My Dark Angel

47 My Imperfect Family


Notas iniciais
Helloooooooooo! Não abandonei a fic, não, viss...É confusão com os dias, eu sou meio lesada mesmo, achava que era sábado e já era domingo, e então eu esperava pra postar no próximo sábado e então eu não tinha tempo e assim foi indo, porém finalmente, I'm Here o/ Enfim, agora vou deixar lerem, ok?! Espero que gostem, e final cada vez mais próximo.
Beijos!

As vozes já berravam acompanhadas de risadas enquanto meus olhos abrangiam toda a área. Como sempre espalhavam-se pelo sofá, em suas formas desconcertadas, algumas garrafas já apinhando a mesa de centro, enquanto Axl, acalmava Zyan junto a si.

Axl fitou-me a medida que chegava a solo sendo seguido pelos olhares curiosos dos outros garotos.

–Hey Lizzi. –ouvi Steven.

–Oi Lizzi. –desta vez era Izzy.

–Hey. – ao fim Slash em seu estado de uma vaga embriaguez. Duff apenas me fitara, sorrindo maliciosamente, enquanto eu cumprimentava os garotos.

–Como estão, meninos? –perguntei educadamente.

–Bem. –responderam Steven, Izzy e Duff.

–Melhor agora. –pronunciou-se Slash, de forma engraçada. –Ei, mas aonde está sua barriga? –perguntou Slash.

–Ainda é cedo demais, Slash. Eu devo estar com cerca de um mês e meio de gestação. –respondi atenciosa enquanto me juntava a Axl, sentando sobre suas pernas, envolvendo seu pescoço com os braços.

–E já sabem quando poderão saber o sexo? –perguntou Izzy.

–Talvez com cinco ou seis meses. –respondi

–Woool, com sorte vai ser uma menina. –disse Steven em malícia.

–Vai dar muito trabalho a Axl. –pronunciou-se Izzy.

–Vai ser a maior gostosa. Imagina uma versão feminina de Axl misturada com a Lizzi. –disse Slash em uma fisgada de lucidez.

–Ei, é minha filha. Não vou querer vocês, marginais perto delas. –disse Axl, após arremessar uma almofada contra Slash.

–Ai, Axl magoou agora. Não precisa ficar com ciúmes, se eu fosse gay também te pegava. –disse Steven me arrancando gargalhadas.

–Ah, seus viados. –disse Izzy.

–Te pegava também Izzy. –disse Steven e risos diversos ressonaram. –O Slash é meu caso antigo, não conta. E o Duff...O Duff eu já comi e não gostei não. –prosseguiu.

–Tomar no cu, viado do caralho. –disse Slash em risos.

Certamente estar entre eles tornava o mundo ao meu redor um pouco mais pacífico para mim, mesmo que fosse por um momento. Aqueles garotos esquisitos, desajeitados, bagunceiros, bêbados e abobalhados tornaram-se a mim mais do que um dia um pude imaginar. Talvez fosse a harmonia que os rondava, mesmo em meio as brigas, que me satisfizesse, ou então a união que ainda em suas estruturas danificadas parecia indestrutível e a mesma fazendo questão de me acolher como se fosse parte deles...De fato, não importava, eu os tinha como irmãos, a parte desajeitada da família, e fora aquilo que Axl me dera de sua forma mais errática, inconsciente, porém pura e espontânea, uma família a qual fazer parte. E Guns N’ Roses nada mais era do que irmãos, em seus desentendimentos, mas irmãos, e seriam tios então. Eu sabia que em suas ingênuas formas eles seriam de tudo a meu filho com Axl. E pela primeira vez eu pudera ter orgulho de uma família, a minha nova família.

Os risos atravessaram aquela noite, porém em tantas horas que passamos ali, eu ainda tinha uma atenção parcial focada em Duff. Talvez, como mamãe dissera, o que ocorrera entre nós dois fora esmagador demais para ser deixado de lado, como se nada tivesse se passado. Não digo que remanescera amor, ao menos não de forma violenta de minha parte, eu ainda o amava, um amor que quando estávamos juntos não fora capaz de florescer frondosamente, porém existia de forma diferente e isso me obrigava a me preocupar com ele. Seus risos não eram tão intensos como os dos outros, algo o desligava parcialmente de tudo aquilo. Não estranhava que não comemorasse como os outros, eu já esperava por aquilo, estranhava seu distanciamento, seu devaneio. Provavelmente ainda estivesse acorrentado aqueles antigos laços, correntes que não mais me prendiam. Aquilo era facilmente percebido quando ele não conseguia se entregar inteiramente a ideia daquela criança, e aquilo de alguma forma me feria. O medo que aquilo o fosse prejudicar, o medo de vê-lo recusar aquela gravidez, sentir-se em tamanha ofensa pela mesma.

Duff tomou a liberdade de ir até a cozinha quando sua cerveja terminara, e em desatenções Lizzi aproveitou o momento para acompanha-lo. Levantou do lado de Axl que agarrou sua mão de imediato.

–Aonde você vai? –perguntou, Izzy, Slash e Steven não nos percebendo então.

–Axl... Eu preciso falar com ele. Por Favor. –murmurei.

–Não, não precisa. Ele vai ficar bem. –murmurou ríspido.

–Por favor, Axl. Me deixe ao menos conversar com ele. Por favor. Confia em mim. –insisti. –Por favor. –encarou-me por alguns segundos, deixando minha mão insatisfeita, porém não voltando ao assunto no qual os garotos continuavam a rir. Segui até a cozinha, deparando-me logo com ele, a fitar o chão, de pernas cruzadas, escorado na bancada da pia tendo em mãos sua garrafa de cerveja.

Olhou-me incrédulo assim que estacionei há alguns metros de distância, diante de seus olhos.

–Espero que não tenha vindo pegar cerveja. Axl a proibiu de beber, disse que pode fazer mal ao...bebê. –disse ele, a palavra “bebê” sendo pronunciada com uma possível repugnância, mascarada de incredulidade e aceitação.

–Não, não vim pegar cerveja. –respondi. –Eu sei que não esta sendo fácil para você, Duff.

–O que? –perguntou, e naquele jogo de mascaras a falsa incredulidade não foi capaz de disfarça o cinismo.

–A gravidez. –calou-se, os olhos em berros me observaram em mente muda. – Tudo bem se não quiser falar, eu entendo, mas só quero que saiba que não estou pedindo para que ame essa criança ou comemore a notícia, eu só queria a certeza de que não há dor com isso tudo, porque isso me machuca também, por saber que é por minha culpa que as coisas acontecem desse jeito. –completei. Ele fez silêncio, em seu ponto de visão inicial, o piso da cozinha.

–Era para ser o nosso filho, Lizzi. –disse, ainda fitando o chão. –Eu ainda estou preso há muitos dos planos que fizemos. –declarou. –Eu por algum motivo acreditei que eu poderia fazer você esquecer Axl e que um dia seria o nosso casamento, a nossa casa, a nossa família. Eu achava que tinha encontrado a mulher da minha vida. Mas não precisa se preocupar, não é a sua gravidez que está me machucando, na verdade, acho que é o medo de deixar que meus melhores sonhos vão embora, esquecer tudo que pensei, ou imaginei. Parece que de alguma forma eu queria que isso ficasse. Só que a cada dia que eu acordo parece que mais um pouco do que eu senti por você está indo embora.

–Tente não machuca-la, não a faça chorar, não seja para ela o que eu fui para você, algo passageiro. –murmurei e ele me olhou incrédulo, talvez perguntando-se como eu sabia da nova garota, nem mesmo isso eu poderia responder, provavelmente o jeito sereno de falar, as lágrimas que não se formaram em seus olhos, o brilho que crepitava dentro destes, a face de renovação...Eram frutos de um novo amor.

–Como sabe...? –perguntou incrédulo e eu sorri balançando a cabeça sutilmente. –Bem, acho que agora podemos tentar ser realmente amigos. –ele disse e eu corri em sua direção, de imediato, o envolvendo com os braços, sentindo a ardência daquele perfume que a tanto tempo não me envolvia.

–Já somos amigos antes de tudo, Duff McKagan. –murmurei.

–Então acho que agora seremos ainda mais amigos, Lizzi Rose. –indagou.

Afastei-me, encostando-me ao balcão, frente a ele.

–Espero não está interrompendo nada. –ouvi a voz de Axl em tom de dúvida e impaciência trovando logo atrás, na entrada da cozinha. Apresei-me até ele, agarrando-me a seu corpo de costas e erguendo seus braços em volta de minha cintura, para que me envolvesse.

–Não está atrapalhando nada. –em disse exultante, em vestígio de sorriso nos lábios. –Agora, vamos todos lá pra sala. –estiquei a mão, esperando que Duff a pegasse. Quando entendera o convite direcionou-se até mim, tomando minha mão ao ar dando-me a liberdade de puxa-los até a sala.

Os dias logo passaram a correr pelas datas gravadas no calendário, e na nova rotina os únicos sons que podiam banhar a casa eram o de risos e os insistentes latidos agudos de Zyan. Era de se admirar aquela harmonia, ainda mais intensa do que nos primeiros dias de casamento. Finalmente éramos um casal real. E aquela gravidez inesperada apresentou-se no momento certo, por assim dizer.

Eu voltara então a enxergar dentro de Axl o homem que conhecera algum tempo antes. Creio que uma das coisas mais gratificantes daquela gravidez foi ver entre os lábios finos de Axl um sorriso que eu pouco conhecia, de uma alegria mórbida, tamanha que eu nunca vira antes, como se de alguma forma renascesse, súbito em exultância, a ponto contagiante, seus olhos brilhando em uma ingenuidade que provavelmente já não mais lhe pertencia desde os 3 anos de idade, porém haviam retornado, ainda mais vivos...Aquela alegria incomum me despertara uma tremenda curiosidade adormecida há tempos, sobre a infância de Axl. Nunca me contara sobre pais, família, lembranças distantes, o que me fazia crer que algo lhe marcara a idade juvenil. Porém, tendo em vista certo medo de desenterrar trágicas lembranças em seu novo momento de felicidade ignorei qualquer tipo de questionamento, ao menos de inicio, talvez um dia. Em meio a tal, ele insistia em dizer que faria tudo por aquela criança, seria o que ela quisesse que fosse, faria o possível e o impossível por ele, e tamanha sua ânsia com isso, nem mesmo preferência de sexo lhe restara, queria apenas o filho que tanto desejara, a família que um dia planejara.

Segundo a alguns exames já entrava em meu segundo mês de gestação, em meu corpo apenas meus seios davam sinal, estavam mais inchados, obrigando-me a horas no espelho, procurando mudanças mais evidentes.

Era final de provas, a escola estava cercada pelo mesmo insistente assunto: Baile de Formatura. Mantendo minha ideia de inicio do ano eu não estaria nele, o que se tornara mais fácil a partir do momento que Sarah se pronunciara, declarando que não poderia ir já que teria de fazer uma curta viagem com Martha, até a Flórida, onde moravam seus avós que não virá há anos. Zac não mais fazia questão do baile, provavelmente nunca fizera, e com a viagem de Sarah –sua acompanhante ao baile de formatura-, decidira então acampar com os amigos do Arizona que aproveitaram o final de ano para visitar San Diego, a duas ou três horas de Los Angeles.

A aprovação primordial para o encerramento de meu ano letivo veio com glória e já premeditada. Mas junto a ela, outra surpresa fora guardada na grande caixa branca sobre minha cama na semana antecedente a formatura.

Retirando o grande laço de fita azul royal que cercava a caixa e afastando os finos papéis que o cobriam havia um vestido bordado que mesclava o azul de mesma tonalidade do laço que há pouco fizera exibição na caixa e o preto. Erguendo-o tinha a visão completo do longo extremamente moderno e extravagante, porém lindo. Era inegavelmente fantástico.

Verificando melhor a caixa, ficara ali dentro um envelope branco, o qual abrira curiosa. Desdobrei a folha branca, tendo em vista letras de desenho suave, espalhadas pela extensão da mesma.

Filha,

Revirando os desenhos mais recentes que fiz encontrei um que muito me agradava, talvez pelo simples fato de que era o qual tinha você mais vividamente estampada a cada traço. Nenhum corpo poderia se encaixar tão bem nele quanto o seu. Aproveitando o importante marco na vida de uma garota chamado baile de formatura, percebi que aquele vestido desenhado não mais estaria nas passarelas, nascera para ser uma peça exclusiva e importante.

Quero que se lembre de seus vestidos frondosos e extravagantes de natal, você os adorava, mesmo em auge de sua simplicidade. Este, marca o inicio de sua nova vida, o inicio de uma mulher. Quero que use e abuse dele no dia do seu baile de formatura. É para mim uma forma de estar perto de você mesmo tão distante. Espero que suas medidas não tenham mudado tanto ainda.

Torço para que goste dele. Um dia quero ver uma foto sua usufruindo do mesmo.

Eu te amo

Ass.: Lara de Oliveira Castro Martins

Provavelmente algo que mais me chamara atenção na carta foi o não mais uso do sobrenome de papai na assinatura de minha mãe. Eu podia enxergar o peso do sobrenome se desfazendo em tom de alívio por não mais carregar o mesmo.

Quanto ao vestido, um dia lhe arranjaria uma desculpa a dar a ela sobre minha não ida ao baile e consequentemente não uso do mesmo.

Naqueles primeiros dias de dezembro o clima de natal já rodeava os quatro cantos do mundo, e mesmo em seus pequenos detalhes ainda escondidos em Los Angeles não era diferente. E talvez, o motivo daquela esperança natalina ter remanescido em mim, a ponto de empolgação e ânsia para o dia fosse o simples fato de que o natal naquele ano seria completo, em família. Já poderia fazer listas de presentes e artefatos para decoração de minha nova casa, pois a mesma estaria cheia no dia 24 de dezembro, dia pelo qual eu não mais suportava esperar.

Contudo, a viagem de Sarah e Zac ao mesmo tempo abrira espaço para uma solidão temporária prevista de antemão, talvez tivesse sido pior se Axl não houvesse arranjado tempo para mim justamente nesses dias que eu temia pleno momento solitário. Seus dias de folga me foram muito uteis. Porém, um deles deixara marca, a mais bela marca que poderia ter ficado.

–Amor! –o ouvi me chamar, sua voz rouca surgindo da sala.

–Oi, meu amor! –disse doce, em saída da cozinha, recebendo-o com um beijo. –Onde você foi? Nem te vi sair. –perguntei curiosa.

–Fui comprar uma coisa. –disse com um sorriso faceiro nos lábios rosados, escondendo atrás das costas a mão que carregava algo.

–O que? –perguntei.

–Bem, como não sabemos o sexo do bebê ainda acho que é mais complicado comprar roupa e eu também não sou muito bom com isso, e eu queria comprar algo e então quando vi isso não resisti.

Suas mãos revelaram um grande urso de pelúcia branco, que mais se assemelhavam a uma incrível replica de um urso polar recheado de espuma, a penugem macia e abaixo da cabeça carregava uma fita verde em laço.

–Awn, que lindo! –murmurei deslumbrada, abraçando a pelúcia contra o corpo. Por fim segurei-a de lado beijando Axl por longos minutos. Logo fui arremessada ao sofá por suas mãos, seu corpo pesando sobre o meu de imediato. Sorri maliciosa enquanto fitava com proximidade considerável minha face.

Ele então tomou meus lábios, as mãos correndo a extensão de meu tronco em ânsia.

–A Louise?! –minha pergunta soou como lembrete.

–Ela não tá em casa essa hora, ela chega só mais tarde. Disse que ia ter que se atrasar hoje. –respondeu, agarrando-me novamente.

E junto a isso, os dias pareceram passar mais rapidamente. Saímos em compras, queríamos algumas roupinhas para o bebê que lhe coubessem, independente do sexo. Porém eu percebia o baile de formatura passar por mim sem nenhuma ação até então, até que enfim o dia, que ao meu caso seria normal como qualquer outro, diferenciadamente apenas pelo fato de desta vez Axl está presente.

O sol daquela manhã enfim penetrou o quarto em feixes fracos. Adormeceram ao pé da cama, porém não nos livrando da claridade. Em um suspiro de exaustão semicerrei os olhos, sentindo a mão de Axl a afagar meu cabelo carinhosamente. Logo me sorriu, os olhos crepitando no vivido verde lustrado pela luz que no quarto se punha. Retribui o sorriso, no silêncio harmonioso que rondava sobre nós, controlado pelo som de nossas respirações descompensadas e nossos batimentos cardíacos calmos, porém fortes.

–Não acha que eu esqueci, acha? –perguntou ele, a voz ainda mais coberta pela rouquidão matinal. Franzi o cenho, o fazendo esticar ainda mais o sorriso.

–O que? –perguntei incrédula.

–O baile de formatura. –respondeu e eu revirei os olhos.

–De onde tirou isso? –perguntei, lembrando-me que falara poucas vezes sobre o assunto com ele, deixando claro desde inicio que não iria.

–Não faz muito tempo que sua mãe mandou o vestido, é difícil esquecer. –respondeu.

–E que diferença faz, eu não vou mesmo. –murmurei despreocupada, fechando os olhos.

–Quem disse que não? –questionou. Abri novamente os olhos, levantando-me rapidamente da cama.

–Não vou aquele baile. É sério. –insisti, desta vez de pé, o olhando ainda deitado na cama.

–Quantas vezes te disseram que um baile de formatura é importante na vida de um estudante de segundo ano? –perguntou em tom de sarcasmo enquanto eu tomava a direção do banheiro. Fitei minha face desfigurada no espelho, antes de dar a resposta que saltitara em minha língua.

–Qual a importância de um baile de formatura idiota na vida de uma garota que aos 18 anos já é casada e esta prestes a ser... mãe? –a palavra “mãe” de repente virara ponto forte da resposta. Ainda não me adaptara com o fato, de ter sobre mim o peso da palavra de tamanha responsabilidade.

Ele surgiu atrás de meu corpo, brilhando no espelho extenso. Caminhou até mim, com sorriso de canto, envolvendo minha cintura com os braços.

–Não misture uma coisa com a outra. Você está terminando o ensino médio, se não fosse por isso, não estaria em Los Angeles, não teríamos nos conhecido, nos casado e prestes a ser pais. –virei-me pra ele, mantendo-me encostada na bancada da pia. –Deve encerrar essa época com chave de ouro. Foi durante o ensino médio que as melhores coisas da sua vida aconteceram. Você conheceu alguém que hoje você considera sua irmã naquela escola. Leve uma última lembrança de lá. –completou.

–Há outras formas de comemorar que não seja em um baile, sozinha, rodeada de garotas idiotas que estão mais preocupadas se seus vestidos mostram bem a quantidade de peito que tem ou garotos se exibindo para elas, ainda ter que aturar todos aqueles olhares novamente em ciclo. “Vejam só, a mulher do líder do Guns N’ Roses” –resmunguei.

–Não vai estar sozinha, eu vou estar lá com você. –disse sorrindo. Mordi o lábio balançando sutilmente a cabeça. Recostei a testa em seu peito. –Faça isso por mim. –pediu.

–Isso é jogo baixo. –disse sarcástica.

–Não, é o meu jogo. –respondeu, puxando-me para junto de seu corpo e mordendo carinhosamente meu lábio inferior.

Então, sua vontade fora realizada, quando enfim o relógio marcara as sete e meia da noite e o vestido azul já se compunha por entre as curvas de meu corpo com perfeição. Um salto-alto preto se enquadrava em meus pés, e em minha face espelhava-se a mais perfeita maquiagem, nunca tão bem feita como desta vez. Meu cabelo em coque leve revelando os delicados brincos de diamante pendendo de minhas orelhas. Desci as escadas, equilibrando-me sobre os saltos, porém, com aprendizagem de berço, não me restaram mais dificuldades.

Ele me esperava em postura perfeita, vestindo um smoking inteiramente preto que carregava ao peito uma flor azul em arranjo gracioso com fita de cetim a fundo. Sorriu exultante assim que sua visão pode me abranger em descida dos degraus. Sorri fraco, intimidada ao receber atenção completa dentro de tais vestimentas, a enorme fenda do vestido me fazendo imaginar como então seria quando estivesse em publico.

Em chegada a último degrau ele me puxou, com apenas um braço posto em minha cintura, fazendo-me levitar até que meus pés tocassem o chão.

–É incrível como me surpreende a cada dia. Por mais impossível que pareça você parece ficar ainda mais linda a cada minuto. –murmurou beijando meus lábios ao fim. –Só acho que essa abertura no seu vestido tá muito grande. –referiu-se a fenda em tom desgostoso.

–Não ligue para isso. –murmurei, escondendo com a mão um trecho de pele que fenda deixava exposta e o beijando novamente.

Deixou meus lábios, indo até o sofá, em silêncio, trazendo de lá um corsage azul, até onde sabia, tradição em formaturas, presenteado sempre pelos garotos –ou homens-, a suas devidas namoradas –ou esposas, como era o meu caso.

Percebi então que o mesmo tinha harmonia com a flor arranjada em seu smoking.

–Não sei muito sobre essas coisas de formatura e tudo mais, mas fiquei sabendo que o corsage era tradição então... –disse ele, colocando delicadamente o corsage azul, em tom semelhante ao do meu vestido, em meu pulso. –Achei que esse combinaria com os seus olhos e com o seu vestido. –completou.

Sorri de imediato, era um tanto engraçado estar perante a tais manifestações juvenis e pensar que nós, que agora nos preparávamos para o baile de minha formatura seriamos pais dali a oito meses.

Por fim, busquei seus lábios em ânsia e quando os deixei, recostei a cabeça em seu ombro.

–Precisamos mesmo fazer isso? –murmurei, ainda em última insistência. –Olha só, temos essa casa inteirinha para nós dois, sem mais ninguém, apenas nós e o que quisermos fazer. –completei.

–O que eu quero fazer agora não pode ser feito aqui dentro: ser o seu acompanhante no baile de formatura. E não me obrigue a te pegar no colo. –ameaçou.

–Tudo bem, então vamos logo. –eu disse, ainda insatisfeita, tomando caminho da porta.

O motor do carro rangeu pela estrada o silêncio se estabelecendo entre nós, até que Axl esticasse a mão livre para pegar a minha, relaxada sobre o bando. Sorriu-me, desviando sua atenção do caminho por alguns segundo. Retribui com um fraco sorriso.

Talvez milhões de garotas em minha jovial idade estivessem sonhando com aquele momento, quando seu marido iria leva-la, no sossego de seu carro até o baile de formatura, tendo sua mão junto a dele em parte do trajeto, um mínimo volume anunciando aparecimento logo abaixo de seu umbigo, indicando que seu filho seguramente ali crescia. No dedo a lustrosa aliança, em pensamento sua casa que deixara para trás por algumas horas, em lembrança o último momento que estivera em vestimentas luxuosa, o mais marcante em sua vida, o dia de seu casamento. Alguém que lhe amasse de todas as formas que um homem pode amar uma mulher, que seguraria sua mão perante a sua insegurança e lhe faria rodopiar quando uma melodia doce ressonasse.


Notas finais
Heeeey, gostaram? Bem chato, né?! Enfim, espero que tem gostado e que dessa vez cheguem muitos comentários, come on girls o/
Agora tenho um lindo chá de bebê de um das minhas melhores amigas para ir.
Beeeijos!