Notas iniciais
"Enquanto outros procuram pessoas perfeitas, eu escolho as que me fazem bem." - Autor desconhecido

Um belo dia pra morrer, não acham? Eu não acharia tão ruim assim, só me arrependeria pelo meu avô então isso manteve meu coração batendo e meu pulmão respirando, logo depois que eu segui o policial, fiquei no estacionamento, Alexis apareceu eu disse que tinha um assunto pra resolver pra ele ir na frente, como ele estava sem moto falei pra pegar a minha. Graças a todos os Deuses eu fiz isso.

Eu estava com meu policial responsável, ele me odeia já dei uma surra no filho dele, sou um delinquente, daria uma surra nele, mas se eu o fizesse acabaria com a minha vida, não que eu me importe, mas meu avô sim.

Entrei no carro do Policial Owen, ele tinha o cabelo um pouco loiro os olhos castanhos, ele era trabalhado, mas eu era maior que ele, o que me daria à vantagem, se ele não fosse o meu tutor jurídico, olha eu jurava que era uma apresentação normal que ele faria, mas estranhei quando ele me levou pro outro lado mais afastado da cidade.

Ele me mandou descer e eu o fiz, apontou a arma pra mim eu não me assustei, já estava cansado desse tipo de ameaça dele então apenas segui as instruções e mantinha na mente “Não foda mais ainda, você esta na condicional e você é treinado pra resistir e não reagir. Lembre-se do que o Sargento Will diz.” E foi assim que eu aturei tudo.

– Delinquente Smith, coloque suas mãos nas costas. – Eu o obedeci, e ele me algemou, mas cara ai vem a parte do porque eu apanhei o Owen é nojento. Ele grudou o corpo dele no meu e eu tentei me acalmar então ele sussurrou. – Vou te tratar como a mulherzinha que você é.

– Sai de mim Owen, você é um nojento! – Mesmo algemado fiz ele se afastar e virei, ele pegou o cassetete e virou na minha cara. – Algemado fica fácil! – Eu cuspi o sangue que acumulou na minha boca. Nada contra os gays, o Alexis é gay e nem por isso reclamo tá piada ridícula, mas não ia me submeter aquilo. – Se era isso que queria será que posso ir pro meu trabalho?

– Nem pensar! – Ele colocou o cassetete no meio das minhas pernas e roçou no meu saco, novamente senti a raiva subir e não teve nada que me continha, dei um pontapé no braço e cuspi na cara dele.

– EU NÃO DEIXEI MONTAR EM CIMA DE MIM NO REFORMATÓRIO, NÃO VAI SER AQUI FORA QUE VOU DEIXAR. – Eu me exaltei e toda aquela situação acabou comigo, o nojento começou a me bater, trinquei os dentes e meu lado rebelde falou alto sempre desafiando, porque não calei a boca? – É só isso que consegue Owen? Você bate que nem uma mulherzinha mesmo eu estando algemado!

Foi ai que eu me ferrei e a porrada comeu solto, ele me socou na boca do estomago e eu perdi o ar, ele me jogou no chão e fez a minha blusa rasgar a calça era resistente só não tinha certeza se resistiria a tanto, senti minha pele queimar no asfalto, o dia estava quente. Ele pegou o canivete e sentou em cima de mim, cara o Owen deve ser uma gay muito filha da puta, ele cortou meu rosto superficialmente e lambeu meu sangue.

Virei a cara na hora e tentei me soltar, meu conselho não briguem com policial, ele bateu nas minhas costelas, eu sabia que não quebrariam, mas não sei quanto duraria. E eu apanhando de novo, afinal é isso que o Delinquente Smith merece.

Ele não bateu muito na minha cara, mas em compensação duas costelas trincadas, tinham muitos cortes pelo meu corpo, no caso eu perdia bastante sangue já que eram vários cortes e mais vários hematomas é isso que eu com certeza consegui. Para finalizar a surra ele pegou a maldita arma de choque e colocou na minha perna, senti queimar por dentro.

Eu me recusei a gritar, o treinamento do Sargento ajuda na resistência, ele sabia que eu apanhava, ele não podia fazer nada, apenas me preparar, soltei uns gemidos de dor e pude ver o sorriso do Owen, a minha sorte foi que um cara de bicicleta ia passando. O Nojento do Owen me jogou dentro do carro de policia e sai correndo com o carro, eu estava lutando pra me manter acordado.

Não sei quanto tempo levou, mas senti o carro parar ele tirou as algemas e me jogou contra a parede o resto ficou tudo preto, seria sorte se alguém me encontrasse, achei ter ouvido um grito, mas acho que foi só impressão ou ilusão minha, perdi todos os sentidos e só me lembro de sentir dor.

Acho que estou sonhando, alias estou revivendo a noite em que minha mãe morreu e depois eu... Quase matando um cara, não faço a mínima ideia de quanto tempo passou. Até que acordei sentindo algo vibrar, virei minha cabeça pro lado e era meu celular. Me perguntei se eu estava no hospital, mas logo olhei em volta e vi que não era o caso. Peguei o celular e nem olhei o visor.

– Alô! – Tentei falar no tom mais normal possível e quando escutei a voz do outro lado vi que o inferno não acabou. – Oficial Madson.

“Thomas Smith, eu só liguei pra dar um aviso. Se eu souber que contou pra qualquer um o que aconteceu, essa pessoa vai pagar as consequências. Eu estou de olho!”

– Recado dado! – Trinquei os dentes e desliguei na cara dele, gemi de dor e agora me perguntava. — Onde você está Smith?

Analisei o quarto, nada diferente do meu, talvez um quarto um pouco afeminado, inalei o cheiro do travesseiro era um pouco adocicado, essência de chocolate, tateei a cama, era confortável, ouvi o barulho de pássaros cantando lá fora, pelo jeito já era de manhã e eu estava sumido.

Levantei com um pouco de dificuldade, senti minhas costelas trincadas, por um momento minha vontade era só de chorar, só que fechei meus olhos com força e engoli o choro. Chorar não ia tirar a dor que eu estava sentindo.

Estava sem camisa e vi que ela estava um trapo jogado no chão, coloquei minhas botas e peguei minha mochila. Precisava dar o fora daqui, peguei meu celular e retornei a ligação.

– Alô Alexis? – Ouvi ele resmungar do outro lado. – Eu tive um contratempo, um acidente.

– Fala a verdade Tom! Foi ele de novo não foi? – Trinquei os dentes, sabia que meu telefone podia estar sendo rastreado. – Tá esquece isso, deixei sua moto na Peterson e falei pro seu avô que vinha pra minha casa.

– Melhor assim. – Sai do quarto que eu estava e fui na direção do que eu acho que seria a sala. – E o Johnson?

– Reclamou por você não ter ido trabalhar e falou que descontaria do seu salário. – Crispei meus lábios e murmurei um palavrão básico. – Olha são 5 horas da manhã, eu tenho uma roupa que cabe em você, vem pra minha casa.

Concordei e desliguei o telefone e me toquei que esqueci de perguntar a coisa mais importante. Onde eu estava? Passei por um quarto, mas não tive coragem de abrir, ia pegar um papel e agradecer quem me encontrou e apenas ir embora, cheguei até a sala e acabei me assustando.

Morgana Curts estava no sofá e o pior acordando, na hora eu pensei em correr, mas quando eu forcei minha perna no chão pra tal ato senti minha meus músculos gritarem, quem sabe se eu tivesse adrenalina pelo corpo não sentiria tanta dor pra correr, mas agora era tarde.

Fui um pouco mancando até a porta, mas quando estava um metro me apoiei no sofá, merda o músculo da perna gritou mais forte, eu devia estar com um hematoma muito maldito. Ouvi ela exclamar meu nome e se levantar pra me dar suporte, não teve jeito me apoiei nela e fui conduzido até o sofá.

Ela me olhou toda preocupada, e me senti frágil ali naquele momento, estava quase amanhecendo, eu estava na casa da Morgana Curts... E tinha apanhado como um cãozinho de rua, um vira-lata. Nem vira-lata é tratado assim, mas apanhei indefeso.

Não consegui segurar por muito tempo àquele era meu limite, eu abaixei minha cabeça, meus cotovelos apoiados nos meus joelhos, minhas mãos entrelaçada atrás da minha nuca, minha cabeça entre as pernas, soltei um gemido um pouco agoniado e senti algo escorrer pelo meu rosto, então logo vi uma gota cair no chão de carvalho e foi seguida por mais outra. Meus olhos não obedeciam minha vontade, eu prendi a respiração e o gemido de dor, e chorei em silêncio.

Sou Thomas Smith, tenho 17 anos, minha vida é seguir solitário. Aqui estou eu todo surrado, machucado... Na casa de uma garota que conheci há dois dias e pra ajudar me encontro chorando, aos prantos. E se perguntando: Quando a perseguição vai acabar?

–-x--

Acordei com o barulho de alguém falando. Eu tenho sono muito pesado nem se a casa caísse em cima de mim eu seria capaz de acordar, mas minha noite tinha sido cheia de pesadelos e o sofá não era muito confortável. A voz parou de falar e tudo que escutei foi uns passos e um gemido. Abri os olhos e me deparei com Thomas ajoelhado perto do sofá.

–Thomas!-me levantei rápido com o susto e eu o ajudei se levantar até o sofá.

Ele se sentou e inesperadamente apoio a cabeça nos joelhos e começou a chorar em silêncio. Eu levei um choque, não esperava isso do badboy da escola, por alguns segundos eu o fiquei o encarando e percebi que estava certa.

O Thomas que eu conhecia, durão, antipático e antissocial era só uma camada que ele fez para se proteger. Havia muito mais dele que poucos, ou talvez ninguém conhecia.

Engoli um seco e senti a amargura no peito de novo. Eu me vi ali, sentada no lugar do Thomas. Rejeitada, cheia de traumas e sem ninguém para me ajudar. Sentei no lado dele, não sabia se seria uma boa ideia, mas precisava ajudar ele.

Eu coloquei a mão nos seus cabelos e hesitei um pouco, não sabia como ele iria reagir. Acariciei os cabelos dele de leve e vi-o soltar um gemido e chorar ainda mais. Eu não aguentei, segurei para não chorar junto com ele e o puxei de leve para o meu colo. Ele hesitou e eu sussurrei perto do ouvido dele:

–Não precisa ser forte a toda hora Thomas, me deixa cuidar de você.

O puxei mais uma vez e apesar de hesitar um pouco ele deitou no meu colo. Eu peguei o travesseiro e entreguei para ele que escondeu seu rosto. Eu faria isso, odiava que me vissem chorar. Fiz cafune nele e fechei os olhos ouvindo só alguns poucos soluços que Thomas soltava.

Acariciei seu rosto de leve e esperei ele se acalmar. Não sentia mais as lágrimas caírem na minha perna, meu calção do pijama estava ensopado e eu fiz algo que nem mesmo esperava. Me inclinei até ele e dei um beijo na sua bochecha.

Ele se levantou devagar, deveria ainda sentir dores, minha vó falara que as costelas dele estavam trincadas. Thomas encarava o chão e parecia não ter coragem de me olhar, eu também não teria, por mais agradecida que eu estivesse.

–Preciso ir pra casa. — Ele pegou a mochila e se levantou com esforço, sua voz ainda estava embargada e ele sussurrava.

–Você precisa tomar café antes. — Vi ele negar com a cabeça e segurei o braço dele- Você perdeu muito sangue ontem Thomas e não colocou nada no estômago, vai desmaiar daqui a dez passos. — O corpo dele ficou rígido e ele fez uma breve concordância com a cabeça.

–Vem — Segui na frente dele e comecei a preparar o café passado e coloquei as coisas na mesa e servi o café pra ele. -Leite? — Ele negou com a cabeça e alcancei o açúcar pra ele.

Me servi também e comemos em silêncio. Sabia que eu deveria dar o espaço pra ele, éramos desconhecidos ainda apesar de conhecer a sua dor. Terminei de comer e bati os dedos na mesa o olhando sem saber o que falar. Mordi o lábio e prendi o ar.

– Você tem que denunciar quem fez isso com você. — Ele rio fraco com sarcasmo e balançou a cabeça.

–Esquece isso...

–Thomas não é só porque você quase matou alguém que podem fazer isso!- Eu mantive o olhar sobre ele e Thomas fez o mesmo. Sua expressão era sombria, mas não fiquei com nenhum pouco de medo.

– Não se meta na minha vida, é o melhor pra você. — Ele voltou a encarar o chão e eu suspirei derrotada.

–Vou me arrumar e volto pra trocar seu curativo. Não foge.

Levantei e passei correndo por ele subindo até meu quarto. Coloquei a primeira roupa vi no meu quarto, uma regata e um short que vinha até a coxa. Os dois eram largos e não marcavam meu corpo graças aos céus.

Lembrei que o Thomas não tinha camisa e procurei no fundo do meu armário a única camiseta que guardei do meu avô. Minha vó tinha doado o resto das roupas e eu tinha guardado aquela para não esquecer o perfume de hortelã dele.

Desci correndo e vi Thomas olhando as fotos da sala. Todas tinham eu, minha vó e meu avô. Era a minha família, não tinha mais ninguém que me acolhesse. Peguei os primeiros socorros e o remédio caseiro da minha vó que estava no balcão da cozinha.

–Senta — Eu pedi e me ajoelhei do lado dele.

O corpo dele estava todo enfaixado, quase não se via uma parte descoberta. Tirei as faixas e tratei dos machucados e hematomas, ele me observava, fazia algumas caretas, mas não reclamava da dor.

–Toma isso — Entreguei o frasco do remédio- vai ajudar a anestesiar a dor. — Thomas assentiu e tomou um gole do remédio, infelizmente ele não fez as caretas engraçadas de ontem e eu me levantei.

–Precisa ir aonde?- Falei jogando a camisa do meu avô para ele. Era uma polo azul que caiu muito bem nele.

– Eu vou sozinho, não precisa. — Ele já estava colocando a mochila nas costas e eu me apoiei na parede com os braços cruzados.

– Você não vai conseguir andar 10 metros com essa perna. É só me dizer onde quer que eu te leve. — Vi ele fechar os punhos e travar a mandíbula, ele deveria estar com vontade de me bater, sabia disso, mas não conseguia ter medo.

–Só. ...me deixa naquele bar no meio da cidade- Vi que ele controlava sua voz para não parecer irritado e caminhei ate a porta.

Dei uma última olhada no relógio e estranhei minha vó não ter acordado, deveria estar cansada por ontem.

Entrei no carro e logo depois Thomas entrou no passageiro. Pensei em ligar o rádio, mas resolvi deixar a viagem em silêncio, não queria que ele mudasse de rádio. Eu ia rápido como o motor da caminhonete aguentava, Thomas parecia impaciente, mas o que eu podia fazer? Cheguei ao bar em um pouco mais de meia hora e estacionei na frente. Encostei no banco e olhei para o Thomas.

– Se você ir ao hospital provavelmente vai perguntar o que aconteceu e não vejo como você pode mentir então... Se precisar trocar os curativos, já sabe.

–Não vai precisar- Ele mantinha o olhar pra frente, eu cheguei a duvidar que algum dia ele olharia novamente.

–Tudo bem. — Mordi o lábio e pensei em falar sobre o trabalho de história, mas descartei a ideia. Ele abriu a porta e antes de descer ele suspirou e me encarou.

–Obrigado- Ele fechou a porta e seguiu até o bar sem olhar para trás. Dei um sorriso de canto e voltei a dirigir para casa ouvindo as músicas dos anos 60 que meu avô adorava. Não sabia o que aconteceria entre eu e Thomas depois desse episódio, mas tive uma leve sensação que as coisas iam mudar.

Notas finais
Gente, nós adoraríamos de paixão que vocês deixassem comentários para dizer oq estão achando da fic, se ela está ou não legal. Aceitamos críticas até para melhorar :) Vocês sabem que isso dá uma forcinha pra continuar postando e escrevendo, então não sejam tímidos u.u Até o próximo capítulo *-*