Notas iniciais
Bem, o nome desse capítulo é devido a música que está nele em certa parte. Sim, mais um de meus capítulos musicais =D Eu gosto bastante deste, gosto da linguagem. Se acharem confuso ou qualquer coisa avisem no review, ok?
Divirtam-se.
Beijos!

A água da banheira estava fria, mais eu não hesitei. Pus primeiro os pés, por fim deitei o corpo sentindo o pano da roupa encharcasse. Meus ossos reclamaram em uma dor intensa, mas eu ignorei. Aquele corpo ferido não podia sentir nenhuma dor maior do que a que o arrasava ainda mais todos os dias. O que é a dor física causada pela água subitamente fria comparada à dor no coração de quem foi traída por quem mais amou?

Cansada de perguntas, deixei que água fria tomasse conta de todo o meu corpo. Mergulhei também a cabeça, reprimindo qualquer expressão de dor em consequência da temperatura. Minha expressão relaxou-se assim como meu corpo. Sentia que podia ficar daquela forma por toda a eternidade, mas injusto era o ar que e algum momento me faltaria obrigando-me a levantar...Ou não.

Meu intuito certamente não era dar fim a minha própria vida –por mais que me parecesse uma opção tentadora -, algumas pessoas não mereciam isso de mim, mas eu merecia um momento meu, isolada do mundo hipócrita que girava lentamente lá fora, havia perguntas que eu precisava responder, perguntas em mim que nem mesmo eu compreendia, perguntas as quais eu procurava a todo custo uma resposta.

{N/a:Coloque essa música para tocar}

Era obrigada a dizer que os últimos acontecimentos fizeram de mim alguém mais inconsequente, e aquele era só mais um de meus atos cuja inconsequência reinava. Mas será mesmo que podia-se chamar assim a tentativa de apenas colocar os pensamentos em ordem por mais insano que fosse o ato a ser realizado? Eu era só uma garota que não tentava apenas pensar, e sim encontrar uma forma de fazer com que aquelas feridas expostas cicatrizam-se. Mas tinha de declarar que estava plenamente iludida, já que a cicatrização de uma ferida significa talvez o fim de uma dor, mas não o apagar de uma lembrança, e são justamente as lembranças que mais nos fazem sofrer, é como reviver a dor da ferida que um dia se fechou, mas com a mudança de tempo está novamente exposta, e quem sabe quando irá fechar novamente? Quem poderá cura-la? Há coisas que nem mesmo o gênio da lâmpada é capaz de fazer.

Mas quem nunca lutou contra a dor? Eu insistia em guerrear. Os dias eram levados no sofrimento, mas sempre tinham o seu fim, infelizmente não para mim, pois até em minhas noites mal dormidas os monstros da dor estavam presentes. E se acordada as lágrimas me impediam de pensar, como eu poderia encontrar as respostas para as perguntas que rondavam minha cabeça?

Eu era uma sobrevivente no meio de um oceano, orgulhosa demais para gritar por ajuda, estava disposta a e nfrentar a tempestade sozinha.

Algumas lembranças me cercaram, mais parecia um filme de acontecimentos relevantes de minha vida. Primeiro o momento em que derramei todo o lanche das cinco garotas na mesa ao lado que eu estava, pela manhã, logo se confundiram com alguns dizeres da diretora, as lembranças ficaram embraçadas, nebulosas, como se uma gaze espessa me dificultasse a visão, que as poucos tornou-se mais nítida, chegando em tão flashes de minha briga com Axl. Por fim, tornaram-se mais aceleradas, eu parecia me aprofundar cada vez mais no passado, mergulhando pelo meu desespero no dia que Axl me salvou, relances de minha infância, chegando então a um momento cujo o qual eu não recordava-me, mesmo que a recordação estivesse tão viva. A garotinha de cabelos bronzes, franja bem cortada e grandes cachos corria pelo jardim com uma pequena flor nas mãos. Eu aparentava ter cerca de quatro anos. Entreguei a flor a minha mãe e bati palmas com minhas pequenas mãos gordinhas, abrindo um sorriso extenso. Andei mais a fundo, próximo a uma árvore anciã, achei uma nova flor, de coloração diferente, abaixei para pega-la e então ouvi um sussurra de meu nome que me obrigou a erguer o corpo. Rodopiei, não havia ninguém ali que pudesse estar a me chamar, então, voltei atenção ao lugar onde achei a florzinha, mas em meio a minha desatenção percebi um vulto, meus olhos estreitaram-se e eu levantei rápido, inocentemente, havia uma sombra negra a flutuar.

Bastaram alguns minutos. A falta de ar já me sufocava, mas não era na água gélida em que eu me afogava, e sim em meus pensamentos atormentadores. Eles haviam me dominado e bloqueado qualquer forma de salvação, estavam a me matar. Movia-me, em desespero, até perceber algo estranho, eu parecia mover-me apenas em espirito. Meu corpo parecia imóvel, e as batidas de meu coração calmas, deixando-me imersa, em pleno sufocamento.

O corpo imóvel estava entorpecido, enquanto eu, aprisionada lá dentro, relutava para que ele ergue-se e me livrasse dos pensamentos ruins que agora quase devoravam-me. Em meio aos movimentos bruscos, meus olhos finalmente me corresponderam abrindo-se arregalados. Imediatamente tomei forças para fazer meu corpo reagir também, levantei-me rápido, sacudindo a cabeça, como se pudesse de alguma forma afastar os demônios que se aproveitaram de meu momento de instabilidade para dominar o corpo frágil que ainda procurava os materiais certos para blindar-se, de forma que nem mais uma ferida fosse ser aberta.

Depois de tirar todas aquelas roupas molhadas, vesti um roupão branco e pus-me a secar o cabelo. Olhei-me no espelho por longos minutos, eu viajava em minha mente, paralisava todo qualquer tipo de pensamento, algo que nos últimos dias vinha acontecendo com frequência, como se algumas das ligações de meu cérebro estivesse com problemas, problemas que as faziam desligar por alguns minutos, mas logo voltavam a funcionar a todo vapor, obrigando-me a perguntar o que eu havia perdido. Pensei se talvez não fosse o cansaço gritando por mim.

Havia dias que eu não me permitia cair no sono, e quando isso tornava-se insuportável eu me rendia a mísera uma hora e meia de escuridão. Estava certa de que meu corpo precisava de mais do que isso, já que os dias estavam sendo cansativos, pois chorar me arrancava toda a energia que sobrara em mim. Dormir e correr o risco de morte, ou ficar acordada deixando que as lágrimas inevitáveis cobrassem de mim aquilo que eu não tinha? As lágrimas seriam uma boa opção se não fossem em decorrência de lembranças ou pensamentos, neste caso eu preferia correr riscos, mesmo que fosse o de morte, tudo que pudesse me tirar daquele mar de pensamentos e recordações inúteis que me afogava.

Quando as ligações desativadas voltaram a funcionar, arrastei-me ao quarto e tirei do guarda-roupa uma blusa de mangas, larga, comprida e também, um short jeans curto cujo botão fechava próximo a meu umbigo. Ambos faziam parte de minha nova coleção de roupas. Quanto as antigas eu poderia pensar depois, talvez a empregada pudesse se desfazer delas.

Fui até a sala e sentei-me no sofá, juntando as pernas ao corpo, abraçando-as de forma que só a ponta dos dedos pudessem toca-las, pois o resto de minha mãos estava escondido em baixo da blusa cujas mangas eram mais compridas do que deveriam ser.

Permaneci daquela forma por alguns minutos, fitando o vazio a minha frente. O maço de cigarros em cima da mesinha de centro então me sorriu, fazendo com que eu me esticasse para pega-lo. Peguei também o isqueiro prata ao lado. Acendi o cigarro já preso aos lábios.

Fumei a pensar e repensar, até que um outro pensamento me invadiu. Talvez eu pudesse relaxar, em meio aquele terrível momento de carência eu não via outra forma que não fosse...Meu corpo estava a implorar por aquilo e eu não resisti.

Corri até o bloquinho onde eu tinha poucos telefones anotados. Um deles tinha uma seta indicando o nome do lugar a que pertencia, escrito em letras graciosas. Estúdio. Axl deixara o número caso algum dia precisasse falar com ele enquanto estava lá, desta vez não era bem com ele que eu iria falar. Torci para que eles ainda estivessem lá.

-Alô. –eu disse ao perceber que alguém atendera no outro lado da linha. Ouvi algumas gargalhadas ao fundo. –Eu poderia falar com Duff McKagan? –eu perguntei, sem graça.

-Um minuto. – o homem de voz grossa disse e eu esperei alguns segundos até que Duff atendesse.

-Alô. –ele disse.

-Duff?

-Lizzi? –ele disse entusiasmado. –Nossa! Não esperava que você ligasse.

-Então, será que você poderia vir aqui em casa, hoje? –perguntei.

-Claro! Eu saio do estúdio daqui a meia-hora, tudo bem para você?

-Ótimo! –eu disse, sem o mesmo entusiasmo que ele tinha. -Então, nos vemos daqui a pouco.

-Até. –ele disse e eu desliguei o telefone.

Sentei-me no sofá e esperei que ele aparecesse. Ouvi o som da campainha exatamente 56 minutos após ter desligado o telefone.

Fui até a porta atender.

-Oi. –ele disse assim que abri.

-Oi. –respondi. –Entra.-eu disse e ele o fez. –Você deve está achando estranho eu ter te chamado aqui, não é?

-Bom, se você quiser conversar sobre alguma coisa, sem problemas. –ele disse.

-Não. Não é bem isso que eu quero. –murmurei encabulada.

-Não? –ele disse incrédulo.

-O que eu quero é outra coisa. E isso só você vai poder me dar. –eu disse maliciosa. O beijei avidamente, ele não hesitou — mesmo parecendo um tanto surpreso com a minha atitude-, muito pelo contrário, logo tomou controle da situação, beijando-me com um desejo assustador. Puxou-me para mais perto de seu corpo e minhas pernas foram parar em seu quadril.

Entranhei meus dedos pelos seus cabelos enquanto ele puxava os meus delicadamente. Batemos em algumas paredes, e Duff as utilizou para prender meu corpo e poder espalhar beijos por meu busto. Depois de passar pelo curto corredor chegamos ao meu quarto onde demos continuidade ao que fazíamos.

Duff tinha uma forma de fazer aquilo um tanto diferente da de Axl. Ele era voraz, selvagem, agia com um pouco mais de brutalidade, mas no fundo de seus olhos era possível enxergar certa cautela. Já Axl deixava essa cautela mais exposta, tinha mais medo de errar em algum ato e acabar me machucando, chegava a relutar contra o extinto selvagem tentado fazer aquilo da forma mais delicada possível. Comparações à parte, tentei esquecer aquele submundo a ser demolido e me dedicar mais ao que eu fazia com Duff.

Desta vez, não havia tanta repulsa de meu ato, nem um remorso esmagador, mas algo terrivelmente traiçoeiro em minha mente insistia em dizer que aquilo era um erro. O ignorei, talvez assim se calasse, mas ele não o fez, esteve presente por todo o tempo a me atormentar. Mas estava certa que não era bem aquilo que não tornava aquela transa tão boa quanto deveria ser, algo fazia parecer que éramos dois estranhos, cujos corpos nunca se tocaram antes, cujo calor irritava, o perfume enjoava. Pensei ser a única a sentir aquilo, pois Duff parecia inteiramente envolvido a situação. Talvez porque ele sentia por mim algo que eu não tinha a capacidade de sentir por ele. Talvez um delírio de minha parte, mas a cada toque, cada palavra, cada mudança no tom de voz ele demostrava estar apaixonado por mim, e essa certeza já me perturbava mais do que antes. Mas em um momento de caos total em minha vida eu tinha mais com que me preocupar do que com uma possível paixão de Duff por mim. Se ela realmente existisse, certamente sumiria logo, sem deixar marcas. Pelo menos era o que eu esperava.

Só paramos quando nossos corpos protestaram, e nosso cansaço já não nos permitia nem mais um movimento. Ele recostou na cama e eu deitei sobre seu peito, cobrindo-nos com o lençol branco. Puxei o maço de cigarros que estava na mesinha ao lado, não era meu, era de Duff, mas não me importava, peguei sem pedir e ele se silenciou perante meu ato. Pude imaginar o escancarar de sua boca que meus olhos agora não alcançavam.

-Você-você, está fumando? –perguntou não escondendo a surpresa na voz um tanto indignada.

-Estou. Por quê? – segui a resposta de uma pergunta já a dar a primeira tragada.

-Mas há algum tempo atrás você nem bebia. –ele disse incrédulo.

-Ok, Duff, há uma coisa que tenho de lhe informar. –eu disse, séria, apoiando meu queixo em seu corpo de forma que eu pudesse o olhar. –Aquela idiota que você conheceu, ficou no passado, está guardada no fundo do baú, e se de pender de mim não saíra de lá nunca mais. –eu disse ele franziu o cenho, cada vez mais confuso.

-Isso quer dizer que agora você fuma e bebe, entre outras coisas...? –ele perguntou e eu assenti. Deu uma risada um tanto sombria. –Axl não irá gostar nem um pouco de saber disso. –comentou.

-Foda-se.–ele fez silêncio por alguns segundos mas não questionou o uso do palavrão.

-É sério Lizzi, no começo eu pensei que fosse besteira, mas não é. Axl está em um estado crítico. Eu não o vi fora daquele quarto desde o dia em que brigaram. Ele não se alimenta direito, bebe o dia inteiro, se recusou por várias vezes a abrir a porta para eu ou os garotos. –ele dizia e eu estremeci. Minha expressão paralisou e meu coração comprimiu. Um terrível choque percorreu toda a minha coluna e o ar me faltou por alguns segundos. Senti cada pelo de meu corpo arrepiasse, enquanto meus lábios enrijeceram-se. Minha expressão tornou-se de uma dor terrível por alguns segundos enquanto eu tentava a todo custo controlar as lágrimas que arderam em meus olhos. –Tivemos de chamar até um médico para vê-lo. Nunca o vi ficar daquela forma. –um grito então cresceu em minha garganta chegando a minha boca rapidamente. Mordi o lábio na tentativa de contê-lo.

-Quer saber? Que se exploda. –eu disse apagando no cinzeiro que eu havia posto na mesa de cabeceira -cinzeiro o qual Duff provavelmente não repara antes-, e levantando-me enrolada em um dos lençóis. –Quero mais é que ele se foda. –eu disse enfurecida. Tomei a direção do banheiro do quarto, mas parei na porta, onde apoiei a cabeça deixando que algumas lágrimas descessem de meus olhos.

Duff já estava de pé, se aproximou e me aninhou em seus braços cuidadosamente. A essa altura eu já estava aos prantos.

-Ai, eu não aguento mais. Dói muito. –choraminguei entre lágrimas.

-Vai passar, Lizzi. Vai passar. –ele disse beijando o alto de minha cabeça.

Notas finais
Hello girls! Uma mini nota hoje, tô meio cansada com esse negócio de escola, fui liberada mais cedo e vim postar. Agora a fic volta aos seus dias normais de postagem, toda quarta e sábado, mas como está chegando o carnaval se forem boazinhas, mandando muitos reviews quem sabe um não posto uma atualização extra.
E aí, o que acharam do capítulo? Ruim, péssimo, regular...? Muito confuso? Essa parte deve estar sendo meio chatinha para vocês a Lizzi sufocada nesse sofrimento, mas é necessário. Ninguém saí de um relacionamento como o dela, da forma que ela saiu sem sofrer ao menos um pouquinho, né?!
Ah, pessoal, não posso ficar enrolando, adoro conversar com vocês, mas... Tomei remédio para dormir, tenho tido problemas com o sono no últimos dias, só alguns pesadelos que não me deixam dormir direito então fico cansada, exausta, mas não quero dormir...
Então é isso, beijos e até a próxima.