My Avenger Angel
12 Work Out
Notas iniciais
Passei os últimos meses com vigília constante, Morg não sabia, mas eu sempre ficava observando a casa dela em sinal de perigo, eu sabia que a avó dela era a única família que restou.
Consegui fazer a Bessie voltar pra casa, mas ainda precisava de reparos, então uma vez por semana eu ia arrumar ela, até que as peças chegassem e eu tivesse dinheiro pra pagar o Johnson ficaria difícil.
O importante é que ela estava com o Mustang, olha aqueles meses de trabalho fez aquela belezinha andar pra caramba. Só faltava pintar ela e eu tinha umas ideias legais, fiz o favor de deixar na Rádio dos anos 60 que ela vivia escutando.
Tudo estava indo bem, Alexis se declarou pra Amanda, juro que eu fiquei surpreso, quando ele disse que estava apaixonado eu tinha pensado na minh... Na Morg, o que eu estou pensando? Ela não é minha, mas enfim fiquei feliz por ele.
Tudo passou estranhamente tranquilo e isso queria dizer que depois de toda calmaria tem uma tempestade, mas quando eu estava com ela eu pouco me fodia pra tudo aquilo, ela aprendeu rápido o nosso código de olhares e isso só aproximou mais a gente.
Ela estava no time de vôlei, os dois tentavam me convencer pra entrar no Time de Basquete e hoje era o maldito teste pra mim, só que agora eu estava na sala de artes fazendo a maquete do Olimpo.
Estava quase dando a hora do meu treinamento com o Sargento Will, ele era o treinador do Time de Basquete e de Futebol Americano então eu teria meu maldito teste com ele, me despedi da Morg como sempre a abracei e dei um beijo no rosto, deixei ela no armário e segui meu rumo, ainda conseguia manter meus treinamentos secretos, só não sei por quanto tempo.
Desci correndo pelos corredores e cheguei ao Ginásio, cinco minutos atrasados isso me renderia duas mil flexões em baixo da vela, suspirei e fui pro meu vestiário, tateei meu bolso.
Caralho, tinha perdido meu celular teria que procurar mais tarde, me vesti o mais rápido que pude, peso de quinze quilos em cada perna e te dez quilos em cada braço, eu tinha aumentado os pesos essa semana, me sentia bem mais pesado, coloquei minha calça moletom preta e fiquei sem camisa, da ultima vez ela queimou.
Cheguei à quadra de atletismo e já fui fazer as minhas 250 voltas, Will estava anotando na sua prancheta bem ao longe, ele me monitorava assim, se eu fizesse errado pagava depois, eu estava devendo 500 abdominais.
Minha sorte era um mp3 velho que eu tinha, coloquei a música e comecei a correr, 10 voltas, 30 voltas... 230 voltas. Eu já estava acostumado então não foi puxado, mas meu corpo já transpirava, parei e tomei dois litros de água de uma vez.
Estava na hora da pancadaria, o Sargento Will se aproximou e começamos a lutar, eu ficava no chão e ele não pegava leve, apesar dos seus quase 50 anos, ele era bem mais forte que eu e era difícil.
Eu atacava ele defendia, ele atacava e eu apanhava, até que finalmente consegui uma sequência de golpes e ele sorriu satisfeito, se levantou e foi até a mochila dele, pegou uma faixa vermelha e me entregou.
– Parabéns garoto, você subiu de nível... Vamos aumentar o nível pra até que fim você ir pra preta. Agora hora de pagar seus atrasos, vai logo...
Eu estava satisfeito aquilo me deu um gás, eu fiz as abdominais com uma alegria imensa, o suor estava valendo a pena, sentia ele escorrer pelo meu corpo e me senti vigiado, mas achava que era o Sargento só que ele já tinha ido embora, eu devia estar maluco com essas sensações de ser vigiado.
Levantei e fui pros caixotes, duas mil flexões, acendi as velas e comecei, cada vez que eu abaixava o calor aumentava e isso dificultava pra mim, mantinha meu olhar na vela e acabei rindo, um trecho da música monster me veio na cabeça e não evitei e cantei ela.
– I’m only a man with a candle guide me... – Mudei as flexões pra mão fechada e coloquei uma mão nas costas, o suor pingava mais, tentei me concentrar, mas a sensação de ser vigiado não estava me ajudando, olhei discretamente na direção das arquibancadas, já estava escuro e a iluminação era baixa. Me perguntei quanto tempo ela estava vendo, terminei 500 flexões e me levantei, cruzei os braços.
– Há quanto tempo você está vendo Morg?
–-x--
Eu estava saindo ao som de Back in black, no meu mundo sorrindo feito uma idiota e então senti o celular do Thomas vibrar. Ele havia deixado caído no corredor, cabeçudo avoado como sempre. Peguei o celular e viu que era número desconhecido, pensei em ignorar, mas a pessoa era persistente.
–Alô? — Falei um pouco tímida.
–Hmm... Curts- Ouvi uma voz feminina conhecida e fiquei mudo –O que é? O gato comeu a sua língua? — Ela riu no outro da linha e apertei o telefone com raiva.
–Madson...- Cuspi o nome dela e revirei os olhos.
–Aprendeu a falar então... Protegidinha?
–Ah tá tá tá... Olha eu vou devolver o telefone pro Tom e você pode falar o que quiser com ele.
Desde quando a Madson falava com o Thomas? E porque? Minha vontade de ver o registro de chamadas dele era enorme, diria uns 101%! Controlei aquele sentimento que estava fazendo com que eu ficasse um pimentão.
–Ah não precisa, só avisa pra ele que quero me encontrar com ele de novo hoje e que... — Ela fez uma pausa enorme. — Eu adorei a noite de ontem. — Ela sussurrou e eu juro que por um triz não joguei o celular na parede.
Fui até a quadra pisando firme, eu nunca ficara tão nervosa antes! Comecei a andar mais devagar... Fala sério, eu não podia chegar nele e exigir explicações. Não tínhamos nada... Respirei fundo e sufoquei uma dor no peito, deveria esquecer isso e simplesmente dar o recado da vadia, vulgo Madson.
Entrei na quadra e lembrei que o Sargento não gostava de plateia quando Thomas estava treinando e então resolvi esperar embaixo da arquibancada e fiquei vendo o show espetacular logo a minha frente. O Sargento era muito mau com nosso pobre porquinho... É eu havia descoberto os apelidos carinhosos deles.
Eu devia ser masoquista por gostar tanto de ver Thomas treinar daquele jeito e como estava... Esqueci porque estava com raiva dele e fiquei vendo aqueles músculos perfeitos Ala deus grego sofrer, mas foi então no final de suas 500 flexões que ele se levantou e deu um sorriso que faria qualquer garota derreter na minha direção.
–Há quanto tempo você está vendo Morg? — Levantei e fui até ele- Era pra estar em casa sabia?
Eu sorri e parei logo a frente dele. Deveria estar babando e pensei em quanta sorte Madson teria em tocar naquele corpo... Só de lembrar naquela puta meu ódio cresceu novamente, e lembrei porque estava aqui.
–Vim trazer isso de volta e não quis interromper seu treinamento. — Tirei o celular do bolso de trás e entreguei a ele.
–Valeu Morg. — Ele sorriu de canto e foi me dar um beijo no rosto, mas eu me afastei o que ele estranhou obviamente.
–Madson ligou e disse que queria se encontrar de novo com você e que adorou a noite de ontem. — Forcei um sorriso e antes que ele falasse alguma coisa o interrompi. — Preciso ir pra casa agora, tchau.
Me virei e sai correndo até a Bessie, senti lágrimas escorrerem pelo meu rosto e quis me bater por isso. Eu só queria chegar em casa e receber um abraço da vovó.
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