Notas iniciais
Sabe, eu até gostei desse capitulo. Espero que gostem também.
Divirtam-se.
Kisses!

-Tudo bem. –eu disse decidida.

Peguei a garrafa e tentei abri-la, mas nada aconteceu. Izzy a tomou de minha mão e arrancou com facilidade a tampinha enquanto ria como os outros garotos.

Fechei os olhos e virei garrafa na boca. O gosto amargo e terrível atravessou minha língua em direção a minha garganta, onde parecia estalar devido a grande contidade de gás. Certo liquido percorreu meu corpo parecendo deixar acesa chamas por onde passavam. Pressionei ainda mais meus olhos fechados e minha face se contorceu em uma careta que não pude conter perante o horrível gosto. Mas, por pior, que fosse , dei continuidade ao que fazia.

Desgrudei o gargalo dos lábios e abri os olhos lentamente formando uma careta ainda pior. Ri ao ver a cara de cada um dos garotos, imóveis. Olhei a garrafa em minha mão e vi que havia bebido quase a metade. A bebida gelada esfriou minha mão antes quente e me fizera arrepiar. Só assim lembrei-me que a cerveja estava tão fria, diferente do liquido que agora fizera meu estomago queimar.

-E aí? O que achou? –Duff perguntou e eu sorri.

Axl P.O.V On

Eu já estava mais de três horas atrasado para me encontrar com Lizzi. O excesso de trabalho me impedira de chegar no horário marcado. Tudo bem, o excesso de trabalho e outra coisa, não podia deixar que aquela loira passasse por mim sem que nada acontecesse. Certamente Lizzi entenderia minha demora, apenas sentia por tê-la feito esperar por tanto tempo.

Fui até em casa antes de ir para o apartamento dela. Precisava tomar uma banho, depois a levaria para jantar, como tentativa de reaver meu erro. Abri a porta sorrindo, lembrando-me do sorriso perfeito de Elizabeth. O que ela era capaz de fazer comigo com apenas um olhar ou mesmo um simples sorriso era inacreditável.

-Ah, eu amo aquela garota. –murmurei comigo mesmo enquanto fechava a porta.

Ouvi gargalhadas vindas da varanda.

-Aproveitando a bebida sem mim não é, filhos da puta. –grunhi quase com um sorriso e me direcionei até onde se encontravam.

Antes de ir até a varanda parei na cozinha para abrir uma cerveja.

-Obrigado por me esperarem. –eu disse em tom de sarcasmo enquanto me aproximava da porta da varanda. A minha maior surpresa veio quando meus olhos puderam encontrar a situação na qual estavam.

Elizabeth estava sentada sobre a mesa, com uma garrafa de vodca na mão. Eu nunca havia a visto daquela forma, desesperadamente vulgar em decorrência de seu estado. Ela estava completamente bêbada, tão bêbada quanto os outros. Como alguém que nunca nem colocara uma misera gota de álcool na boca poderia estar daquela forma?

-Oi amor. –ela disse me olhando parado na soleira da porta. O tom de sua voz comprovava sua embriagues.

-O que pensa que está fazendo? –eu disse, plenamente irritado me aproximando dela e arrancando de sua mão a garrafa de vodca. A puxei pela mão, forçando a descer de cima da mesa. –O que fizeram com ela, seus idiotas?

-Ei, relaxa Axl, ela só estava se divertindo um pouco. –disse Duff.

-Se divertindo um pouco? –perguntei incrédulo. –Olha o estado dela? Ela não é como nós, não conseguem entender isso? Ela não vai se poluir com essas coisas podres, não vou deixar que aconteça com ela o mesmo que aconteceu comigo. Ela nunca havia colocado uma gota de álcool na boca e vejam como está.

Peguei Lizzi pela mão e virei-me para sair dali.

-Axl, volte aqui. –Slash ordenou, mas não parei de andar.

-Ah! Só mais uma coisinha. –eu disse virando-me de onde estava. –Saibam que se algo acontecer a ela vocês estão mortos. –tornei a puxa-la pelo pulso.

Saí disparado pela porta da sala e fui em direção ao meu carro. Abri a porta do carona e coloquei Lizzi lá dentro. Depois tomei meu lugar em frente ao volante.

Eu estava plenamente enfurecido.

-Axl... onde vamos? –ela perguntou assustada com meu estado.

Respirei fundo.

-Para sua casa, de onde não deveria ter saído. –respondi.

Ela fez silêncio e eu me permiti a aderi-lo também. Enquanto dirigia, permiti-me olhar rapidamente seu rosto. Ela estava com a cabeça encostada no vidro da janela, fitava o nada, em meio ao sinal de embriagues, consegui enxergar em seus olhos um mínimo traço de dor. Aquilo era terrível, parecia machucar-me de certa forma.

Assim que chegamos abri a porta para que saísse e a puxei pelo pulso, até que chegássemos ao apartamento.

-Solte-me. –ela disse soltando seu pulso de minha mão e entrando rapidamente. — O que fiz de errado? Achei que gostaria de saber que também sei me divertir.

-Você estava se poluindo com aquilo.

-Ah! Por Deus! Eram apenas algumas garrafas de cerveja. –ela disse.

-Algumas garrafas de cerveja?! Tinha bebida por todo lado.

-E que diferença faz? –ele questionou. Eu já não reconhecia aquela Elizabeth, não era a minha Lizzi. –Eu estou bem, não estou? –ela disse. Seu corpo estremeceu e sua face se contorceu em uma careta. Logo ela correu em direção ao banheiro enquanto levava a mão à boca.

Fui atrás dela e quando pude ver, ela já estava de joelhos, em frente ao vaso sanitário, colocando para fora tudo que havia digerido. Posicionei-me atrás dela rapidamente e juntei seus cabelos, segurando os com a mão, no alto de sua cabeça, antes que ela fizesse um desastre ainda maior.

Como ela pode dizer que estava bem?

Depois que terminou a ajudei a levantar-se e para que pudesse lavar a boca.

-Não precisava ter visto isso. –ela disse ainda com tom de embriagues.

-Você precisa dormir. –eu disse e a peguei no colo.

-Eu ainda posso andar. –ela disse.

-Não nesse estado. –levei – a até o quarto e a coloquei sobre sua cama. Ela se pôs de bruços e fechou os olhos. Arranquei seus sapatos, apaguei a luz e acendi o abajur.

-Axl... –ela me chamou antes que eu saísse do quarto. –Fique aqui, comigo, por favor. –ela mal conseguia mexer os lábios, permanecera de olhos fechados, mas falou alto o bastante para conseguir ouvir sua voz. Eu não poderia negar esse pedido.

Recostei-me na cama de casal e ela se deitou em meu peito. Logo o único som que poderia ser ouvido no quarto era da respiração lenta e minha descompensada. Ela dormira tranquila como um anjo. Se ela soubesse o quanto era difícil para mim tê-la tão perto daquela forma e não poder fazer nada. Olhar a leve escuridão do quarto sombrear seu corpo deixando suas curvas ainda mais perfeitas. Sua pele quente e macia quase fazia meu corpo entrar em curto-circuito quando ambos se encontravam.

Passei os dedos por seus cabelos castanhos por algum tempo e depois deixei que eles corressem até suas costas, por onde se permitiram passear. Seu cheiro floral ainda penetrava em minhas narinas e já as fazia arder com a intensidade.

Dobrei o pescoço para ver seu rosto, tranquilo, com seus traços delicados banhados pela luz amarelada do abajur de cabeceira. Tudo aquilo era tentador de mais para mim.

-Oh Deus! Como pode ser tão linda?! –Grunhi.

Axl P.O.V off

Os raios de sol ultrapassavam a janela e a cortina de meu quarto me impedindo de dormir por mais um tempo. Resmunguei. Não queria abrir os olhos.

Minha mão escorregou pela cama a procura de outro travesseiro, logo entrei em contato com a fronha macia. Agarrei com as unhas e levei até o rosto, mas nem mesmo aquilo foi capaz de me permitir dormir por mais algumas horas. O problema não era apenas os raios de sol e sim a dor de cabeça insuportável que tomava conta de mim naquele momento.

-Pu... –me impedi de terminar de falar o palavrão. Eu não falava palavrões, era errado, mas naquele momento quase escapou por entre meus lábios, sem que eu nem percebesse. –Onde está aprendo essas coisas, Elizabeth? –murmurei comigo mesma.

Tomei impulso e forcei-me a levantar da cama. Minha cabeça parecia estar prestes a explodir, tamanha a dor, havia um gosto terrível agarrado em minha garganta e um grande buraco em minha memória.

-Deus! O que aconteceu ontem à noite? – levei minha mão à cabeça que entraria em erupção em estantes, eu podia prever isso. Fui até o grande espelho emoldurado de meu quarto. Meu estado era catastrófico. Olheiras saltando de meu rosto, boca inchada, cabelo mais bagunçado do que nunca...

-Mas que diabos aconteceu comigo ontem? Por que não consigo me lembrar de nada? –questionei a mim mesma.

Olhei o relógio. Eram 1h30 da tarde de sábado.

Ouvi um barulho vindo da cozinha e me aproximei cautelosamente da porta de meu quarto. A minha proximidade da cama me fizera perceber algo. O cheiro.

Axl. Conclui.

Entrei em baixo do chuveiro frio antes mesmo de ir até a cozinha conferir o que ele fazia lá. Pus meu lingerie e depois cobri-me com meu roupão de seda branca, que terminava nas extremidades de minhas coxas. Sequei bem os cabelos e usufrui de meu perfume. Por fim fui até a cozinha. O cheiro que vinha de lá abrirá meu apetite.

-Bom dia, do...cin...ho. –Axl disse se embolando com a palavra final ao perceber que eu me aproximara. Ele estava boquiaberto, me olhando dos pés a cabeça. –Deus! –exclamou. –De onde saiu isso tudo. Você parece ficar ainda mais gos... mais bonita a cada dia.

-Hã...Bom dia... ou boa tarde. –eu disse perdida no horário, levando minha mão a cabeça após uma forte fisgada em decorrência da dor intensa. –Pode me dizer o que aconteceu ontem à noite?

-Não se lembra de nada? –ele perguntou.

-Não mesmo. Ei, o que é isso? –eu disse me pondo na ponta dos pés para enxergar sobre o ombro de Axl o prato que se encontrava em cima do balcão da cozinha.

-Ah, não sou muito bom na cozinha, mas me esforcei para preparar algo para você. –ele disse carinhoso.

-Jura? –eu disse, deslumbrada, desviando-me dele e indo visualizar a mesa posta. Ele se aproximou por trás e me envolveu pela cintura com seus braços. Senti sua respiração quente em minha nuca, seu perfume se tornara mais forte e mais irresistível. Logo ele afastou meu cabelo e beijou meu pescoço. –Bom, confesso que não é o tipo de refeição que costumo fazer, no Brasil temos o costume de comer muitas frutas de manhã, mas hoje estou com mais fome que o normal, mais cede que o normal... –eu disse indo até a geladeira, pegar água, eu estava sentindo uma cede terrível.

Bebi minha água e fui até a mesa.

-Você ainda não me disse o que aconteceu ontem à noite. –disse lhe. –Por que não me lembro de nada e minha cabeça está doendo tanto?

- Normal depois do que fez ontem à noite. –ele disse e eu arregalei os olhos, temia o que ouviria de Axl.

- O que eu fiz ? –perguntei assustada.

- Você simplesmente foi até a minha casa, depois que atrasei para nosso encontro então os filhos... –eu o interrompi.

-Não, não xingue os garotos, eles são legais. –eu disse.

-Tudo bem. Então eles te entupiram de todos os tipos de bebida alcóolica e quando cheguei você estava vulgarmente sentada sobre a mesa, completamente bêbada e as gargalhadas. Te trouce para casa e você vomitou e depois dormiu em cima de mim. –enquanto ele me contava sobre o ocorrido eu me lembrava vagamente do que havia acontecido.

-Nossa! Mal posso acreditar que eu bebi. Não acho que tenha mesmo sido os garotos que me fizeram beber tanto. Eu me pus a isso. Quis experimentar e fui mais longe do que deveria, mas do que podia, eles não tiveram culpa nenhuma. –eu disse. Sentia-me mal moralmente pelo que havia feito. Era contra as regras, nunca deveria ter bebido. Onde eu estava com a cabeça? –Não me lembro de passar mal.

-Mas, eu me lembro muito bem.

-Desculpe te fazer passar por isso. –eu disse arrependida. –Só queria que você soubesse que eu também sei me divertir e não sou a garota chata e certinha, não mesmo. –murmurei.

-Não acho que seja a garota chata e certinha, não precisa me provar nada, gosto de você como é. – indagou.

-Não tente fazer eu me sentir melhor dessa forma.

-Não estou tentando te fazer se sentir melhor por isso, apenas estou dizendo a verdade. –ele disse e logo pôs um prato de torradas e ovos mexidos em minha frente. –Agora coma. –ele disse e eu sorri.

Assim que terminei, levei o prato até a pia. Encostei-me na bancada de mármore, de costas para a torneira. Axl se aproximou e me abraçou, logo me beijou. Permanecemos abraçados ali por um tempo.

-Que horas são? –murmurei.

-Hmm... 2h50m. –ele respondeu.

Olhei seu rosto, espantada. Havia acabado de recordar-me de uma coisa.

-Meu Deus! Eu disse que estaria na casa de Sarah, às 2h. Como pude me esquecer?! –eu já andava pela casa tentando lembrar o que eu tinha de fazer primeiro.

-Pensei que passaríamos a tarde juntos. –ele disse.

-Ah meu amor! Tenta entender, tenho de ir para lá. –eu disse dando-lhe um beijo. –Prometo que amanhã poderemos passar o dia inteiro, juntos.

-Sem livros de biologia, aulas de piano, passos de balé e Sarah? –perguntou.

-Sim. Apenas nós dois. –respondi e logo ele postou um sorriso entre os lábios.

-Agora deixa eu ir trocar de roupa, já estou atrasada. –sai andando em direção ao meu quarto.

-POSSO AO MENOS DEIXAR VOCÊ LÁ? –perguntou.

-TUDO BEM. –respondi no mesmo tom que ele, já que estávamos distantes um do outro.

O vestido florido escorregou pelas minhas mãos e logo se encaixou perfeitamente ao meu corpo. Os sapatinhos delicados tomaram conta de meus pés e um cardigã deu um estilo especial à vestimenta.

Rímel nos olhos, blush nas bochechas e gloss rosa na boca, pronta para sair, mas não sem antes abusar de algumas borrifadas de meu perfume.

-Vamos. –eu disse, voltando a sala.

-Hã... Vamos. –ele disse e eu fui em direção à porta, ele me acompanhou. –Eu já te disse o quanto você é linda hoje? –ele saiu falando, enquanto fechava a porta por fora. Eu apenas reagi rindo.

Logo o motor do carro ressonou e em poucos minutos estávamos parados próximos à casa de Sarah.

-Eu te amo. –ele disse me dando um beijo antes que eu saísse do carro.

-Eu também te amo muito. –respondi retribuindo-lhe o beijo.

-Nos vemos amanhã? –perguntou.

-Uhum. Estou precisando retomar as minhas aulas de piano. –eu disse com um sorriso desenhado no rosto e ele selou-me. –Hora de ir. –suspirei. –Axl. –murmurei, antes que abrisse a porta para sair. –Me promete que não vai brigar com nenhum dos garotos? Eu juro por tudo que é mais sagrado, eles não tiveram culpa, eu que sou uma idiota quis experi... –ele impediu que eu continuasse com o dedo indicador em meus lábios.

-Você não é uma idiota, não fale isso de você, pode ser considerado até crime, sabia?! –ele disse.

-Tudo bem. Mas promete que não vai brigar com nenhum deles?

Ele olhou para baixo e suspirou.

-Axl... –o chamei novamente esperando uma resposta. Ele tornou a olhar para frente e permaneceu em silêncio por alguns segundos.

-Tudo bem. –ele disse insatisfeito e eu abri um sorriso. –Por você eu faço. –dessa vez olhou em meus olhos e sorriu também. Beijei-o.

-Olha que depois eu vou perguntar a eles, hein? –alertei.

-Não, nem pense em voltar aquela casa quando eu não estiver. –ele se mostrou irritado. Parecia ter algo naquela casa do qual ele quisesse me manter afastada.

-Tá. Não farei novamente. –ergui as mãos. –Agora me dá mais um beijo, vai? –ele me olhou com um sorriso fraco e me beijou. –Tenho que ir. –eu disse e abri a porta para sair.

Saí rápido e mandei a ele um beijo de longe enquanto me afastava , andando de costas. Virei-me e dei continuidade ao meu caminho, com um sorriso posto no rosto, andando radiante pela rua.

[...]

-Já disse que não estou mudando. –eu discutia com Sarah.

-Claro que está. –insistiu. –Olhe para nossa amizade, éramos como irmãs, não nos desgrudávamos e agora você até esquece dos nossos compromissos.

-Desculpa, mas são mil coisas para fazer e...

-Mil coisas para fazer... Será que essa coisa não se chama William? É ele que está fazendo isso com você? –questionou.

-Ele não está fazendo nada. –eu disse amarga. – Essa paranoia é idiota.

-Lizzi, eu não quero perder a paciência com você. –ela disse.

-Perder a paciência comigo? –eu disse, dessa vez mais alto, mais irritada, franzindo a testa. –Como perder a paciência comigo? Quem já não tem mais um pingo de paciência aqui sou eu.

-É o que? –ele perguntou, incrédula.

-É isso mesmo Sarah. Eu já não suporto mais suas pressões, sua falação descontrolada no meu ouvido. Pelo amor de Deus, Sarah. Você não é minha mãe, não tente ter o mínimo de autoridade sobre mim, você sabe que não tem. Essa é a verdade, Sarah.

-Ah, então é isso. Tudo bem. A porta do quarto e por ali ó. –ela disse olhando para a porta de seu quarto. Irritada, peguei minha bolsa de cima da cama e saí disparada.

-Ei, Lizzi, o que aconteceu? – Martha perguntou enquanto eu me direcionava a porta da sala.

-Sua filha, tia Martha. –eu disse virando-me para ela. –ELA ESTÁ I-N-S-U-P-O-R-T-A-V-E-L. –gritei olhando para a escada, na tentativa de que ela ouvisse, e eu sabia que ela havia ouvido. –Leve um chá de camomila para ela. Está precisando. –eu disse e saí.

Ainda irritada, eu caminhava rápido pela rua, queria chegar logo em casa. Eu pensava no que Sarah havia me dito, o que ela falara sobre mim, a respeito de meu comportamento. Argh! Quem ela achava que era?

A rapidez de meus passos foi interrompida por um obstáculo, um grande obstáculo diga-se de passagem. Eu tinha ido contra o peito de alguém, aparentemente mais alto que eu.

-Ei, não olha por onde anda? –questionei incrédula.

-Acho que você deveria prestar mais atenção na rua, baixinha. –eu reconhecia a voz escondida por trás do tom de zombaria.

-Duff? –eu disse inclinando a cabeça. Ele abriu um sorriso. –O que faz aqui? –perguntei.

-Ué, ainda tenho o direito de andar por onde eu quiser? –questionou.

-Sim, claro, bom, tenho o costume de ver você sempre junto aos garotos... –ele me interrompeu.

-Não, não, nasci sozinho e continuarei sem precisar daqueles panacas para nada. –disse ele, gesticulando.

-Ei, espero que não esteja incluindo meu namorado em “panacas” –eu disse franzindo o cenho.

-Por que não estaria? É o maior deles. –zombou e eu lhe acertei um tapa no braço.

-Au. –gemeu, levando a mão ao lugar dolorido.

-Ah! Desculpa! Foi sem querer, não achei que fosse machucar. –conferi, desesperada, o avermelhado que se formara em seu braço direito.

-Tudo bem. Não foi nada. –ouvi certo tom de malicia soar em sua voz. –Apenas não faça de novo.

-O.K .–garanti.

-Olha, eu estava indo tomar um sorvete, será que você não quer vir? – “nem pense em voltar aquela casa quando eu não estiver.” Axl havia me proibido de voltar a casa onde morava, mas não falara nada sobre meu relacionamento com os garotos, até porque, era apenas um sorvete, com um amigo dele.

-Seria ótimo. –aceitei.

-Então vamos, assim você aproveita e me conta melhor o quem a senhorita estava fazendo, andando que nem uma louca pela rua. –ele disse enquanto posicionava-se ao meu lado e seguíamos o caminho da sorveteria.

Logo chegamos e ocupamos uma mesa, fizemos nossos devidos pedidos. Conversamos, rimos, ele era muito amigável.

-Posso te perguntar uma coisa?

-Claro. –disse com um sorriso posto nos lábios.

-O que ele tem? –percebi que ele já não usara o tom de brincadeira.

-Hã? –perguntei, incrédula, sem entender a pergunta.

-O que Axl tem que eu não tenho? –repetiu e dessa vez mais rude. Corei abruptamente. O sorriso que estava visivelmente exposto segundos antes já não era mais visto.

-Por que essa pergunta? –questionei.

-Apenas quero uma resposta. –respondeu.

-Não espere que a tal resposta saia mesmo de minha boca. –eu disse.

-Por quê? –questionou incrédulo.

-Porque não há uma resposta. –respondi.

-Você sabe que há.

-Não, não sei. –neguei. –Eu amo Axl e ele me ama, confiamos um no outro. Isso já basta para que sejamos felizes.

-Talvez a felicidade não esteja só aí. –murmurou.

-Isso só o tempo ira dizer. –grunhi.

-E se for tarde demais?

-Nunca é tarde demais.

-Nunca é uma palavra inexistente no dicionário dos mortais. –lembrou ele.

-Não no meu. –disse-lhe.

O silêncio se fez.

-Tenho que ir. –eu disse levantando-me da cadeira. Ele puxou meu braço antes que eu virasse-me em direção a porta. Olhei para ele, que já estava de pé.

-Espero não tê-la desagradado. –ele disse.

-Não ligue para isso. Foi uma ótima tarde. –disse. Senti ele puxar-me para mais perto e se aproximar de meu ouvido. –Nem todos são dignos de sua confiança. –sussurrou. Franzi o cenho pensativa e saí.

O que Duff queria dizer com “Nem todos são dignos de sua confiança” ? Ignorei meu pensamento antes que concluísse, eu tinha mais coisas com o que me preocupar.

Cheguei em casa e me direcionei a cozinha. Peguei um copo de água e sentei frente ao balcão. Minhas unhas batiam na bancada de mármore com sincronia e minha outra mão se ocupava em envolver com os dedos o copo posto sobre a superfície. Meus olhos fitavam algum lugar da sala que nem mesmo eu era capaz de dizer, estava distante em pensamentos, em um lugar que eu desconhecia, um lugar em branco.

A campainha tocou e eu saltitei de susto. Levantei-me e fui até lá atender.

-Oi amor! –eu disse alegre aproximando-me para dar-lhe um beijo, mas ele me evitou e entrou pela sala, carrancudo.

-Você não deveria estar na casa de sua amiga? –ele questionou enquanto eu virava-me para ele, após fechar a porta.

-Hã...Sim, sim, mas já voltei. –preferi não contar a ele de imediato sobre minha discursão com Sarah.

-É. E o que fazia com Duff? –ele questionou e eu estremeci com o tom de sua voz.

-Ele me encontrou quando eu saía da casa de Sarah e resolvemos tomar um sorvete, só isso. –expliquei.

-E agora você vai passar a tomar sorvetes com meus amigos? –ele continuou o interrogatório como se eu tivesse cometido um crime.

-O que é isso, Axl? Você entra na minha casa, sem nem olhar minha cara e faz um interrogatório ridículo como se me acusasse de alguma coisa.

-Desculpa... eu sou mesmo idiota. –ele se aproximou e selou-me. Saí de perto dele, com a cara emburrada e fui até o balcão, colocar na pia o copo em que eu havia bebido água a pouco tempo.

Logo senti os braços de Axl me envolverem. Apoiei minhas mãos na beirada da pia e bufei. Ele espalhou leves beijos pelo meu rosto e eu fechei os olhos. Virou-me de frente para ele, posicionou suas mãos em minha cintura e me deu um beijo calmo.

-Te irritei? –perguntou, depois que cortou nosso beijo, sem que eu o olhasse nos olhos.

-Não, só acho que às vezes você ultrapassa os limites. –respondi, ainda com a cabeça baixa, fitando o chão.

Ele ergueu meu rosto com uma de suas mãos em meu queixo.

-Desculpa, juro que não farei de novo, ok?

-Tudo bem. –forcei um sorriso e ele me deu um beijo.

Lancei meus braços sobre seus ombros e abraçando-o. Senti-o beijar meu ombro enquanto eu recostava minha cabeça sobre o dele. Permanecemos algum tempo naquela situação até que um barulho interrompesse o momento.

Corri para atender ao telefone e eu já imaginava quem fosse.

Notas finais
Hey girls! E aí o que acharam?
Ai gente, nesse capitulo fiquei muito revoltada com o Axl. Traindo a Lizzi enquanto ela espera para se encontrar com ele, coitada. Mas, acho que de alguma forma ela devolveu na mesma moeda. Encheu a cara junto com os garotos. rs'
Perceberam que a Lizzi mudou? Muito estranho essas atitudes repentinas dela. Encheu a cara, sendo que ela considerava erradíssimo beber, quase falou um palavrão ali, algo que ela não se permite de jeito nenhum, discutiu com a Sarah...Nossa! A Lizzi discutindo com a Sarah, como? Ela sempre ouvia sem falar nada. Parece que dessa vez ela explodiu ali.
E esse encontro com o Duff, hein? rs'
Muita coisa para acontecer ainda. Espero que tenham gostado.
Aguardo os reviews, hein?
Beijos!