My Dark Angel
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Notas iniciais
Ainda pouco fiz um escândalo. Porque vi que tinha mais uma recomendação da fic. Já não sou muito normal em momentos como estes então. Bom, quem recomendou a fic foi a Cate linda, agora Lady Rose. Muito obrigada fofa, fiquei muuuuuuito feliz mesmo. Muito obrigada também a todos vocês que tiveram a paciência de comentar no último capítulo, muito obrigada, vocês me dão forças para escrever mesmo quando estou morta depois da escola. Bem, vou falar mais ali embaixo tenho algo importante para dizer, por tanto sei que sou chata, mas leiam, ok?
Espero que gostem.
Divirtam-se.
Beijos.
Foram três batidas apressadas.
–Axl, abre essa porta, por favor. Sou eu, Lizzi. –supliquei.
–O que você quer? –perguntou.
–Me deixa falar com você, por favor. Só quero conversar com você, Axl. –meio minuto de silêncio até que eu ouvisse o barulho da fechadura. Abriu a porta, mas não o vi. Dei alguns passos cautelosos e logo preencheu minha visão. Segurava a arma com uma das mãos, fitava o por do sol pela janela do quarto, de costas para mim.
–O que quer? –perguntou rígido.
–O que pensa que está fazendo? –eu disse ouvindo o soar irritado de minha voz. –Você não precisa provar para mais ninguém o quão é idiota. Agora chega de infantilidade. Largue essa arma. –ordenei e ele gargalhou.
–Você veio aqui para me dar ordens? Pois então veja o que eu faço. –ele disse virando-se para mim e pondo a arma na cabeça. Meu corpo rapidamente se agitou, lançando-se como uma flecha em sua direção a ele, como uma flecha disparada, uma flecha que não atingiu o alvo. Estacionei alguns metros antes dele, não chegando a tocar em nenhuma parte de seu corpo. Era como se algo me puxasse para trás, como um curto pedaço de elástico preso a minha cintura.
–NÃO! –gritei desesperada. –Por tudo que é mais sagrado, não! –lágrimas quase escaparam de meus olhos.
–Eu só estou tentando tornar isso mais fácil para nós dois, Lizzi. Não me obrigue a viver se for sem você. Lembra quando eu disse que tudo que eu tinha era você, era o que você sentia por mim? Agora que isso acabou não tem mais porque continuar vivo. –As batidas de coração que antes já se tornaram consideravelmente mais forte desta vez faziam parecer que o órgão batia em minhas costelas doloridamente. Estava prestes a estourar. Estava ardendo, queimando, inteiramente tomado por chamas. –Você ama Duff, volte para ele. –Palavras soaram cobertas por uma resistente camada de dor.
Um silêncio quase entediante se fez. Ele provavelmente percebera que eu me preparava para falar. Fitei o chão por longos segundos. O olhei novamente e indaguei:
–Não amo Duff. Nunca consegui sentir nada por ele. Ele sabe disso. Sabe que ainda estou presa a você, mas ele me ama a ponto de ficar ao meu lado mesmo assim. Ele me ama a ponto de insistir em ficar comigo mesmo sabendo que eu provavelmente nunca serei capaz de amar alguém como amei você. –ele estremeceu. Fugiu os olhos, varreu o quarto. Eu podia ver a neblina formada por seus pensamentos confusos a escaparem de sua mente.
–Você parece feliz com ele. –disse em um murmurou baixo, porém audível, a olhar o carpete manchado do quarto.
–Estou feliz com ele... –confirmei. –Mas não estou completa. E sinceramente acho que nunca estarei. –ele suspirou. Virou-se de costas, os olhos correndo o jardim esverdeado lá em baixo. Um oscilante feixe de luz iluminou metade de seu rosto. O silêncio prosseguiu. Tive de corta-lo. –Eu deveria ter te ouvido. Desculpa se não consegui. Fui hipócrita, eu sei... –interrompeu-me.
–De nada teria adiantado. Foi eu que errei. Você estava com a razão. –disse ele ainda de costas. –Eu deveria ao menos ter contado a verdade. Desde o inicio. Deixe que você duvidasse dos meus sentimentos. Eu não sabia o que era amar alguém de verdade até que você aparecesse. Achei que eu não precisaria abrir mão de nada. Mas confesso que hoje... –deu uma risada sombria. –Hoje eu teria abrido mão de tudo por você. Eu nunca precisei daquilo, já de você... Dizer que eu não precisava de você é como dizer que eu não preciso de ar para sobreviver. É insano. –Eu estava a ouvir tudo que eu o impedira de falar antes. Talvez se tivesse o ouvido tudo seria mais fácil.
Precisei de um gole de coragem para que então eu deixasse que meu coração falasse por mim.
–Lembra que eu disse que nunca menti para você? Eu continuo presa a essa ideia. E a verdade Axl, é que existe algo dentro de mim que ainda grita por você, que insiste em implorar pelo seu beijo de novo, mas eu continuo na tentativa insana de lutar contra ele, mais a cada guerra que perco eu me machuco mais. Eu cansei de lutar contra esse sentimento, cansei de feridas expostas. Eu percebi que vai doer muito menos se eu engolir esse orgulho idiota e aceitar você de volta, eu percebi que eu preciso de você, Axl. — murmurei as lágrimas e ele permaneceu de costas. Deu um suspiro pesado.
–Vá embora. -disse-me ele.
–Eu não vou a lugar nenhum. -eu disse entre dentes. — Quando o oceano invadir a casa, quando as paredes estiverem a cair sobre mim é ao seu lado que quero estar. Quando as lágrimas molharem meu rosto, quando meu corpo fracassar é ao seu lado que quero estar. Só assim poderei abrir um sorriso e lembrar que um dia jurei que seria para sempre. –eu disse relembrando alguns dizeres gravados em meu diário a respeito de Axl. -Promessas de amor não podem ser quebradas. Me deixa amanhecer ao seu lado mais uma vez, Axl. Me deixa ter a felicidade de acordar com seu sorriso de novo. Me dá a chance de fazer as coisas certas dessa vez.
–Você ainda vai encontrar alguém que te mereça. Vá embora e você ainda pode ser feliz. -ele disse desta vez virando-se para mim. Fitei o chão, em meio ao silêncio que se fez no quarto. Dei alguns passos até que chegasse mais perto dele.
Ouvi o som de sua respiração pesada torna-se quase ofegante. Seu cheiro penetrou em minhas narinas, fazendo meu rosto contorce-se em uma expressão de dor. Eu podia sentir o fervor de seu corpo, tão próximo do meu. Meus extintos chegaram a um estado quase incontrolável. Eu fitava a arma que ele segurava na mão levemente tremula, caída ao lado de seu corpo. Sua respiração tocou o alto de minha cabeça enquanto meus dedos erguiam-se tomando a direção de sua mão. Por pouco não recuaram. Um choque percorreu minha coluna fazendo-me sentir um pasmo. Os dedos frios e ansiosos finalmente tocaram sua mão, a ocupando lentamente, fazendo com que ela deixa-se com que o revolver caísse ao chão.
–Eu não consigo sem você, Axl. -as palavras soaram baixo, lentamente, como se fossem faladas em um súbito momento de dor. Eu ainda fitava sua mão, que insistira em segurar a arma. -Por favor, volta para mim. -supliquei, agora erguendo o rosto na direção do dele. -Eu te amo. -sussurrei enquanto meu rosto esboçava um expressão de dor, quase deixando que lágrimas escorressem de meus olhos. Os dedos que envolviam a arma entorpeceram por um momento, deixando-a ir em direção ao chão. Logo ele abraçou-me forte, pela cintura enquanto eu envolvia seu pescoço. Pressionei os olhos, em meio a enxurrada de sentimentos. Eu mal podia acreditar que ele estava em meus braços de novo. Ele era meu novamente. Seus lábios quentes alcançaram meu ombro em um beijo sutil.
–Desculpa, meu amor. Desculpa ter te feito sofrer. -ele disse, desesperado. -Eu te amo. -murmurou soltando os braços que me envolviam e segurando meu rosto satisfeito em suas mãos. Enlaçou meus lábios com um beijo e só assim fui capaz de perceber o tamanho da falta que me fizera. A sincronia perfeita de nossos lábios em movimento nunca seria igual com nenhuma outra boca. Seus dedos se entranharam por meu cabelo fazendo-me arrepiar, nenhum homem seria capaz de me deixar naquele estado, de fazer aquilo tão bem quanto ele fazia.
A memória já não me trazia lembranças ruins, das quais me enojava recordar, o corpo quente, já não estava tão vazio quanto antes, o coração latejava, rangia, afobado, como nunca estivera. O sangue parecia novamente correr em minhas veias, o ar encher meus pulmões, e meus órgãos funcionarem, trazendo-me de volta a vida que se apagou naquela noite terrível. O tempo que passei longe dele fora como o tempo que passei sem alma, sem um coração batendo dentro do peito, sem aquele que tanto amava para chamar de meu. Mas nenhum de nós dois podia lutar contra o destino, então o melhor a fazer era esquecera as mágoas e correr de volta para os braços do ser amado, dando-lhe novamente seu amor. Tola foi quem acreditou que poderia viver sem aquele que um dia declarou o motivo de sua respiração. Tola foi aquela que não pensou que sem ar tudo que podemos viver são alguns míseros minutos sofridos. Meus míseros minutos sofridos estenderam-se durante dias, mas chegaram ao seu dia de glória onde novamente o ar chegara a meus pulmões e a esplendorosa vontade de viver acometia-me mais uma vez. Eu estava de volta ao meu lar, aqueles braços macios e quentes que me envolviam e estava certa de que era ali que eu deveria ficar.
O que são problemas, dúvidas, mágoas, e rancores quando estas que aquele que tu amas? Ele é teu, esta é a única certeza que tu tens, então comemore, e creio que não há melhor forma de festejar o amor de um homem que não seja nos braços e nos lábios do próprio. Presa ao seu cheiro e seu jeito, deixe que ele te ame da forma errada, quando há amor até o mais errado transforma-se em certo, pois nem os erros resistem ao encantos da paixão. Render-me aos feitiços daquele homem significava muito mais do que um erro, era a volta sofrida, porém gloriosa a vida que amara, tanto quanto aquele que minha boca beijava.
Naquele dia estava certa de duas coisas: A primeira Axl me amava tanto quanto eu o amava, e seria burrice tentar viver sem ele. A segunda, era que não há barreiras para o amor, e eu estava disposta a engolir todo o meu orgulho, esquecer as feridas que ainda doíam para ficar com ele. Talvez se pensasse melhor eu teria mais uma coisa para acrescentar nessas certezas...
–Preciso falar com Duff. -eu disse. -Não quero magoa-lo.
–Ele vai ter que entender. -murmurou.
Assim que nossos passos pesaram na escada percebi a movimentação na sala de estar. Meus olhos logo alcançaram os rostos curiosos, e aflitos, dos que se encontravam lá em baixo. Suspiros de alivio puderam ser ouvidos, mas apenas um deles não estava satisfeito. Duff estava a frente, na beirada da escada, fitando a mão que estava entrelaçada a de Axl. Sua expressão tornou-se de uma dor terrível. Parecia não acreditar no que via. Os olhos derrotados encontraram os meus, marejados, ardiam em rancor, estava ainda mais magoado do que pensei que ficaria. Soltei minha mão de Axl, chegando aos últimos degraus da escada.
–Duff eu... -não me deixou terminar a frase, saiu apressado, permitindo-me ver apenas seu trincar de dentes raivoso. -Duff, por favor, espera. -deixou para trás minha voz desesperada enquanto eu descia os degraus que faltavam.
Meus olhos encheram-se de lágrimas, tudo que menos queria era magoar aquele que esteve ao meu lado quando eu mais precisei.
–Deixa, eu vou falar com ele. -disse Slash antes de ir em direção a porta.
Levei as mãos a cabeça, trincando os dentes e soltando quase um rosnado.
–MERDA! -o palavrão saiu de minha boca em um berro irritado.
–Você está assim por causa dele? -ouvi a voz de Axl soar indignada.
–Você não entende, Axl? -questionei, incrédula, virando-me para ele. -Ele ficou do meu lado quando você não estava. Eu fiz tudo errado. Agora eu machuquei quem menos merecia essa dor. -expliquei, nervosa. -Eu...Eu não tinha o direito de machuca-lo. -disse o último mais calma, parecendo terrivelmente confusa, fitando o chão em um olhar perdido. Axl se aproximou, envolvendo-me com os braços e beijando o alto de minha cabeça.
–Relaxa, Lizzi. Uma hora ele vai entender. -Izzy murmurou, afagando meu braço.
–Verdade. Uma hora ele intende. Duff é duro na queda. -concordou Steven.
–Obrigada, meninos. -eu disse, soltando-me dos braços de Axl, para olha-los. — Axl, quero ir para casa.
[...]
–Ele vai ficar bem, amor. –murmurou Axl enquanto eu fitava as ruas asfaltadas por onde passávamos. Faltava pouco para que a luz da lua as iluminassem na noite escura de outono.
–Eu nuca vou me perdoar por fazê-lo sofrer. –murmurei sentindo algumas lágrimas banharem meu rosto. –Eu não podia ter deixado que acreditasse. Em que monstro eu me transformei? –eu disse, ainda deixando meus pensamentos fluírem pelas ruas movimentadas.
–Ele ainda vai encontrar quem o ame. E eu vou ser eternamente grato por ele ter cuidado de você quando eu não o fiz. –disse ele depois de longos minutos de silêncio. Percebi que então a rua vazia tratava-se da rua em que eu morava.
Sorri-lhe fraco, ganhando um beijo calmo. Saiu e então abriu a porta para que eu fizesse o mesmo.
Já no andar de meu apartamento, destranquei a porta e adentrei a sala de estar. Mal podia acreditar que estava de volta a minha casa. Depois que entrei senti a mão de Axl puxar a chave de minha mão. O vi chavear novamente a porta. Acendeu a luz do corredor, enquanto eu o observava.
–O que está fazendo? -perguntei, após jogar sobre o sofá minha bolsa, contendo a risada que crescera em minha boca.
–Nada. –respondeu malicioso, caminhando em minha direção. Pousou a mão em minha nuca enquanto a outra segurava minha cintura. Beijou-me intensamente. A mão antes em minha cintura escorregou até a barra de meu vestido. Fez caminho por baixo do pano, sobre a meia calça.
Suspirei cravando as unhas em seu ombro. Enrosquei os dedos em seu pescoço. Ele puxou-me em direção ao quarto. Encaminhou-me pelo corredor sem que soltasse meus lábios. Quando meu corpo alcançou a parede já estávamos em meu quarto. Deixei seus lábios por um momento enquanto desamarrava os cadarços de meus sapatos. Ele também tirou os deles para então enlaçar meus lábios mais uma vez.
Um dos braços envolveu minha cintura e puxou-me para mais perto. Senti sue cheiro arder em minhas narinas. Meu rosto pôs-se então em expressão de dor. Abandonei sua boca e afundei o rosto em seu pescoço. Ele deixou que eu ficasse daquela forma por alguns minutos. Talvez soubesse o quanto eu precisava daquele cheiro novamente.
Mergulhei nas profundezas de seus olhos. Ele segurou meu vestido e o subiu lentamente. Logo ele estava no chão. Fiz o mesmo com sua camisa. Ele então abaixou-se e tirou delicadamente minha meia-calça, fazendo com quem meu corpo arrepiasse. Voltou a me olhar. Colou o corpo ao meu. Estremeci bruscamente ao sentir a pele quente e macia entrar em contato com a minha após tanto tempo.
Quando dei por mim, ele já deitava-me na cama, buscando meus lábios, como se procurasse por sua fonte de vida.
Aquela noite certamente entrara para a lista das mais memoráveis de toda a minha vida. Os toques, o calor, o cheiro... Todos como drogas para mim, drogas das quais eu não usava a um bom tempo.
Entre tantos arrepios e tremores, aquela parecia mais a primeira vez. Era como um rito de volta a vida. A situação me fizera perguntar-me por várias vezes como pude aguentar ficar tanto tempo longe dele. A resposta para a tal eu podia encontrar depois. Havia algo melhor com o que me preocupar naquele momento. Estava convicta de que nada mais poderia nos afastar. Eu não queria mais ficar nenhum um minuto longe daquela corpo, daquele calor, daquele cheiro. Não queria mais ter de viver sem poder ouvir aquelas batimentos apressados, aquela respiração ofegante, aquele suspiro satisfatório... Ele era meu e nada o tiraria de mim.
O cansaço o fizera dormir rápido. Já eu, fiquei a observar sua expressão ainda satisfeita e relaxada por horas. O suor secou em meu corpo e seu cheiro fez moradia em minha pele. Um sorriso se estendeu em meu rosto e não se fechou nem com o protestar das bochechas doloridas. Quando o relógio bateu as três da madrugada eu ainda o observava. Desta vez sentada na poltrona confortável do quarto. Posicionada estrategicamente em local que me desse toda a visão de seu corpo esparramado pela cama.
Foi com a visão de sua face que escrevi novas páginas do diário escondido em minha gaveta. Quando o sono chamou por mim fiz companhia a ele. Repousei ao seu lado e dormi, tranquila, sem o interrompimento por parte de nenhum pesadelo. Eu estava protegida de novo.
Os dias assim se passaram. Tranquilos, estáveis e serenos. Eu e Axl éramos novamente como antes, a mudar apenas pelo fato de que ele quase se mudara para minha casa. Não víamos, mas problemas nisso quando não há nada a esconder. A única possível preocupação eram meus pais, mas eles estavam distantes, certamente não nos perturbariam naquele momento. Contudo, não consegui convence-lo a mudar-se de vez para o apartamento. Ele queria um tempo para adaptar os garotos a ideia. Pelo que eu os conhecia sabia de antemão que eles já estavam mais do que felizes com a possibilidade de Axl se mudar, mas ele tinha medo de deixar a casa de um amigo nas mãos de Slash, Steven, Izzy e Duff. Poderiam derruba-la em um dia qualquer.
Creio que o mais complicado nesses dias que se passaram em que comemorava meu reato com Axl fora faze-lo adaptar-se aos meus novos vícios e costumes. Talvez nenhum vício –além dele, claro -, mas os costumes, modos e atos certamente sofreram mudanças. A começar pelo guarda-roupas, mas desleixado, de roupas escuras e um pouco mais vulgares. Havia também um vocabulário de humor negro exposto e palavrões lançados em meio a frases. Mas nada fora isso comparado sua reação ao saber que eu também fumava e bebia de vez em quando.
Não gritou, não esperneou, assustou-se e condenou-se de forma cruel acusando a si próprio de permitir que eu usasse de tudo aquilo. Por várias vezes quase chorei ao vê-lo se condenar daquela forma. Eu via os erros em meus atos inconsequentes, que poluíram a mim e machucaram a Axl. Mas eu estava decidida a me manter daquela forma, não mudaria, ele teria que entender que não tinha como dever me proteger de tudo. Pertencíamos sim um ao outro, mas de forma que cada um ficasse livre a fazer suas devidas escolhas.
Mesmo depois de tantas mudanças, segundo ele eu estava ainda mais encantadora por dentro e por fora. Eu continuava doce, meiga, mas não tão frágil e incerta como antes. Eu tinha menos medos e mais “sim”. Suas palavras a respeito de minha mudança me fez sentir estalar na língua o breve sabor da glória, me fez ter a certeza de que o sofrimento que enfrentara –que quase me matou-, fizera de mim uma verdadeira mulher. Era quase impossível não lembrar das palavras de vovó. Ela estava certa, como imaginei. Provavelmente estava orgulhosa de mim em algum lugar dos céus, escondida por entre as nuvens para as quais eu sorria alegre toda manhã.
Havia apenas uma pequena tormenta. Duff. Eu não tivera de encontrar com ele desde aquele dia. Nem mesmo Axl o havia visto. Segundo Slash ele viajara para visitar alguns amigos em uma cidade vizinha, aproveitaria para colocar a cabeça no lugar. Slash e Izzy foram os únicos que falaram com ele no tempo em que esteve fora. Ambos me garantiram que ele estava bem, que não havia, mas as marcas sombrias da mágoa que deixei e que já estava até a contar piadas sem graça de novo. Disseram-me que ele voltaria logo, e então eu poderia matar minha curiosidade. Poderia olhar dentro dos olhos carregados no rosto angelical e ver o Duff alegre de antes, sem nenhuma marca do furacão que se passara ali, nenhuma marca da destruição que lhe causei. Não podia negar que ansiava por aquele dia, mas ao mesmo tempo estremecia só de pensar em vê-lo de novo, na possibilidade de encontrar qualquer vestígio de dor causada por mim, de ver dentro dos orbes o suplicar de um coração que ainda restrugia por mim.
Confesso que nada se comparava a liberdade que acometia-me naquele devido momento. Comparado ao que vivia agora tudo antes da briga com Axl parecia tão difícil, limitado, tão doloroso. Mas eu certamente nunca percebera, pois nenhuma dor era forte o bastante quando estava com ele. No entanto, ainda havia um nó em minha garganta e agulha pontudas preenchendo meu estomago. Havia algo importante que talvez logo pudesse dar fim a tudo aquilo. Alguém que eu queria poder dizer que estava apaixonada e ouvi-lo dizer eu entendo. Mas eu não deveria esperar aquilo de papai, sabia que nunca aconteceria nada do tipo. Mesmo com a certeza havia algo relutante em mim que ainda ardia de esperança e provavelmente aquela chama estaria acesa até o fim.
Julho foi um mês e tanto. Logo no inicio Axl me surpreendeu quando me levou a algumas festas em ambientes um tanto desconfortáveis. Tudo porque queria que eu conhecesse alguns de seus amigos do meio artístico e também queria que aqueles que já haviam ouvido a fascinante Sweet Child O’ mine tivessem conhecimento da musa inspiradora da música por quem estavam tão curiosos em conhecer. Entre eles estavam os integrantes das bandas The Cult e Aerosmith, bandas com as quais Guns N’ Roses logo sairia em turnê, abrindo seus shows.
Fora um tanto engraçado ver os queixos lhe caírem, surpresos, desesperadamente deslumbrados ao me conhecerem. Chegaram a deixar-me encabulada devido aos elogios contínuos. Ainda assim eles eram divertidos, cada um de sua maneira, alguns um pouco mais tímidos outros mais espontâneos. Eu já os considerava meus amigos. Me apresentaram também novas músicas, confesso que encantei-me extremamente pelas músicas do Aerosmith. Não desmerecendo as do The Cult, mas as canções cantadas pela figura egocêntrica chamada Steven Tyler, deixaram-me fascinada.
O dia 21 fora festivo. Fora o dia de lançamento do esplendoroso Appetite For Destruction, o primeiro disco do Guns N’ Roses. Mas os dias antecedentes não foram dos mais felizes para Axl. Ele estava enfurecido, pois eles tinham shows a fazer com o lançamento do disco, mas Axl teria de arrumar um novo baixista, já que Duff não voltara de viagem antes do lançamento como ele prometera. Insatisfeito, Axl não teve outra escolha que não fosse convidar um amigo para substitui-lo temporariamente.
O Appetite For Destruction não fora de um súbito sucesso imediato, o Guns N’ Roses não era uma banda muito famosa, mas os fãs que tinha já fizeram os discos venderem significativamente.
Era final do mês quando Duff resolveu voltar, depois de ouvir gritos raivosos de Axl do outro lado da linha. Naquele dia ele não dera sorte, ligara para mandar noticias no exato momento que Axl chegava em casa. Axl então tomou o telefone das mãos de Slash a gritar com Duff. Na tarde de domingo eu não tive outra escolha após a insistência de Axl. Eu teria de enfrentar aquilo uma hora ou outra. Tinha de acreditar que Duff estava bem, tinha de torcer para que ele estivesse realmente bem. Mas o temor de encontrar dor em seus olhos me sufocava. Era obrigada a dizer que não me espantaria se ele recusasse a me ver, se passasse batido por mim, se me ignorasse. Eu não iria insistir, sabia o quanto aquilo seria difícil para ele também.
Notas finais
Saindo da fiction, mas ao mesmo tempo na fiction eu tenho uma notícia não muito boa. Eu tentei, juro que tentei, mas não vou deixar ninguém esperando por uma postagem que não vai acontecer, portanto, preferi a mudança. Calma, não vou excluir a fic, eu amo My Dark Angel e nunca faria isso com vocês, ainda mais agora perto da reta final e depois que vocês tiveram o trabalho de ler, comentar...Não, My Dark é a forma de eu agradecer a vocês toda atenção que me dão, mas infelizmente eu vou passar a postar apenas nos sábados, essa é a última vez que posto na quarta-feira. A questão é, eu nunca estudei a tarde, bem, acho que só na primeira série, mas enfim, está bem complicado escrever quanto mais postar dois dias da semana. Enfim, mil desculpas, pense pelo lado bom, só vou perturbar uma vez na semana agora =/
Bem, mais uma vez muito obrigada a todos os comentários, vocês são definitivamente fodas, obrigada Cate pela recomendação linda, amei de verdade, desculpa algum erro acabei nem conferindo o capítulo e é isso. Muito obrigada por lerem e até sábado, ok?!
Beijos, lindas!
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