My Dark Angel
24 Hurricane Of Lies
Notas iniciais
Espero que gostem.
Divirtam-se.
Beijos!
{ N/a: Ponha essa música para carregar}
–Sarah! –eu disse surpresa. -O que faz aqui essa hora? –questionei em seguida.
–Seu namoradinho está aí? –perguntou amarga, adentrando o apartamento rapidamente, ignorando a pergunta que fiz.
–Como assim? Do que está falando? –perguntei um tanto confusa, virando-me para ela depois que fechei a porta.
–NÃO SE FAÇA DE IDIOTA. –ela gritou irritada e eu estremeci.
–Sarah... Do que está falando? E-eu não estou entendendo? –perguntei perplexa, sentindo a pulsação de meu coração alterar-se significativamente.
–Do seu namorado Lizzi Muller, William, ou devo dizer Axl Rose? –senti um espasmo imediato. Minhas mãos gelaram e uma piscada de olhos tornou-se mais duradoura. A saliva acumulada na boca desceu por minha garganta como uma bola de espinhos, arranhando terrivelmente todo o percurso que fazia. –COMO VOCÊ TEVE A CORAGEM? –gritou enfurecidamente deixando que algumas lágrimas descessem de seus olhos.
–Sarah eu...posso explicar. –a frase saiu de minha boca em um murmurar nervoso.
–E tem uma explicação para isso, Elizabeth? Tem uma explicação para você está namorando aquele roqueiro nojento? Eu vi você aos beijos com aquele homem dentro de um carro, Elizabeth, e a única coisa que eu me perguntava era “Como?” COMO ALGUÉM COMO VOCÊ PODERIA ESTAR COM ELE? Logo você, Elizabeth. Logo você que eu chamei de irmã, que se declarou minha melhor amiga, a quem prometi amizade eterna. EU ENTREGUEI OS MEUS SENTIMENTOS EM SUAS MÃOS. VOCÊ TINHA TUDO QUE SOBROU EM MIM DEPOIS DA MORTE DE MIKE. –disse o último aos berros e eu apenas fitava o chão, calada, pensando em o que falar.
Então aquele era o dia que temi. Sentia-me perante a um julgamento, onde eu era o réu impiedoso, que cometera um crime brutal, crime o qual me levara ali, prestes a ouvir a decisão do juiz, prestes a ser posta a pena de morte.
–Sarah, tenta me entender. Axl não é como os outros, ele não... –ela me impediu de terminar a frase.
–NÃO, ELE NÃO É. ELE É PIOR. –gritou e eu balancei vagarosamente a cabeça em sinal de negação. –Ele matou meu irmão, Elizabeth. Ele e todos aqueles amiguinhos dele, aquela banda ridícula. Eles se fizeram de amigos do meu irmão, o levaram para aquelas festas, o ofereceram droga e hoje é Mike quem está em baixo da terra. –ela disse amargurada. Meus olhos encheram-se de lágrimas. Agora tudo fazia sentido, a banda que Charlie tentava produzir era o Guns N’ Roses, daí Sarah tinha tanto ódio da banda – ódio que descobri depois que a questionei sobre seu conhecimento de Axl e seus amigos. Duro demais para que eu conseguisse acreditar.
–Não, isso não é verdade. –eu disse sacudindo a cabeça, negando a verdade que jorrara da boca de Sarah e feria meus ouvidos.
–Talvez você devesse saber que ele frequenta festinhas regadas a mulheres todas as noites. Que além das mulheres tem também drogas e bebidas. Será que ele já te contou isso, Elizabeth? Ah, deixe-me ver, ele talvez tenha dito que te amava mais na verdade vai para cama com várias vagabundas toda noite. E por que ele não está aqui? Porque hoje é segunda-feira e a festa no galpão começa mais cedo. E ERA PARA LÁ QUE ELES ARRASTAVAM MEU IRMÃO. SÃO TODOS ASSASSINOS.
Talvez aquilo fosse mentira e eu preferia que fosse, mas existia uma parte tola de mim que insistia em acreditar no que Sarah dizia, provavelmente porque ela nunca mentia, mas Axl também não mentia, ele não mentiria para mim, mentiria? Ele havia dito por tantas vezes que me amava, não seria tão baixo a ponto de fazer tudo que Sarah dissera ali. Era como uma guerra da verdade, onde uma das duas pessoas que eu mais amava no mundo estava a mentir e eu mal podia parar para pensar em quem seria, pois independente de quem fosse aquilo me machucaria muito mais do que as palavras de Sarah. Naquele momento eu estava certa de duas coisas, a primeira era que independente de quem estivesse falando a verdade Axl não era nenhum assassino, a segunda era que eu não poderia deixar Sarah continuar a acreditar naquela mentira e acusa-lo de matar Mike. A partir de então, tudo que existia em mim passara a agir por impulso, o que me impediu de pensar duas vezes antes de dizer qualquer coisa, mesmo que estivesse fazendo uma grande besteira.
–ELES NÃO MATARAM SEU IRMÃO. MIKE MORREU POR CAUSA DE CHARLIE, ELE MATOU SEU IRMÃO. –cuspi as palavras em um grito enfurecido, sem nem repensar em meu ato antes. –Se alguém tem culpa nisso tudo, esse alguém é seu pai, Sarah. –desta vez o som que saiu de minha boca tinha a sonoridade de um sussurro.
Seu rosto teve um espasmo de dor.
–O que está dizendo? –questionou confusa, parecendo um tanto perdida nos pensamentos que a afogavam.
–Pergunte a sua mãe. Foi Charlie que humilhou Mike, levando-o a morte. –indaguei.
–Não, Charlie foi embora quando eu era um bebê. –murmurou, sacudindo a cabeça enquanto lágrimas ainda banhavam sua face angelical.
–Mas ele voltou, Sarah, ele voltou e matou Mike. –contei a ela.
Ela estava terrivelmente confusa, calou-se, porém com os lábios entre abertos. Os olhos fitavam o chão e a mente deixara que seus pensamentos fossem arrastados pelos fantasmas do passado que voltaram para lhe atormentar. Ela saiu disparada e atravessou a porta sem dizer uma sequer palavra. Não chamei por seu nome, deixei que ela fosse, apenas bati a porta um tempo depois, encostando-me nela e escorregando até que chegasse ao chão. Encolhi as pernas contra o corpo e apoie os cotovelos sobre os joelhos, de forma que minhas mãos chegassem a minha cabeça.
Não derramava lágrimas, estava perplexa demais para isso. Um tsunami de sentimentos, emoções e informações acometeu-me, de forma que não conseguia reagir aquilo tudo. Nem uma braçada na tentativa da salvação, eu estava perdida de baixo de um temporal, em um oceano onde até o gosto da água já se tornara amargo. Havia uma mente em ruínas e um coração ambíguo temendo os próximos acontecimentos daquele desastre em meu corpo.
“Ele frequenta festinhas regadas a mulheres todas as noites”. “Ele talvez tenha dito que te amava mais na verdade vai para cama com várias vagabundas toda noite”. “Hoje é segunda-feira e a festa no galpão começa mais cedo” “Já sei. Segundas e finais de semana os ensaios começam mais cedo.” “Ele ficou muito amigo da tal banda que Charlie estava produzindo, então passou a frequentar festas com essa banda. Eram regadas a drogas e bebidas.”.
Em que eu deveria acreditar? Em que eu deveria pensar naquele momento? De uma coisa estava certa, não ia mais achar, ia ter a certeza.
–Alô. –ouvi a voz de Martha soar despreocupada do outro lado da linha.
–Martha. –diferente da dela, minha voz soou um tanto trêmula.
–Oi Lizzi. –disse alegre.
–Martha, por favor, me dá o endereço do galpão onde Mike frequentava aquelas festas? –a voz saiu com afobação de minha boca enquanto o telefone balançava em minha mão trêmula, que necessitou da ajuda da outra para mantê-lo no ouvido.
–Mas para que você quer isso Lizzi? Você parece nervosa. –ela disse.
–Por favor, Martha, por favor, me dê o endereço. –supliquei.
–Dou sim, querida, mas acalme-se, está me deixando nervosa.
Após anotar o endereço que Martha me passou, desliguei o telefone sem mal me despedir dela. Corri até o quarto buscando um par de botas, que pus nos pés com rapidez, puxei do armário bolsa de mesma cor e então saí às pressas.
Andei pela rua deserta em passos pesados até chegar a um ponto em que fosse possível encontrar um táxi. Entrei no primeiro que me apareceu, dando a ele o papel onde em letras tremidas estavam anotado um endereço de um galpão abandonado que provavelmente ficava a sete ou nove quadras de minha casa. Com o passar dos minutos percebi uma crescente movimentação e o ronco dos motores de algumas motocicletas. Paramos em frente ao galpão que procurava, onde no lado de fora havia garotas com saias curtas e justas, fumando seus cigarros, rapazes a paquera-las e outros a contentarem-se com suas garrafas de bebida. Depois de observar o local por alguns segundos, consegui convencer o motorista a esperar. Impulsionei-me a sair e por fim bati a porta atrás de mim.
Fitei o galpão, esquecendo um pouco da movimentação ali fora. Abri um sorriso perplexo. O que estava fazendo ali? Axl não estava naquele local, conclui virando-me para entrar novamente no carro. Minha mão estendeu-se para abrir a porta, mas hesitou. Algo em mim berrava em dúvida e eu sabia que a melhor forma de fazê-lo se calar era confirma que ele nãoestava ali.
Virei-me novamente, mordendo o lábio inferior. Encorajei-me a me mover, e meus pés corresponderam, fazendo com que eu desse alguns passos lentos, enquanto os olhos arregalados varriam o lugar. A mão trêmula alcançou a manga comprida do suéter, puxando-a para baixo a aperta-la de forma que meus dedos reclamaram em uma fisgada.
Os gritos, o som alto, o ressonar dos motores de motos, já me deixavam desnorteada, a ponto de minha cabeça martelar implorando pelo silêncio de meu apartamento. Estava tão perdida, que mal percebi o garoto caído no chão cujas mãos alcançaram meu tornozelo. Dei passos nervosos e apressados para o lado desviando-me do toque de suas mãos, e por incidente esbarrei em outra pessoa.
–Preste atenção por onde anda, mocinha. –disse o rapaz em quem esbarrei e eu ergui a cabeça assustada para conferir seu rosto. O homem esguio tinha pele marfim e os olhos esverdeados, o cabelo curto e liso era de um preto luminoso, desalinhado, deixando que uma mecha solitária caísse sobre sua testa. Havia posto um sorriso de canto nos lábios finos e rosado.
Ainda assustada afastei-me dele, seguindo até a entrada do galpão.
–Ei belezinha! –disse um garoto de cabelo louro armado, enquanto segurava em meu braço. Visivelmente embriagado, ele bebeu mais um gole da garrafa de whisky pela metade em sua outra mão. –Que tal irmos ali nos divertir um pouquinho, hein? –perguntou assim que desgrudou os lábios do gargalo da garrafa de vidro enquanto eu tremia, de olhos arregalados, esperando que a mão que envolvia meu braço o largasse.
–Me solte, verme insolente. – eu disse enfurecida puxando meu braço com a força que até mesmo eu desconhecia.
–Como é que é, garota? –perguntou desta vez irritado.
–Hey James, deixe a menina, cara. Venha ver o que Tyler trouce para nós. –disse o homem de cabelos cacheados a certa distância.
–Acho melhor você ir embora, aqui não é seu lugar. –disse ele antes de dar de costas e andar desnorteado até onde o amigo estava.
Voltei atenção ao galpão, e segui novamente em direção a ele. Nada mais me interrompeu e eu finalmente consegui entrar.
O barulho lá dentro era tão ensurdecedor quanto no lado de fora, obrigando minha expressão a torna-se de pleno incomodo, enquanto tentava controlar as mãos que tanto queriam tampar os ouvidos. Assim que meus olhos alcançaram o local por inteiro fizeram uma varredura, não encontrando nada que eu reconhecesse. Dei mais uma risada perplexa, perguntando-me como pude acreditar que ele estava ali. O sorriso se fechou quando os olhos encontraram um local não avistado antes. Um canto mais escuro, no outro lado do galpão, onde um homem sem camisa, agarrava-se a duas mulheres de roupas extremamente vulgares. Beijou a avidamente a boca de uma delas enquanto a outra acariciava suas costas e tocava seu ombro com os lábios. Por fim, sorriu para menina que beijou e depois procurou os lábios da outra.
Talvez uma facada no coração me causasse uma dor mais fraca do que a que eu sentia naquele momento, ao ver o homem que por tantas vezes beijou minha boca agora beijava as de outras mulheres. Os lábios que antes estavam entorpecidos moveram-se deixando que eu mordesse o inferior evitando o grito que crescera em minha garganta. Dos olhos incrédulos desceram apenas lágrimas enquanto na mente vazia restava somente uma pergunta “Por que? Por que ele estava fazendo aquilo comigo? O que eu havia feito a ele para receber aquilo em troca?” Meus lábios assumiram sua postura correta, enrijecendo-se.
As balas que atingiam meu corpo doíam, mas nada que eu não fosse forte o bastante para suportar por alguns minutos. Sem saber o que pensar e como agir, eu não tinha condições de tomar nenhuma atitude plausível naquele momento, apenas esperava despertar logo do pior pesadelo que já tinha tido, aquele que desta vez me matava da forma mais dolorosa possível, arrasava tudo que carregava dentro do corpo e na mente, massacrava um coração antes tão apaixonado por um canalha. Será que alguma hora despertaria daquele pesadelo? E se não fosse um pesadelo?
Havia novas perguntas surgindo na mente destruída, perguntas que eu não tinha possibilidade de responder. Havia um sangue fervendo dentro das veias de meu corpo. Havia um coração judiado transbordando em ódio. Havia amargura, raiva, sede de vingança, mas nada disso sobressaía a dor de ser enganada por quem mais amava.
Meses e meses de um amor que não passava de mentiras, e isso doía muito mais do que vê-lo daquela forma, pensar que todos os planos e declarações de amor nunca passaram de mentiras bem contadas por um salafrário que um dia acreditei que me amava. Pois naquele momento eu preferia mil vezes se jogada a leões, mergulhar em uma banheira do ácido mais potente, entrar em uma casa em chamas do que sentir o que sentia. Eu preferia a dor de tudo aquilo em dobro do que sentir a dor de ser traída por quem mais amei. O dia que mais temi chegou, era o dia do fim mais doloroso que pude esperar, era o dia em que eu queria apagar da memória todas as lembranças que insistiam em me perturbar, arrancar do corpo o coração que ainda latejava de amor por quem agora tudo que eu queria era ter ódio, e mesmo com o que restou do amor o ódio estava lá, mas não o bastante para que sugasse toda aquela baboseira do coração melecado pela coisa nojenta que chamavam de paixão.
Havia coisas que nem os mais fortes eram capazes de suportar e eu estava perante a uma delas.
Ainda desnorteada dei alguns passos lentos para trás, até que pisei no pé de alguém. Virei-me, assustada, rapidamente, conferindo quem estava atrás de mim.
–Lizzi! O que faz aqui? –Steven disse meu nome com uma falsa alegria e logo o seguiu pela pergunta curiosa.
–Me dá a chave da casa de vocês. –ordenei.
–Mas...mas para que? –perguntou.
–ME DÁ A MERDA DA CHAVE LOGO. –berrei, ignorando a pronunciação do palavrão. Ele puxou do bolso um par de chaves. –Mande Axl ir para casa. Espero por ele lá. –eu disse após arrancar as chaves de sua mão direcionando-me para a saída do local. Ele gritou por meu nome por duas ou três vezes, mas ignorei.
Saí apressada, sentindo o vento arranhar meu rosto e espalhar as lágrimas que de meus olhos caíam. O táxi ainda me esperava lá fora. Cheguei rápido ao carro amarelo e bati fortemente a porta depois que entrei. Dei-lhe o endereço da casa de Axl, precisava falar com ele, mas no meu apartamento ele não punha mais os pés. O caminho dali a casa de Axl era curto, o que nos fez chegar rápido. Após pagar ao motorista segui para dentro. Logo que entrei acendi a luz da sala bagunçada, onde havia garrafas quebradas e comida espalhada na mesinha de centro. Fitei toda a bagunça de braços cruzados. Uma lembrança então acometeu-me...
–Sinta-se honrada por estar aqui. –murmurou assim que adentramos a sala de sua casa.
–É, por que? –perguntei virando-me para ele que me envolveu com seus braços pela cintura.
–Porque eu só trago aqui as pessoas realmente importantes. –respondeu.
–E eu sou alguém importante? –perguntei pondo no rosto um sorriso doce.
–Pode-se dizer que é a mais importante da minha vida. Minha futura esposa, a mãe dos meus filhos... –ele disse alcançando meus lábios em um beijo calmo.
A lembrança da primeira vez que estive ali fez-me derramar mais lágrimas.
Cada minuto que eu esperava por Axl fazia a dor ser maior, enquanto o tempo arrastava-se de forma insuportável. Ouvi o som de uma mão afobada pesar na maçaneta e então levantei-me do sofá, secando algumas lágrimas que ainda jaziam em meu rosto. Quando os olhos curiosos alcançaram minha face eu já estava de pé, imóvel.
Ele entrou e fechou a porta atrás do corpo, olhou a face que transbordava em sofrimento por alguns segundos e eu mal podia controlar meu estomago que insistia em querer por para fora tudo que eu havia digerido. Meus olhos fugiram do mirar dos dele que só me traziam mais dor.
–Então era aquilo que você fazia toda noite? -eu perguntei amarga, sentindo as lágrimas tornarem a escorrer de meus olhos.
–Lizzi, meu amor... -ele tentou se aproximar, mas eu o impedi gritando os dizeres:
–ME RESPONDA, AXL ROSE? -gritei cuspindo o nome com rancor. -Era aquilo que você fazia toda noite, quando você dizia que estava indo ensaiar com a banda?...ah! Claro, como eu pude acreditar? Quem ensaia com a banda durante a noite?-eu disse deixando que as lágrimas continuassem a fazer caminho por minha face. -Como eu pude ser tão idiota?-levei as mãos a cabeça. -E você? Como teve a coragem de...? Então, enquanto eu estava suspirando de amor, você estava bêbado, na cama com aquelas vagabundas. – disse indignada.
Deixei que a dor terminasse de corroer meu coração enquanto eu chorava desesperadamente. Axl apenas me olhava, de longe, sem nenhum movimento.
{N/a: Ponha a música para tocar}
–Eu posso explicar. -ele disse tentando se aproximar mais uma vez, mas fiz com que sua tentativa fracassasse novamente.
–EU NÃO QUERO UMA EXPLICAÇÃO! -gritei. -Não quero ouvir você explicar mentiras usando mais mentiras, tudo que sei já me basta. -disse o último mais baixo. — Mulheres, sexo, drogas, bebidas, festas... E ainda teve a coragem de dizer que me amava. Me amava? Será mesmo?
–Eu juro que nunca menti quando...
–Ai Meu Deus! -eu disse interrompendo, como se nem ouvisse o que ele estava falando. -Rá, eu fui para a cama com o homem que dizia me amar e me deixava sozinha toda noite para ir se divertir com outras mulheres. Repugnante! -as lágrimas, que não paravam de cair de meus olhos, já me irritavam. -EU TENHO NOJO DE PENSAR QUE O HOMEM A QUEM EU ME ENTREGUEI DE CORPO E ALMA TRANSAVA COM OUTRAS TODOS OS DIAS.
–Eu nunca transei com outras todos os dias. -ele disse.
–Oh não, e o que você fazia com elas, brincava de cavalinho, senhor Rose? -perguntei em tom de sarcasmo. Ele fez silêncio. -Veja só, o explosivo Axl Rose está em silêncio, por que será? Deve ser porque sabe que não estou mentindo. -eu disse em tom compulsivo, como um psicopata brinca com suas vitimas.
–Você vai continuar aí usando seus argumentos hipócritas. Já percebeu que não foi capaz de ouvir o homem que você também disse que amava? -questionou ele.
–E por que eu deveria ouvir você Axl? Hein? Mentiu para mim uma vez poderia muito bem repetir a dose.
–Eu só menti para você por que nunca aceitaria meu jeito. — explicou.
–NÃO É VERDADE. -gritei.
–É VERDADE, SIM. -ele permitiu-se alterar o tom de voz também. -A riquinha e certinha nunca aceitaria o roqueiro, drogado e bêbado.
–Ao contrário do que você pensa, eu teria aceitado, sabe por que? Porque eu te amava.
–EU MENTI POR AMOR -gritou.
–SE ME AMASSE DE VERDADE NUNCA TERIA MENTINDO. -rebati. -E AGORA, COMO SE SENTE EM ME VER SOFRENDO POR CAUSA DE SUA MENTIRA? -questionei.
–Desculpa.
–Desculpas não reconstroem um coração partido, Axl Rose. -disse-lhe. -Ah! A mentira. O amor que parecia perfeito na verdade era feito de pura mentira, foi sobre isso que construímos nosso relacionamento, Axl. Mentiras sobre mentiras. Alias você construiu. Eu sempre fui sincera, nunca menti para você. -ele, que já se encontrava sentado no sofá, com a cabeça baixa, surpreendentemente levantou-se e mostrou seu jeito explosivo, do qual eu já ouvira falar antes. Ele virou a mesinha de centro no chão, completamente enfurecido.
Ignorei seu ato agressivo. Meu sangue fervia de mais para que eu pudesse dar atenção à outra coisa.
–Em que mais você mentiu, Axl? -eu perguntei, de costas para ele. As palavras soaram com uma dor desesperador de minha boca. -Por favor, conte tudo que deveria me contar agora, me deixe sofrer de uma vez só. -supliquei. Pressionei meus olhos e novas lágrimas escorreram.
–AH! VOCÊ QUER MESMO SABER DE TUDO? ENTÃO VOCÊ SABERÁ DE TUDO. ESSA MERDA DESSA CASA NÃO É MINHA, AQUELE CARRO IDIOTA TAMBÉM NÃO É MEU, EU MORO NUM BURACO COM OS GAROTOS ONDE FAZEMOS FESTAS TODOS OS DIAS E GASTAMOS TODO O DINHEIRO QUE GANHAMOS COM A BANDA, EM DROGAS, BEBIDAS E MULHERES. -disse ele com o tom de voz alterado.
Eu não sabia o quanto a verdade era capaz de machucar, mas quando ouvi aquilo tudo de Axl, foi como se pequenas lâminas penetrassem em meu coração junto às palavras tão dolorosas para mim que saiam de sua boca.
–Sabe qual é meu maior arrependimento Axl? É ter te conhecido. Daquele amor que eu declarei várias vezes, agora só existe ódio, não queira saber o quanto eu te odeio Axl Rose. -estava mentindo para mim mesma e eu sabia disso, mas naquele momento minha raiva era tão grande que tive de dizer aquilo tudo.
–Calma aí Lizzi, vamos conversar, eu te amo... –ele disse se aproximando rapidamente e segurando em meus pulsos. Lutei enfurecida para me soltar de suas mãos e o empurrei continuamente enquanto ele insistia em se aproximar.
–ME SOLTA. EU NÃO QUERO QUE VOCÊ CHEGUE PERTO DE MIM. –eu gritava enquanto o empurrava enfurecida para trás. –ACABOU, AXL. –finalmente ele parou de tentar me segurar.
Peguei minha bolsa sobre o sofá.
–Aonde pensa que vai? -perguntou.
–Embora daqui e faça-me o favor de nunca mais me procurar. Ah! Fique com isso. –arranquei o anel de compromisso de meu dedo e o taquei contra ele. Virei-me em direção a porta, mas algo me impediu de dar mais alguns passos para atravessa-la. Axl segurou forte em meus braços impulsionando-me a virar para ele. -Axl está machucando meu braço. Me largue. -falei, assustada. Eu olhava dentro de seus olhos, que agora estavam de uma nova tonalidade, e podia ver o fogo que ardia lá dentro, o pior era que eu já não conseguia enxergar o menino de sempre naquela íris que se tornara de um vermelho-sangue.
Não é o meu Axl. Conclui.
Afinal que diabos era aquilo que parecia ter tomado conta do corpo dele? A única coisa que eu sabia naquele momento era que eu sentia um medo desesperador.
–Por favor, me solte. -supliquei mais uma vez. Senti meu braço arder e ser ainda mais pressionado.
–Eu não posso te perder, Elizabeth. -estremeci. A voz que saíra da boca de Axl não era dele, era apavorante, aquela possessão em seus olhos nunca existira antes, a brutalidade com que ele agia estava a deixar-me aterrorizada.
–Por favor, me deixe ir. -supliquei mais uma vez. Lágrimas escorreram de meus olhos, mas dessa vez de medo.
–VOCÊ NÃO ENTENDE? EU NÃO POSSO TE PERDER. -ele gritou sacolejando-me. O choro que encheu a sala desta vez era diferente do que soo alguns minutos antes, não era de dor como aquele, era de desespero. -Eu te amo, Elizabeth. — disse o último em tom de sussurro, aproximando sua face da minha enquanto eu arfava em meio a lágrimas de desespero.
–Po-or fa-vo-or, me dei-xe i-ir. -a frase saiu com certa dificuldade de minha boca em decorrência de meu choro soluçado.
–JÁ DISSE QUE NÃO SAIRÁ DAQUI. -ele gritou enfurecido pressionando ainda mais meus braços. Fechei os olhos e deixei que as lágrimas continuassem a percorrer minha face. O meu anjo agora tornara-se um monstro terrível, de um jeito que eu nunca vira antes. Ele parecia um completo maluco. Tremia a cada minuto temendo que ele faria dali para frente.
Um novo barulho. A porta se abrira.
–Largue ela Axl. -ouvi a voz de Izzy que correu junto a Slash, prendendo os braços de Axl e fazendo com que ele soltasse os meus. Afastei-me de vagar. Ele me olhava fixamente, mais enfurecido do que nunca e eu mais assustada do que nunca. Steven entrou em sua frente tampando lhe a visão. Percebi que Axl lutava para se soltar. Ele parecia um animal feroz preso a correntes.
–Tire-a daqui, agora, Duff. -ordenou Slash. Continuei olhando Axl, assustada. Senti o suave toque da mão de Duff na minha puxando-me para que saísse dali, rapidamente.
Ele me pôs dentro do carro sem que pronunciássemos uma se quer palavra. Quando dei por mim estávamos parados em frente ao meu prédio. Não entendi como, já que até onde eu sabia Duff desconhecia tal endereço.
Ele me acompanhou até o meu apartamento.
–Você está bem? -ele perguntou depois que entramos. Eu fitava o nada, ainda em estado de choque. Olhei para ele e de repente dei inicio a uma crise de choro. -Ei, não chore. -ele disse após me envolver com seus braços. Minhas lagrimas encharcaram sua camisa na região de seu peito.
Notas finais
Sobre o capítulo, essa briga entre a Lizzi e o Axl estava escrito desde o inicio da fanfic, há um bom tempo, a única coisa que incrementei depois foi a música que eu acho linda e pensei que cairia muito bem. Gosto desse capítulo, mas ao mesmo tempo não acho que seja um dos melhores que já escrevi, fiquei horas revisando porque achava que ainda não estava bom, não pelo acontecimento, mas sim pela formalidade, a forma de escrita, eu cobro muuuuuito isso de mim. E existe o medo de ficar um capítulo muito repetitivo, enjoativo, sem nexo... Eu confesso que morro de medo desses erros. Mas na hora de escrever eu tenho que acreditar que eu escrevo bem, que eu sei lidar com as palavras e sai algo assim, mas os meus melhores capítulos eu acho que saem naqueles momentos que eu tô ouvindo uma música qualquer, que já ouvi um milhão de vezes, mas que naquele momento me deu criatividade e as palavras certas vêm em mente e quando eu vejo já escrevi.
Voltando ao cap., ah, gente eu achei a maior cachorrada isso que Axl fez, não que eu ache que ele não ame ela, mas acho que ele deveria ter tido uma atitude mais madura, ele tinha de abrir mão da algumas coisas que ele fazia antes a partir do momento que ele começou a namorar com a Lizzi. Ao menos fosse mais sincero, ela acreditou que tudo aquilo era de verdade e agora que descobri que praticamente o Axl inteiro era uma mentira o que ela vai pensar "Será que ele não mentiu também quando disse que me amava?" No lugar dela eu pensaria o mesmo. Tadinha, a primeira vez que se apaixona, e o primeiro coração partido não vai ser porque o namorado não quer mais ela e sim porque ele mentiu para ela o tempo inteiro. Meu Deus, ela confiou nele... Viu por isso que eu digo, nunca confie nem em si mesmo. Se até você pode ter um momento de descuido quanto mais os outros. *momento dicas da titia Carol*
Já falei demais, né? Tô com a corda toda hoje.
Bom, aguardo os reviews, espero que tenham gostado. Quem sabe não consigo fazer até com que os leitores anônimos comentem =D Me deixaria muito feliz *-* Brincadeira gente, só por ler já tá ótimo, mas se quiserem comentar, vou ficar muito, muito, muito feliz.
Agora chega, né?!
Beijos amores!
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