My Avenger Angel
9 The Paths I cross
Notas iniciais
Eu nem sei por onde começar com as minhas ideias, primeiro foi a Avó da Morgana fazendo o que meu avô fazia pra espantar os homens da minha mãe, faça os dois passarem vergonha. Eu realmente achei aquilo engraçado, e nunca meu apelido que só o Alexis e meu avô me chamava soou tão... bem. Não me importei por ela ter me chamado de Tom, saiu de um jeito tão natural que quando eu percebi não tinha nem me importado.
Morgana que parece não ter gostado muito, ela saiu em disparada pra fazenda, eu acabei reconhecendo ela, Alexis morava perto e chegava prestar uns serviços pra Senhora daqui... Atena o nome dela, nunca me esqueceria desse nome, a Deusa da Sabedoria e da Estratégia de Guerra.
Quando a garota saiu bufando e vermelha eu fiquei na caminhonete, vi que tinha um quartinho nos fundos e achei que podia encontrar mais ferramentas e... Bingo, encontrei uma oficina no lugar e achei perfeito, tudo bem que só faltava as peças necessárias, mas eu conseguiria fazer aquela caranga andar.
Tire minha camisa e desci minha Harley da caminhonete, peguei o macaco do quartinho, ele aguenta mais peso e não correria o risco do carro despencar na minha cabeça, levantei o carro e me enfiei de baixo dele, a Senhora me deixou uma bandeja com alguma coisa pra comer e eu agradeci. Pedi desculpas pelos meus modos, eu sabia ser gentil com os mais velhos e era o meu único lado que eu demonstrava. Notei que ela olhou meus hematomas, e também sabia que ela queria perguntar o porque, eu falei antes que ela perguntasse o inevitável.
– Eu estou bem Senhora. – Limpei minhas mãos e sorri. – Acidentes acontecem... Obrigado por cuidar de mim.
– Não precisa agradecer. – Ela sorriu. – Você é neto do John Thomps? Thomas Smith, certo?
Afirmei com a cabeça, um frio na espinha correu em mim, senti um medo da senhora me enxotar dali, se ela sabe meu nome e quem é meu avô é quase inevitável não saber o que aconteceu, eu tomei uma expressão muito dolorida, mexi no pano que estava em minhas mãos tentando tirar a graxa.
– Você é o garoto mais gentil que já vi... – Eu fiquei chocado e olhei pra ela boquiaberto, o que arrancou uma gargalhada. – Normalmente ninguém quer concertar a Bessie e ela tem valor sentimental, e você nem ao menos perguntou nada. E eu pretendo te pagar!
– Não mesmo, vou aceitar seu elogio como o melhor pagamento que já tive. – Meu coração batia rápido, eu estava... Feliz. – Só que não tenho noticias boas pra Bessie aqui! – Bati na lataria dela. – Eu vou dar um jeito só pra Morgana ir a escola amanhã.
– E os outros dias? – Ela começou a pensar. – Moramos muito longe da escola, sem a Bessie...
– Não se preocupa, eu tenho uma solução pra isso. Só que ela só vai ser resolvida de vez em três dias, mas o carro esta andando. – Eu voltei a descer e me enfiei de baixo do carro, na hora que eu mexi no óleo ele caiu todo em cima de mim, segurei o palavrão.
– Thomas... melhor você ir se limpar, tem um banheiro lá em cima.
Foi o que eu fiz, segui as instruções da Dona Atena, subi as escadas e parei no corredor, eu jurava que podia estar morto. Morgana Curts saiu de toalha que não cobria nem a coxa direito, foi inevitável não olhar, ela me olhou e viu que estava sem camisa eu comecei a gaguejar como adolescente... Espera eu sou um e merda de hormônios.
– O que está fazendo aqui? – Ela falou em um tom bem irritado e eu estava completamente desnorteado.
–Eu... Ahn... Preciso de uma... uma – Terra pra Thomas, merda para de gaguejar e vira homem. Eu suspirei e não tirei os olhos dela. — Uma esponja por que... – Ela levantou a mão entrou no banheiro e me jogou a esponja. Entrei e fui me limpar, fiz o mais rápido possível e voltei pro meu trabalho.
Entrei na Bessie e liguei a Rádio dos anos 60, voltei pra de baixo do carro e lá fiquei fazendo remendos trocando fios, e cantando, por um momento eu tinha esquecido o episódio da toalha, até que tomei um susto, a voz dela me chamando. Levantei a cabeça e acabei batendo no carro, eu vi ela segurar o riso e optei por não fazer nada, acho que ela tinha falado sobre jantar.
– Não precisa...
– Saco vazio não para em pé e você não devia rejeitar a comida da Dona Atena. – Me senti rendido, sai da caminhonete.. de baixo claro e senti o cheiro de comido. Cara quanto tempo não comia nada caseiro... Muito tempo.
Fui até minha mochila tinha quase certeza que aquela camisa branca de tinta estava enfiada lá, peguei de novo a pomada e passei antes de colocar a camiseta, abri a torneira do lado de fora e me limpei o máximo que pude, assim que entrei na casa a janta já estava na mesa, eu me sentei e fiquei em silêncio. Até a Dona Atena quebrar um pouco o clima.
– Pode se servir Thomas, você deve estar precisando. – Eu obedeci as ordens e me servi, evitei olhar pra Morgana, mas queria ser gentil com a senhora na minha frente, então eu fiz um Thomas muito antigo sair de mim. – Sente dores?
– Não eu fui ao Hospital e consegui uma licença médica e uns remédios. – Eu sorri mais abertamente que consegui. – O Médico disse que foi por um triz, agradeço por ter cuidado de mim.
– Se precisar de mais cuidados, pode passar aqui. Será sempre bem vindo. – Ela comia e eu acompanhei, a Morgana só comia em silêncio, parecia incomodada com a situação. Dei de ombros o problema não era meu. – Então você é o companheiro de trabalho da minha neta. Gosta de Mitologia?
– Ta brincando? – Eu dei uma garfada na comida e cara como era boa. – Eu quase fugi pra Grécia uma vez, só pra ver os templos, mas minha mãe me pegou no ultimo segundo. – Meu olhar ficou vazio eu tinha certeza e mudei logo de assunto. – Apesar de também querer seguir carreira militar, eu quero ser um historiador especialista sobre a Grécia.
– Isso é ótimo Tom... Oh não se importa de chamar assim? – Ela me olhava procurando alguma reprovação e eu apenas sorri. – Pelo jeito não.
A conversa fluiu, Morgana não fez muita questão de participar, mas uma hora ou outra ela acabava entrando no assunto, até que a Dona Atena que honrava o nome, chegou onde finalmente queria... A vida misteriosa do Thomas.
– Então Thomas Smith... Eu gostaria de saber mais sobre você, já que a mocinha aqui não fala nada do amigo novo.
– Bem... – Suspirei pensando qual seria a trajetória que contaria. – Atualmente eu moro só com meu avô, ele é um ex fuzileiro de guerra e me emancipou, então sou um adolescente livre. Ele sempre criou os filhos na linha dura e não foi diferente comigo, já que ele teve de me criar desde pequeno. – Limpei minha boca e fixei meu olhar na D. Atena.
– Seus pais? – Eu tinha atenção das duas naquele lugar, mas sentia que a Morgana não tirava o olhar de mim e eu sorri.
– Não conheci meu pai, eu tinha um tio... mas ele morreu em guerra. – Puxo o meu colar do Exercito e olho. – Ele era o mais próximo de pai que eu tive, quando teve o 11 de Setembro meu Tio Johnny foi pro Afeganistão e morreu. Então ficou eu meu avô e minha mãe... Meredith Smith. Ela morreu há 3 anos e então agora sou só eu e o Velho Thomps.
– Sinto muito por tudo isso. – Eu tive meus lapsos de memória, mas tentei ignorar. Só que eu precisava me mandar dali.
– D. Atena agradeço pela janta. – Eu me inclinei na mesa e dei um beijo no rosto dela. – Mas eu realmente preciso ir, meu avô deve estar preocupado. – Olhei pra Morgana. – Olha a sua Bessie só vai aguentar a ida de amanhã, então deixa na garagem da escola e eu levo pra oficina, não se preocupe em voltar pra casa. – Me levantei e fui até a saída. – Tenho certeza que você tem carona garantida.
Ouvi a D. Atena me dar tchau, peguei meu celular e digitei um SMS pro Alexis e ele logo respondeu,
“Fechado, eu levo a Morg pra casa. Ela é neta da Dona Atena certo?”
“Sim, eu vou concertar a caminhonete dela. Sabe aquele mustang? Se importa de emprestar pra ela?
“Claro que não, até segunda feira ela vai estar andando bem e ajeitada, só que teremos trabalho. Tenho que ir Tom, Boa noite”
Eu subi na minha moto e não levei nem dez minutos pra chegar na casa do Velho Thomps, por um milagre ele estava acordado, eu entrei sorrindo. Ele era meu avô, ele não precisava conhecer o neto da porta pra fora, apesar de saber um pouco. Ele ainda não sabia da surra que eu tinha tomado.
– Onde esteve Thomas? – Ele me abraçou apertado, minhas costelas doeram, mas aguentei. – Fiquei preocupado!
– Também estava com saudades Velho! – Ele não demonstrava carinho, era raro, por isso aproveitava. – Vem eu preparo sua comida!
E assim eu encerrei meu dia, fazendo uma comida pro Grande e Velho Thomps, aquele era o meu momento Feliz, mas que também me entristecia. Sempre que olhava pras cadeiras via meu tio e minha mãe contando suas histórias, eu ouvindo com 8 anos de idade e meu avô lendo o Jornal dele. Hoje só tem o Velho Thomps com o jornal... E eu vivo pra ver essa cena toda noite.
–-x--
Agora o Thomas vinha quase todos os dias durante três semanas pra tentar concertar a minha Bessie, as vezes eu ia com ele pegar algumas peças no ferro velho, mas parecia que a caminhonete estava sem jeito de ser concertada, e apesar do badboy gostosão vir pra minha casa quase todo dia, mantínhamos pouco contato, ele parecia falar mais com a minha vó do que comigo.
Era quinta feira e ele estava arrumando a Bessie de novo, acho que ele se divertia brincando de concertar carro, sempre ouvindo a rádio, agora não trabalhava sem camisa e eu agradecia por isso, depois de fazer uma sessão com a Bessie ele jantava com a gente e sempre acabava conversando.
– Foi um prazer e como sempre o jantar estava ótimo D. Atena. – Ele sempre é simpático com a D. Atena, se mostrava totalmente diferente do Badboy da escola. – Boa Noite!
Depois que Thomas foi para casa eu ajudei minha vó a recolher da mesa e lavar a louça. Fique pensado no primeiro jantar que ele teve em casa, aquela conversa dos dois não me saia da cabeça, apesar de eu não ter participado da conversa tinha ouvido cada palavra deles.
Thomas tinha uma história parecida com a minha, mas pelo menos havia conhecido a mãe. Eu fiquei pensativa o resto da noite, tendo lembranças da minha infância e já não suportava mais ficar acordada. Minha vó sabia quando eu precisava do meu espaço e simplesmente me deu um beijo na testa de boa noite no começo da escada. Não resisti e abracei ela forte, precisava disso naquela hora e vovó entendeu meu recado abraçando com a mesma intensidade.
Deitei na cama e encarei o teto com os pensamentos martelando na minha cabeça. Olhei para a gaveta perto da cama e a puxei devagar, tirei uma caixinha de veludo de dentro e a abri. Era um colar de cobre velho e surrado pelo tempo, o pingente era em forma de coração, dentro havia uma abertura na ponta onde revelava a única foto que eu tinha da minha mãe.
Passei o dedo pela foto e imaginei como poderia ser o cheiro dela, o som da sua voz e o que ela mais gostava de fazer. Ah verdade? Dona Atena não era minha vó de sangue e minha origem era desconhecida até o maldito trabalho da árvore genealógica.
Fechei o colar e coloquei na gaveta de volta, a raiva estava me sufocando e o choro estava trancado na garganta, não ia mais pensar nisso, vó Atena e vô Louis eram minha única família e não podia pedir outra vida, eles eram os melhores pais que poderiam existir. Virei de lado e me cobri até a cabeça apesar de ainda estar quente, era um problema psicológico que não me deixava dormir sem estar coberta, ou frescura minha mesmo. Fechei os olhos e apaguei completamente.
Acordei por conta própria pela manhã e me arrumei com um pouco mais de inspiração, nem eu mesmo entendi, mas isso aumentou um pouco minha autoestima. Desci até a sala e vi vovó tomando seu chá, dei um beijo no seu rosto e peguei a merenda em cima da mesa me encaminhando até a Bessie. Olhei o relógio e vi que estava adiantada, sorri e fui com calma pra não acabar no meio da estrada como no outro dia, alias o tempo estava ao meu favor.
Cheguei à escola no horário que a maioria chegava, nem muito cedo e nem muito tarde, vi as motos do Alexis e do Thomas perto uma da outra e sorri involuntariamente, gostava da presença deles, me fazia bem (sim, até o Thomas).
Andei através do estacionamento ouvindo música e comecei a perceber alguns olhares debochados para mim, geralmente ouvia uns comentários maldosos por causa da idade avançada da Bessie, mas não a trocaria por nenhuma Ferrari insignificante e sem valor por ai, por isso dei de ombros e não dei bola.
Entrei enfim na escola e os olhares permaneciam, tirei os fones de ouvido para capturar alguma coisa que eles falavam, mas tudo o que eu ouvi era risos. Encolhi os ombros e abaixei a cabeça... Isso de novo não. Teriam descoberto algo do passado ou... Foi quando senti alguém bater forte nas minhas costas, sabia que havia colado uma folha em mim.
– Cobra caro garota? — O garoto riu junto com todos do corredor. Consegui pegar a folha atrás das minhas costas onde havia uma foto minha com o Alexis no estacionamento da escola e outra com Thomas e eu na sala de aula nos olhando. Era de ontem quando cantamos, tudo bem até ai, mas o texto abaixo foi o que tirou meu chão.
"A novata Morgana Curts vinda de Long Island já chegou abalando as estruturas. Ela conseguiu em pouco menos de um mês ficar com dois gatos ao mesmo tempo inclusive o nosso Anjo Vingador. Só que não para por ai! A garota cobra pelos seus serviços e muito caro: Thomas Smith pagou concertando a carroça velha e Alexis Ambrósio presta serviços na casa da vó da novata além dos dois se juntarem para dar um Mustang para ela! Uau, ela deve dar direitinho para os meninos chegarem a esse ponto . A garota tímida foi descoberta se revelando como a mais safada da escola. Esta afim de conferir seus serviços? Ligue para 1198237856 e se surpreenda!"
Eu levantei o olhar e dei de cara com Thomas que estava com o papel na mão também, senti a raiva subir, meu rosto deveria estar mais vermelho do que nunca. Minha visão ficou embaçada e corri pra fora antes que me vissem chorar. Eu não conseguia acreditar em algo desse tipo, o porquê disso tudo? Os comentários do corredor ecoavam na minha cabeça e eu me sentia novamente com seis anos de idade correndo pra fora da escola, indo pra lugar nenhum, desaparecer e uma vontade ainda maior permanecer desaparecida.
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