Notas iniciais
Oi meus anjinhos! Bom, nem tenho muito o que falar deste capítulo, só espero que gostem e pedir mil desculpas pelo atraso do capítulo, mas lá em baixo explico melhor.
Agora sintam-se a vontade para ler e comentar muito.

Escondi as mãos nos bolsos do moletom, escorregando um pouco mais na cadeira. Fitei a mesa, imóvel, por alguns segundos, estava mais distante que pensei. Fora assim toda a aula. Nem um pouco de atenção ao professor ou aos livros. Tentei por várias vezes me prender a aula, mas todas as tentativas fracassaram. O ruído da chuva que caía lá fora e respingava gotas na janela parecia-me bem mais interessante. Interessante o bastante para que eu pudesse passar horas a observa-los.

–Lizzi. Lizzi. Lizzi Muller. –chamou o professor repetidas vezes enquanto eu encontrava forças para torcer meu pescoço em sua direção. Acabei conseguindo, mas minhas forças não foram o bastante para obrigar os lábios entorpecidos a se moverem. O olhei calada, e ele me encarou curioso. –Você está bem? –perguntou e eu não respondi, precisei de alguns segundos para tentar fazer minha voz sair de minha boca, mas de nada valeu o meu esforço. O professor aguardava a resposta, olhando-me com olhos de preocupação, enquanto todos os outros alunos da sala analisavam-me curiosos, muitos deles pareciam nem mesmo piscar. Assenti, deixando certa dúvida no olhar do professor preocupado, que depois de alguns segundos de silêncio voltou a falar sobre a matéria que explicava. Percebi que muito poucos foram aqueles que o acompanharam, grande parte ainda direcionavam suas atenções a mim. Encabulada, inclinei o corpo em direção à mesa, onde apoiei o cotovelo e coloquei uma mecha de cabelo para trás da orelha.

Os dias passaram, mas eram sempre os mesmo. As mesmas cenas, atos, o mesmo sofrimento. Então pela manhã eu ia para escola, nem se quer fingia prestar atenção nas aulas, ouvia cochichos e zombaria por parte de um grupinho de garotas correlação ao meu estado catastrófico e claro, sentia falta de Sarah. Ela não havia ido a nenhuma aula desde o ocorrido em minha casa. Não dava notícias, não telefonava, e eu não era corajosa o bastante para ir atrás dela.

A dor? Bem, a dor era intensa, cada vez mais forte, e aquele sofrimento abrasador já se tornara sufocante. Acabara de perder aquilo que mais amei e onde havia um coração apaixonado, saltitante e feliz só restavam ruínas e algo vermelho, completamente destruído e tomado pelo ódio. Nem sei se o que restara poderia ser chamado de coração. Mas eu estava certa que mais cedo ou mais tarde aquela dor cessaria, afinal quantos morreram por terem um coração partido? Uma hora aquilo teria que passar. Depois da pior tempestade o sol sempre brilha, não importa quanto tempo dure, ela sempre passa.

O mais irritante naquele momento era que em meio a repulsa e ao ódio terrível eu parecia ama-lo ainda mais. Como eu podia? Já estava ficando com nojo de mim mesma. Nojo do que eu havia feito com Duff, nojo de amar Axl daquela forma, nojo de pensar que me entreguei a ele...Argh! Aquilo tudo me embrulhava o estomago, me fazendo vomitar pelo menos uma vez por dia, já que não havia um dia que eu não pensasse no que aconteceu.

Todos os dias eu perambulava pela casa com um cigarro entre os dedos, andando de um lado para outro, espalhando fumaça pela casa e repassando na cabeça tudo que acontecera. Imaginando o que Axl fazia quando dizia que ia ensaiar. Podre!

Lágrimas, lágrimas, lágrimas... Tão irritantes, por que não secavam de vez? Por que eu era tão idiota? Nunca pensei chegar aquele estado. Nunca pensei em entregar meu coração nas mãos de alguém que o faria tanto mal. O esmagaria sem dó nem piedade do sofrimento que fosse causar ao dono dele.

Em uma situação como essas nosso corpo parece agir contra nós. Um exemplo? Por mais que eu quisesse apaga-las, as memórias de uma vida que parecia tão perfeita ao lado de Axl perambulavam pelos becos escuros de uma mente tão demolida quanto o coração machucado que restrugia em meu peito.


–Posso assegurar-me de deixar meu coração em suas mãos? -perguntei a ele que estava deitado sobre mim, no tapete.

–O que está esperando para deixar seu coração na mão deste louco que agora olha no fundo de seus lindos olhos azuis? -ele perguntou.

–Não sei se devo.

–Pois, eu não pensei duas vezes em deixar o meu sobre os cuidados de uma mocinha que conheci em uma situação de perigo. Meu coração já é seu a muito tempo, apenas você não havia percebido. -eu fechei o sorriso que abrirá.

–Isso quer dizer...

–Quer dizer que eu já estava apaixonado por você antes daquele beijo. -ele disse e eu abri meu sorriso novamente.

–Acho que perante aos fatos você é o louco com mais possibilidade de cuidar de um coração que agora pulsa apaixonado dentro de meu peito.

–Juro que cuidarei dele com carinho, apenas peço para que tenha cuidado com o meu. -ele disse.

–Prometo que nunca o quebrarei. -prometi. E ele me deu mais um beijo.


Levantei-me do sofá enfurecida, tirando dos lábios um cigarro aceso. Fitei meus pés.

"Cuidarei dele com carinho". Recordei-me da frase de Axl. Bufei com um sorriso perplexo nos lábios e então os fechei, dando ao rosto uma expressão enfurecida. Peguei rapidamente o vaso da mesinha de centro e taquei contra a parede.

–CUIDARA DELE COM CARINHO, AXL ROSE?! -gritei comigo mesma, depois que o vaso partiu em mil pedaços que se espalharam pelo chão. Lá se foi mais um.

Lágrimas silenciosas e repletas de sofrimento derramadas na calada da noite. Eu assistia a aurora da varanda da sala com olhos terrivelmente inchados, avermelhados, carregados de dor.

[...]

Era mais uma manhã normal, pode-se dizer. Ergui o corpo cansado e judiado pela noite mal dormida. A cabeça martelava, incomodava-me, reclamava o cansaço, as poucas horas de sono, e longas de choro. Aquele incomodo se tornara também normal, estava lá quase todas as manhãs.

Não havia sol brilhando lá fora, apenas um céu nebuloso, cheio de nuvens carregadas, acinzentadas. Os últimos dias haviam sido de chuva na Califórnia. Levantei, porém, desanimada, fitei a cama bagunçada uma última vez. Queria vê-la berrar por mim, novamente. Queria sentir a suplica de meu corpo em manter-se ali por mais tempo, minha consciência implorando uma tarde inteira de isolamento. Infelizmente não tinha condições de atender aos pedidos.

–Merda de dia, merda de hora, merda de escola, merda de vida... –eu murmurava insatisfeita enquanto tomava caminho do banheiro. –Merda. De. Cora-ção. Partido. –terminei a frase, diminuindo um pouco mais o tom, lentamente, após chegar ao banheiro, a me olhar no espelho.

Palavrões se tornaram mais comuns em meu vocabulário. Estava me importando menos com a falta de classe e mais com que eu achava que devia fazer. Outro exemplo disso era o cigarro que estava a marcar presença entre meus lábios. O vestuário também sofreu mudanças, depois de um exaustivo e insuportável dia de compras. Eu realmente estava a construir meu novo mundo.

Após a higiene matinal, um banho de água subitamente quente, e de deliciar-me com a fisionomia arrasada refletida no espelho, peguei minha bolsa e também o moletom cinza que me estava sendo muito útil nos últimos dias.

Acendi um cigarro na saída do prédio, e fiz meu percurso usufruindo do último cigarro até a hora da saída. Ao chegar ao majestoso portão da escola já não havia mais sinal dele entre meus dedos ou lábios. Mais uma vez encarada pelos alunos, tida como uma aberração, sobrevivi a mais algumas aulas até a hora do intervalo. Mesmo com a falta de Sarah, eu não deixava de me isolar na mesa vazia, onde sempre estávamos. Ela me trazia lembrança de nossas risadas, nossas conversas, nossas maluquices, a aptidão pelos livros... Por que uma amizade que tinha tudo para ser tão duradoura teve de ser destruída daquela forma? Era mesmo o fim de uma vida de um ano baseada em erros e mentiras. Eu havia sido condenada, e agora pagava pelos meus crimes da pior forma possível.

O meu fitar do vazio não me impediu de ouvir a conversa da mesa próxima a minha. O assunto já se tornara rotineiro, e estava a me deixar cada vez mais irritada.

–Hmm...Que falta faz um namorado... –ouvi a voz zombeteira.

–E o dela, será que era o que, hein, meninas? O nerd espinhento, ou o de óculos fundo de garrafa? –debochou outra e novas gargalhadas foram ouvidas.

–Ah, será que ele trocou ela pela amiga? –continuaram a aumentar o tom de voz, de forma que todo o refeitório já podia ouvir o que elas falavam e sobre quem falavam. Mas pelo barulho, não eram muitos que estavam a prestar atenção.

Continuei a fitar o vazio na mesa, escondendo as mãos que se contorciam nos bolsos do casaco.

–Ah, bua, bua... Coitadinha, está tão sozinha. –disse mais uma. Eu pude ouvir o ranger de meus dentes que imediatamente trincaram-se. O sangue ferveu em minhas veias, era um súbito sinal de fúria, e eu estava decida a não reprimi-la. Deixei que a raiva que estava guardada no corpo tomasse controle da situação, eu estava a ponto de explodir.

Levantei-me rápido, indo até a mesa delas empurrando enfurecidamente todas às bandejas cheias que ali estavam. Logo suco de uva respingou pelas blusas brancas das tais. Vi a boca delas se abrirem surpresas, pareciam indignadas.

–VADIAS! –gritei por fim.

Era certo que meu ato me levaria pela primeira vez a diretoria. Não demorou muito para que estivesse sentada em uma cadeira em frente à mesa da diretora, a senhora Sullivan. Estranhei sua forma de me olhar, ela não me fitava com expressão de quem estava prestes a dar uma bronca em uma aluna desconcertada, que acabara de fazer uma besteira, ela olhava com curiosidade, os orbes transbordando em ternura.

–Senhorita Elizabeth Muller. –ela pronunciou enquanto eu fitava meus joelhos, esperando que ditasse as normas da escola e me aplicasse uma advertência, afastando-me das aulas por alguns dias. –Ei, menina não precisa ficar assim, olhe para mim. –ela disse e eu ergui a cabeça, olhando-a. –Não vou lhe reprimir, mesmo sabendo que deveria, não posso. Como eu posso aqui ditar regras a uma das melhores alunas que essa escola já viu. –ela disse e eu fitei meus joelhos novamente. –Tenho de confessar que esperei por esse momento, quando independente da causa você fosse passar daquela porta e pudesse sentar-se nessa cadeira, quando eu poderia falar com você frente a frente. Eu sei que você não teve uma vida muito fácil, Elizabeth. –ela disse e eu a olhei com certa curiosidade.

“Assim que você chegou a escola, logo nos seus primeiros dias de aula, eu estava a conferir as salas e cumprimentar os alunos. Eu sou diretora dessa escola a pouco mais de quinze anos e sou obrigada a confessar que muito poucas foram as vezes que eu vi alguém como você. Mas mesmo assim nenhum dos outros poderiam ser comparados a você, pelo menos para mim. Logo que cheguei em sua sala, a vi sentada mais a canto, próximo a Sarah que também é ótima aluna. Estranhei, não recordava-me de você. Pensei em perguntar, as ao ver todos os alunos a me olhar e você tão escondida, mas a canto, mal tinha a coragem de erguer a cabeça e me olhar, tímida como nunca vi igual. Exceto por... Bem, aí por alguns segundos você ergueu a cabeça, timidamente e percebeu que eu a observava e logo voltou a fitar o caderno em branco em sua mesa, não tive coragem de lhe incomodar. Mas recordo-me que os poucos segundos que vi seus olhos tudo se tornara diferente e você também. Há seis anos atrás, minha filha completava quinze anos. Era uma jovem linda, pura, ingênua. Ela não queria festa, não gostava muito disso, mas eu queria lhe presentear desta forma. Eu fiz uma comemoração, ela não ficou muito satisfeita, mas estava feliz. Aqueles olhinhos azuis que me brilhavam dizia que ela estava feliz. Um ano depois ela não teve a possibilidade de comemorar. Fiz uma nova comemoração, ela estava vindo da casa do pai, de carro e era um dia chuvoso. O carro caiu em um rio, Mel e o pai morreram na hora.”

Eu ouvia a tudo que ela dizia atentamente. Rígida, conteve as lágrimas, mas não a angustia no tom de voz trêmulo.

–Talvez ache bobagem, mas a partir do momento em que lhe vi, foi como se Mel estivesse aqui de novo, com sua timidez tamanha, sua inteligência, sua aptidão pelos estudos. Não pense que não estou a lhe dar uma bronca porque tenho alguma preferência. Não, não, muito pelo contrário, apenas acho que há algo de errado para esse seu comportamento. Eu sei que tem algo de errado, querida. –disse ela e eu contive as lágrimas que insistiram em vasar de meus olhos. –Eu sei que você está aqui sozinha, seus pais lhe enviaram para estudar, então saiba que caso precise, eu estarei aqui. Mel era minha única filha, depois dela eu fiquei sozinha, considero esses alunos meus filhos, essa escola é como uma filha, e você Lizzi é a mais especial dela. –ela disse e eu a olhei por um momento. –Quanto o ocorrido de hoje, eu irei lhe dispensar por dois dias. Mas não leve isso como uma advertência, quer lhe dar um tempo apenas para pensar.

–Obrigada. –agradeci. –Posso ir? –perguntei tímida. Ela então assentiu.

–Lizzi. –me chamou antes que eu pudesse tocar a maçaneta da porta. Virei-me em sua direção. –A vida não acaba assim tão fácil, por qualquer bobagem, eu me reergui depois da morte de Melissa e você também pode se reerguer, a vida traiçoeira, e você tem de aproveitar o tempo que ela lhe dá.—disse ela.

Nunca pensei que chegaria aquele ponto, de ir parar na diretoria por algo que fiz de errado, muito menos que isso me ajudaria de alguma forma. Eu estava por tanto tempo sofrendo sozinha, guardando meus sentimentos e minha amargura dentro do peito, sem ter ninguém que me dissesse que tudo iria ficar bem. Talvez quando vivesse em uma família normal é possível que alguém te console, te dê colo e diga que logo todo aquilo vai passar, mas eu não tinha, mas de repente meu único consolo veio de quem nunca, jamais imaginei.

A certo ponto aquela conversa me fizera bem. As palavras da diretora rondavam minha mente, fazendo com que eu esquecesse um pouco os pensamentos de dor. Agora eu buscava dentro de mim a força necessária para me reerguer em meio aos destroços. Como eu poderia julgar isso como impossível se ela conseguiu após perder uma filha?

Despertei em um susto no sofá da sala de estar. Não estava dormindo, apenas pensando. Olhei o relógio, passava das duas da tarde. Fitei a porta. Ninguém ia tocar minha campainha, entrar por ali me cumprimentando com um beijo, elogiando-me e então me puxando para o quarto. Os minutos passavam e eu ainda estava a observar a porta. Deixei que uma lágrima escorresse de meus olhos. Ele não iria bater naquela porta, eu não ia o receber com um beijo e tinha de aceitar isso, por mais difícil que fosse conviver com a solidão.

Insatisfeita e derrotada, levantei-me e fui colocar na pia o copo e o guardanapo que usei para um lanche. Arrastei-me até o quarto, bagunçando ainda mais os cabelos, parei na porta do banheiro escorando minha cabeça na parede, a olhar a banheira que havia enchido há pouco tempo. Meu rosto se contorceu em uma expressão de fúria. Bati a porta com força. Olhei-me no espelho, mas não aguentei ver minha face arrasada por muito tempo. Então direcionei-me a outro ponto do banheiro silencioso.

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Notas finais
E aí? Gostaram? Então, eu tenho que pedir mil desculpas por não postar sábado, mas não passei o final de semana em casa, então atualizaria na segunda, mas aí eu teria de atualizar na quarta também e eu não tenho capítulos reservas. Para piorar minhas aulas começaram, eu fiquei doente, tive insolação...Enfim, os últimos dias tem sido meio loucos. Minhas aulas agora são a tarde então fico meio sem tempo de escrever, mas dou um jeito, não se preocupem. Tenho uma noticia boa e uma má para vocês? A má é que como eu disse não tenho capítulos reservas, e eu gosto de escrever com calma tudo certinho, então no sábado não tem atualização, mas juro que até quarta-feira que vem eu já tenho em mãos mais quatro ou cinco capítulos, e se Deus me presentear com bastante criatividade, no carnaval eu chego perto do fim da fiction, aí depois é só ir postando. E a boa é que, não sei se isso interessa muito, mas... Eu já estou com um novo projeto de fic do Guns N' Roses em mente, então depois que My Dark Angel termina eu entro com a outra, mas talvez demore um pouco, pois só começo a escrever mesmo assim que eu finalizar My Dark...Bom, não vou dar muita dica não, não sei se tem algo parecido aqui no site, se tem nunca li, tive a ideia vendo uma novela, por mais que não tenha nada a ver com a novela. Preparem-se para os meus mistérios...shuashuashuashuashua...
Bom, beijos, e até quarta-feira!