My Dark Angel

34 Dead memories in my heart


Notas iniciais
Well, well, well... (Estou vendo muitos filmes) Ó eu aqui de novo ~pula~ Ignorem a sem graça aqui. Aí está, quentinho, mais um capítulo de My Dark Angel. Bem, esse capítulo eu devo ao Slipknot, enfim, foi a música Snuff (a minha predileta) que me ajudou com esse capítulo. Eu estava plenamente sem criatividade. Ok, eu vou parar de falar. Apenas agradecer a todos os comentários do último capítulo. Obrigada por terem tanta paciência comigo e por terem a paciência de acompanhar a história. Ainda mais agora que a história está enorme. :s
Espero que gostem.
Divirtam-se!
Beijos!

O tic-tac do relógio era o único som que enchia o quarto. Soava baixinho, indo de encontro ao meu ouvido com os dizeres “Esse é o fim”. Já perdera a conta de quanto tempo estava trancada ali. O fato é que uma manhã já nascia no lado de fora, o lado que eu não via, o lado que mesmo perante meus olhos tornara-se invisível.

Minha coluna protestou, na verdade já reclamava a um bom tempo, provavelmente o incomodo com a posição intacta há horas. Não tinha forças para me mexer, preferia ficar imóvel, jogada, ao canto do quarto escuro, observando o nada, sufocada pelas grades que me cercavam, as grades que apenas eu podia ver, as grades que causavam dor somente a mim.

Chorei, gritei, esperneei, tentei. Não adiantaria, então cansei. Tudo que tinha era esperar. Prantear talvez, mas a fraqueza já não mais me permitia.

Quando o primeiro feixe de luz oscilante invadiu o quarto pisquei forte, os olhos ardendo, a cabeça a latejar. Senti um espasmo ao mover-me vagamente. Fixei-me na luz que dançava pelo quarto, iluminava o pé da cama. Fora um erro. Daquela forma não pude mais conter lembranças que banharam minha mente, cegando meus olhos e arrastando meu corpo à outro tempo.

–Me promete uma coisa? –eu disse, a cabeça deitada sobre seu peito, deixando-me relaxar pela batidas calma de seu coração.

–O que quiser. –respondeu.

–Me promete que nada mais vai nos separar? –murmurei.

–Nunca. Eu não vou aguentar ficar nem mais um minuto longe de você, sabe por quê? –indagou.

–Por quê? –perguntei.

–Porque desde aquele dia em que eu te salvei, já pertencíamos um ao outro. Não somos nada se não estamos completos, e eu prefiro ser alguém, eu prefiro ser alguém para você. Eu prefiro ser alguém a quem você vai dizer eu te amo todos os dias, eu prefiro ser o alguém onde você vai desestressar, eu prefiro ser alguém que você vai chamar de porto-seguro. Viver sem você seria como viver sem coração, como posso continuar se você tem o que há de mais importante em mim? –murmurou sereno e sincero.

–Então é como se nossos corações tivessem um pacto? –perguntei a brincar com seus dedos.

–Um pacto de amor. Prometeram nos deixar juntos. –disse ele.

–Para sempre. –completei e ele esticou a mão, deixando a minha junto à dele, da mesma forma, como se fizéssemos uma comparação de tamanho. Foi quando um feixe luz as iluminou, dando um brilho especial ao simples ato.

Meus olhos voltaram a enxergar o pé da cama, a respiração ofegante como se fosse tirada de um oceano onde me afogava. Era um oceano cuja água era inexplicavelmente fria, um oceano cinza, repleto de nuvens escuras, um oceano tenebroso, um oceano de água com gosto de dor.

Blasfêmia? Talvez fosse, mas o fato é que amávamos um a outro, e amar é enlouquecer, amar é acreditar até naquilo que não somos nós que podemos decidir. E tudo que eu precisava naquele momento era acreditar naquela promessa, acreditar que ficaríamos juntos, e que o para sempre tão prometido aconteceria. Precisava acreditar que tudo aquilo não passava de um pesadelo, precisava mais ainda era acordar dele, antes que ele me matasse da forma mais cruel, arrancando meu coração.

O despertar da longa viagem veio acompanhado as batidas na porta do quarto. Ouvi o barulho das chaves antes que eu pudesse responder.

–Querida. –minha mãe chamou, a voz ainda tristonha e os olhos piedosos quando encontraram-me do mesmo estado que ela vira nas últimas vezes que fora até ali.

–Eu não quero comer, mãe. –minha voz ressonou quase inaudível em tom de fracasso.

–Não é isso, meu amor. É que você tem visita. –ela disse ainda parada na soleira da porta.

–Meu pai permitiu que alguém me visitasse? –perguntei, o rosto sem forças nem para esboçar uma expressão incrédula.

–Não. Ele não está em casa, não pode saber que recebeu visita. –disse ela.

–Mande entrar. –eu disse sem nem antes perguntar de quem se tratava.

Mamãe saiu e em cerca de segundos a porta encostada abriu-se vagamente permitindo-me ver quem se escondia por trás dela. No rosto carregava um remorso terrível, um remorso pelo qual eu não fui capaz de sentir raiva, mesmo a culpando por eu estar ali, daquela forma.

–O que quer aqui? Veio conferir se meu pai fez corretamente o trabalho? –perguntei friamente enquanto ela fechava a porta timidamente atrás do corpo.

–Lizzi, me desculpe... –eu a interrompi.

–Desculpas? –murmurei indignada, levantando-me depois de tanto tempo. Ignorei qualquer tipo de formigamento ou dor. –Veja como estou, Sarah. Você acha mesmo que desculpas mudarão isso? –questionei. Lágrimas banharam sua face. –Sabe por que estou assim? Porque acreditei em você. Eu acreditei na garota que chamei de irmã. E tudo que recebi em troca foi egoísmo.

–Não, não foi, por favor não fale assim... –ela disse dando alguns passos hesitantes, pranteando desesperada.

–FOI SIM. –gritei. –Você está me fazendo pagar pelo que você acredita, pela sua opinião, pela sua mentira- murmurei deixando que lágrimas lavassem meu rosto também. –Eu achei que você queria me ver feliz. Achei que você pudesse vencer todo esse preconceito por mim. Eu confiei em você, Sarah, eu tive você como minha principal base. –A voz já me faltava em meio ao choro.

–Por favor, não diga isso. Lembra? Éramos irmãs, amigas para sempre. –Senti na pele a dor que veio compenetrada em suas palavras que atingiram meu ouvido como balas.

–Não, Sarah, eu não lembro mais. E para dizer a verdade, tudo aquilo já foi declarado como mentira na minha mente. Já se tornaram as piores lembranças, aquelas que eu quero esquecer. –Senti um novo espasmo com minhas próprias palavras. Eu a vi quase desmoronar, mas saiu correndo antes que eu pudesse presenciar o estrago acontecer.

Bastaram alguns minutos para que eu caísse ao chão, em lágrimas. Lara atravessou a porta do quarto e apressou-se até mim. Abaixou-se e me aninhou em seus braços. Aquele era o colo do qual eu tanto necessitava, era onde eu queria ficar até que todo aquele sofrimento chegasse ao fim. Por um momento senti-me como uma criança de oito anos, era como se eu voltasse a minha infância, quando corria para os braços de minha mãe após machucar um joelho. Então desejei mais do que nunca voltar aquela época, voltar a sentir a dor do joelho ralado, pois ela certamente nada era comparado a dor de um coração sangrando.


Uma fisgada na cabeça me fez despertar. Arregalei os olhos conferindo todo o quarto. Pela brecha da janela podia-se enxergar a escuridão da noite estrelada. Fitei o relógio. Pressionei os olhos embaçados para enxergar os ponteiros. Eram 2 da madrugada.

Forcei a memória tentando recordar-me em que momento dormi, mas tudo que consegui foi sentir mais uma vez o cheiro de minha mãe e o calor dos braços onde eu fiz abrigo. Levantei-me preguiçosamente, tomando o caminho do banheiro.

Fitei com repulsa meu rosto amaçado e desfigurado a refletir no espelho. Uma nova imagem surgiu por trás de mim. Caminhou sorrateiramente em minha direção, no rosto um sorriso satisfeito. A face iluminada como a de um anjo, os cabelos ruivos brilhavam, os olhos ardiam em uma felicidade contagiante. O tronco, despido, cintilava, a luz dançando por cada detalhe bem esculpido do abdome.

Os braços esticaram-se, envolveram-me pela cintura a partir do momento que o corpo encostou-se ao meu. A respiração quente e tranquila tocou minha nuca e eu fechei os olhos ainda sem reação a situação.

–Eu te amo... –o sussurro tornou-se distante, fazendo-me abrir os olhos. A imagem de Axl se desfez em uma nuvem cinzenta se perdendo atrás de mim.

Meus olhos varreram a bancada de mármore branco onde eu apoiava as mãos. Estava apinhada de produtos de todos os tipos, espalhados desorganizadamente. Por entre tantos potes um objeto metálico chamou-me a atenção. Reluziu a luz branca do banheiro.

Estiquei-me para alcançar a lamina. A olhei de todos os ângulos.

Sou eu quem decido meu destino. Pensei.

“Deixe que a morte chegue sozinha” Recordei-me dos dizeres de vovó.

A vida é um jogo árduo, é uma batalha difícil, é uma guerra onde não há 100% de chances de vitória. Mas existem momentos que não há mais força, existem momentos onde a única saída parece ser desistir, existem momentos em que as chances de vitórias se tornam remotas. É nesse momento que as perguntas mais drásticas que poderiam surgir lhe perturbam. É quase impossível cobrar uma resposta de quem está perdido. É quase impossível enxergar a salvação. É quando o fim nos bate a porta só nos resta à decisão de aceita-lo, ou não. Somos nós quem decidimos nosso futuro, somos nós que decidimos onde vamos parar, agimos de alguma forma em nosso próprio fim.

A vida é apenas uma visão momentânea das maravilhas deste assombroso universo.

Carl Sagan


Foram tantos passos errantes de uma vida cruel. Fora uma vida que começara tarde, prevista para acabar antes mesmo do começo. Foram tantas batalhas, algumas perdidas, outras ganhas. Foram tantos sabores e dessabores naquele jogo injusto. Tantas lágrimas e risadas. Foram batimentos inconsequentes, fora razão jogada ao lixo, fora amor fazendo moradia em meu corpo, penetrando em minha pele, fora paixão incendiando meu pobre e ingênuo coração. Vitórias e perdas. Medo e certezas. Planos e destruição. Fora felicidade em meio ao pranto. Fora minha vida desarrumada, desconcertada, controlada por um pensamento louco, um trem desgovernado que corria em minha mente.

Tantas manhãs iluminadas pelo sorriso de Axl, gargalhadas ao lado de Sarah, noites contando estrelas com Duff. Cada simples ato que deixara gravada uma marca em mim passava como um filme em alta velocidade em minha cabeça.

Certamente existi um momento onde o fim de uma vida é declarado, acidentalmente ou por escolha própria, mais cedo ou mais tarde, não importa. Só nos resta aceitar o fato de que um dia fecharemos os olhos para aquele mundo. Logo eu que já vira a luz do fim brilhar-me tantas vezes estava apavorada com a chegada dele. Pois meu fim era pior do que eu imaginara, meu fim era difícil de aceitar, minha morte acontecia da forma mais dolorida, a forma que nem tive de tempo de prever. Tarde demais, a destruição já acontecia, por dentro, e creio que pior que morrer é morrer em espirito, continuar com um corpo vazio e um coração parado. Se isso é possível? Comprove você mesmo ao ser separado a força daquele que mais amou em sua vida, tente se adaptar a ideia de que nunca mais irá vê-lo e quando isso acontecer será tarde demais para choques e qualquer tipo de tentativa, seu corpo seguira vazio, pranteando eternamente o coração que não sobrevivera à perda do motivo por quem batia.

Só cabe a nós decidir continuar ou não. Só cabe a nós a decisão de continuar a sentir a dor da alma morta ou não. Aquela era mais uma pergunta a qual me faltava resposta.

–Querida. –disse mamãe já adentrando o quarto. –Está de roupão? –perguntou assim que os olhos me alcançaram.

–Passei algum tempo na banheira. –respondi. Já era manhã, a luz do sol já bailava pelo quarto, afastando a escuridão do local que mais se assemelhava a uma prisão.

–O que é isso é sua mão? –apressou-se até mim preocupada e tomou minha mão, observando o curativo pequenino.

–Ah, um acidente com uma lâmina. Nada demais, já está bom. –respondi.

–Bem, só vim avisar que trarei um lanche daqui a dez minutos e desta vez a senhorita vai comer. A viagem de amanhã será longa. –disse ela tentando esconder o medo de minha reação ao saber da viagem. Estava tão abalada que já não me preocupava quando a tal viagem aconteceria. Que fosse logo, continuar em Los Angeles fazia daquele tormento cada vez maior. Suspirei alto fitando a gaveta da penteadeira onde mexia. –Ele esteve aqui. –comentou e eu a observei, os olhos aguçados em curiosidade. –Por mais de uma vez. Uma delas seu pai não estava para berrar com ele enquanto os seguranças o seguravam. Eles não deixaram que ele chegasse perto de mim, mas nos poucos minutos que o olhei nos olhos foi como se eu visse uma vida a ser arrancada dele. Ele sente por você um amor sem igual, querida. Eu juro que nunca vi nada parecido. –murmurou enquanto eu controlava as lágrimas que embaçaram minha visão. –Sinto muito que tenha que passar por isso, querida. –disse prestativa esfregando meu braço.

–Espero que papai não faça nada contra ele, caso contrário eu não responderei por mim, eu seria capaz de mata-lo. –disse friamente, sem haver nenhum tipo de hesitação na voz.

–Tenha certeza que ele não fará nada. Eu não permitirei. –disse-me.

Deu de costas e caminhou até a porta.

–Mãe. –eu a chamei antes que saísse. –Quer mesmo saber o que Axl sente por mim? –eu disse ao perceber que ela havia parado onde estava e me olhado curiosa. –Ouça a nona faixa do disco na estante. Ele a escreveu para mim. –murmurei sentindo uma nova lágrima molhar meu rosto ao ouvir a música ressonar ao fundo de meu ouvido.

Quando dei por mim já não era mais possível ouvir seus passos pelo corredor, a porta já estava fechada e eu novamente sozinha. Só voltou pouco tempo depois com o lanche prometido. Fez-me comer tudo, mesmo que não estivesse com fome. Por fim, aproveitando que meu pai não estava para ordenar que saísse imediatamente do quarto resolveu fazer o mesmo que fazia quando eu era pequena.

Deitei a cabeça em seu colo, enquanto ela percorria meus cabelos com as mãos, a cantar baixinho uma antiga canção de ninar. Por um momento eu tive novamente a paz que residia em mim na minha passada infância. Meus olhos derrotados não resistiram, fecharam-se me entregando ao sono. Dormir já se tornara um ato de glória para mim, era o único momento em que eu podia afastar-me inteiramente do caos que se tornara minha vida.

Quando novamente despertei encarei o relógio onde os minutos passavam lentamente. Não havia vontade de levantar, com isso me mantive jogada sobre a colcha florida por um longo tempo. Quando cansei, levantei-me para me encolher sobre a poltrona ao canto do quarto escuro. Ela ainda estava posicionada em seu ponto estratégico, da forma que a coloquei para que pudesse observar Axl quando estivesse dormindo.

Eu quase podia ver o corpo despido atirado sobre aqueles lençóis. O rosto relaxado, a boca entre aberta, a respiração calma, os cabelos emaranhados, o cheiro acampando em meu quarto. Ainda havia vestígio de seu cheiro ali. Lembrei-me então de algumas camisas na gaveta. Eram poucas, mas ainda estavam lá guardadas.

Tirei de lá a camisa branca que ele usara em uma manhã da semana antecedente. Pressionei o pano contra o nariz. Seu cheiro ainda estava agarrado a ela, deixando-me embriagada, como sempre deixara, desde inicio, desde aquela noite em que salvou minha vida.

A luz do sol de uma nova manhã logo invadiu o quarto. Conclui o fim a se aproximar. Era hora de voltar para casa. Não apressei-me com as malas, tive calma em guardar cada peça de roupa, dobrada devidamente. Cada uma tinha uma lembrança. Não eram mais aqueles velhos vestidos floridos e rosados, aquelas eram peças mais recentes, mas tinham tanta história para contar quanto às antigas.

Quando por fim cheguei à última gaveta, deparei-me com a foto jogada ao fundo. Tratava-se de dois sorrisos alegres a serem exibidos em um cenário encantador. Fora uma das poucas fotos que tiramos em meu último aniversário. Meu cabelo voava contra o rosto, assim como os de Axl , mas não impedia de ver a felicidade estampada na face de ambos.

Próximo à foto havia também o diário onde eu escrevia relatos de minha vida em singelas palavras. Li algumas de uma das últimas páginas escritas.

Não posso mais suportar tê-lo longe de mim. O quero agora, o quero como nunca quis. Eu quero seus beijos, eu quero seu cheiro, quero seu calor, quero suas manias, quero seu riso, quero de volta minha felicidade, minha moradia segura, meu coração disparado. Quero seu corpo espalhado por minha cama, quero sua boca dizendo-me “eu te amo”. Está faltando uma peça em mim, uma peça que só terei de volta em dois dias, uma peça pela qual não posso mais esperar. Preciso ouvi-lo dizer mais uma vez que nosso amor é para sempre.

Não mais seria para sempre. A palavra ficaria apenas em nossos corações em luto eterno. Eu rezaria todas as noites para que ele pudesse encontrar alguém que lhe desse todo amor que eu tinha para dar. Não queria que ele sofresse por mim.

Um trecho de um texto que lera uma vez logo latejou em minha cabeça. Não pertencia a uma fascinante obra de Shakespeare ou a qualquer outro escritor de livros consagrados, era apenas parte de um texto de uma escritora simples, tão simples quanto suas palavras, mas subitamente especial, pois diferente de tudo que eu já vira ela escrevia com a alma. Mas entre tantas frases e história que eu lera de sua autoria a que me atormentava dizia:

Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abraçá-la.

Clarice Lispector

Eram as sábias palavras que bailavam por minha mente, pondo-me a refletir. Falava sobre meu futuro, era tudo que eu sabia sobre meus próximos dias.

Escorreguei o zíper da última mala. O som baixo que emitia tinha um tom de derrota. Desanimadamente cheguei ao fim, e quando aquele som silenciou-se o da porta se fez. Mamãe entrou apressada. No rosto um misto de medo e esperança. Estava perplexa. O corpo agitado quase tremia dentro do vestido de cetim azul-aurora.

–Aprece-se, minha filha. Seu pai já está a reclamar na sala. –disse agitada.

–Sim, mãe, já estou pondo os sapatos. –disse a ela, enquanto sentava-me na cama junto a um par de sapatos qualquer. Quando levantei-me e deparei-me com os olhos queimando em agonia a fitar-me ela jogou sobre a cama a bolsa que carregava na mão.

–Elizabeth, quero que me prometa uma coisa. -ela murmurou.

–O que? –perguntei curiosa franzindo o cenho.

–Quero que me prometa que vai ser feliz. -ela disse e eu a fitei incrédula.

–Que? De que está falando? -questionei.

–Por favor, Elizabeth, me prometa minha filha. -suplicou.

–E-eu prometo. -disse confusa e ela imediatamente me abraçou forte.

–Eu vou te ver assim que puder, meu anjo. -Abraçou minha cabeça a seu peito. -Tome, fique, com isso. –afastou-se por um momento para tirar de seu pulso uma correntinha delicada que carregava um pequenino pingente de ouro, cravejado em safiras. -É Nossa Senhora de Aparecida. -ela disse prendendo a pulseirinha em meu pulso. -Sua vó me deu pouco antes de morrer. Ela disse que iria iluminar meu caminho, me ajudar a fazer as escolhas certas, mas eu não preciso mais dela, é sua vez de usar. -murmurou fitando-me em um olhar cheio de ternura enquanto afagava meu rosto com uma das mãos.

–Mas mãe, me explique o que está acontecendo. Por que está falando isso tudo. Eu não estou entendendo... -eu disse confusa.

–Na hora certa você irá entender, minha filha. -respondeu-me. -Agora vamos, antes que seu pai venha atrás de nós. -ela disse, passando a mão nos meus cabelos e virando-se para pegar a bolsa que deixou sobre a cama.

–Mãe. -chamei ainda imóvel e ela se virou para mim de novo, esperando que eu falasse.

–Eu te amo. -eu disse correndo para abraça-la.

–Eu também te amo, meu anjo. -murmurou.

Depois que soltei-me do aconchego de seus braços percebi que ele secara a lágrima que escorreu de um de seus olhos e fez caminho por seu rosto. Fomos até a sala onde papai esperava, de pé, em uma postura subitamente ereta, como um capitão perante seus soldados, um rei perante seus seguidores.

–Vejo que agora podemos ir. -disse rancoroso, olhando-me de forma repressora. O silêncio se deu na sala de estar enquanto tudo que podia-se ouvir era os passos pesados dele direcionando-se a porta. Deu algumas ordens aos seguranças, um deles seguiu caminho de meu quarto para buscar as malas. A mão de Lara alcançou a minha como uma pluma, guiando-me para fora do apartamento.


Entramos no luxuoso carro preto e logo o motorista deu partida. A partir daí eu vi toda uma vida passar perante meus olhos, do outro lado do vidro, naquelas calorosas e movimentadas ruas de Los Angeles.


Notas finais
Esse capítulo já deve ter ganhado do mel em quesito meloso. Super melodrama, né?! Bem, acho que ficou irritantemente chato e enjoativo, repetitivo... Mas o que vale é a opinião de vocês, até porque já sabem que dificilmente eu vou elogiar uma coisa que fiz. Não é modéstia, tá, gente, quando eu acho que prestou eu sou a primeira a falar.
E aí? Como estão? Eu estou...preguiçosa (novidade :/).
Vocês repararam no nome do capítulo? Alguém aí que goste de Slipknot e conheça a música Dead Memories? Bem, eu sou louca por Slipknot. Meu melhor amigo é um maggot (maggot são os super-fãs do Slipknot), o mesmo que me "apresentou" Guns N' Roses. Enfim, escrevi o capítulo ao som de Slipknot, mas Snuff como eu disse e pus o nome de outra música da banda...Enfim, anormal.
Ah, mais uma coisinha. Alguém está afim de ler mais um pouquinho? Bom, eu nunca faço isso, mas eu não resisto. Tem uma nova fanfic no site, chamada Crazy Love (https://www.fanfiction.com.br/historia/206976/Crazy_Love), acho que foi a primeira fanfic que eu praticamente vi nascer, é uma fanfic sobre o Slashinho *-*, muito fofa, que se passa nos dias atuais e se quiserem saber o resto vão ter de ler, ok?
Bem (eu tenho que parar de falar isso), paramos por aqui. Espero que tenham gostado do capítulo. Deixem a opinião de vocês nos reviews lindos. Volto no próximo sábado com mais e surpresinhas estão por vir no próximo...Hahaha...Só quero ver o que vão achar.
Beijos, dark angels!