My Dark Angel
38 He is my
Notas iniciais
Obrigada pela paciência, minhas flores.
Espero que gostem.
Divirtam-se.
Beijos!
A noite já caia sobre a Grécia quando resolvemos levantar. Um banho era inevitável. A água fria massageou minhas costas, acolheu-me em meio os jatos poderosos. Senti-me mais bem disposta ao sair do chuveiro.
Sequei os cabelos molhados de qualquer jeito, não precisava fazer muito, pois aquele dia os fios rebeldes estavam em harmonia comigo, resolvendo assim colaborar e poupar-me tempo. Olhei-me no espelho. Um sorriso estava exposto em meus lábios, eu não conseguia tranca-lo dentro da boca, mas estava em uma sincronia tão bela com meu rosto corado que não insisti.
Escovei os dentes, quase enjoando ao gosto da pasta. Quando novamente olhei-me no espelho, apoiando a mão na bancada de mármore branco da pia vi uma centelha faiscar em meu dedo. A aliança dourada cintilou a luz. Meus lábios esticaram-se mais um pouco. Por um momento o coração disparou dentro do peito, cada batida apressada servindo de sinfonia a cena que latejou em minha cabeça. A mão de Axl encaixando em meu dedo a aliança. Meus olhos mais uma vez humedeceram, a visão embaçou, lágrimas quase rolaram pelo meu rosto. Tornei a olhar minha imagem refletida no espelho a minha frente. De repente uma nova imagem se fez ao outro lado. Vi o rosto de uma menina de 16 anos a derramar uma lágrima de dor, agonia. Foi então que o orgulho envolveu-me, banhando-me com uma incrível sensação de glória. Eu vi a menina torna-se madura, o tempo passar em poucos meses, a alegria chegar apressada, ultrapassar obstáculos, o amor presentear-me com a vitória prometida. Vi a razão cercar as palavras de vovó. Um arrepio então acometeu-me. Eu sabia que ela estava ali, ao meu lado, que ela estava feliz por mim e seu orgulho me alegrava. Na verdade, até eu orgulhava-me de mim mesma.
Amarrei um pouco mais forte o roupão branco antes de sair do banheiro. Chequei se havia alguma marca de choro em meu rosto, não queria que Axl preocupasse-se comigo. Atravessei a porta e não o encontrei. Caminhei até a varanda chamando por seu nome.
Um vento brusco varreu-me. Vi estrelas faiscarem na imensidão de azul-aurora que pairava sobre o mar Egeu. Havia muitas velas acesa por ali, e mais a frente, em uma pequena mesa redonda, louça e talheres organizados para um jantar para dois. Ao meio uma rosa dava um deslumbre maior. O romantismo cobria o local, como a maresia, pousava sobre uma névoa de paixão por ali.
Senti mãos tocarem delicadamente minha cintura. Virei-me surpreendida. Axl me sorriu, vestindo também seu roupão de banho.
-Hora do jantar, princesa Elizabeth. –disse ele em tom de sarcasmo. Tocou meus lábios ainda paralisados a surpresa.
-Tudo isso é para nós dois? –perguntei e ele assentiu. –Às vezes eu tenho de me perguntar se eu merecia alguém como você. –eu disse.
-Eu vou sempre fazer por merecer o que eu tenho. Eu não merecia você, Lizzi. Você poderia ter encontrado alguém melhor, mas se Deus me deu esse presente eu vou cuidar de você. Eu juro que eu ainda não sei o que você viu em mim. –murmurou, tocando meus cabelos ainda húmidos. Eu o abracei.
-O homem da minha vida. –disse com segurança.
-Nunca vou deixar que se arrependa de ter casado comigo, amor.
O amor repousou sobre nós com encanto. Aquela noite estava marcada para ser uma das mais memoráveis de minha vida.
Certa vez ouvi dizer que a vida nos guarda muitas surpresa. Algumas boas outras ruins. Em 17 anos de existência eu não via de minha parte nenhum ato glorioso para que minha surpresa fosse tão fantástica. A vida me dera meu maior presente, a melhor surpresa, a mais fascinante das recompensas, a glória mais majestosa. Ela me dera um homem, o homem cujo eu não poderia encontrar melhor, o homem da minha vida. Desde já o agradecimento enchia meu coração, de forma quase esmagadora. Eu não o merecia, mas ele era meu e eu agradeceria a Deus todos os dias de minha vida, por ter me presenteado com um motivo para sorrir, um por quê para manter-me viva. Eu estava em paz, em paz comigo mesma. Eu estava guardada cuidadosamente em meu refúgio feliz, minha proteção, minha felicidade, minha vida.
Os risos inundaram a varanda. Senti meu estômago latejar. Eu já comera mais do que podia.
-Lembra quando montamos a árvore de natal? –perguntou ele.
-Como eu ia esquecer? Você me deixou cair. Eu fiquei com a bunda doendo uma semana. –protestei. A mão dele pousou sobre a minha.
-Eu nunca mais vou te deixar cair. –disse ele, desta vez sério. Uma ternura mórbida cobriu seus olhos. Sorri fraco.
-Mas às vezes a queda é inevitável. –repliquei.
-Então eu estarei lá para te segurar. –disse ele.
-Mas você se machucar. –disse com certa ironia.
-Se eu tiver que me machucar por você eu não vou pensar duas vezes. Tudo é melhor do que te ver sofrer e isso não iria me machucar e sim me matar da pior forma. –meu sorriso se escondeu por trás dos lábios entre abertos. –Eu vou até o inferno por você, Lizzi. –completou. Ri nasalmente. –O que foi?
-Você não era tão romântico antes de me conhecer, não é? Roqueiros não parecem ser assim. –eu disse.
-Confesso que às vezes me sinto um idiota. –ele também riu. –Mas é mais forte que eu. Nunca esperei passar por isso. Se há um tempo me dissessem que eu estaria assim eu acho que... eu iria rir e depois dá um soco em que disse. Aí você apareceu e tudo mudou...Eu vi que esse negócio de amor não era blábláblá nem algo...gay. Isso realmente acontece, e não sei se acontecesse com todo mundo da mesma forma que aconteceu comigo.
Nada mais consegui dizer depois de seu declarar. De repente perguntas me surgiram. Como nos envolvemos tão rápido? Que ligação estranha era aquela que tínhamos, a mesma que senti desde a primeira vez que o vi? Será que eu teria sido tão infeliz ao lado de outra pessoa?
Para a última eu já tinha a resposta. Não haveria outra pessoa, o destino sempre dá um jeito de juntar os pares, aqueles que foram feitos um para outro. Para alguns tudo aquilo podia não passar de pura blasfêmia, eu também pensaria desta forma se não tivesse tanta certeza de que Axl havia sido feito para mim. Não restava outra forma de explicar aquele elo que ultrapassava a imensidão de amor que tínhamos um pelo outro. E então, justamente ele me livra da morte, arranca de mim todos os pesadelos que me perturbaram quase a vida toda. Eu poderia dizer com segurança que não seria ninguém sem ele. Nem com vida eu estaria mais.
Inusitadamente, Axl levantou-se. Puxou delicadamente minha mão como se fizesse-me um convite. Eu levantei-me ainda incrédula. Posicionou uma das mãos em minha cintura, a outra segurando a minha ao alto. Inicio passos lentos, leves e delicados. Eu o segui, em uma melodia imaginária. Ri divertida.
-O que foi? –ele perguntou com o vestígio de um riso.
-Por que estamos dançando? Nem música há aqui. –eu disse.
-Não precisamos de música. Ouça o som de nossos corações. Eles tocam uma melodia que nem mesmo o Slash consegue na guitarra. É perfeito. É o som do amor. –respondeu.
Olhei dentro de seus olhos por alguns segundos. Por fim repousei a cabeça sobre seu ombro.
-Eu te amo. –eu disse, sentindo lágrimas inundarem meus olhos.
-Eu também te amo. –respondeu.
Continuamos ali por algum tempo. Dançando lentamente, ao brilho da lua, cobertos pelo amor que pairava sobre nós como névoa. E aquela paixão inerente de repente fluía entre dois corpos, tão quente quanto nossa pele. Inundava todo aquele terraço, aprofundava-se no mar, rebentava em rochas junto as águas cristalinas lá em baixo. Mais uma vez estávamos acolhidos nas ondas do amor, enfeitiçados por aquele encanto, envenenados por aquela droga. Só precisávamos um do outro aquela noite, assim como nas outras. E lá estava novamente a necessidade irrevogável.
Terminamos por entre lençóis, provando mais uma vez um do outro. Embebidos pela paixão, embriagados pelo excesso de amor. O cansaço não nos intimidava, nós insistíamos. Necessitávamos do calor do corpo oposto, como um leão faminto necessita de sua comida, como um vampiro cedente necessita de água.
Nossos corpos protestaram. Relutamos para nos separar, caindo deitados lado a lado. Olhei no fundo de seus olhos com um sorriso de satisfação.
-Levanta. Rápido. –ordenei levantando-me apressada e pegando do chão meu roupão de banho. Ele vestiu o dele também, incrédulo. O puxei pelo braço indo até a varanda.
-Quero ver as estrelas mais uma vez antes do sol nascer. –eu disse. Ele envolveu-me com os braços, por trás, apertando minha cintura contra seu corpo. Beijou meu pescoço enquanto meus olhos planavam sobre os céus com uma águia.
“Sempre que quiser algo, olhe para o céu e peça as estrelas, peça com toda sua força. Elas te darão se você merecer. Mas se você receber algo, mesmo que não tenha pedido, nunca se esqueça de agradecer a elas.”
Lembrei-me da frase que ouvi de mamãe certa vez.
-Obrigada! –sussurrei com um sorriso.
Axl encaminhou-me ao divã mais a frente. Puxou-me para que deitasse-me aos seu lado. Fiz seu braço esticado de travesseiro, agarrando-me a seu corpo. Contamos estrelas, divertindo-nos com aquilo, até que o sono nos embalasse.
O sol cobriu meus olhos que relutaram para manterem-se fechados. Movi-me delicadamente, sentindo uma extrema falta de espaço. Não tive outra escolha que não fosse arregalar os olhos. Quase tive de fecha-los novamente, tamanha foi a ardência ao receber um feixe de luz insistente. Tateei meu lado esquerdo, sentindo o corpo quente de Axl coberto pelo roupão de banho. Cerrei os olhos e virei-me para sua direção. O sol permitiu-me deliciar-me com aquela visão com mais clareza, mas a visão embaçada não fez uma também contribuição. Não importava, tudo que via já arrancava de mim um sorriso extenso.
Tirei de seu rosto a mecha ruiva que beirava os lábios relaxados. Depositei um beijo sutil em seu rosto, não queria acorda-lo. Levantei-me delicadamente, movendo o pescoço. Senti o protestar minhas costas, nada satisfeitas pela noite dormida no divã. Não era o bastante para que não pudesse ser ignorada.
Levantei-me e caminhei até o banheiro. Pousei minhas mãos sobre a bancada analisando meu rosto marcado, amassado, a noite de sono expressa em cada detalhe da pele marfim. Uma confusão mental ainda remanescia, me impedindo de lembrar-me qual seria meu próximo passo. Antes que eu lembrasse que estava ali para o banho, a imagem de Axl refletiu no espelho por trás de meu ombro, carregando nos lábios um sorriso de canto tentador.
-Olá dorminhoco! –eu disse, a voz rouca em consequência do fato de ter acabado de acordar. Envolveu-me com os braços, por trás, plantando um beijo em meu rosto.
-Ficou com medo de me acordar? –perguntou ele em tom sarcástico.
-Ai, você estava tão quietinho, ali, dormindo, que fiquei até com pena de te despertar daquele sono. –eu respondi, virando-me para ele. Beijo-me os lábios delicadamente.
-Reparou que em plena lua-de-mel nós acordamos vestidos? –o tom de incredulidade não foi capaz de mascarar a malicia.
-Hmm...E que tal começarmos a mudar isto? –eu disse acariciando a área de seu peito não coberta pelo grosso roupão de banho branco. Mordi o lábio inferior e ele logo procurou por ele em um beijo intenso, no qual nos encaminhamos para debaixo do chuveiro.
[...]
-Acho que está na hora de conhecermos a Grécia. –disse ele enquanto eu penteava meus cabelos húmidos em frente ao espelho.
-Não é uma má ideia. Já está na hora de sairmos um pouco desse quarto. –respondi.
Fui até minha mala. Revirei as roupas até achar algo adequado. Foi quando um vestidinho branco, extremamente curto, me sorriu. Não pensei duas vezes. Logo ele se adequara ao meu corpo, ainda mais curto do que eu imaginara. Pus nos pés um par de sapatos salmão, pegando também uma bolsa da uma tonalidade cor-de-areia que encontrei dentro da mala. Coloquei dentro dela tudo que estava em uma nécessaire que segundo o bilhete que Sarah deixara próximo a ela era tudo que eu precisava carregar dentro da minha bolsa. Achei também um óculos escuros e minha surpresa veio ao abrir uma pequena bolsa de veludo, de coloração vinho. Dentro dela estava todas as minhas joias, e algumas outras, que se não me falhava a memória pertencia a mamãe. Um terço de seu imenso acervo de ouro, jade, diamantes, e outros, estava ali, como um presente a mim.
Peguei então algumas pulseiras, amarradas por uma fita branca, elas eram para serem usadas juntas, como eu vira mamãe usa-las por diversas vezes. Eram lindas, inteiramente de ouro, diamantes e um tipo de pedra azul-celeste cujo nome eu desconhecia. Analisei por alguns momentos aquelas peças, muitas delas únicas, feitas sobre medida para mamãe. Cada uma tinha uma lembrança. Uma festa, uma noite especial, uma madrugada passada em seus braços. De inicio eu não entendera muito bem o por quê de mamãe deixar tudo aquilo para mim, mesmo sabendo que nunca fui muito adepta a joias, mas não as deixara de usar, pois mamãe desde cedo me ensinara a como ser uma verdadeira dama. Mas perante os meus olhos, nada daquilo era ouro ou diamante, eram lembranças, lembranças que quase não me lembrava de recordar, lembranças boas que mamãe parecera selecionar manualmente. Então elas invadiram minha mente como enxurrada. Arrancaram de mim risos, tão deliciosos quanto os da criança de minhas recordações. Mas por um momento um sorriso se fechou, eu só queria poder agradece-la por tudo que fizera por mim, eu só queria agradecer por ter a mãe que tinha, eu só estava corroendo no desejo de tê-la por perto.
Ouvi a voz de Axl penetrar em meu ouvido, distante, mal consegui identificar de onde vinha. Dizia algo sobre o horário. Guardei as joias, tranquei com elas as lembranças, mas ingênua era eu de achar que depois de despertar elas iriam adormecer de novo. Agora latejavam, em cores vibrantes, como uma cena vista havia pouco, eu me sentiria incomodada se não fosse pelo fato da tamanha satisfação que elas traziam-me.
Apressei-me para me vestir. Fui rápida. Não demorou muito para que estivéssemos atravessando a porta de nossa suíte em caminho aos agrados e prazeres da Grécia.
Notas finais
Enfim, chegou sábado e o que eu tinha escrito? Nada. Mas de quebra eu não conseguia escrever, primeiro porque estava preocupada, pois tenho um livro de 600 páginas para ler até quarta, detalhe, só vou compra-lo amanhã. Preciso fazer uma resenha de três páginas sobre ele. Outra sabe aquele momento em que você pensa em uma pessoa quando você come, acorda, toma banho, ouve música...Resumindo, a cada segundo, e chega dá um aperto no peito. Estou assim. Apaixonada? Espero que não :'(
Ah, faltou uma coisa. Mil desculpas, não respondi NENHUM comentário do último post, foi mesmo o tempo, mil desculpas mesmo, eu juro que eu irei responder. Mil desculpas mesmo. Ah e desculpa também as autoras de fics que eu leio, não tenho comentado nenhuma, para ver como está o tempo. Tem dias que queria que o dia tivesse mais de 24h. Enfim, falei demais. Desculpa por tudo mesmo, gente e também obrigada por terem paciência comigo.
Amo vocês.
Beijos!
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