscula acompanhada da mãe. Não tremia, não chorava nem escandalizava, porém em seus saltos e espasmos contidos percebia-se que era como seu um raio tivesse mantido eletricidade sobre ela. Quando veio em nossa direção, em passos apressados não fez cara de repulsa ou desgosto como de costume, era como se fossemos pessoas completamente normais a sua vista naquele momento. Estava com traços de agonia e preocupação, os olhos sombreados pelo desespero. Havia lágrimas que abrolhavam no fundo dela e não podia esconder. Já Martha era calma, como se nada de diferente estivesse se passando, e talvez estivesse certa em determinada reação, pois já enfrentara o parto por duas vezes, não tinha temor do que pudesse acontecer.

–Onde está Lizzi? Como ela está? Ela está bem? Lara nasceu? –desatou em palavras desesperadas, direcionando-se imediatamente para mim.

–Está na sala de parto e ainda não tenho noticias. –respondi, levantando da cadeira na qual havia sido obrigado a sentar alguns minutos antes. Desse ponto Sarah parecia menor ainda.

–Como ninguém deu notícias? Você ficou aí sentado sem ir atrás, seu banana? –estava perceptivelmente alterada e diante de seu nervosismo e a situação resolvi controlar-me, respirando fundo e ignorando o insulto.

–Sarah, precisa se acalmar minha filha. Lizzi vai ficar bem. –disse Martha delicadamente, puxando a filha contra o corpo.

A voz aveludada de Martha garantindo aquilo a Sarah me fez respirar um pouco mais fundo, sentindo uma mínima passividade aconchegando-se em mim. Talvez tivesse mesmo razão, e era nela que queria confiar e ia confiar. Tudo ficaria bem no final.

Lizzi point of view

Gritei. Embora tentasse conter o desespero era quase impossível à medida que a dor aumentava e cruelmente me subtraía. Meu corpo queimava, ardia por inteiro, coberto do suor que porejava intensamente. Meus músculos contraiam e eu relutava na busca de forças para fazer o que me era insistentemente pedido. Ao meu lado o bip agonizante de um aparelho médico era parcialmente detido em meus ouvidos onde refletia-se apenas o eco de meus batimentos cardíacos relativamente acelerados. Minha respiração vacilava. Havia um grande peso infringindo meus pulmões. Era torturante.

–Estamos quase lá, Elizabeth! –incentivou Ellen. –Força! –novamente ordenou e novamente suguei tudo que me restara tentando fazer com que tudo aquilo acabasse.

Lágrimas abrolharam em meus olhos quando a dor já não cabia mais em gritos e gemidos. Atirei o pescoço para trás, minha garganta novamente bloqueando enquanto meu estômago parecia estar sendo golpeado por fortes socos. Meu útero estava em chamas que enviavam o fogo ardente para minha coluna, era como se estivesse sendo quebrada, partida ao meio, como se houvesse facas dentro de mim, houvesse mesmo o fogo. Enquanto podia ter a sensação de que Lara estava próximo a minhas pernas sentia que era inteiramente cortada, rasgada, arrebentada como o mais velho tecido. Tão atordoante que me levava à tontura.

–Doutora, os batimentos dela estão caindo! –ouvi uma nova voz alertar. Continuei fazendo força.

Minha visão embaçou, focalizando com dificuldade a silhueta de meu médico, correndo até os aparelhos.

–Força, Elizabeth! –continuou Ellen.

–Ellen, ela não vai aguentar! –disse o médico próximo a mim. Sua voz tinha um tom denso de pavor que nunca havia ouvido por meio da voz de um médico antes.

–Precisamos tirar o bebê. –insistiu Ellen.

Ouvi o bip dos aparelhos aumentarem a velocidade. Lara precisa sobreviver, gritou meu íntimo à medida que a lucidez parecia esvair-me. O teto sob minha cabeça girava. No embaçar das luzes brancas, elas mais pareciam uma névoa doentia agora. Eu muito pouco podia ouvir, era como se a escuridão estivesse me engolindo, o vazio.

Ela não vai aguentar! –gritou mais uma voz que a essa altura eu não podia mais distinguir.

Meu corpo amolecia vagamente. Puxei o pescoço para frente, me esforçando novamente, quase quebrando os dentes enquanto os trincava.

–Precisa fazer mais força, Elizabeth! Pela Lara! –insistiu.

Pela Lara. Pela minha Lara. Meu bebê tinha de sobreviver. Foi como um golpe de força e de repente calei qualquer instinto que não fosse o maternal. Deixei que a vontade de vê-la respirar pela primeira vez me tomasse, e me tomou com avidez.

Reprimi um grito quando usei uma força quase desumana para aquilo. Um silêncio enquanto sentia o golpe da exaustão, a teimosa falta de lucidez completa. Então um choro doce e estridente invadiu o quarto, inundando meus ouvidos com a mais bela canção que já fora cantada, o mais fascinante som que um dia já tivera o prazer de ouvir. Era um maravilhoso toque de amor, uma melodia harmônica, a harpa dos anjos, um sussurro de Deus. Eu finalmente estava viva no exato momento que morria. Fechei os olhos deixando um último sorriso brilhar em meus lábios. Meu corpo já não lembrava a dor, nenhuma dor que enfrentara um dia, eu já não tinha lembrança alguma de sofrimento. Estava em plena paz. Fui presenteada pelo maravilhoso beijo de um arcanjo. Abri novamente os olhos enquanto ainda tinha tempo, a visão me havia retornado e tudo que eu conseguia pensar era em ver seu lindo rostinho. Porém, quando enfim encontrei uma pequena silhueta esbranquiçada nos braços de uma enfermeira senti um intenso choque me domando, fazendo com que eu agonizasse. Minha cabeça caiu sobre o travesseiro enquanto era novamente coberta pelo silêncio e pela escuridão.

–Ellen, ela está morrendo! –os corpos correram embaçados ao meu redor, como uma triste dança da morte. Finalmente tudo escureceu.

Axl point of view

–Senhor Axl Rose. –a voz grave chamou por mim cerca de quatro horas depois de uma agonizante espera.

–Sim. –levantei-me perceptivelmente desesperado. Sarah e Martha fizeram o mesmo.

Reconhecia facilmente o médico que acompanhara o decorrer da gravidez de Lizzi.

–Será que o senhor poderia me acompanhar até a minha sala?! –seu tom era inescrutável, tinha traços rígidos no rosto, uma postura normal de um médico.

O segui, sentindo o suor porejar em minhas mãos temendo o que ouviria dentro de sua sala. Será mesmo que fizera isto apenas para anunciar o nascimento de Lara? Talvez quisesse me dar instruções ou se aprofundar no assunto da saúde de Lara e Lizzi já que eu era o pai.

Logo abriu a porta branca da sala em tons de azul bebê e branco gelo capaz de entorpecer qualquer um que a adentrasse. Era grande e silenciosa. Tinha apenas uma grande mesa com tampo de vidro e estrutura prata. De um lado uma aparentemente confortável poltrona em tom de areia e ao outro apenas duas menores, repetindo o branco. Estava estupefatamente frio ali. As grandes janelas que iam do chão ao teto por uma parede inteira estavam coberta pela persiana branca entreaberta, revelando um trecho da noite que se estendia ao lado de fora.

Ocupou a grande cadeira fazendo sinal para que eu ocupasse uma das menores. O fiz. Sobre a mesa havia dois grande e bem cuidados livros de medicina ao lado um porta caneta revestido de couro escuro.

–O que tenho para lhe dizer é algo muito sério e preciso que seja compreensível. –alertou de antemão, fazendo meu sangue latejar em minhas veias.