Notas iniciais
OOOOOOOOOOOOOOOOOlá! A louca, perturbada e chata chegoooooou.Tô aqui morrendo de fome gente, nem estou conseguindo raciocinar direito. Minha mãe fez um mega arroz de forno para o almoço, seria perfeito se não estivesse cheio de cebola. Resumindo dei a desculpa que estava muito enjoada e estou com o estomago vazio desde que acordei. Assim que ela der as costas eu saio para comer sanduíche :p Sou a única que ODEIA cebola aqui?! -le eu FOREVER ALONE-
E ae? Curiosos?
Então desfrutem do cap...Antes só uma coisa. Eu escrevi hoje, resumindo está uma merda, Ok? Mas é um momento importante da fic então vale a pena ler.
Divirtam-se.
Beijos!

Tive de respirar fundo três vezes antes de sair de casa. Bobagem minha talvez, mas o fato era que havia uma estranha sensação dominando-me. Uma espécie de medo mesclado à perplexidade, sem esquecer a forte ansiedade. Encolhi-me, segurando o braço com uma das mãos. Algumas expectativas, milhões de pensamentos, imaginação terrivelmente aguçada, não faziam companhia ao nervosismo das mãos que balançavam-se agoniada a cada cinco minutos. Percebi que de nada adiantaria esconder a tensão tremenda que enrijecia meu corpo e distanciava meus olhos, levando junto a eles aquela grande confusão de pensamentos perdidos, insanos e ansiosos.

Era o cair da tarde quando o motor do carro silenciou-se em frente a grade casa branca. Axl abriu a porta para que eu saísse. O sorri fraco, tentando a todo custo esconder tensão que me corroía. Um vento forte balançou as árvores ao norte, soprou alguns fios de cabelo para meu rosto, formando um emaranhado na parte de trás. Estremeci bruscamente. Axl então me envolveu com os braços aquecendo meu corpo enquanto seguíamos até a porta.

Afastou-se de mim apenas para abri-la, mas tratou de segurar logo minha mão. A sala aparentemente vazia estava silenciosa. Franzi o nariz logo que meus olhos alcançaram a visão completa. A situação da sala de estar estava cada vez mais trágica. Garrafas cobriam o chão, farelos tomavam conta do sofá azul-petróleo, na mesa de centro tabaco os pacotes de biscoitos salgados, pratos, pedaços de vidro e latas de comida impediam de ver a gordura que já fizera uma grossa camada sobre a madeira escura.

Do último vaso que restara na casa um pequeno pedaço fazia moradia em baixo do sofá. Os moveis visíveis carregavam postas de poeira que ali se acumulara há um bom tempo. Pensei se o lugar ainda estaria de pé quando o dono viesse habita-la novamente. Só então perceberá que teria sido mais vantajoso vende-la do que deixar sobre o controle de Axl, Izzy, Steven, Duff e Slash.

Risadas escandalosas seguidas de frases ditas aos berros invadiram meus ouvidos. Pareciam vindos dos fundos. As vozes se confundiram conforme Axl me guiava pelo caminho até a piscina. Tornara-se difícil distinguir quem falava. Logo ultrapassamos a porta dupla da cozinha que levava até a área dos fundos.

Próximo a piscina, na mesa redonda de sempre estavam Izzy, Slash, Steven e...Duff. Seus olhos não encontram os meus de imediato já que Axl me impedia a visão, mas no curto momento que o enxerguei pude perceber a certa ansiedade que tinha de descobrir a garota que se escondia por trás do amigo.

Ignorei o bizarro cumprimento entre eles. Mas logo o corpo de Axl não fazia mais barreira a mim. Foi depois que deu um forte tapa na cabeça de Duff que ele me liberou a visão. Foi imediato, rápido, como se ambos ansiassem por aquilo.

Fitou-me, a expressão rígida, visivelmente controlada. Os lábios parecendo tão duros quanto a face. Os olhos tão vazios como uma folha de papel em branco. Mais ao fundo havia uma angústia que não pode esconder. Prestando um pouco mais de atenção podia ver sua respiração alterar-se significativamente. Quase conseguia enxergar o coração que acelerara dentro de seu peito, talvez tão rápido quanto o meu.

Foi na frieza de seu olhar que viajei por minutos imperceptíveis, minutos que me passaram pelos olhos sem que eu nem os vissem, minutos de um corpo paralisado, uma mente distante e sentimentos trocados. No inferno que se tornara meus pensamentos perdidos e sensações incomuns concentrei-me cada vez mais no olhar penetrante. Parecia que podíamos nos comunicar daquela forma, mas tudo que havia entre nós dois era um súbito silêncio de dor, marcas recentes, mágoas passadas.

Uma voz soo no fundo de meu ouvido. Uma rápida volta ao planeta Terra. Axl chamava-me aparentemente pela quarta vez.

–Oi. –disse desnorteada.

–Você está bem? –perguntou os olhos aguçados em curiosidade.

–Err...Estou. –respondi sorrindo lhe fraco, retribui-me com um beijo rápido.

Aquela tarde estava declarada a ser um tanto incomoda, extremamente silenciosa para mim. Foram trocas de olhares inevitáveis, aquela frieza já feria-me. Ele realmente já agia como antes, como se nada o acontecera. Ria, brincava, berrava, mas não estava livre da dor.

Disfarcei, mudei a direção, interagi com os outros...De nada adiantava, era sempre dentro daqueles orbes que eu acabava. Era cruel ver a forma como nos olhávamos, como ficávamos em silêncio um com o outro, era cruel pensar que aqueles que passaram noites e mais noites em claro, sobre uma cama quente, o corpo fervendo em desejo se olhavam como desconhecidos, como se não tivessem passados tempos magníficos juntos. Talvez ele não soubesse, mas algumas das milhares de tardes que tivemos juntos já estavam gravadas na lista de melhores da minha vida. Pois fora com ele que eu dei as melhores risadas, fora com ele que eu me senti bem mesmo em meio a dor, fora com ele que aprendi a me reerguer e dar meus passos, sozinha. Eram prováveis detalhes bobos para ele que mais estavam presentes na minha memória, que deixariam saudade, que algum dia certamente me faria derramar lágrimas só de lembrar tudo que tinha.

Não queria Duff como namorado. Não queria que ele tivesse de suportar Axl ao meu lado todo o tempo. Só queria ouvi-lo dizer uma única vez “Podemos ser amigos”. Eu queria aquele sorriso iluminando os fins de tarde entediantes. Poderia jurar que dividiria meu tempo entre ele e Axl, mas não queria que ele me abandonasse, não queria derramar lágrimas após ser ignorada pelo homem que por tantas vezes disse que me amava. Errei, disto estava certa, mas todo aquele furacão que passara por minha vida nos últimos meses me fizera aprender que às vezes é preciso deixar as mágoas de lado para ser feliz.

Entre tantos olhares eu tinha a árdua tarefa de conter os dizeres que cresciam em minha boca. Minha garganta ardia, meu estômago tinha serpentes a me ameaçar. A visão quase embaçava em uma tontura desnecessária. Estava lutando contra o louco desejo de gritar: “Me perdoe?”

–Vou beber água. Estou enjoada de tanta cerveja. –murmurei a Axl. Antes que eu erguesse o corpo por completo ele me puxou pelo pulso para um beijo. Torcia para que ele não tivesse percebido a frieza em meus lábios rígidos. Evitei conferir a reação de Duff. A dor queimando em seus olhos seria atormentadora demais para mim.

Depois de segurar nas mãos um dos poucos copos de vidro que sobrar na casa o balancei por algumas vezes, ouvindo o som baixo que água emitia. A mão desocupada apoiava-se na bancada de mármore italiano batendo unhas de quatro dedos ali, harmonicamente. Os olhos direcionados ao chão estavam distantes o bastante para que minha mente viajasse aos lugares desconhecidos, a ponto de não me permitir ouvir alguém a me chamar.

Quando voltei à órbita deixei o copo na pia. Antes que voltasse a varanda ouvi um barulho vindo da sala. Fui até lá conferir se Axl não deixara a porta aberta. Quatro passos para fora da cozinha era o necessário para ter a visão da porta de madeira escura. Estava fechada. Dei de ombros.

Antes que retornasse meus olhos encaminharam-se ao chão, desatentamente. Foi quando não contive um grito ao jogar-me sentada ao chão, encolhida, apavorada, fitando a cobra que se rastejava em minha direção.

Provavelmente o meu grito não fora audível para os garotos que berravam lá fora. Na altura que eles falavam era pouco provável que eles fossem ouvir. Mas em meio às lágrimas que encheram meus olhos e as mãos tão trêmulas quanto o corpo meus ouvidos captaram passos rápidos vindo da cozinha após meu grito. Um segundo e Duff me envolvera com os braços tentando me acalmar.

Mal consegui pensar na situação, estava apavorada, olhando fixamente a cobra.

–Calma. É só a cobra do Slash. –murmurou serenamente. Assenti involuntariamente. –SLASH. –gritou tão alto que meu ouvido protestou em fisgadas. Ele me levantou, lentamente, ainda me envolvendo nos braços, dando-me a impressão de proteção. –Respire fundo. Ela não vai te morder. -tentou mais uma vez acalmar-me. –SLASH! –gritou já irritado, mais uma vez. Foi quando ergui a cabeça e o olhei nos olhos.

Foi como voltar à noite em que tivemos nossa primeira vez. Quando nos olhamos nos olhos um do outro, como se o mundo estacionasse para nós. O coração disparado prevendo o erro, a mente clamando pelos lábios rosados que gritavam por mim. A respiração que tocava o rosto como um leve carinho, bocas próximas o bastante para que se tornasse quase impossível impedir o beijo.

De repente não era o medo da cobra no chão que controlava o coração quase saindo pela boca, não era de pavor que as mãos suavam, não era temor que invadia a mente.

–Fique calma Lizzi. Eu quase posso sentir se coração. –ele disse rindo, a boca ainda próxima da minha.

Foi naquela risada que encontrei um real motivo para sorri naquele dia. Era como se tudo voltasse ao normal. Era o Duff de antes que estava ali. Estava mais convicta disto do que nunca.

Foi acompanhado da última frase de Duff que Slash chegou cambaleante.

–O que foi, cara? –vi apenas os grossos lábios moverem-se por baixo da cabeleira escura, no tom de voz despreocupado e um tanto chateado por tê-lo feito ir até ali.

–Tire esta coisa dali. –Duff disse apontando para a cobra no chão. Logo chegou também Axl e Izzy.

–O que aconteceu? –perguntou Izzy.

–Lizzi se assustou com esse bicho do Slash. –respondeu Duff enquanto Axl já me tirava de seus braços parecendo não muito satisfeito com a situação. Lançou um olhar de censura para Duff e me abraçou por trás.

–Está tremendo, meu anjo. –comentou assustado.

–Ah, ela é só um bebê. Meu bebê. –disse Slash segurando nas mãos com destreza o animal pavoroso.

–Suma com isso daqui Slash. –disse Axl irritado.

–Tá bom. Já tô indo, cara. –resmungou Slash. Segui ordens e subiu as escadas sumindo do alcance de meus olhos com o animal.

–Quer ir para casa agora, amor? –perguntou Axl.

–Sim. –respondi ainda desconcertada, a voz soando tensa. Soltei-me rapidamente dos braços de Axl virando-me para Duff que encontrava-se de pé atrás dele.

–Ah, obrigada, Duff. Não sei o que teria feito se não tivesse aparecido. –agradeci.

–Não foi nada. Eu estava na cozinha quando a ouvi gritar. –explicou. –Agora eu vou voltar lá para os fundos. –disse com certa frieza.

–Izzy, deixe um beijo para Steven e para Slash por mim. –eu disse preparando-me para ir embora. Axl foi até a varanda rapidamente e voltou carregando na mão minha bolsa.

A noite marcante finalmente chegara ao fim. Não sem que antes eu repassasse na cabeça todos os acontecimentos do dia. O fato de saber que Duff estava bem me deixava mais tranquila. No sossego do início da madrugada dormi serena nos braços de Axl. Seu calor, sua pele, seu cheiro, tudo nele fazia sentir-me em casa, protegida de tudo e de todos e era naquela segurança que eu queria embarcar toda noite.

Mas toda aquela calmaria logo teve fim. Com o passar dos dias as coisa ficaram mais perplexas. Inicio de provas, avaliações, trabalhos, livros, notas altas, notas medianas... Já Axl estava com a agenda repleta de shows, alguns em cidades vizinhas o que o fez se afastar por alguns dias, seis ou sete. Mais difícil do que ter que arranjar tempo para ele era ter de ficar longe dele.

Passado os dias complicados ainda era inicio de agosto. Foi quando abandonamos o apartamento para passar um tempo pelas ruas de Los Angeles. Da sujeira com o sorvete a corrida infantil no parque. Mais parecíamos crianças que haviam sido soltas mundo a fora.

–Deixa que eu atendo. –disse a Axl, fechando meu roupão de seda branca e indo até a porta. Era uma simples tarde de sexta-feira. Eu mal podia imaginar quem batia a minha porta as cinco da tarde. Meus passos despreocupados pesaram no assoalho apressando-se até a porta.

Rodei a chave para destrancar e depois a maçaneta para abrir. Os olhos desatentos que alcançaram a visão lá fora arregalaram-se. Um oceano de sensações me invadiu. Quase tive de esfregar os olhos para que acreditasse na pequenina figura parada a minha porta.

Estava diferente. Os cabelos louros estavam cortados na altura do queixo. A testa se escondia por trás da franja perfeita. O vestido caqui, de puro algodão dava-lhe um ar de mais velha. Mesmo depois de tantas mudanças minha menina continuava a mesma.

Ela não sorria, porém os olhos estavam repletos de ansiedade. Em meu rosto havia uma surpresa crescente mascarando a felicidade. Eu precisava acreditar que ela estava mesmo ali antes de disparar fogos aos céus.

–Sa-Sarah? –gaguejei após o silêncio de alguns minutos em que nos observávamos, como se uma matasse a saudade do rosto da outra. Confesso que nunca sentira tanta falta daqueles traços suaves no rosto perfeitamente esculpido. Tive de relutar para controlar o corpo que insistia em movimentar-se para abraçar-lhe apertada.

–Quem é, amor? –perguntou Axl atravessando a sala vestindo apenas sua boxer preta. Olhei para trás e ela o olhou também.

–Pensei que as coisas mudariam depois daquilo. –disse ela referindo-se a noite em que brigamos e ela contou-me sobre Axl. A voz ardendo em decepção e rancor. –Cansei de dar chances. –disse o último dando as costas e sumindo pela escada do edifício permitindo-me nem mais uma palavras.

Meu rosto esboçou um espanto ainda mais aparente enquanto eu fechava a porta. Virei-me para Axl boquiaberta.

–Era Sarah? –perguntou e eu sentei-me no sofá, perplexa.

–Eu não acredito. –eu disse feliz e ao mesmo tempo preocupada. –Sarah voltou, Axl. –eu disse sorrindo-lhe. Até que lembrei-me de suas últimas palavras. –Mas o que será que ela quis dizer com “Cansei de dar chances”?

–Será que ela não vai...

–Não. Sarah não faria esse tipo de coisa. Mesmo que estivesse magoada comigo. Eu confio nela. Ela me ama tanto quanto a amo. Ela não ligaria para meus pais agora. Eu a conheço.–eu disse descartando a hipótese que Axl levantara. –Ela não faria isso. –murmurei baixinho comigo mesma.

A dúvida encheu o rosto de Axl. A tensão permaneceu com ele durante o resto do dia enquanto eu repassava a visão de minha irmã. Queria poder contar a ela o quanto sentira sua falta. Ela logo voltaria e eu teria uma nova chance de dizer a ela.

–Por que está assim? –perguntei fitando seu rosto tenso.

–Nada. Eu só não quero te perder. –respondeu forçando um sorriso fraco. –Eu nem sei o que seria capaz de fazer se isso acontecesse. Ninguém pode te rouba de mim, Lizzi. Você é minha, só minha. –completou, porém ao invés de algum tipo de possessão na voz a frase soou repleta de carinho.

–Ninguém vai me roubar de você. Não seja bobo, para de se preocupar com isso. Ela vai voltar uma hora, só está chateada comigo. Estou feliz por ela estar aqui novamente. –murmurei escondendo um sorriso por baixo dos lábios.

–Já pensou que essa felicidade talvez esteja vendando seus olhos? Ela estava muito chateada com você. Estava com raiva. Quando estamos com raiva fazemos coisas que nem nós mesmos esperávamos que um dia fizéssemos. Sei disso por experiência própria. –insistiu.

–Sarah me ama como uma irmã. Eu sei que isso não acaba assim. Ela não é tão inconsequente. Se ela quer mesmo ligar para meus pais ela voltará aqui para dar-me o último aviso. –indaguei.

–Então por que tinha tanto medo que ela descobrisse nosso namoro antes? Não faz sentindo, Lizzi. Talvez fosse porque antes você não estivesse sendo cegada pela felicidade de sua irmã ter voltado. Talvez antes você conhecesse melhor Sarah do que hoje. –Ele tinha razão. As mudanças aterrorizantes dos últimos meses mexeram em minha cabeça, mudaram algumas coisas de lugar, e ainda restava confusão ali. E se a felicidade estivesse gritando mais alto do que a razão? Ainda assim nada tirava-me da cabeça que Sarah nada contaria aos meus pais. Pelo menos não naquele momento.

A tensão em seu rosto já me desesperava. Ansiava que ele lesse em meus olhos a suplica que lhe implorava para abrir o sorriso de antes, o sorriso que iluminava meu dia, que me deixava mais feliz, eu precisava dele. Mesmo em meio à tensão, era possível enxergar também um estranho misto de perplexidade, medo e incredulidade. Era como se ele lutasse para acreditar em algo. E eu sabia o que era.

–Vamos dormir na minha casa hoje. –a frase soou mais como uma ordem do que um convite.

–Não. Não precisamos ir para lá. Podemos ficar aqui. Não vai ser nada confortável abrir os olhos e encontrar um daqueles bichos nojentos que o Slash tem ao meu lado. –sacudi a cabeça ao fim da frase sentindo um calafrio percorrer meu corpo.

–Eu não estou brincando, Lizzi. –murmurou sério.

–Ei, de que vai adiantar dormir lá? De manhã eu estarei de volta aqui. –eu disse. Aproximei-me dele envolvendo sua cintura com os braços. –Por que tanto medo, amor? Estamos juntos, não estamos? –Ele deu um suspiro pesado.

Quando o primeiro feixe de luz invadiu o quarto na manhã de domingo não tive outra escolha que não fosse acordar. Ainda de olhos fechados, passeei a mão preguiçosamente pelo outro lado da cama. Ele não estava lá.

Abri vagamente os olhos e observei o quarto. O pedaço de papel amarelo preso ao espelho me chamou a atenção. Levantei em um pulo, meio cambaleante, desconcertada. Puxei o papel e cocei os olhos um tanto embaçados.

Amor, tive de sair pela manhã, desculpe não avisar antes. Tinha algumas questões da banda a resolver. Assim que acordar vá imediatamente para a minha casa. Steven chegara lá por volta das 11:00 horas, lhe fara companhia. Por favor, faça isso depressa. Ligarei para lá assim que puder.

Eu te amo.

Assi.: Axl Rose

Eu não faria nada diferente do que ele me pedira, mesmo achando tudo aquilo bobagem. Olhei o relógio que marcava quase as 11:00 horas. Sem pestanejar, levantei-me e tranquei-me no banheiro para um rápido banho.

Por fim tirei do guarda-roupa uma camisa branca de mangas compridas e uma calça preta. Depois de pentear os cabelos deixei na sala a bolsa e os sapatos. Voltei ao quarto para terminar a maquiagem marcada que fizera. Complementei com lábios avermelhados, abusando do batom vermelho-sangue.

Foi quando tomei novamente o caminho da sala que ouvi a campainha tocar. Imaginei se talvez não fosse Steven que fora me pegar depois de não me encontrar na casa, ou talvez Axl que conseguira sair mais cedo.

Os toques insistentes e contínuos me fizeram correr até a porta. Foi ao abri-la que meus olhos escureceram com a visão. Meu corpo de imediato amoleceu. Entre tantas surpresas que tive ao abrir a porta aquela com certeza era a mais tenebrosa. As cobras que de vez em quando rastejavam por meu estomago agora me picavam, relutavam para sair-me pela boca. O nó habitual na garganta desta vez sufocava-me.

Quando o choque correu por minha coluna e minhas mãos tremeram, forcei-me a falar. Os lábios entorpecidos recusaram-se na primeira vez, já na segunda tentativa não insistiram.

–Pai? Mãe? –a voz trêmula soou um pouco mais alta que um sussurro.

–Será que posso entrar? –disse papai, a voz serena soando fria, o rosto tranquilo mascarando raiva. Tudo que consegui foi abrir um pouco mais a porta e dar-lhes espaço para passar.

Papai atravessou a porta primeiro e depois mamãe. Enquanto ele seguia pela sala, andando lentamente, Lara não pensou duas vezes em me abraçar apertado. Senti lágrimas arderem em meus olhos. Na memória uma enxurrada de lembranças de todos os nossos abraços. Ela ainda tinha o mesmo cheiro de lavanda floral.

–Saia já, Lara! –ordenou Henrique. Insatisfeita, mamãe soltou os braços que me envolvia e secou a lágrima que lhe escorreu pela face. Olhou-me uma última vez e então seguiu, sumindo pelo corredor escuro. –É, o apartamento era como eu pensava. –comentou papai ainda em sua frieza após perceber que restava apenas nós dois. –Grande, aconchegante, organizado. –escorregou os dedos sobre o piano. –Nunca deixou de ser organizada. Aprendeu muito bem, Elizabeth. Mas creio que as lições não lhe valeram em todos os aspectos. –o tom soava um tanto ameaçador. –Mentir não é nada bom. Quanto mais para uma moça como você.

“E sua babá? Vai bem?” O tom sarcástico estava vivido na frase “Espero que sim. Ela deve cuidar de você, não é? E quantos anos ela tinha mesmo? 22? Ah, mas ela me parece tão nova. Quem sabe não tem 17? Vocês devem ter se tornado melhores amigas, não é? Ou será que já eram?”

Uma lágrima escorreu de meus olhos, mas eu a sequei. Não abaixei a cabeça, pelo contrário o encarei, rígida, como se de alguma forma o enfrentasse, algo que nunca me atrevi a fazer.

–Você não costumava se vestir assim. E esses cigarros sobre a mesa? Por acaso está fumando? –continuou em sua serenidade apavorante. – Deixe-me ver isso. –disse ele se aproximando e pondo o dedo indicador em baixo de meu queixo. –Batom vermelho? Acho que ele ficaria melhor assim. –disse trincando os dentes e passando fortemente o dedo sobre minha boca, borrando por completo meu batom. –Então foi isso que você se tornou? Uma vagabunda, uma prostituta, uma mulher da vida. –indagou desta vez enfurecido. –FOI PARA ISSO QUE LHE CRIEI SUA VAGABUNDA. –gritou enquanto eu ainda o encarava friamente. –E onde está o filho de uma puta por quem você se diz apaixonada? Hein? –perguntou.

–Lave a boca para falar de meu namorado. Você não tem a mínima moral para isso. –De repente não havia medo de enfrenta-lo, de repente eu estava cansada de calar-me perante a sublime majestade. –Sabe por que papai? Por que você é um verme que ninguém suporta. Você é um homem sujo, sem caráter. Você é só um monte de dinheiro imprestável. E quer saber de uma coisa? Eu tenho vergonha de ser sua filha. –Aquele momento fora o que cuspi tudo aquilo que crescera anos e anos em minha garganta. Aquela angústia que por tanto tempo guardava no peito. Eu não tinha medo de sua reação, apenas sede de liberdade.

–Sua prostituta ordinária, eu vou lhe mostrar como me respeitar... –ele disse erguendo a mão, fervendo em fúria. Eu apenas fechei os olhos a espera de que ele fizesse o que queria.

–Nem mais um movimento. –ouvi a voz de minha mãe e então abri os olhos. Ela estava de pé, já na sala, fuzilando papai com os olhos.

–Ah, veio ver a seu projeto de prostituta apanhar. Veja o que fez com essa coisa. –usou o termo “coisa” para se referir a mim, transbordando em repulsa. –Uma vagabunda como você.

–Acho melhor se calar, Henrique. –disse mamãe. A expressão vazia se opunha a papai, e ele estranhamente se continha, como se ouvisse o declarar da rainha. –Ou esqueceu que foi com uma vagabunda que se casou? Esqueceu que se não fosse a vagabunda você não teria nem onde morar. Sobreviveria de que? A empresa falida que seus pais lhe deixaram, meu caro? Lembra quando eu disse que se um dia encostasse um dedo na minha filha eu iria atrás de você até no inferno? Quer começar agora? –disse ela ainda serena. Ele logo baixou a mão e permaneceu de cabeça erguida. A autoridade pesando-lhe sobre os ombros, as verdades o humilhando. Pela primeira vez eu ouvira um trecho da história dos dois, a história que eu desconhecia.

Mamãe controlou um sorriso triunfante enquanto eu os observava incrédula, cheia de dúvidas e perguntas.

–Leve a para o quarto. –disse ele baixando a cabeça, o tom de humilhação dominando a voz. Mamãe esticou um dos braços como um pássaro a chamar seus filhotes para aconchegar-se em baixo de suas asas. Sorriu-me ternamente e eu me apressei até ela. Envolveu-me com o braço e me acompanhou até o quarto.

–Mãe. Eu amo Axl. –foi tudo que consegui dizer quando ela fechou a porta do quarto.

–Eu sei, meu anjo. –ela disse. –Deve ser mesmo um rapaz muito especial. –completou. –Mas quero que você saiba que independente do que Henrique disse eu a amo do jeito que é. –murmurou abraçando-me. –Agora tenho que ir, antes que seu pai mande os seguranças até aqui.- soltou-me de seus braços.

–Mãe. –eu a chamei.- Nós vamos voltar para o Brasil? –perguntei. Ela assentiu.

–Sinto muito, meu anjo. –disse ela e por fim saiu, fechando a porta.


Notas finais
Chegamos a um temido momento na fanfic. Acho que ficou clara que Sarah resolveu contar tudo para os pais de Lizzi, né?! E será que o que ela fez tem perdão? Vocês perdoariam?
Bem, o que acharam? Gostaram =D? Bom, ignorem o que estiver ruim, ok?! Acho que fui meio repetitiva e não usei uma linguagem muito boa neste, mas vou tentar trazer o próximo melhor, ok?
Estou num ótimo momento da minha vida: sinusite atacada, por isso minha mãe não me deixou ficar no ar-condicionado, mas está um calor insuportável, mas o pior é: Meu pai comprou um gato e vai pega-lo amanhã. Detalhe eu sou alérgica a gatos e tenho pavor daquele bicho. Odeio gatos. Eles são maus, muito maus.
O legal é que eu sou uma futura médica veterinária que não gosta de gatos. Não tem problema, a área que vou me especializar não tem contato com esse tipo de animal.
Agora eu enchendo o saco que quero um lagarto ele me arruma um gato :s
Bem, a fome está gritante eu preciso comer algo.
Obrigada por lerem sua lindas.
Obrigada por todos os comentários.
Beeeeeijos!