My Avenger Angel
13 Make me fall
Notas iniciais
Olha fiquei surpreso por várias coisas, primeiro o que caralho a Madson ligou pra mim, segundo que história é essa da “noite de ontem”? A Morg foi tão idiota que esqueceu que eu fiquei concertando a Bessie ontem na casa dela. Eu tinha ainda 1500 flexões, mas eu pagaria depois. Corri pro vestiário e tirei os pesos, peguei minha mochila e fui de moletom mesmo.
Quando eu cheguei ela já tinha saído, olhei no meu celular a amaldiçoei por ser rastreado, recebi outra ligação.
– Alô! – Falei bastante irritado.
– Você fica lindo suado sabia? – Reconheci a voz escrota.
Desliguei na cara e montei na minha moto, minha sorte ela veio com a Bessie porque o Mustang foi pra funilaria. Pisei fundo com a moto e peguei a estrada, peguei um atalho no meio do bosque e sai no quilometro quinze, ela estava a 1km atrás de mim. Parei a moto na estrada e desci, não sabia se ficava nervoso, se era educado... Preferi deixar o coração falar.
Ela parou a caminhonete na minha frente, eu estava ofegante, andei até a lateral do carro e olhei pra ela, apertava o volante com força e olhava fixamente pra mão. Sabia que estava com raiva, bufei irritado e quase dei meia volta e fui embora, só que eu tinha que resolver aquilo... Só tinha um ano com ela, porque não arriscar?
– Você é uma idiota! – Ela virou o olhar me fuzilando, abriu a porta de uma vez e me empurrou. – E grossa!
– Ah quem fala... – Ela riu sarcástica, que merda de vontade de beijar e calar a boca dela. – Obrigada pelos elogios, eu realmente não preciso deles.
– Você não para e pensa. Se usasse sua memória nem o cérebro, teria ligado os pontos e não teria dado ouvidos pra Madson. – Eu cruzei os braços e ela revirou os olhos.
– Eu não me surpreenderia... Ela é gostosa e tem experiência, por que não? – Naquela hora eu deixei o coração falar.
– Porque ontem eu trouxe a Bessie com o Alexis e depois fui pra casa e vim buscar o Mustang pra levar na funilaria. – Andei até minha moto e suspirei, eu estava com medo de falar, como eu faria? – Agora eu estou devendo mais quinhentas flexões!
– Que peninha, mas não fui eu que pedi pra você vir atrás de mim. – Ela ia entrando no carro, então eu falei baixo de modo que ela escutasse.
– Foi meu coração que mandou. – Eu virei de costas apoiando na moto e respirei fundo.
– Desde quando você tem um? – Aquilo me pegou de surpresa e na hora desisti de falar qualquer coisa sentimental que fosse, e a raiva me tomou.
– Desde quando um assassino tem um coração pra se apaixonar. – Subi na minha moto e olhei pra ela. – Não é, Morgana?
– Você nunca foi um assassino pra mim Thomas... Só que nunca deixou claro o que sentia. – Ela falou no mesmo tom que eu. Me levantei e fui até ela. – O que vai fazer Thomas?
– O que eu já devia ter feito. – Joguei a merda do meu capacete no chão, empurrei ela contra a caminhonete. – O Anjo Vingador... É misterioso, nunca ouviu isso? – Sorri de canto e beijei ela de surpresa, eu estava suado tentei não encostar muito, mas parece que ela não se importou e colocou o corpo dela no meu.
Eu estava louco pra ter aquele beijo de novo, depois do terraço não tivemos um contato mais aprofundado. Não sabia se ela sentia o mesmo por mim, mas hoje eu tinha certeza que ela no mínimo se atraía por mim. Segurei ela pela cintura, demos um selinho e encostei minha testa na dela, conectei nossos olhares, os dela brilhavam. Vi que ela queria aquilo tanto quanto eu.
– Não fiquei com a Madson. – Acariciei o rosto dela. – Eu gosto de você, sou apaixonado por você novata. – Fechei os olhos esperando, ficamos ali em silêncio.
Me afastei dela e peguei meu capacete, ela ficou atônica me olhando, sorri de canto ao perceber que ela mordeu o lábio porque eu estava sem camisa e o farol da Bessie mostrou bem. Coloquei o capacete e fiquei de viseira levantada, sentei na minha moto e a liguei, dei uma volta na estrada e parei do lado dela.
– Você não precisa me dar uma resposta. – acariciei o rosto dela. – E a Madson nunca chegou a me beijar... Muito menos vai ser tão linda quanto você.
Acelerei e me mandei de volta pro colégio, eu estava com o coração acelerado e eu precisava me exercitar, iria pagar o que eu estava devendo hoje, quem sabe chegaria antes da 00:00 em casa. Pra falar a verdade não me importei com esse pensamento, dia uma coisa eu teria certeza, amanhã seria um dia marcante na Dark School pra alguns.
Cheguei ao ginásio e o Will estava de saída, ele me olhou de uma forma repreendedora, não me importei, peguei meus pesos e fui me exercitar, reascendi as velas e fui pras minhas flexões, em cada uma delas eu sorria. Terminei meu treinamento era 22h30min fui pro chuveiro, tomei banho e fui atrás da minha moto.
– Até o Demônio tem seu Anjo. – Montei na minha moto e fui pra área residencial pegar minha comida, queria que o velho Thomps estivesse acordado.
Sai da lanchonete e vi um carro de policia, era do Oficial Madson e pro meu azar ele estava entrando na lanchonete, o que significava que ele iria cruzar meu caminho, fechei minha cara e segui pra minha moto, até ouvir a voz dele.
– Anjo Vingador! – Me virei na direção dele. – Isso não é hora de estar na rua!
– Sou maior de idade pela Lei. – Arqueei a sobrancelha. – Desde quando se importa com isso?
Ele me ignorou e seguiu pra dentro da lanchonete, quando eu ia subir na moto ouvi uma voz familiar, alias duas vozes. Alexis e a Amanda, atual namorada dele.
– O que o Anjo Vingador faz no bairro uma hora dessas? – Às vezes o bom humor do Alexis era irritante. – Estava com o Will até agora?
– Oi Alexis... Oi Amanda. – Eu a cumprimentei, não nos falávamos muito e acho que ela ainda tinha medo de mim por algumas coisas. – Vim pegar minha janta... – Olhei pro Alexis raivoso, não era pra falar do Will.
– O que ele estava com o Will? – Ela se pronunciou e olhei na minha direção. – Detenção?
– Na verdade não, eu fiz o teste pro time de basquete hoje. – Vi a Amanda sorrir pra mim.
– Que bom Thomas, espero que tenha conseguido. – Ela estendeu a mão e eu retribui, parecia que ela não tinha medo de mim, fiquei contente. – Temos que ir, vamos Alexis?
Me despedi deles e voltei pra Harley, coloquei meus fones de ouvido e fui pra casa, demorei mais que o costume, olhei no relógio 23h45min. Achava impossível meu avô estar acordado, então vejo ele abrir a porta e me olhar furioso.
– Thomas Smith, onde estava? – Ele batia a muleta dele no chão, eu sorri de canto. Quando era pequeno ele fazia isso e eu me amedrontava. – Não está bebendo antes dos 18, está?
– Não Velho Thomps. – Corri na direção dele e o abracei. – Tive muito treino hoje, e fui comprar minha janta... Não sabia se estaria acordado.
– Vamos entrar logo, meu garoto. – Sorri e entrei com meu Avô.
Entramos na cozinha e preparei a janta pra dois, tinha pegado comida Italiana, era especial do dia e uma das minhas preferidas, sentei e fiquei ouvindo o velho Thomps contar as histórias dele, até que ele olhou pra mim e me indagou, ele mexia no garfo e olhava eu comer.
– Me diga Tom... Qual o motivo da sua felicidade?
– Como assim Vovô? – Suguei o macarrão fazendo aquele barulho e olhei pra ele enrolando mais macarrão. – é só bom estar com você... – Olho as cadeiras vazias. – Me faz lembrar os velhos tempos da Família Smith.
– Eu te conheço Thomas, você está apaixonado pela neta da Atena. – Na hora eu engasguei, e eu achava que aquele velho de guerra não fazia nada. – Peterson diz que vê você sempre lá na casa delas, pelo menos uma vez na semana.
– Vovô! – Confesso que fiquei um pouco vermelho, mas nos dois começamos a rir. – Sim vovô, Morgana Curts... É o nome dela. – Terminei de comer e tomei o refrigerante.
– Finalmente o Anjo Vingador se apaixona. – Suspirei e eu e ele nos olhamos, os mesmos olhos negros como a noite. – Sargento Will me contou da surra que levou Thomas... Entendo que não queira me contar essas coisas.
– Desculpa Vovô, não achei que seria algo pra te contar. Você sabe como é o Madson... Ele vivia brigando com você.
– Ele é tão mimado quanto o pai... Nossa Família sempre será rival da dele. – O Velho Thomps se levantou e sorriu pra mim. – Eu sei que você vai conseguir Tom.
Eu sabia exatamente do que ele estava falando, existe um motivo pro Vovô e eu gostarmos da lenda do Anjo Vingador... E o motivo era que esse anjo só corre atrás da justiça, agradeci mentalmente pelo Vovô me apoiar sempre.
– Agora vá dormir, eu cuido daqui!
– Boa Noite Vovô, vamos tomar café juntos, certo? – Ele assentiu e eu subi pro meu quarto, deitei olhando pro teto. Virei e olhei a foto que ficava na cômoda ao lado. – Oi Tio Johnny... Oi mamãe!
Peguei o retrato e fiquei analisando, puxei outra foto perto da moldura e tinha um cara que se parecia muito comigo, cabelos no mesmo formato, espetado inclinadamente pra direita, estava com a boina no exercito de baixo do braço, tinha uma cicatriz que pegava toda a lateral do rosto, os seus olhos eram castanhos. Aquele era meu pai... E me perguntava, será que ele tinha orgulho de mim?
–-x—
Eu não conseguia fazer nada, nenhum músculo reagia aos meus comandos, eu estava chocada de mais e de certa forma me sentia a garota mais feliz do universo. Eu olhava para o lado que Thomas saiu e me encostei à Bessie, o que eu ia fazer? Ele também estava apaixonado por mim, não era só atração e... Como eu ia conseguir dizer isso? Como iria me declarar pro Tom como ele fizera comigo?
Entrei na caminhonete e liguei o rádio que por incrível que pareça tocava uma música romântica. Dirigi até em casa anestesiada, eu acho que eu estava sorrindo, não sei, a única coisa que sentia era meu coração bater forte.
–Morgana? É você querida? — Minha vó saiu da sala com uma xícara de chá nas mãos e eu não pude evitar abraçá-la com força.
–Oi vovó, desculpa tive contra tempos. — Beijei o rosto dela estralado e a soltei do abraço.
–Eu conheço esse olhar... — Ela me olhou por cima dos óculos e bateu o pé, sempre achei engraçado quando ela fazia isso.
– E tem alguma coisa que passa despercebido por você Dona Atena? — Eu arqueei as sobrancelhas e ri subindo pro quarto.
Tomei um banho demorado, cenas do Thomas na quadra e o acontecido na estrada não paravam de se passar pela minha cabeça, ainda podia sentir os lábios dele nos meus, e o seu corpo sobre o meu me aquecendo. Caralho... Isso é mais que hormônios ou qualquer tipo de coisa, eu estava ficando maluca. Ri com o pensamento e pensei se deveria ligar pro Alexis... Como eu disse antes eu não sabia como agir no dia seguinte com o Thomas e nem como iria falar.
Alexis era meu único amigo, não tinha a quem recorrer e minha vó já estava dormindo.Mandei SMS pra ele contando resumidamente tudo e em pouco menos de um minuto eu recebo SMS de volta com um:
"Siga seu coração... ARRASA AMOI!"
Eu tive que rir. Alexis me chamava de Amoi por simplesmente esse ser o único apelido carinhoso que ele pensou já que agora eu o chamava de peixinho.
Resolvi dormir cedo já que queria chegar antes do Thomas na escola, tinha uma noção do que faria e queria ter certeza que ele não iria rastrear conversa nenhuma. Fechei os olhos e relaxei dormindo com um sorriso no rosto, como a gente fica bobo apaixonado.
Acordei totalmente disposta no dia seguinte e saltei da cama, algo estranho aconteceu e de repente bateu a vontade de me arrumar inteira, mas do meu jeitinho. Tomei mais um banho e passei perfume com cheiro de chocolate por ser chocólatra.
Imaginei se Thomas gostava do meu cheiro tanto quanto eu gostava do dele. Balancei a cabeça e coloquei uma regata colada do AC/DC e uns jeans rasgados que eu tanto gostava, dei uma limpadinha no meu All Star e por incrível que pareça eu passei maquiagem. Nada fora do normal, pó e rímel eu sempre passava, só acrescentei um delineador e um batom vermelho.
Deixei meus cabelos soltos com uma leve ondulação nas pontas e peguei minha mochila sorrindo pro espelho. Na boa, pode ser ridículo eu falar isso, mas nunca pensei que ia me apaixonar, era estranho pra mim e pensava que ninguém iria aceitar o meu jeito de ser.
Desci as escadas de pressa e peguei o lanche que vovó deixara preparado antes de ir cuidar da horta. Vi que ela deixara um bilhete embaixo e não pude deixar de sorrir:
"Boa sorte querida, eu e seu avô estamos orgulhosos de você e percebo o quanto cresceu".
Entrei na Bessie e liguei o som alto cantando todas as letras... Vejam bem, não é só porque eu estava apaixonada que me comportava como uma louca assim, na verdade eu já tinha esse jeito, mas com tantas coisas que aconteceram aquela Morgana mega extrovertida tinha morrido aos poucos.
Agora cá estou eu de volta... Acho que meu nervosismo acionara minha adrenalina e era esse o meio que eu tinha de liberar todos esses sentimentos. Estacionei na escola e vi que Thomas ainda não tinha chegado, isso era muito bom. Fui praticamente correndo pra dentro da escola e avistei quem eu queria conversar. Amanda sempre chegava mais cedo, ela era minha colega de química e sempre me ajudava nessa matéria já que eu tinha dificuldade.
–Ahn... Oi Amanda. — Eu a cutuquei pelo ombro e ela se virou pra mim sorrindo (como sempre).
–Oi Morg! Uau, você está linda! — Sim ela era a miss simpatia também, não havia quem não gostasse dela.
–Obrigada-retribui o sorriso — Você podia fazer um mega favor pra mim?
–Claro! O que é?
–Dá esse bilhete pro Alexis e pede pra ele entregar pro Tom. — Peguei o bilhete e entreguei a ela. –Ah e nada de espiar vocês dois. — Eu ri e ela me abraçou. É foi bem... Inesperado, não sei porque ela fez isso.
–Pode deixar e... Boa Sorte. — Ela piscou pra mim e eu assenti.
Eu hein... Vovó Atena está baixando em todo mundo? Corri pra aula de biologia pra não cruzar meu caminho com o Thomas, queria que ele me visse só na hora do almoço, o que era perfeito já que não tinha nenhuma aula com ele hoje.
Aquelas pequenas horas viraram milênios, eu ficava cada vez mais nervosa e estava com medo de ter um ataque cardíaco. Eu batia meu lápis toda hora no caderno e não teve jeito, eu tive que pegar uma barrinha de chocolate e ouvir rock pra eu me acalmar.
Era aula de sociologia quando o sinal bateu para o almoço, eu não podia estar mais nervosa, não tinha forças nem para levantar da classe. Mas se eu queria chegar antes do Thomas eu precisava correr, e foi o que fiz. Cheguei lá e comemorei em silêncio por ele não ter chegado ainda, caminhei devagar por lá e me sentei na beirada do prédio.
Me acalmei um pouco mais e resolvi deixar o celular longe pra não ficar vendo quanto tempo ele demoraria, esperava que o Alexis não me desse um furo desses. Logo ouvi o barulho da porta de metal e sorri o olhando de canto, ele sentou do meu lado e largou a mochila e fez um visto completo em mim.
–O-oi Morg. — Ele gaguejou um pouco e eu ri fraco.
–Oi oinc. — O olhei e sorri, sabia que ele não gostava muito que eu o chamasse assim, mas acho que ele já se acostumara com a ideia que eu era irritante. Peguei o lanche que vovó preparou e coloquei no meu colo. — Trouxe o ketchup e a maionese?
Ele confirmou com a cabeça e puxou pra fora da mochila. Comemos em silêncio, não desconfortável, do tipo que os dois curtem a presença um do outro. Terminamos de comer e eu apoiei minhas mãos atrás das costas balançando as pernas. Fiquei em silêncio mais um pouco e reuni toda a coragem que tinha.
–Desculpa por ontem e meu ataque de raiva... — Eu não o olhava, mas tinha certeza que Thomas mantinha o olhar sobre mim. — É que eu... Ahn... Sou muito ciumenta e possessiva. — Respirei fundo e o vi sorrir de canto.- Não sou acostumada com esse negocio de... — Comprimi os lábios e fechei os olhos. — Se apaixonar... — Sussurrei e meu coração começou a bater rápido.
– Eu nunca tinha me apaixonado antes Tom e é difícil lidar com um sentimento tão forte e desconhecido. — Eu o olhei nos olhos e enxerguei o mesmo brilho que eu enxergara no meu espelho mais cedo, ele sorria abertamente e eu nunca amara tanto um sorriso.
Ele segurou meu rosto e acariciou de leve, eu sorri também apesar de ainda estar nervosa. Ele se aproximou e nos beijamos devagar, era tão bom sentir seus lábios e sentir paz e proteção, queria poder parar o tempo naquela hora e nunca mais descolar meus lábios dos de Tom. Paramos como um selinho e ficamos nos encarando sorrindo um para o outro.
–Morg? — Ele sussurrou contornando meus lábios com o dedão.
–Uhn? — Foi apenas o que consegui dizer, o toque dele me deixava arrepiada.
–Aceita sair comigo? — Ele pegou a minha mão e a beijou sem tirar os olhos de mim.
–Seria uma honra Smith. — Eu ri e nos beijamos de novo.
Hm...acho que a professora de artes não daria falta de mim hoje.
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