My Creation...

4 Capítulo 4 - A Quebra do Ciclo


Notas iniciais
Ehhhhhhhhhhhhhhhhhh!! Uru Take-hime na area, postando a cont. de My Creation...
Pois é pessoas, nem demorei tanto assim dessa vez nee? ^^ E bom, melhor avisar voces de que este é o penultimo capitulo da fick. Pois é, estamos chegando na reta final, triste nee? >< Mas ainda resta saber, com quem Gakupo vai ficar afinal? Bem, depois desse capitulo, voces ja vao ter uma ideia Q
Sem mais delongas: Boa Leitura!

Durante cinco dias Gakupo ficou trancado dentro do laboratório dedicando cada minuto na reconstituição perfeita de seu boneco. Só saia para comer e buscar materiais, não descansando por nada. Eram muitas feridas... Fora a perna decepada de Kaito que deveria ser recolocada. Mas o alquimista não iria desistir.

Enquanto trabalhava, sua mente travava uma árdua batalha entre sentimentos, sensações e lógica. Por mais que não quisesse acreditar, não podia ficar de olhos fechados para o que a princesa vinha fazendo. Ele percebia que seus presentes rapidamente se tornavam entediantes e que praticamente todos os esforços eram em vão. Luka realmente parecia não ter um coração.

Em contra partida, seus sentimentos para com Kaito eram inexplicáveis... Gostava do boneco, o admirava e sempre ficava surpreso de como ele era a sua criação que mais se assemelhava a um humano. O bobo parecia ser capaz de sentir as mesmas coisas que as pessoas comuns... Quanta dor ele não deve ter sentido enquanto era ferido? Quanta dedicação ele não havia posto em suas tentativas de fazer a princesa sorrir? Quantas vezes aquele par de olhos azuis o acompanhava com tanta ternura?

Gakupo deixou seus pensamentos de lado por uns minutos para ir ate o deposito apanhar mais alguns materiais que faltavam ate que notou que faltava um importantíssimo para o ligamento e movimentação da nova perna do bobo. Teria que sair para procurar no bosque... Felizmente era um material encontrado por ali, afinal não queria ter que ir ate a cidade, demoraria muito.

Vestindo apenas uma capa e apanhando um cesto, o alquimista deixou sua mansão e partiu a procura do material que faltava. Deve que caminhar algum tempo ate chegar próximo a um rio e encontrar o que procurava. Mas antes de poder apanhar o material, viu uma conhecida na beira d’agua, enchendo um cantil.

- Hatsune-san?

- Oh! Gakupo... Há quanto tempo.

A jovem de aparência infantil sorriu para o rapaz, se aproximando. Hatsune Miku era uma velha amiga de Gakupo, uma alquimista como ele, mas ao invés de se instalar em um lugar só, Miku viajava pelo mundo expandindo mais e mais seus conhecimentos. Os olhos verdes pareciam ler a alma do amigo através de seus olhos, pois logo comentou:

- Parece atormentado com algo... Aconteceu alguma coisa?

- Observadora como sempre... Não sabia que havia voltado para o reino.

- Sabe que de tempos em tempos eu volto, mas não mude de assunto... Eu lhe conheço muito bem Gakupo. – a garota era esperta, logo cruzando os braços a espera de uma resposta.

- Sim, eu... Estou muito atormentado.

O alquimista logo começou a contar toda a sua historia a velha amiga, detalhadamente. Seu coração ia se aliviando um pouco enquanto desabafava e contava toda a confusão entre ele, sua criação e a princesa. Miku ficou calada ate o fim, prestando bem atenção em cada palavra e gesto do amigo. Por fim, se fez alguns minutos de silencio ate um dos dois voltar a falar.

- Não sabia que seus bonecos podiam sentir como os humanos. – comentou a jovem, pensativa.

- Kaito é diferente de todos os bonecos que já criei. Não sei por que...

- Não sabe mesmo? – Miku parecia ter captado algo que o alquimista ainda não havia percebido – Pelo que me contou, você se dedicou muito nesse boneco, fez tudo para deixa-lo perfeito.

- Sim, eu queria conquistar a Luka de qualquer jeito! Eu a amo...

- Você não entendeu ainda Gakupo... – a garota se aproximou, segurando a mão do amigo – Você tem mentido para si mesmo... E para os outros.

- Não! Não, eu não estou mentindo pra ninguém, muito menos pra mim mesmo! – o alquimista entranhou o que a jovem disse, se desvencilhando.

- Emoção e razão discordam às vezes... – Miku deu um longo suspiro – Vocês estão presos em um circulo vicioso... Você, o boneco e a princesa. E só você pode quebrar isso Gakupo.

- Eu não entendo o que quer dizer... O que devo fazer?! – o tom desesperado na voz de Gakupo era sincero.

- O que seu coração mandar.

Miku respondeu com simplicidade e um sorriso doce no rosto, encarando os olhos do amigo. Gakupo ficou em silencio, mantendo o contato visual... Havia entendido o que ela disse, mas ainda se sentia preso em sua confusão interna. Decidiu pegar logo o material que faltava e antes de se despedir, Miku retirou um frasco de dentro da bolsa, entregando ao outro.

- Isso é...?

- Ácido. Sei que é difícil de se encontrar por aqui. – comentou a jovem, também ajeitando suas coisas para partir – Eu ia mesmo visita-lo antes de sair do reino para lhe entregar isso. Você sabe, é um excelente material para alquimias. Só guarde em um lugar seguro hm.

- Sim, pode deixar. E obrigado por me ouvir, Hatsune-san. – o alquimista sorriu, guardando o frasco no cesto.

- Disponha. Eu volto na próxima primavera... Até mais.

A jovem acenou, saindo em disparada entra as arvores, deixando o amigo pra trás. Gakupo também pegou o caminho de casa, se sentindo mais leve por ter dividido tudo com alguém e também pensava nas palavras de Miku. Assim que chegou à mansão e voltou a se trancar no laboratório, guardando o frasco no topo de um armário onde guardava algumas especiarias. Pelo menos ali não seria perigoso pra ninguém.

Mais dois dias de intensa dedicação e finalmente Kaito estava completamente curado e com uma perna nova. Gakupo pode suspirar aliviado quando viu seu boneco dar os primeiros passos e sorrir, o agradecendo. O alquimista afagou os cabelos azulados do menor e lhe entregou um cesto, fazendo o boneco ficar confuso.

- Você vai trabalhar comigo agora. Quero que vá ate o bosque que colha o máximo de flores e ramos que encontrar, ate encher o cesto. Assim que voltar, venha ate o laboratório me entregar.

- Sim mestre!

Kaito deu um grande sorriso animado, saindo em disparada do laboratório. Nem parecia que tinha ficado tantos dias em recuperação ali. Gakupo estava feliz em ver sua criação tão alegre novamente e se permitiu deitar em um pequeno sofá que tinha no laboratório, finalmente descansando um pouco. Pegou no sono e dormia tranquilamente ate ouvir batidas na porta.

- Pode entrar... – o alquimista olhou um relógio e viu que acabou adormecendo por um bom tempo. Assim que viu a bela figura abrir a porta, se endireitou no sofá – Princesa...

- Onde esta o bobo? – Luka tinha o rosto inexpressivo como sempre, adentrando no local – Não o vejo há vários dias.

- Por que esta procurando o Kaito? – por mais que quisesse esquecê-la, Luka parecia encanta-lo ao ponto de não conseguir ser rude com ela.

- É que nós estávamos no meio de um jogo muito interessante... – um tom estranho surgia na voz mansa da princesa – Mas acho que ele não estava gostando muito.

- Mestre! Aqui estão as flores e ramos que me pediu... – Kaito entrou animado no laboratório, mas perdeu a voz e estancou no lugar ao ver a jovem ali.

- Olhe só pra isso! Até sua perna foi concertada. – a princesa deu um pequeno sorriso satisfeito, olhando o boneco de cima a baixo e caminhou ate o menor, segurando seus cabelos com força e o puxando pra sair do local – Vamos voltar ao meu quarto e terminar nosso joguinho. Dessa vez... Vou cortar sua cabeça.

Kaito gritou de dor e deixou o cesto cair no chão, clamando por socorro. Gakupo ficou estático por alguns segundos ao ver diante de seus olhos o verdadeiro lado sádico da princesa. O boneco havia acabado de ser concertado... Como poderia passar por um sofrimento horrendo como aquele novamente? Finalmente o alquimista saiu do lugar, segurando o pulso da jovem e fazendo com que ela soltasse o menor.

- Eu desisto... Você pode ir embora. – declarou Gakupo, lembrando do acordo que fez com a princesa de que em troca de seu sorriso, ela ficaria ali com ele.

- Esqueça. Você me deu este boneco de presente. Ele é meu, posso fazer o que bem entender com ele. – devolveu Luka com o mesmo olhar desinteressado.

- Deixe-o em paz! Eu farei outro boneco pra você.

- Não quero outro boneco... Eu gosto desse. – com mais um pequeno sorriso cruel a jovem segurou no ombro do menor, voltando a puxa-lo – Vamos, não queremos mais perturbar você.

- Mestre! – Kaito clamou mais uma vez, estendendo os braços em direção ao alquimista enquanto era puxado. – Por favor, me salve... – lágrimas cristalinas desciam dos olhos azuis – Eu... EU NÃO QUERO MORRER!

Revolta, frustração, sentimentos, desilusão, seus senso de justiça e honra, tudo se misturou dentro de Gakupo e se transformou em ação. Havia prometido a si mesmo que nada de mal aconteceria novamente a aquele boneco... Mesmo que o tivesse dado de presente a Luka, não podia nem imaginar no corpo do menor coberto de cicatrizes novamente.

Rapidamente segurou o outro braço do menor e o puxou. Sendo mais forte do que a princesa, conseguiu tirar o boneco das mãos da jovem, o prendendo em seus braços em segurança. Seu encantamento pela jovem também havia se partido em mil pedaços. Nada mais sentia por ela além de uma raiva e repugnância extrema.

- Já chega! Vá embora e nunca mais volte aqui... Nem ouse encostar no Kaito de novo!!

Luka não parecia nenhum pouco satisfeita com aquela situação. Sua expressão se tornou raivosa enquanto mordia os lábios de frustração. Mas não deixaria as coisas daquele jeito. Não sairia de mãos vazias! Voltou a segurar na capa que o boneco usava, puxando com toda a força que podia, porem não era pareô para a força de Gakupo.

Com a força que empregava, a princesa apenas conseguiu rasgar a capa do bobo e com isso, bateu as costas contra o armário de especiarias. O armário balançou e alguns frascos caíram, ate que o frasco de ácido caiu sobre a cabeça dela, quebrando. O grito agudo de dor enquanto a pele de Luka era corroída se propagou por toda a mansão e a jovem saiu correndo dali, sumindo.

Kaito e Gakupo estavam livres finalmente, mas ficaram chocados com a cena, vendo o ácido destruir tão facilmente o rosto da jovem, deixando-o em carne viva e queimando seus olhos, lançando a princesa numa eterna escuridão e dor. Mas os dois concordavam que agora ela tinha por fora a mesma aparência que tinha por dentro.

Notas finais
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