My Dark Angel
28 Born to Die
Notas iniciais
É um trechinho da tradução da música BORN TO DIE, da Lana Del Rey, que deu origem ao nome desse cap. Eu amo essa música.
Bem, vamos aos avisos.
1°: O nome nada tem a ver com capítulo (é, acho que não), é só a música que estava ouvindo quando escrevi esse cap.
2°:Vocês são fodas. Obrigada pelos comentários. Rumo ao cem comentários.
3°: Hoje não vou conversar com vocês ali em baixo, estou acabando de escrever a fic, super ocupada. :(
4°: Divirtam-se =D
5°: Bem... Beijooooos :3
Se restava alguma dúvida para Duff que eu ainda não havia superado o fim de meu relacionamento com Axl certamente ela foi demolida ali. Eu não precisava –e nem podia -, mentir, pois eu e ele não tínhamos nada além de nossa relação “extraconjugal”. Apesar de saber que para Duff talvez existisse uma esperança de que aquilo tudo fosse se concretizar.
Sentamos no sofá pêssego da sala de estar. O choro já cessara, soluços já não eram mais ouvidos. Eu já recuperara a falsa armadura. Mentirosamente protegida, tomei a liberdade de voltar ao assunto doloroso e fazer algumas perguntas para as quais eu não achara uma resposta, claro, apenas as que ele poderia me responder.
–De quem é a casa? –eu disse quebrando o silêncio, olhando-o pelo canto do olho, enquanto ele continuava a me observar atentamente, sem nem muito piscar. Precisou de alguns segundos para pensar na pergunta que havia feito e por fim encontrar a resposta certa.
–Um amigo que Axl fez. Jordan. Axl disse que necessitava da casa porque queria impressionar uma garota. No inicio ele não pareceu convencido a aceitar a proposta, mas Axl insistiu, disse que era para levar a namorada e que pela primeira vez estava realmente apaixonado por uma garota, e se caso ele não a levasse em uma casa...direita você não aceitaria mais ele. –explicou minuciosamente. Não o olhei em nenhum momento, já ele, continuava com os olhos subitamente fixos em mim.
–E como você sabe disso? –perguntei curiosa, olhando em seus olhos por um momento, ele deu um sorriso sombrio, e não escondeu a cautela nos olhos que brilhavam a olhar-me.
–Estávamos com ele. Era o último dia de Jordan em Los Angeles antes que ele passasse alguns meses fora. Jordan trabalha viajando, e essa é certamente a maior viajem que já fez. Ele pode ficar até dois anos fora, mas não queria vender a casa aqui, ele não quer ficar fora para sempre, quer a casa dele aqui, então precisava de alguém para...cuidar da casa enquanto ele estivesse fora, e foi isso que Axl o propôs. Acho que não foi bem isso que fizemos, quebramos apenas alguns móveis e objetos de decoração, mas talvez a casa esteja de pé até ele voltar. –terminou com mais uma risada sombria e eu permaneci com uma expressão vazia. Depois do que ouvira naquela noite drástica em minha vida nada mais que viesse de Axl era capaz de me surpreender.
–E o carro? –perguntei.
–Também era de Jordan. –respondeu, moveu-se no sofá, desconfortável, para então terminar a resposta. – Ele tinha dois. Axl usava um e o outro ficava para nós.- completou.
–Crápula! –murmurei entre dentes comigo mesma, mas o tom não impediu que Duff ouvisse.
–Ei, linda, por que ainda insiste nesse assunto? –perguntou envolvendo-me com um de seus braços. –Isso te machuca, e se machuca a você fere a mim também. –disse ele. Eu deveria rebater, deixar mais uma vez claro que não existia nada entre nós dois, que não havia amor em jogo, que ele não deveria se apaixonar, mas de nada adiantaria fazer aquilo agora talvez egoísmo de minha parte, mas sem Axl a única pessoa que realmente me fazia bem era ele, não queria magoa-lo, precisava dele ali.
Senti seus lábios afundarem em meus fios de cabelo, dando-me um beijo no alto da cabeça.
–Eu vou te fazer esquece-lo. –ele disse e uma lagrima silenciosa escorreu de um dos meus olhos. Minhas unhas cravaram em sua perna. Havia um combate de pensamentos e excesso de sensações, mas eu só desejava uma coisa, que Duff realmente tivesse aquele poder. Então estaria nele minha salvação, não importava o quanto eu tivesse de esperar por aquilo.
Mas eu estava terrivelmente acorrentada a Axl, e aquelas correntes pareciam mais fortes do que pensei. O pior era ter de enfrentar a verdade: sem Axl, sem vida. Há dois anos, se alguém falasse-me que não poderia viver sem um homem, eu certamente a acharia louca, pois estava convicta de que casos como esses surgiam apenas dos autores dos solenes livros de romance, mas por mais dramático que fosse a hipótese ela se tornara verdadeira para mim e eu adaptava-me a ideia ao poucos, só perguntava-me quando seria o fim. Em minha mente as possibilidades de voltar para Axl eram remotas.
Permiti que Duff dormisse comigo, estava tarde, não queria dar a ele o trabalho de voltar para casa...ou não. Perguntei-me se naquela noite não haveria festa, mas eu muito pouco conhecia sobre aquele submundo e minha curiosidade não me deixou calar.
–Você não deveria ir para a... –não precisei terminar a frase.
–A festa? Eu não estou com vontade, prefiro ficar aqui, com você. –ele disse e me deu um beijo. Não conseguia acreditar que ele não queria ir para a festa, enquanto Axl não pensava duas vezes. Poucas foram às noites que ele não me deixou sozinha naquela cama para ir se diver... para ir a festa.
Tudo que me restou foi dormir colada a Duff, que acariciava meus longos fios de cabelo.
Não senti o sol adentrar o quarto, a luz perturbadora não fora o bastante para me acordar do sono pesado, mas não insisti perante os beijos estalados que percorreram minhas costas. Abri um sorriso fraco e preguiçoso. O nome de Axl então invadiu minha mente e cresceu em minha boca, quase tive de morder o lábio para impedir o nome de sair por ali. O cheiro que vinha da pele quente, que tocava a minha sutilmente, me fizera repensar em que nome falar. Por um breve momento tudo fora perfeito novamente, mas a perfeição me escorrera pelos dedos, não me permitindo deliciar-me daquele momento de glória.
Mesmo ao branco da minha mente, o nome de Duff surgira em minha boca sem que eu muito precisasse pensar. Mas eu não emiti nenhum som. Forcei um sorriso fraco, movendo sutilmente o corpo, de forma que ele percebesse que eu já estava acordada. Sua respiração quente tocou minha nuca e seus lábios buscaram os meus em um beijo lento e carinhoso.
Virei o corpo em meio ao beijo para que o dele pudesse deitar sobre o meu. Ele então o fez, enquanto ganhava mais espaço em minha boca, nossos lábios ganhando mais sincronia. Minhas mãos vagaram preguiçosamente por suas costas, deixando que a ponta de meus dedos arrastassem sutilmente pela pele macia. Acabou soltando levemente minha boca, roçando seus lábios por meu rosto e afundando o rosto em meu pescoço.
Abri os olhos e tudo que vi foi uma grande quantidade de cabelo louro, cujo alguns tufos estavam esparramados em meu busto. A pele branca fazia sombra em algumas partes, em decorrência da fraca luz que iluminava o quarto, dando assim vantagem às curvas do corpo definido, em suas forma perfeitas e adequadas. Ele era inteiramente lindo.
Ouvi um suspiro baixo vindo dele. De expressão vazia, movi lentamente o braço e toquei cautelosamente seus cabelos. Meu olhos então tornaram-se tão cautelosos quanto meu ato, imaginei. Minha mão ali se enterrou, mexendo os dedos entranhados nos cabelos macios e ondulados.
–Acho que está na hora de levantar. -comentei.
–Seu perfume é tão bom. –disse ele com a voz abafada.
–Ok, temos que levantar. –movimentei-me esperando que ele fizesse o mesmo. Ele o fez. Ergueu o corpo não muito satisfeito, mas não escondeu o fraco sorriso. –Que horas são? –perguntei.
–Hmm... Duas da tarde. –respondeu.
–Hã? –questionei incrédula. –Meu Deus! Eu perdi a hora, eu...eu...eu... –enrolei-me com as palavras enquanto levantava-me da cama, trajando apenas uma lingerie de cerejas.
–Você disse que não precisava ir à escola hoje, então... –ele disse e meu corpo relaxou, desanimado. Só então lembrei-me que havia sido dispensada pela diretora.
Sentei-me na beirada da cama e fitei o rodapé da parede rosa-seco. Senti mãos ocuparem meus ombros e os lábios de Duff roçarem em minha face.
–Relaxe. Está tudo bem. –ele murmurou.
–E você? Já não deveria ter ido? Tem de ir ao estúdio, não é? –perguntei incrédula, virando-me para ele.
–Não vai adiantar. Axl não vai aparecer. –respondeu.
–Mas como não vai? Vocês estão gravando um CD...O primeiro CD do Guns N’ Roses. –eu disse um tanto indignada. Ele abriu um sorriso de canto.
–Nem sei se vai ser. Da forma como as coisas andam. Axl não aparece mais no estúdio, ainda não chegamos nem na metade do CD. Só Deus sabe quando o Appetite For Destruction será lançado. –respondeu.
–Mas...Mas Axl não pode fazer isso com vocês. –eu disse. –Ele é louco ou o que? Vai ficar como um idiota trancado na porcaria daquele quarto sem sair nunca mais? –eu questionei e ele não respondeu. Apenas deu de ombros.
–Desculpa ter de dizer isso, mas... Você sabe que ele está assim... –eu o interrompi, com o dedo indicador em seus lábios. Dei-lhe um beijo lento, era a única forma de fazê-lo se calar sem que eu mesma desatasse em lágrimas. –Não fale mais nada, por favor. –eu supliquei ao deixar seus lábios.
–Tudo bem, desculpa. –ele disse e alcançou meus lábios mais uma vez.
Os dias então se passaram. Primeiro uma semana, logo duas, e de repente eu já estava longe de Axl há um mês. Não posso dizer que houveram grandes mudanças nesse espaço de tempo. Não evolui nem regredi, continuava imóvel em meus dias de angústia que pereciam nunca mais chegar ao fim. Talvez eu fosse obrigada a dizer que Duff certamente fizera uma pequena diferença em meu dia a dia.
–Duff? –eu disse afobada.
–Oi Lizzi. Já estou indo. –disse ele.
–Ok, estou esperando. –respondi.
Encontrávamo-nos todos os dias, deixávamos que nossos corpos fizessem o que achavam certo. Não podia dizer que estava feliz assim, mas tinha de declarar que ele me reconfortava quando eu precisava de alguém ao meu lado.
Tolo demais pensar que aquela relação de sexo sem compromisso poderia não machucar um dos dois uma hora. Mas eu era egoísta demais para terminar com aquilo tudo. Talvez tarde demais para fazê-lo, quando percebi Duff já estava a dar sinais de uma paixão súbita, uma paixão que infelizmente florescia apenas nele. Confesso que todos os dias rezava, suplicava a Deus para que o mesmo acontecesse comigo. Duff parecia o homem certo para mim, ele me amava inexplicavelmente, amava-me a ponto de deixar todo tipo de diversão para trás, amava-me a ponto de quase implorar uma noite inteira dormida ao meu lado.
Eu não podia continuar a fazer aquilo com ele, mas não havia forças o bastante para dar fim aquela relação. Tudo que fiz foi deixar que as coisas simplesmente acontecessem sem nenhuma intervenção minha.
Os meus dias de escola estavam sendo mais tranquilos, consegui direcionar um pouco mais de atenção as aulas, nada que fosse me fazer ter de estudar menos em época de provas. Quanto a Sarah tudo que eu sabia era que ela estava fora de Los Angeles. Martha a mandara para outra cidade para que ela pudesse descansar e tratar a séria depressão que a acometeu depois da noite trágica em minha casa. Segundo Martha ela estava se recuperando bem e logo estaria de volta, talvez necessitasse de mais um mês para que pudesse voltar. Martha, ao contrário do que pensei, agradeceu meu ato, por mais difícil que tenha sido para Sarah, Martha acreditava que a verdade deveria ser contada a ela logo e não teria tido a coragem de fazer isso.
Já Axl, estava indo cada vez mais fundo em um poço escuro. Ele estava afundando, mergulhando em solidão segundo Duff. Evitava pensar nisso, me machucava de forma inexplicável, era como ter meu coração ainda mais massacrado, era como me sentir o monstro daquela história, era como fazer sofrer aquele que mais amo. Estava cansada de negar para mim mesma, de mentir para o coração que aos poucos se reerguia, estava enjoada de insisti na ilusão de não sentir mais nada por ele. A mente ainda destruída negava, enquanto aquele coração judiado que mal se recuperara ainda gritava por ele. Burrice minha foi acreditar que um dia ele calaria, burrice maior era parte de mim ainda acreditar nisso.
[...]
–Ok, Duff McKagan, devolve. –ordenei, andando em sua direção. Ele apenas ria e então voltou a correr, até que chegasse a sala. –DUFF, MERDA! –gritei enquanto seguia seus passos.
–Diz que me ama e eu devolvo. –insistiu.
–Eu não vou dizer porra nenhuma, Duff. Devolve logo meu maço de cigarros. –eu disse e ele soltou uma gargalhada escandalosa. Andei em sua direção com a mão esticada e ele então correu até a varanda. –Agora chega. Devolve. –ordenei novamente. Não me importei com o fato de estar vestida em trajes nada apropriados para estar na varanda. A blusa comprida e a calcinha preta não me incomodavam. Imaginei que naquele horário tardio dificilmente alguém se atreveria a atravessar a rua deserta e escura.
–Não dou enquanto você não disser. –ele insistiu rindo enquanto segurava a caixa no alto da cabeça. Por um momento tive uma súbita crise de raiva por ser tão baixa principalmente comparada a um homem de 1,90 de altura.
–Ah Duff, estou perdendo a paciência. –eu disse pousando uma das mãos em seu peito nu e esticando a outra em direção ao cigarro, pondo-me na ponta dos pés. Nem daquela forma eu conseguia chegar perto de sua mão.
–Um beijo, então. –ele disse, parecendo já cansado daquela brincadeira de mau gosto. Procurei por seus lábios e ele alcançou os meus com uma avidez um tanto surpreendente. Puxou minha cintura e colou em seu corpo, virando-me de forma que pudesse me imprensar contra a estrutura de ferro que cercava a varanda. Naquele movimento brusco de lábios, senti o ar me faltar. Ele então deixou meus lábios, lentamente, permitindo que eu respirasse meio ofegante.
Mordi o canto do lábio inferior enquanto o olhava dentro dos olhos. Ele me deu mais um beijo, desta vez mais breve, deixando que eu sentisse a paixão escorrendo de seus lábios e banharem os meus.
Rodopiei pelo espaço vago e direcionei-me a sala. Sentei-me no sofá, já acendendo um cigarro. Duff sentou-se ao meu lado.
–Queria dormir aqui hoje. –murmurou ele.
–De novo? É melhor não, Duff. Daqui a pouco os garotos vão achar que você se mudou de vez de lá. –eu disse.
–Mas quero passar mais tempo com a minha namo... –ele se interrompeu perante o olhar censurador que o lancei. — ...com você. –se corrigiu. Traguei cuspindo toda aquela fumaça antes de fala o que queria. Ajeitei-me no sofá, tentando encontrar a forma mais confortável para dizer aquilo.
–Duff, por favor, não me entenda mal. Mas eu preciso que você não se iluda com isso... –ele me interrompeu.
–Tudo bem, eu sei, você não me ama, nós não temos nada e blá, blá, blá... –disse ele insatisfeito. Puxei seu rosto delicadamente para que ele olhasse em meus olhos.
–Eu não quero te machucar, Duff. Estou com medo que isso aconteça. –eu disse. Ele logo se moveu e aproximou-se lentamente. Seus lábios roçaram nos meus. Os olhos de ambos permitiram-se fechar.
–Apenas fique comigo e isso nunca irá acontecer. –ele disse puxando meus lábios para ele. Deu-me um beijo longo enquanto ganhava espaço para dominar meu corpo. Não hesitei, apenas colaborei com o ato, me aproximando cada vez mais.
Uma de suas mãos fez caminho por minha coxa e penetrou por baixo de minha blusa, tocando sutilmente minha pele que se arrepiou de imediato. Logo o puxei para mais perto, beijando-o mais bruscamente. Um som então ressonou, e eu saltitei deixando seus lábios. Era a campainha escandalosa que nos interrompera.
Duff suspirou e então levantou, pegando o copo que estava sobre a mesinha de centro e levando-o até a pia. Já era o quinto toque da campainha que berrava, fazendo-me levantar. Estava certa de que se tratava de uma emergência, pois os toques eram incessantes, contínuos.
Não me permiti questionar quem era que me perturbava aquela hora da noite, provavelmente porque não tive tempo de pensar nada até que chegasse apressada –e terrivelmente insatisfeita –, a porta.
Minha mão pesou sobre a maçaneta, puxando a porta com força, a soltar um bufar impaciente. Não sabia bem o que esperava ver lá fora, quando meus olhos se arregalaram com o rosto devastado a me esperar. Talvez a imagem do porteiro a me esperar com alguma encomenda que esquecera de entregar fosse um pouco mais satisfatória. Se pensasse melhor tudo poderia ser mais satisfatória do que ver o que via.
Notas finais
Agora tem um reviewzinho para mim? :3
Será que vocês podem votar na My Dark Angel aqui: http://www.enquetes.com.br/enquete.asp?id=1018531
Obrigadinha :3
Beijos!
Fale com o autor