My Dark Angel
4 Wrong?
Notas iniciais
Não vou falar muito, apenas permitir que leiam.
Divirtam-se.
Kisses!
–Louca, louca, louca... -ela berrava comigo no meio do pátio. -O que você tinha na cabeça em sair lá de casa 00:00 noite, sozinha, pelas perigosas ruas de Los Angeles, não, mas nada nunca vai acontecer com você, intocável né, dona Elizabeth... -ela falava sem parar nem mesmo para respirar.
–Sarah por Deus, fala baixo. — Onde eu estava com a cabeça em contar a ela algo desse tipo, em um lugar onde haveria tantas pessoas?
–Depois eu sou a velha, a chata, nunca me ouve. Elizabeth Muller, você já pensou se algo acontecesse a você. Seus pais me matariam, primeiro porque eu nunca fui uma babá segundo é que sendo uma babá ou não eu estava responsável por você. -ela ainda falava, agora um pouco mais baixo e mais nervosa do que nunca.
–Sarah, Sarah, me ouve por favor. -eu disse segurando ela nos braços, fazendo com que ela parasse de andar de um lado para o outro. -Eu tô bem. Tô aqui, tô viva e não vou fazer aquilo de novo.
–Ai, minha irmã! Nunca mais faça isso comigo de novo. — ela me abraçou da mesma forma que uma mãe abraça sua filha. -Eu deveria lhe dar umas boas palmadas sabia. Só de pensar em te perder... Ai, é melhor nem pensar! -assim que tornou a falar segurou meu rosto em suas mãos e babujou meu rosto com beijos contínuos.
–Tudo bem, mãe, não vou fazer de novo, eu juro. -eu brinquei com a palavra mãe.
–Mas calma aí. Você ainda não terminou essa história. Como você conseguiu escapar da mão desses monstros?
–Bom, pode-se dizer que eu fui salva pelo meu herói. O lindo ruivo apareceu no meio do nada e me tirou dos braços daqueles idiotas. Ele os enfrentou e eles hesitaram, fugiram, sumiram na escuridão em um piscar de olhos. -eu disse com um sorriso bobo posto entre os lábios.
–Oh Deus! Eu tenho que conhecer esse anjo. Não sei de quem se trata mais virou meu maior ídolo, eu o amo. -ela disse. Tão exagerada. -Diz logo o nome do herói. — Meus lábios se abriram prontos para pronunciar o nome de meu defensor, mas antes que eu pudesse dizer, um garoto passou correndo e derramou em mim todo o seu suco de uva.
–Ei, não olha por onde anda? -Sarah perguntou ao garoto. Ela era mesmo explosiva. -Tinha que ser um desses roqueiros toscos, idiotas. -ela disse enquanto o garoto seguia andando aos pedidos de desculpas.
–Tudo bem Sarah, não foi nada, só está um pouco... manchado. -Minha camiseta branca passará a ter uma nova estampa, um borrão roxo que a cobria quase toda.
–Olha só como está isso. -ela disse puxando minha blusa para conferir o desastre. -Talvez minha mãe consiga tirar com um pouco de sabão.
–Não se preocupe com isso, Sarah. Tenho outras como essa. -murmurei tranquila. -Acho que agora eu só preciso me secar melhor, pois daqui a pouco ficarei melada.
–Vamos ao banheiro. -ela disse puxando meu braço, antes que eu pudesse dizer algo.
Depois de secar toda a sujeira roxa que molhava minha barriga seguimos até a sala de aula, pois o sinal já havia tocado. Algumas horas de uma aula de literatura estressante. E lá estava ela, senhora Taylor Lyn, tão chata e arrogante sobre seus saltos. Sua voz logo dominou a sala explicando algo sobre a matéria.
–Sarah, posso te perguntar uma coisa? -murmurei.
–Fale. -ela disse no mesmo tom que eu.
–Por que odeia tanto os roqueiros? -ela me encarou imediatamente e em questão de segundos vi se rosto se contorcer em uma expressão de dor, mas ela foi rápida e voltou ao normal.
–Não os odeio. Apenas não tenho motivos para gostar deles. -ela estava mentindo e eu pude ver isso. Havia algo que ela não queria me contar.
–Eu sei que não é só isso... -eu disse e por mais incrível que pareça a senhora Taylor foi capaz de perceber.
–Algum problema senhorita Muller? — A irritante professora perguntou ríspida.
–Não senhora. -respondi sem graça ao perceber todas as atenções da sala voltadas a mim. Ela voltou ao assunto virando-se para o quadro e fiz uma careta para ela, olhei para Sarah e eu sei que ela conhecia o olhar que a lancei, telepaticamente ela sabia que eu estava dizendo "a conversa não terminou aqui", ela fingiu me ignorar e revirou os olhos.
Escorreguei na cadeira e esperei que a aula terminasse. Depois achei melhor não perturbar Sarah com o assunto novamente, já havia percebido que ela não se sentia bem em falar sobre aquilo, então quando ela estivesse pronta para isso diria.
Axl P.O.V On
–Ouviu essa Slash, Axl agora se dedica a salvar mocinhas indefesas. -Duff zombou.
–Era bonita pelo menos? -Slash perguntou antes de acender seu cigarro.
–Devo dizer que era incrivelmente linda. Magra, branca, com cabelos negros e um olho perfeitamente desenhado de cor azul celestial. Nunca havia visto uma garota de beleza tão esplêndida.
–Quantos anos?- Questionou Izzy.
–16 -respondi.
–Nova de mais. -Disse Izzy.
–Linda de mais. — comentei.
–Então por que não foi atrás dela, por que não a convenceu de ir para cama com você? -Slash perguntou.
–O que ela tem de linda, tem de certinha, não é o tipo de garota que transa com qual quer um assim. -eu disse.
–Do jeito que você fala dá até vontade de conhecer, para conferir. -Duff disse malicioso.
–Tem uma coisa nela que me chamou muita atenção.
–O que? -Steven perguntou.
–Os olhos, são os mais incríveis que já vi. São de um azul tranquilizante, celestial. Sério, nunca vi nada parecido.
–Ótimo, assim que encontrar a belezinha traz ela aqui para checarmos isso tudo aí que você falou. -Izzy disse abrindo outra garrafa de cerveja.
Axl P.O.V Off
Os dias passaram, já faziam duas semanas do trágico momento que vivi naquela noite em que voltava para casa.
Fui comunicada por meus pais através de uma carta de que dali a alguns dias eu voltaria a minhas aulas de piano. Sarah estava preparando um relatório que ela os enviaria falando sobre meu comportamento, ela teria de fazer isso todo mês. Claro, ela sempre mentia, dizendo por exemplo que eu ouvia as músicas que me foram recomendadas, e a grande verdade é que desde que cheguei em L.A não ouvi música clássica se quer uma vez.
Minha vida era mais feliz do que nunca. Fora a rotina de levantar cedo todas as manhãs e sair para a escola. Até que eu não me sentia tão mal com isso, não como outros alunos, estudar me fazia bem a certo ponto, e por isso que sempre fui a maior nota da sala, passava a maior parte do meu dia na biblioteca lendo livros enormes e cansativos que me satisfaziam.
Meu despertador saltitou na mesinha de cabeceira e eu apenas estiquei o braço tentando pressionar o botão para desligá-lo, mas não pude alcançar, tive de levantar. Sentei-me e me espreguicei. Fui até o banheiro e entrei em baixo de um chuveiro extremamente frio. Só assim para que eu acordasse realmente. Logo havia uma chama acesa no fogão e o cheiro de café era forte, uma caneca rolou por minha mão junto a garrafa de leite integral. Depois de deliciar meu café quente com leite, terminei de me vestir, escovei meus dentes, usufrui mais um pouco de meu perfume doce e fui até o elevador do prédio. Não aguentei e puxei um chiclete da bolsa. Era meu vicio de todas as manhãs.
Senti o gosto adocicado do morango junto a uma pitada de amargura traga por algo que parecia hortelã. Entrei no elevador e antes que eu chegasse ao térreo passei pela última vez meu gloss rosa na boca. Eu apenas cumpria minha rotina de todos os dias quando algo me surpreendeu. Um pé para fora do prédio acompanhado de um olhar desatento e um ruivo, que eu já conhecia, deu o ar da graça frente aos meus olhos.
–Ah! Que susto! -eu disse espantada, ainda.
–Desculpa, não achava que eu era uma criatura tão horrenda. -ele disse irônico.
–Não, não é isso. -criatura horrenda era ótimo, não é? Ele era simplesmente o cara mais lindo que eu já havia visto. -Então, o que traz Axl Rose a frente de meu apartamento as 7:30 da manhã?
–Nossa!Ainda é tão cedo assim? -ele perguntou com um sorriso escondido. -Não é qualquer uma que consegue me manter acordado até essa hora, sóbrio.
–Você virou a noite? -eu perguntei incrédula e ele assentiu com a cabeça. -Você é louco... -eu disse.
–Bom, eu fiz tudo isso para te fazer um convite. -ele disse. -Será que a senhorita Elizabeth Muller aceitaria um convite singelo de sair hoje a noite com esse pobre ser que se encontra em sua frente? -ele perguntou.
–À noite? -eu perguntei. -Ai!
–O que foi? Não quer ir? -ele questionou.
–Não, não é que... err... eu não saio depois das sete da noite. -eu disse sem graça, eu era uma das poucas que fazia isso, se não a única.
–É mocinha, então o que fazia as 23:00 da noite no dia que te conheci? -ele questionou.
–Eu estava voltando da casa de uma amiga depois de um trabalho...escolar. -respondi.
–Tudo bem, então, será que não podemos sair para tomar nem mesmo um sorvete hoje à tarde?
–Hã... Tá, tudo bem, podemos tomar um sorvete.
–Às 17:00 então?
–Uhum... estarei esperando.
–O.K. -ele respondeu.
–Nos vemos mais tarde então... -eu disse.
–Até mais tarde... -ele disse e eu segui meu caminho até minha escola.
Então, o ruivo havia me procurado para me chamar para sair. Isso era bom ou ruim? Sorvete no final da tarde, acompanhada de um homem, se meus pais soubessem disso eu estaria prestes a virar comida de tubarão.
Depois que cheguei à escola pensei em contar a Sarah sobre Axl, falar sobre o convite que ele me fez, mas pensei um pouco mais antes de fazer isso e cheguei à conclusão que não seria uma boa ideia. Se bem conhecia Sarah ela transformaria isso em uma grande catástrofe. Tentei esquecer o assunto até o final da tarde, mas foi quase impossível. Passei quase toda a aula de biologia pensando nisso.
Eu estava cometendo um erro? Garotas deveriam sair assim, a sós com um garoto? Mesmo se fosse para um simples sorvete? Deveria esquecer a forma como fui criada e me adaptar aos costumes de minha nova vida? Será que eu não deveria contar a Sarah sobre isso? Eram tantas perguntas rondando minha cabeça. Consegui por um momento esquecer aquilo e me concentrar nos exercícios de aula propostos pelo professor.
Logo o sinal bateu e eu me direcionei ao pátio acompanhada de Sarah, como de costume.
–Sarah... É errado sair com um... homem? -eu perguntei sem graça.
–Depende. Por que?
–Hã... Nada, só...curiosidade. –enrolei-me com as palavras.
–Lizzi, jamais faça nada sem me contar antes, O.K.? Homens são mais espertos do que você pensa. Eles chegam com suas carinhas de anjo e quando percebe-se... ah, deixa pra lá! -ela disse, o que me deixou ainda mais apreensiva.
–Tudo bem. -eu estava de alguma forma mentindo. Eu não a contei nada, deveria? Somente sabia que se devesse, eu não havia feito. Logo eu estaria tomando um simples sorvete com Axl e conversaríamos muito... Pode-se existir amizade entre uma mulher e um homem, não é? É antiquado de mais pensar que duas pessoas de sexos diferentes não podem se aproximar para qualquer outro tipo de relacionamento que não seja sexual.
Notas finais
Desde já obrigada!
Beijos!
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