My Avenger Angel
5 The World Turns
Notas iniciais
Aquela garota me pegou de surpresa, como assim? “Me contaram sobre você?” A única coisa que eu pensei foi “Filha da Puta do Ambrósio” eu falei pra ele não abrir o bico pra nada, normalmente quando descobrem o que eu fiz me olham torto e isso é irritante.
Dizem que os fins não justificam os meios, eu queria saber se fossem esses bandos de falsos moralistas no meu lugar, eu estava chocado de mais e a vi ir embora, só que no momento seguinte eu fiquei irado.
Comecei a correr, aquela vontade subiu de novo, sentia meu peito arder e aquela noite veio na minha cabeça, faltava cinco minutos pro sinal aula de inglês e o Ambrósio era da minha turma, corri o mais rápido que eu pude e o avistei vindo do campo de futebol, parei de correr, minha expressão não devia ser a das melhores eu notei a cara dele de preocupado.
Ele despediu dos playboyzinhos e me seguiu na corrida, eu não estava muito afim de conversar na hora só de correr e foi assim, corremos pra fora do colégio, as lembranças me martelando, meu peito queimando e depois de 3 anos, eu senti vontade de chorar. Mas por quê? Porque uma garota simplesmente... Não me rejeitou como todo o ser daquela escola fazia.
Parei na frente de um parque e o Alexis logo atrás de mim, ele não falava nada ele conhecia aquele olhar vazio, ele também tinha, me virei pra ele irritado e o peguei pela gola, falando ríspido e grosso.
– Como a novata sabe da minha história? – Apertei mais a gola dele e a raiva ia subindo pelo meu corpo. – Eu pensei que aquele aviso teria sido o suficiente, qualquer um que tocasse no assunto eu disse que teria o mesmo fim daquele cara!
– Thomas!! Calma cara! – Ele se soltou de mim, se recompôs e ficou com aquele ar sério, ele sabia ficar tão obscuro quando eu. – Eu nem se quer falei do seu nome Thomas! Se enxerga mimado!
– Olha quem fala. – Joguei minha mochila no chão e respirei fundo. – Ela não se importou... Pra falar a verdade não sei do que ela sabe, não sei se ela só sabe da minha fama ou se sabe do que eu fiz. E mesmo que ela soubesse o que eu fiz ela não sabe tudo.
– Conversa com ela Tom, bom vocês dois tem que conversar. – Ele coçou atrás da nuca e começou a andar em direção da escola e eu o segui. – Não precisa contar nada pra ela, só não trate ela como os outros te tratam. – Ele falou em um tom repreensivo. – E controla sua raiva, você esta em condicional se o Sargento vê isso ele ainda te ajuda, mas o Policial Madson quer mais você atrás das grades!
– Eu sei Alexis. – Arrumei minha mochila nos ombros e pude ouvir o sinal tocar, e comecei a correr de volta pra escola, era hora do almoço e iria conversar com ela. – Até mais!
Entrei pelos fundos da escola e o Alexis foi pela lateral, ele tinha razão o fato de não controlar o meu gênio um dia vai fazer o Policial Madson fazer o que tanto quer, fui o primeiro a chegar no refeitório, peguei a comida e sentei na minha mesa, estava esperando ela chegar.
Me concentrei na fila da comida e logo notei ela, espero que ela tenha entendido meu olhar, porque nos dois não desviamos ele por momento algum, voltei a comer minha comida até que ouvi ela sentar, suspirei e subi o olhar pra ela.
– Vamos direto ao ponto. – entrelacei meus dedos em frente a minha boca e perguntei para que só ela ouvisse. – O que você sobre mim, novata?
– O básico... – Ela começou a comer e eu olhei como quem diz “o que mais?” – Que você matou ou quase matou um homem e é conhecido como O Anjo Vingador. – Ela bufou. – Me chama de Morgana pelo menos.
– É você sabe o básico – Suspiro e olho minha bandeja com comida. – o que todos sabem... E porque não está me olhando torto? Como todo aluno dessa merda de escola faz... Ao saber que tem um assassino solto na turma.
– Minha vó ensinou usar spray de pimenta em alguns casos. – Ela sorriu de canto, mexendo na comida e logo depois rio quase inaudível e foi a primeira vez que alguém naquela escola rio na minha presença, olhei em volta e percebi que estávamos chamando atenção, ela respirou fundo. – Sei como é ser rejeitado, então... não queria fazer a mesma coisa com outra pessoa.
– Faz assim Morgana. – Parei e olhei em volta. — Odeio chamar atenção, engraçado falar isso... Bom, me encontra na escadaria. – Eu apenas levantei e fui andando sem esperar uma resposta.
Caminhei rapidamente até a escadaria, sabia que me olhavam e tratei de ir bem rápido, fiquei esperando alguns minutos, peguei meu livro de leitura da bolsa e fiquei lendo esperando ela chegar. Ouviu os passos dela e comecei a falar.
– Olha pelo seu próprio bem Morgana.. É sua ultima chance de cair fora disso. – Meu tom de voz saiu mais baixo do que eu queria, eu abaixei meu olhar. – Você vai ter problema.
– Vai me esfaquear ou algo do tipo? – Senti a raiva subir, ela podia não se importar, mas ainda sim me via como um perigo, talvez eu fosse. – É só um trabalho e se você me matasse não faria tanta falta. – Aquilo me irritou, o que ela tem na cabeça?
– Eu avisei – Minha voz saiu mais irritada do que eu queria que fosse. – Farei o trabalho com você. E a aula já vai começar... – Voltei meus olhos pro livro e comecei a caminhar pelo corredor, ouvi os passos dela atrás de mim e sua voz se instalou no lugar.
– Desde quando gosta de Percy Jackson? – Estava um pouco envolvido em meio a leitura que demorei a responder, soltei qualquer som com a garganta antes de responder.
– hm? Ah... Desde quando lançou, vi que era sobre mitologia e comecei a ler. – Fechei o livro e entrei na sala, me encaminhei até minha mesa e sentei. – Se você gosta de mitologia também já leu algum livro.
– Todos na verdade. – Ela sorriu de canto e eu gostei disso, ela sentou naturalmente do meu lado e eu só mantive meu olhar na direção dela. – Sou totalmente obcecada por mitologia! – Então ela apoiou o queixo na mão então voltei meu olhar pro celular.
– Alexis também é. Quem sabe um dia você vai acabar vendo ele sem camisa e vai ver a enorme tatuagem de tridente que ele tem nas costas. — Fecho os olhos e empurro minha cadeira ficando inclinado. – Só cuidado pra não se apaixonar, é o que normalmente acontece. – Ouvi ela rir.
– É eu percebi que ele é o pegador da escola. – Ela virou o olhar pra mim e acabei fazendo o mesmo, não vi mal em conversar com ela ali. – Mas não se preocupe... – Franzi o cenho pra logo depois sorrir de canto. – Não é qualquer um que conquista meu coração. – Ela fez questão de representar, colocando a mão no coração, eu balancei a cabeça em negação e soltei um riso de leve.
Olha eu estava gostando da companhia, mas ai o sinal tocou e o dia voltou ao seu curso normal, eu troquei um olhar com ela e só suspirei e peguei meu caderno, acho que ela entendeu o recado e acabou fazendo o mesmo.
Assunto do dia “Mesopotâmia” prestei atenção na aula como sempre, o sinal tocou, olhei de canto para Morgana e fui indo na frente, ela logo me seguiu e acabamos indo pro armário juntos, só que dessa vez eu tive uma surpresa.
Assim que cheguei no meu armário tinha um policial esperando no corredor acho que só eu pude vê-lo já que saiu muito rápido, engoli seco e tive que o seguir, não olhei pra Morgana. Sai as pressas com uma certeza... Meu dia não seria dos melhores.
–-x—
Meu dia não estava tão ruim assim. Deu tudo certo com o trabalho de história e eu me sentia vitoriosa por isso. Descobri que Thomas gostava de Percy Jackson o que fazia ele ter muito, muito bom gosto mesmo.
Depois que conversamos um pouco percebi que ele não era o bicho de sete cabeças, e simplesmente não conseguia ver ele como o garoto assassino ou o Anjo Vingador. Na verdade nunca o vi assim, só me irritei com o fato de ele ficar me julgando sem saber da minha vida.
Depois da aula caminhamos juntos e em silêncio até o armário, era um silêncio confortável até. Fui colocar o meu material no armário e lembrei que deveria marcar um lugar pra começar as pesquisas já que eu tenho o tal problema da pontualidade, quando fechei o armário e olhei na direção do Thomas ele estava com a feição assustada e rígida, ele começou a caminhar rápido pra saída.
Pensei em segui-lo e conversar com ele, mas... Pelo pouco que o conheci, sabia quando era hora de dar um espaço pra ele.
Olhei o relógio e lembrei que tinha que ir falar com o diretor sobre a roupa da Ed. Física, não ia usar aquilo do ano nem me fodendo. Andei sem pressa até a diretoria e entrei batendo de leve na porta.
A secretária estava tomando um café e notei que a maioria das coisas estavam arrumadas, provavelmente o turno dela iria acabar logo. Tive certeza quando ela me viu e fechou a cara, um dia exaustivo de trabalho e nos últimos minutos tinha que aparecer uma pirralha pra dar problemas? É eu leio bem a expressão das pessoas
–O que quer?- Ela me olhava por cima daquela maquiagem pesada nos olhos e a xícara de café na mão.
–Ahn... Posso falar com o diretor? Não vai levar 5min — Sorri carismática e o que recebi em troca foi um revirar de olhos. Ela se levantou e pousou a xícara na mesa, ajeitou sua saia marinho escuro e limpou a garganta.
– Vou falar com ele, um momento — Ela falou me fuzilando com os olhos e se virou para a porta logo atrás dela.
Me apoiei no outro pé e cruzei os braços esperando. Ouvi ela cochichar algo com a cabeça pra dentro da porta e logo ela a fechou me encarando.
–Sr Philips está atendendo outro aluno, por favor, aguarde. — Ela voltou a sentar e tomar sua xícara de café. Murmurei um “obrigado" e sentei esperando ser atendida. Não demorou muito e a porta se abriu revelando Alexis. Ele sorriu de canto ao me ver e eu retribui.
–Então Ambrósio, não se preocupe- Disse o diretor logo atrás- Temos todas as providências — Ele deu uma leve batidinha nas costas do Alexis e sorriu.
–Obrigado Sr Philips- Ele retribuiu o sorriso e a atenção do diretor se voltou para mim.
–Curts não é? -confirmei com a cabeça — Pode entrar.
Passei pelo Alexis e trocamos soquinhos, ele fez um "tô de olho em você" e eu ri entrando na sala. Pensava que ia ser rápida a conversa, mas me enganei. Sr Philips começou a mexer em mil e uma papeladas e atendia o telefone pessoal as vezes, parecia que eu não era a única queimada com minha responsável. Ri internamente e fiquei olhando pro teto enquanto esperava ser enfim atendida.
Como o esperado nossa conversa não durou 5min. Eu o havia convencido na hora e ele me deu uma calça de moletom que a secretária Regina me trouxe.
Agradeci e sai de lá sorrindo até para a antipática da secretária. Como estava na diretoria resolvi ir por outro caminho para chegar até a garagem já que era mais rápido.
Fui por trás da escola, o dia parecia que seria ótimo, porem... Alias esses “porém” pode acabar com o dia. Quando me virei para o estacionamento coloquei a mão na boca segurando um grito.
Thomas estava encostado no canto da parede todo machucado, ele sangrava muito e até suas roupas estavam estragadas. Corri até ele e me ajoelhei ao seu lado, seu peito subia e descia lentamente, mas ele estava inconsciente.
Fui até o minha caminhonete e consegui dar a ré até chegar perto dele. Peguei a mochila e joguei atrás, abri a porta do passageiro e com cuidado coloquei o braço do Thomas ao redor do meu pescoço. Eu era nova na cidade, não fazia a mínima ideia de onde tinha um hospital nesse fim de mundo.
Consegui levantar ele com dificuldade apesar de ele resmungar de dor, fiz o sentar e fechei a porta. Talvez eu não soubesse onde ficava o hospital, mas minha vó tinha aprendido muito com meu avô que fora médico.
Gostaria de dizer que éramos podres de ricos por isso, mas não é verdade. Ele trabalhou durante as guerras e com certeza viu coisas piores que um fuzileiro. Era isso que nos mantinha de certa forma.
Ia o mais rápido que o motor aguentava, se eu demorasse muito ele podia ter hemorragia e eu não precisava ser médica para saber que não teria como fazermos transfusão de sangue.
Parei na parte dos fundos da casa como de costume e buzinei para chamar atenção da minha vó. Ela me conhecia tão bem que logo apareceu na porta.
–Morgana! O que hou...- Ela perdeu as falas quando viu eu pegando Thomas no passageiro.
–Vó, por favor, ajuda ele?
Não precisei explicar mais nada. Era de família esse extinto de ajudar qualquer um que precisasse por mais que nossa própria situação estivesse precária.
Ela me ajudou a leva-lo até meu quarto com dificuldade e eu fui correndo buscar os primeiros socorros. Sentei do outro lado da cama e olhava a cena preocupada.
–Eu cheguei a tempo? -Mordi o canto da boca olhando minha vó fazer os últimos curativos
–Pontual como sempre minha querida. — Ela me deu um sorriso de canto e suspirei aliviada. — Vou fazer um remédio caseiro para as dores dele, cuide dele até que eu volte- Ela se levantou e eu sentei no seu lugar.
Quem teria feito isso com ele sendo que ninguém tem coragem de enfrentá-lo? E porque faria isso? Olhei pro Thomas desacordado e imaginei por quanto ele deveria ter passado. Meus pensamentos foram interrompidos pelo barulho do celular tocando.
Não era o meu, a música que tocava era do AC/DC e... É, vinha da mochila do Thomas. Peguei ressabiada. Poderia fingir que não ouvi, mas... e se fosse o responsável dele preocupado? Eu deveria avisar que estava tudo bem.
Vi o nome da chamada e agradeci mais uma vez a todos os deuses existentes. Era Alexis, apesar de ser muito estranho eu atendi.
–Thomas! Onde você está cara? O Sr...
–Ahn... Alexis?- O interrompi, não queria vasculhar ainda mais a vida do Thomas sem a permissão dele.
–Quem é que está falando? -Podia sentir a confusão instalada na voz dele.
–É a Morgana... Ahn... Aconteceu uma coisa com o Thomas. — Falei um pouco tímida, se era estranho pra mim o Thomas receber ligação do Alexis imagina eu atender ao telefonema dele.
–O que aconteceu? — Ele soava preocupado, mais estranho ainda.
–Vi ele machucado nos fundos da escola perto do estacionamento. Acho que alguém bateu nele ou algo do tipo — Eu estava nervosa, e por esse motivo falava rápido.- Não conheço nenhum hospital então trouxe ele pra minha casa já que minha vó sabe cuidar de ferimentos graves. — Busquei ar de volta e a linha do outro lado ficou muda por uns instantes.
–Ele está...
–Apagado, completamente apagado. Minha vó está fazendo um remédio caseiro para a dor o que provavelmente vai deixar ele apagado até amanhã.
–Tudo bem, vou avisar para o vô dele e dizer que ele vai ficar na minha casa. Quando Thomas acordar diz pra ele ligar para mim
–Está bem — Falei olhando para os meus pés nervosa
–Obrigado Morg. — Eu sorri de leve e suspirei aliviada.
–Por nada Alexis.
Desliguei o telefone e apoiei minha cabeça na parede. Longo dia... Minha vó apareceu e deu o remédio para Thomas que fez muitas caretas e eu e vovó rimos baixo.
–Vou dormir na sala, se ele acordar me chama tá vó?- Ela afirmou com a cabeça e eu peguei meu pijama, o travesseiro extra e uma coberta. Além da mochila para fazer os temas de biologia.
Ajeitei tudo no sofá e me sentei começando os exercícios. Obviamente eu não conseguia me concentrar, sabia que Thomas não ia gostar nada disso quando acordasse ou não... Eu esperava que ele não gritasse pelo menos.
Minha vó era fraca do coração e não ia suportar perder a única pessoa que me amava. Adormeci com os livros por cima de mim e tudo o mais. Eu iria acordar com uma puta dor de cabeça pela manhã
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