Notas iniciais
"No amor, o engano vai quase sempre mais longe do que a desconfiança." - François La Rochefoucauld

Eu podia muito bem contar como foi meus outros dias após aquele show que demos no Pavilhão do Rock, passamos a tocar na Peterson todos os Fins de Semana e tínhamos recebido um convite pra batalha de bandas que iria rolar nas férias antes do Natal, já estávamos no inicio do mês de novembro, tudo estava indo bem na escola, tudo estava indo bem, mas eu deveria desconfiar.

Eu estava saindo do trabalho do Johnson, Alexis tinha saído mais cedo e eu tinha ficado até mais tarde pra arrumar minha Harley, como sempre passei no bairro residencial pra pegar a minha comida, só que dessa vez decidi comer por lá mesmo, olhei no meu celular marcava 22h em ponto, eu prometi pra Morg que passaria na casa dela já que só tínhamos se visto na escola.

Quando eu estava pra chegar na minha moto a única coisa que eu senti foi um choque e uma pancada muito forte na cabeça, olha eu tenho certo tipo de resistência, mas tem área do corpo humano que onde você bate acaba desmaiando na hora, e foi o que aconteceu comigo naquele exato momento.

Abri meus olhos aos poucos, estava tudo escuro pra mim naquele primeiro momento. Pisquei algumas vezes e tentei capitar o mínimo de luz que tinha aquele quarto, assim que pensei em me mexer não consegui, eu estava amarrado bufei e tentei reconhecer o lugar, sem sucesso.

Não sei exatamente quanto tempo passou, mas eu tinha certeza que se passaram horas ali naquele lugar, não me aconteceu nada, não tentaram me atacar, fazer perguntas, apenas me deixaram ali preso. Até que eu ouvi duas vozes de fundo, ouvia o que eles diziam, mas não conseguia definir o que exatamente, apenas algumas palavras aleatórias, acabei por suspirar frustrado.

Um dos caras da voz apareceu no quarto onde eu estava, como de praxe nesses casos o cara estava escondendo o rosto com uma máscara, ele não falou nada apenas me colocou um saco de pano na minha cabeça e me levantou guiando pra algum lugar, senti que eles me jogaram no porta malas e o carro em que eu estava saiu sem muita pressa.

Assim que chegamos ao destino final eles me colocaram pra fora do carro e saíram cantando pneu, quando percebi que estava sozinho eu balancei a cabeça e tirei meu capuz eles me deixaram no mesmo lugar que eu estava, na área residencial da cidade, me agachei e consegui passar meus braços pra frente, peguei minha mochila que eles também tinham jogado no chão e puxei um alicate das ferramentas que eu paguei, consegui quebrar a algema e subi na moto. Peguei meu celular na bolsa e vi a hora, já eram 6h da manhã ainda estava um pouco escuro e não tinha entendido nada do que aconteceu até agora.

Liguei a moto e fui em direção à área das fazendas, meu celular vibrou olhei e era uma mensagem do Alexis, era pra passar na casa dele. Rapidamente eu mudei minha rota e fui pra casa dele, mal sabia que quando eu chegasse o circo estaria tomado, e eu era o palhaço da peça. Assim que cheguei na casa dele foi recebido da melhor forma possível: Um belo de um soco na cara.

– VOCÊ TA LOUCO ALEXIS! – Passei a mão na minha boca e virei pra ele. – Por que me bateu idiota?

– Você ainda tem a cara de pau de perguntar Thomas? – Eu não tinha entendido nada. – Você some a noite inteira e faz aquilo com a Morgana... Eu vou te fazer em pedaços!

– Do que você ta falando? O que tem a Morg? – Fui surpreendido de novo, ele me jogou no chão e começou a tentar me socar. – Eu luto melhor que você! – Rolei e fiquei por cima dele imobilizando, ele tinha um olhar frio era como o mar raivoso.

– Ela ta lá dentro chorando por sua causa! – Ele me empurrou e se levantou.

Eu não pensei duas vezes e entrei que nem um furacão na casa do Alexis, corri até o andar de cima e vi uma porta fechada, assim que eu ia abrir Amanda saiu do quarto e me olhou, ela não falou nada simplesmente saiu da frente e desceu, não sei porque, mas aquilo me deu um frio na espinha e um medo se instalou em mim. Deve ter acontecido algo muito sério em quanto eu estava desaparecido pro Alexis ter ficado puto desse jeito e por Amanda ter aquele tipo de atitude, eu e ela estávamos ficando mais amigos durante esse tempo, achava incrível o jeito que ela me conhecia em tão pouco tempo. Ela não tinha só QI alto, ela era inteligente ao ponto de decifrar as pessoas e naquele momento ela me decifrou e por isso me deixou entrar.

Assim que eu entrei a visão que eu tive foi da Morg deitada na cama, os olhos estavam vermelhos de chorar ela respirava fundo, fechei a porta atrás de mim e ela me olhou, só que foi diferente das vezes que ela me via antes, se ela me via com alegria, hoje eu só conseguia ver duas coisas nos olhos dela, nojo e desprezo.

– Canalha! – Ela levantou e falou num tom moderado, sem gritar. – Você é um canalha!

– Espera um pouco, o que aconteceu? – Eu tinha sumido e ela ainda me chama de canalha? – Morg...

– Não me chama mais assim! – Ela se levantou veio na minha direção e me deu um tapa, aquilo doeu, não no corpo, na alma. – Não sei como pude confiar em alguém como você!

E foi a partir dali que eu passei a viver tudo de novo a rejeição sem direito a explicação, mas chegava ser um pouco pior era a mulher que eu amava e amo que estava ali na minha frente me julgando e eu como réu sem nem saber o porquê, mal sabia que depois de hoje eu iria me tornar pior do que eu já era.

– Está tudo acabado Thomas!

– Como é que é Morgana? – Meu coração falhou e eu quis chorar, mas não o fiz. Fiquei e esperei até o final.

–-x—

Estava esperando Thomas vir até a minha casa já que era costume nós conversarmos com a minha vó e depois subir pro meu quarto e passarmos um tempo juntos. Não pensem bobagem já que o quarto da minha vó ficava do lado e podia ouvir tudo, a gente dava nossas escapadinhas de uma maneira diferente.

Tirei o olho do livro e vi o visor do meu celular: 23h. Ele nunca se atrasara por causa do meu problema com pontualidade, mas mesmo se acontecesse algo ele sempre me ligava. Fiquei preocupada e eu mesma liguei do celular que ele me deu para não ser rastreada.

O celular chamava e demorou pra ser atendido, quando vi que a chamada foi aceitada sorri aliviada e logo meu sorriso morreu. A voz do outro lado não era de Thomas, mas o nome dele era dito... Entre gemidos. Segurei o celular com força e trinquei os dentes tentando entender se era realmente aquilo que estava pensando.

– Thomas...ahn...ah — Reconheci aquela voz. Madson.

Desliguei o telefone e joguei ele contra a parede com raiva. Vi ele caído no chão e uma dor no peito começou a subir, ardia e sem eu perceber meu rosto estava inundado de lágrimas.

Eu não conseguia entender porque ele havia feito isso comigo as palavras dele pareciam tão sinceras e... Olhei o anel que ele me dera. Arranhei meu dedo mexendo nele, eu estava consumida de raiva, ódio e mágoa.

Eu me levantei rápido e pensei em ir direto pro quarto da minha vó, quando me lembrei que ela havia ido na casa da Amanda de novo, o que significava que a Mands estaria no Alexis. A única coisa que eu precisava agora era deles. Eu mal tranquei a porta de casa e corri até a Bessie.

Não ousei ligar o rádio, ia me dar lembranças ainda mais dolorosas. Eu nem enxergava a estrada direito, não conseguia controlar minhas lágrimas e senti mais raiva do Thomas, como ele teve coragem de brincar com meus sentimentos depois de tudo? Mal estacionei a caminhonete na frente da casa do Alexis e afundei a mão na buzina.

Eu não conseguia sair de lá, meu peito ardia e eu só chorava, odiava isso. Ouvi Alexis bater na porta da caminhonete e abri caindo direto nos braços dele. Ele não me perguntou nada só me abraçou forte, senti Mands acariciar meus cabelos e me odiei por estragar a noite deles. Foi então que percebi que nunca teria amigos como eles eram incríveis, não podia viver sem eles.

–Ei Morg, vem pra dentro... Você está tremendo. — Ouvi Alexis falar baixinho e apenas afirmei com a cabeça deixando eles me levarem pra dentro.

Sentei no sofá e os dois sentaram um em cada lado, limpei minhas lágrimas e encarei meus pés.

– O que aconteceu Amoi? — Alexis afagava meus cabelos e Mands segurou minha.

– E-eu liguei pro... — Minha voz falhou e eu mordi o lábio lembrando- Tom....e-e — Qual é Morgana, se recomponha! -E o que ouvi foi Madson gemendo o nome dele

Fechei os olhos com força e escondi meu rosto nas mãos. Não lembro o que aconteceu depois, talvez alguns gritos de raiva do Alexis e Mands tentando acalma-lo e depois eu dormi. Não sei como, mas acordei na cama do Alexis e Mands dormia no chão, era madrugada ainda, o sol nem nascera.

–Mands...-minha voz saiu falhada e embargada por causa do choro. Ela se virou sonolenta e se sentou no colchão.

– Tudo bem Morg? — Ela bocejou, mas parecia preocupada.

– Como se sentiria se Alexis te traísse? — Engoli seco e ela sentou no meu lado na cama. — Pergunta idiota, desculpa. — Ela afagou meus cabelos e eu suspirei.

–Não sei mais o que pensar. — Me virei pra ela e mexi no anel. — É difícil...

–Eu sei Morg, acho que... — Ela parou quando ouvimos gritos vindos da frente de casa. Percebi que era Thomas e Alexis e a dor voltou a inflamar no meu peito.

–M-mands...

–Você precisa conversar com ele Morg, você é forte.

Eu assenti e continuei deitada. Mands se levantou e saiu do quarto, pensei que ele ia demorar a subir então fui pega de surpresa quando ele logo entrou.

Minha raiva subiu de novo, eu não queria mais ouvir a voz dele e queria que fosse a última vez que visse ele na minha frente. O olhei com nojo e desprezo, apesar de saber que ainda o amava com todas as minhas forças.

–Canalha! — Controlei a minha voz, não ia fazer escândalo, não ia me submeter a mais humilhação. — Você é um canalha!

–Espera um pouco, o que aconteceu? Morg... — Ele fingia que não sabia, claro que não. Acho que ele não ficou sabendo que eu descobri, provavelmente ele encenou esse tempo pra mim. Isso me deu mais raiva ainda.

–Não me chama assim! — Levantei e dei um tapa na cara dele com a máxima força que eu tinha, não esperei a reação dele. — Não sei como pude confiar em alguém como você! — Eu praticamente cuspia as palavras. — Está tudo acabado! — Aquilo doía até em mim. Meu coração está esfarelado, nunca pensei que podia doer tanto.

– Como é que é Morgana? — Ele me olhava surpreso e abismado. Aquilo já durara tempo de mais, não suportava mais ficar na frente dele. Tirei o anel que ele me dera e joguei na cara dele.

–Eu nunca mais quero te ver na vida, tenho nojo de você. — Minha voz saiu tremida e sai correndo até a Bessie, precisava ir pra longe dali... Precisava do meu espaço. Dirigi como uma louca até o cemitério... Eu precisava do meu avô.

Notas finais
TRETAAA O/ Então..oq vocês acham? Como eles vão ficar agora? Acham que eles vão se resolver? COMENTEM!