My Avenger Angel
39 You're The Light
Notas iniciais
Eu estava me arrumando no quarto pegando minha camisa dos Eagles, colando os milhões de casacos, porque um milagre aconteceu... Nevou em New Iberia é praticamente impossível isso acontecer aqui, Chad estava rolando na cama atrás de mim. Eu realmente adorei ter ganhado ele de presente, ele era uma mistura de raça, mas tinha toda sua pelagem preta e os olhos negros como o meu, parecia um... Lobo.
Acariciei-o que estava de barriga pra cima e olhei pro meu criado mudo, estava a foto da minha mãe e na hora eu cai em mim, passei o natal inteiro tentando ignorar aqueles sentimentos ruins, mas fazer isso de uma hora pra outra é quase impossível, mas com a Morg tudo parecia tão mais fácil que realmente foi um dos melhores natais que já tive.
Olhei no relógio, iriamos partir daqui a pouco, a Família Ambrósio também iria, não tinham os ingressos, mas torcer na casa dos Eagles é sempre muito bom então ele e Poseidon Ambrósio também pegariam a estrada, Amanda por motivos óbvios se recusou a ir, o Peixinho nem insistiu muito, time é time namoro à parte.
– Chad o que acha de conhecer uma pessoa? – Ele olhou pra mim balançando o rabo e inclinou à cabeça, eu sorri. — Não temos muito tempo.
Como ele era pequeno, o coloquei no meu peito e fechei o casaco deixando só a cabeça de fora, assim ele não sentiria frio e nem me atrapalharia pra pilotar a moto, não queria falar com ninguém, aquele sentimento era só pra mim e eu precisava vê-la e fazer a mesma coisa de todos os anos em memória dela.
Sai pelos fundos da casa sem que ninguém notasse e peguei minha moto, Chad se encolheu no meu peito e tirou um cochilo no caminho, primeiro eu fui pro cemitério que era no terreno próximo da mini fazenda dos Smith, parei a moto e pulei o portão, afinal eles sempre fechavam no natal.
A paisagem mudará um pouco, antes era aquela coisa cinza com folhas no chão, alguns anjos esculpidos e as lápides com os nomes dos entes queridos de muitas famílias, agora a neve encobrira uma parte, deixando uma camada branca nos locais, andei onde era pra ser a grama e cheguei até a pequena lápide que me interessava, limpei a neve que se acumulou e li os nomes presentes.
Família Smith
Annie Thompson Smith 25/06/1938 – 10/03/1999 Avó
Jason Carter Smith 10/10/1967 – 3/05/1996 Pai
Johnny Smith 07/02/1966 – 21/09/2003 Tio
Meredith Smith 31/01/1970 – 01/01/2011 Mãe
Estava gravado os nomes dos meus familiares eu lembrava pouco da minha avó Annie, eu só tinha três anos quando ela faleceu, a única coisa que tenho gravado é o tom de voz dela, seu cheiro e seu toque, algo muito vago, mas que ainda sim me lembra ela.
O segundo nome é do meu pai, ele se chamava Jason Carter, mas quando veio pra New Iberia adotou o nome Smith para se casar com a minha mãe e gravaram o nome dele na minha família. Eu me sentia feliz por isso, por outro lado um pouco frustrado, meu pai morrera a exata uma semana de nascer, eu queria poder dizer que lembrava o toque ou do cheiro dele quando bebe.
Entretanto isso não foi possível, meu pai morrera no dia 3 de Maio e eu nasci no dia 10 de Maio, isso até me frustra bastante, mas gosto de pensar nele ouvindo eu me mexer na barriga da minha mãe, ou até conversando comigo perguntando o que eu queria ser, jurei já ter sonhado com ele, mas sabia que era só meu cérebro tentando suprir o fato de que ele nunca esteve fisicamente presente comigo.
Agora vem meu segundo pai Johnny Smith, é dele o colar que eu carrego no peito, onde está gravado o seu nome e numero do exercito, tio Johnny era literalmente meu herói, ele realmente me criou como filho e se tornou a figuro de um pai pra mim, ele também sempre contava as aventuras dele com o Jason Carter.
– Lembre-se Tom você nunca está sozinho, eu sei que sente falta de algo que nunca teve, por isso tento ser o melhor que posso. Você é Filho de Jason Carter Smith, um herói de guerra, você deve se orgulhar disso e nunca se esquecer quem é e que proposito você tem nesse mundo. O mundo reserva coisas muito grandes para quem conhece a dor da perda logo cedo.
Na época em que meu Tio disse isso eu não entendi, lembro-me dele ter sorrido e dizendo que o tempo iria responder, talvez eu não saiba a resposta completa ainda, mas entendo boa parte do que ele quis dizer e uma delas é que crescer dói, pode durar o tempo que for, mais cedo pra uns, mais tarde pra outros, mas uma hora temos que crescer e todo crescimento é dolorido.
Chad acordou e curioso colocou a cabeça pra fora, segurei ele na minha jaqueta e o acariciei, finalmente o ultimo nome da lápide e pra mim a dor e perda que eu ainda não consigo aceitar e que me fez esquecer o proposito das palavras do meu Tio, fechei os olhos e rezei, olhei mais pra frente da lápide e vi um anjo esculpido com as escritas.
O anjo da Justiça dos Céus desceu.
A inveja dos caídos até ele transcendeu.
A vingança é a sede que o anjo dos humanos herdou.
E do ódio ao amor esse anjo perdurou.
Olhei para o anjo e diferente os outros ele não tinha uma feição tão angelical, seu olhar seguia direto pra mim, era como se ele dissesse que eu era um instrumento usado por ele, um anjo vingador que nasceu das lápides que ele cuida, suspirei e pensei que talvez isso já tivesse escrito no meu destino.
– Oi Mãe... – Eu sorri e senti meus olhos queimarem, então comecei meu longo monologo. – Espero que vocês quatro estejam me escutando okay?
– Desculpa não ter vindo mais cedo, é que não sei se você sabe, mas minha vida mudou bastante, entende? Mesmo que saiba, eu queria te contar. Desde que você se juntou ao papai, tio Johnny e a vovó... Eu tenho ficado bastante sozinho com o Vovô, e você sabe bem como ele é... Trauma de guerra, apesar de super carinhoso ele também ficou tão fechado quanto eu... e já te contei tudo isso. Desculpa não ter te visitado desde que eu fiz... Aquilo tudo, mas é que...
Minha garganta acabou travando e eu abaixei o olhar.
– Eu não sei se você iria me perdoar mamãe, eu vivi um conflito interno todo esse tempo, quase enlouqueci, lembrava das palavras do Tio Johnny e... Sabia que vocês não estariam orgulhos de mim. Eu tinha perdido meu proposito quando você se foi mãe, minha luz tinha se apagado e eu realmente me tornava cada vez mais um monstro... E quando faltava pouco pra isso...
Passei a manga do sobretudo que eu usava nos olhos e o Chad lambia meu rosto, suspirei.
Vocês me mandaram um anjo pra me salvar, não foi? Quando meu coração estava sucumbindo, ela entrou naquela zona que era a sala de aula e quando eu olhei sabia que tinha algo nela, talvez eu achasse que era porque ela se parecia com a mamãe e isso me irritou bastante. Ela, a garota de Long Island Morgana Curts, tudo que ela tocava me concertava aos poucos, cada caco ela juntava, aqui e ali... Tudo o que me foi retirado, ela como anjo foi lá e concertou.
Eu sorri de canto e alisei a lápide.
– Eu tenho tanta certeza que ela é pra minha vida, que ela é o algo grandioso que você Tio Johnny me dizia, que era o amor que você mamãe falava quando olhava nos olhos do papai e porque não dizer que é tão confortante quanto o colo da vovó Annie? Obrigado por não desistirem de mim... Por terem me salvado e espero encontrar vocês daqui mais uns 70 anos e dizer que fui feliz com ela. Ah, claro que eu vou trazer seus netos pra conhecer vocês. Já comecei pelo Chad Smith, ele é o mais novo membro da Família.
Chad latiu como se falasse com eles e eu ri em meio às lágrimas, peguei uma vela e algumas flores, passei na lápide o Louis e Atena Curts, deixei uma flor e rezei um pouco pra eles e por eles.
– Oi Dona Atena, Sr. Louis... Ahn sei que nunca vim aqui, mas... Eu queria agradecer. – Eu sorri. – Por terem cuidado da Morg, sei que pra vocês ela foi uma luz, olha ela também foi pra mim... Agora eu acho que, ou melhor, eu tenho certeza, que ela é a luz na vida de todo mundo, ela aparece pra quem está perdido e nos salva, foi assim com vocês e também assim comigo. – Limpei a lápide deles e me levantei. – Prometo cuidar bem dela, até mais!
Voltei para a lápide da minha Família, arrumei as flores em ordem e me levantei, eu devia estar muito distraído, mas logo atrás de mim, em baixo da arvore onde tinha um banquinho eu vi um anjo, pisquei algumas vezes e esfreguei os olhos, minha visão estava embaçada pelo choro e olhei novamente... Era Morgana Curts.
– Quanto tempo está olhando? – Segurei Chad que queria cair do casaco e caminhei até ela, sentei ao seu lado. – Eu já estava saindo pra irmos.
– Tempo suficiente para ouvir e ver tudo... – Ela escondia um sorriso e eu fiquei muito corado, então ela ouvirá tudo.
–-x—
Eu havia pensado em ir ao cemitério depois do jogo, mas com certeza a ideia de ir antes era melhor. Não digo apenas por mim, mas pelo Tom também, eu não esperava que ele se esquecesse de tudo o que havia acontecido nessa época, ninguém jamais conseguiria. Só queria que ele não tivesse mais más lembranças, que seu trauma ao menos amenizasse e eu pudesse colocar um sorriso no rosto dele diante de uma situação tão difícil.
Eu sabia que Tom havia ido para o cemitério assim que ele sumiu de casa do nada. Sr. Thomps já estava ficando nervoso (e ansioso) para irmos ao tão sonhado jogo dos Eagles, ri internamente com a preocupação do Sr. Thomps e os comentários sobre Tom não ter jeito e ser louco por sumir assim.
O voo seria somente de tarde ás 16hs, o jogo seria no outro dia, foi o que eu consegui já que New Iberia fica longe pra caramba do estádio dos Eagles. Era quase meio dia e por mais que eu soubesse que Tom precisava desse tempo pra ele e as malas (que eu fiz) estavam prontas estava quase na hora de irmos e talvez ele precisasse um pouco de mim.
–Eu vou atrás dele Sr. Thomps, nós já voltamos e ainda vai ter tempo de sobra pra irmos ate ao Aeroporto. – Sorri e beijei a testa dele.
– Tudo bem pimpolha, mas eu vou com Alexis e o pai dele até lá já que preciso resolver alguns assuntos. – Que não podiam ser de meu conhecimento, conclui já que ele sempre falava do que se tratava e não “alguns assuntos”.
–Quer que eu leve o senhor com a Bessie ou...
– Não eles vão vir me buscar. – Ele sorriu de canto. – Obrigado Pimpolha, agora vai lá atrás daquele garoto!
Eu ri e me encaminhei ate a Bessie indo ao cemitério da família Smith, não era tão longe, se eu quisesse poderia ate ir de a pé, porem estava realmente muito frio pra fazer isso. Em 3 minutos eu cheguei e estacionei Bessie perto da Harley do Thomas sorrindo internamente. Coloquei as mãos no bolso com o frio que estava nem as luvas de lã adiantavam, me encaminhei ate o tumulo da família Smith...é, eu sabia onde ficava já que era perto da onde meus avós foram enterrados.
Eles nasceram e se conheceram nessa mesma cidade de New Iberia, se mudaram para Long Island por causa do emprego do meu avô depois da guerra, continuava sendo médico do exército. Minha vó se mudou pra cá depois de 2 anos da morte do vovô Louis... Acho que ela queria sentir o máximo da presença dele.
Avistei Tom debruçado sobre a lápide da mãe dele, parecia que estava conversando, suspirei aliviada, afinal não era só eu que “falava” com os mortos. É, eu ia ate o cemitério quando estava mal e falava com meus avós e mandava recordações para a família do Thomas... Era estranho, deprimente e louco (?) mas fazia bem pra mim de certa forma.
Fiquei escondida ouvindo cada palavra que ele falava... Eu não consegui esconder minhas lágrimas e meu sorriso diante de tudo. Como não amá-lo? Eu não me sentia a luz de todos ou o anjo, eu só... Dava a vida por quem amava. Depois de ouvir o que Thomas disse, controlei as lágrimas e fui até um banco que havia no cemitério, não sei porque colocariam algo do tipo em um lugar desses mas me era bem útil naquele instante. Eu o vi ajeitar as flores e as velas e logo após olhar em minha direção.
– Quanto tempo está olhando? – Ele segurou Chad que quase caiu do casaco e caminhou até mim, sentando ao meu lado. – Eu já estava saindo pra irmos.
– Tempo suficiente para ouvir e ver tudo... – Eu tentava esconder um sorriso e vi Tom corar, ele era lindo. Sabia que era o homem da minha vida com toda a certeza do mundo.
–Tom? — O olhei e segurei a sua mão.
–Hm?- Eu segurei o riso, ele estava vermelho de vergonha agora.
– Te conhecer foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. – Sorri de canto e segurei o rosto dele fazendo o virar pra mim. – E você fica ainda mais lindo corado. — Eu ri fraco vendo ele ficar sem jeito e tomei os seus lábios, não era boa com palavras, e quando palavras não podem expressar o que sentimos nosso corpo fala pela gente.
Terminamos o beijo com Chad nos dando selinhos, é parecia que o nosso garotão tinha bastantes ciúmes. Nós rimos com a atitude dele e Tom parecia realmente feliz com o presente e sinceramente? Eu mais ainda, adorava cachorros! Adotei Chad no canil da cidade, ele fora o único filhote que sobrevivera depois de a ninhada ter sido jogada no rio.
–Eu te amo Novata. — Tom me falou sorrindo com os olhos conectados ao meu, nós dois fazíamos cafune no Chad e percebi que ele não estava mais envergonhado.
–Eu te amo porquinho. – Eu sorri de volta e dei mais um selinho nele, era difícil eu conseguir ficar sem o tocar, era como se nossos corpos tivessem imãs e não pudessem ficar longe um do outro.
–Temos que ir antes que o velho Thomps surte...
–Aaaah ele já surtou faz tempo. – Eu ri. — Ele esta na casa dos Assombrosos, disse que ia com eles no aeroporto. – Nós rimos. “Assombroso” era a forma que a família da Mands chamava a do Alexis, eles se davam bastante bem.
Corremos ate a Harley e a Bessie, Tom colocou a moto atrás da Bessie e fomos cantando musicas natalinas e rindo junto com Chad que latia e não parava quieto um minuto se quer. Chegamos em casa e nos jogamos na cama com frio, Chad ficou por cima da gente e brincamos com ele até que...
Bem, você sabe. Não tinha ninguém em casa, estávamos naquele estado de romance desde o cemitério e faltava bastante para ir ao aeroporto. Colocamos Chad na cozinha se divertindo com um ossinho e fomos esquentar a cama, como diz o pai do Alexis.
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