My Avenger Angel
10 The Past Comes Out
Notas iniciais
Eu resolvi ir à escola mais cedo, tinha que conversar com o Alexis sobre o concerto dos carros, mas eu tive uma grande surpresa quando eu cheguei. Fotos minhas, da Morgana e do Alexis espalhada pra todo lado e o pior era o que estava escrito em baixo. Amassei o papel em minhas mãos, a Madson era uma puta é claro que foi ela. O único jeito de saber aquilo tudo era ter o meu número rastreado coisa que o pai dela fazia. Alexis não estava perto e isso foi um erro.
Ninguém ousava olhar pra mim, mas ouvi as risadas, por tudo o que me era sagrado não queria que a Morgana visse aquilo, me encaminhei pra saída e esperava que o Alexis resolvesse abafar a fofoca, quando fui em direção a saída me colaram um papel e eu peguei .Era a mesma merda, quando levantei meu olhar era tarde de mais.
Ela estava vermelha, eu conhecia aquela expressão e eu me vi com quase 15 anos nesses corredores. Ela começou a correr, não tive coragem na hora pra seguir ela, mas eu tinha poder pra fazer outra coisa. Sou Thomas Smith, e eu não tinha o apelido de vingador atoa.
– Vocês tem um minuto pra calarem a boca. – Todos me olharam, eu puxei a cadeira de uma sala e fiz o que todo mundo mais odiava. – Vocês são uns filhos da puta e sabe o que mais... Eu disse que a próxima piadinha que fizessem comigo eu ia fazer vocês pararem no caixão!
Eu pulei da cadeira bem na frente do garoto que falou com a Morgana e peguei ele pela gola, todos prenderam o ar ao mesmo tempo, apertei a gola dele e ri, ri maldosamente, senti aquele prazer fluir pelo meu corpo, eu adoraria bater nele, mas apenas o joguei no chão e me virei pro resto do pessoal.
– Vocês não vão querer que eu me vingue disso? Ou não acha que eu sei dos alunos que deu a bunda ou comeu a Professora de Artes? – Ri sarcástico. – Das meninas que chupam o pau do professor de Inglês... Imaginem isso tudo parar nos jornais e pior, com os pais de vocês?
No mesmo momento eu vi o medo instalado nos olhos e nas células deles, todos jogaram os papeis fora. Foi então que vi a Madson passar pelo corredor. Ah! Como eu teria minha vingança! Foda-se que o pai dela era o policial, eu já apanhava de graça, daria um motivo pra ele fazer isso.
Catei aquela loira filha da puta pelos cabelos e continuei rindo achando aquilo engraçado de mais pra mim, e fui com ela até o lado de fora do colégio, toda a escola me seguiu e eu a joguei no asfalto. Joguei minha mala no chão e ela me olhava assustada, ela viu que não tinha medo do paizinho dela e isso fez meu lado sádico gritar.
– Vamos a diversão Madson, você não gosta de humilhar? Então vamos humilhar... – Eu sentei no murinho e comecei meu show. – Gabriela Madson não passa de uma mimada, até os quinze anos ela chupava chupeta gente vê se pode? – Toda a escola riu e ela ficou vermelha de vergonha. – Ela acha que tem alguma chance comigo, falou que se eu beijasse ela faria o que eu quisesse, ela é uma puta. Todas as notas 10 dela são porque ela deu pro Professor e se estiverem duvidando. – Eu ri alto. – Amanhã no celular de vocês vai ter um vídeo e vai ser lindo de ver.
– Thomas... Não faz isso. – Ela me olhava implorando e eu senti nojo, pulei o muro e fiquei bem na frente dela, cheguei perto do seu ouvido e sussurrei:
– É bom você fazer esse boato parar, ou eu juro que realmente falo seus verdadeiros podres e o vídeo vai rodar no mundo todo, sua vadia. – Eu não fazia aquilo por mim, mas imaginar a Morgana chorando me frustrava. – Não se meta com ela, não com a novata. Não tenho medo do seu pai!
Todos ficaram olhando com cara de espanto, peguei minha mala e virei pra todos ali.
– Se eu ouvir alguma insinuação sobre a brincadeira de hoje, vocês vão passar a comer de canudinho.
Não ousei mais ficar ali, eu precisava encontrar a Morgana. Mas antes eu precisava de um número novo e precisava logo. Já sabia onde conseguir e então fiz isso o mais rápido que eu pude. Comecei a correr, peguei o saco de lixo e fui recolhendo as folhas. Cheguei aos fundos da escola peguei um latão e queimei todo o conteúdo.
Sai em disparada e fui colocar tudo em ordem. Eu falei pra Morgana que eu traria problemas e eu odiava ser o culpado indiretamente e sabia que de agora em diante eu teria que protege-la, não tinha volta.
–-x—
POV ESPECIAL DO ALEXIS
Só pra vocês não se perderem eu tive que me meter nessa história. Quando eu cheguei na escola com o Thomas o circo já estava formado, eu nem pude conversar com ele apenas corri pro campo de Futebol, eu tinha voz naquele time e acabaria com aquela fofoca. Nunca torci tanto para que a Morg se atrasasse para escola.
Cheguei ao vestiário e vi a cara dos meus companheiros. Eu estava carrancudo e sério, peguei a merda do papel e rasguei, apontei pra cada um deles e eles rapidamente jogaram os papeis fora.
– Vocês vão tirar todos esses papeis de circulação. A Morgana Curts não merece esse tipo de tratamento e é melhor não falarem nada, O Anjo Vingador não está no melhor humor. – Soquei o armário do meu lado. – E MUITO MENOS EU!
Olhem entendam bem, eu me apego fácil as pessoas e não foi diferente com a novata. Eu me sentia bem com ela, parecia que éramos irmãos e então eu sentia a necessidade de protegê-la, então tratei de fazer logo. Corri para a direção pra comunicar o acontecido.
– Olha diretor fizeram um boato comigo a Morgana e o ... Thomas. – Eu pude o ver hesitar e sussurrar o nome do Thomas.
– Pode deixar Alexis, eu vou punir quem se quer tocar no assunto, mas temos que manter o Smith na linha.
– Eu sei e é por isso que eu estou aqui. Bom, vou indo.
Eu sou o wide receiver do time então corro como uma bala. Cheguei rapidamente na entrada e vi a Morg passar por mim, ouvi a voz do Tom e não sabia pra onde ir. Fiquei observando e decidi amparar a Morg, eu sei que ela iria precisar de mim. Corri o mais rápido que consegui, mas confesso que ela era mais rápida.
Ela foi na direção de um bosque que dava a visão perfeita da escola, caminhei entre as arvores e até ouvir um barulho de choro. Segui na direção e me deparo com ela aos prantos. Eu mordi o lábio. Cara eu realmente odiava alguém chorando, mas ela... Era maçante. Eu sentei do lado dela e a abracei forte sem falar nada, só fiquei ali a confortando, ela logo retribuiu o abraço.
– Eu estou aqui Morg, e vou resolver isso. – Deu pra ouvir uma zona vindo da escola. Eu olhei na direção e fiquei surpreso, prendi o ar e sussurrei baixinho. – Tom...
–-x—
Eu estava em um beco sem saída da cidade. Não sabia se estava longe ou não da escola e não me importava. Ao invés da minha roupa normal, o que eu vestia era o uniforme da velha escola Santa Rosa, uma saia xadrez que ia para baixo do joelho e uma camisa rosa que ia logo para baixo.
O que eu tinha nas mãos era meu trabalho da árvore genealógica modificado, naquela época eu não poderia fazer teste de DNA e coloquei toda a família do meu vô e da minha vó lá. Quando eu fui apresentar alguém trocara a meu trabalho no quadro e o que revelara era minha "mãe" como uma estripe prostituta e meu "pai" como um ladrão vagabundo qualquer.
"Deve ser por isso que te abandonaram, ninguém quer uma criança fruto de um acidente de trabalho"
Foi o que a garota que me odiava falou pra toda a turma e o resto que eu lembro era só risadas ecoando na minha cabeça e aquela súbita vontade de desaparecer.
Só que dessa vez foi diferente, da última vez fora um policial que me achara e eu tive que voltar para o internato onde ainda ouvia piadinhas aqui e lá, e nessa eu podia sentir alguém me abraçando.
Eu estava em um estado deplorável, minhas calças estavam sujas de terra junto com a camisa e eu não conseguia parar de chorar, meu peito ardia e minha cabeça latejava.
Eles haviam feito a mesma coisa comigo: invertido a verdade, só que pior, haviam colocado outras pessoas no meio, as pessoas que eu não queria perder por nada. Alexis era meu irmão e eu sabia que ele sentia a mesma coisa, Thomas...era complicado, não sabia organizar meus sentimentos por ele, mas eu sabia que eu não queria o perder tanto quanto Alexis.
–Eu estou aqui Morg e vou resolver isso.
Apertei mais o abraço e tentei controlar as lágrimas que saiam facilmente lavando minha alma. Eu não era de chorar, isso era raro, fazia muito tempo que não chorava como agora.
Ouvi Alexis sussurrar o nome do Thomas e olhei em direção da escola. A confusão parecia maior e foi então que eu me toquei do que podia estar acontecendo.
–A-alexis você acha que...
–Não sei Morg, eu vou lá ver e você fica aqui tá? — Ele limpou algumas lágrimas que insistiam em sair.- Eu volto pra te levar pra casa — Ele beijou a minha testa e se levantou indo correndo até a escola.
Eu não podia ficar parada olhando aquela cena sem fazer nada, Thomas podia se encrencar ainda mais por qualquer coisa que fizesse e não queria que fosse por uma idiotice dessas.
Limpei as últimas lágrimas que escorreram, sentia que meu rosto estava inchado e isso me daria algumas orelhas fundas. Levantei-me e sai correndo na mesma direção do Alexis o mais rápido que podia até a escola.
Vi um pequeno tumulto na frente da escola e quando alguns me viram fizeram silêncio absoluto, franzi o cenho e não me importei com mais nada.
–Onde ele está? -Minha voz saiu fraca e embargada por eu ter chorado, e eu odiava que me vissem assim.
Eles apontaram para os fundos da escola e eu corri na mesma hora. Senti uma pequena dor perto da costela e sabia que era por ter respirado errado durante a corrida.
No fundo da escola havia uma lixeira pegando fogo e percebi que era os papéis, então vi algo preto virar para o estacionamento e percebi ser o Thomas .
Corri o mais rápido que podia para alcançar ele antes que fosse embora com a moto. Dobrei para o estacionamento e o vi correndo até a Harley, eu não tinha mais forças para correr e me dobrei respirando com dificuldade.
–THOMAS! — Minha voz ecoou chorosa pelo estacionamento e ele parou se virando pra mim.- Por favor, não faz besteira
As lágrimas insistiram em vir por mais que eu lutasse contra elas e eu tentava me manter de pé.
Ele veio até mim e me abraçou, um abraço forte e protetor que só meu avô conseguia me dar e eu não recebia há um bom tempo. Thomas afagou meus cabelos e ficamos em silêncio o tempo todo, só ouvindo a respiração um do outro.
–Morg? Tom? — Ouvi Alexis nos chamar do lado contrário do estacionamento e ele veio em nossa direção.- Estão bem?
Confirmamos com a cabeça e nos afastamos um do outro com um pouco de relutância, eu ainda precisava daquele abraço mais um pouco.
–Alexis, leva a Morg pra casa, preciso trocar de número antes que... — Gostei como meu apelido saiu pelos lábios dele e respirei fundo. Senti que Thomas engoliu um seco e ele e Alexis trocavam palavras através do olhar.
–Tom. — Minha voz saiu fraca, mas chamou atenção dos dois.- Se seu celular tiver rastreador eles não podem te pegar sozinho agora. — Levantei o olhar e os dois entenderam o que eu quis dizer.
Thomas passou o celular pro Alexis e andamos em direção as motos, provavelmente as aulas já começaram dentro do prédio e sabia que os próximos dias seriam torturantes. Alexis beijou minha testa antes de subir na moto e eu sorri de canto.
–Vou ligar pra você depois está bem?- Eu confirmei com a cabeça e vi Thomas fazer uma careta.
Alexis subiu na moto e acelerou para fora da escola e Tom já havia subido na moto. Ele passou o único capacete que tinha e eu aceitei. Subi na moto e o abracei pela cintura um pouco hesitante.
Ele acelerou e eu fechei os olhos sentindo o vento bater no meu rosto.
Chegamos à minha casa mais rápido que imaginei e ele parou na frente dela. Desci e entreguei o capacete para ele, Tom encostou-se à moto e eu olhei para meus pés por algum tempo.
–Eu te falei que você teria problemas. — Seu tom não era irritado, mas sim em tom de aviso.
–Eu sei. — Minha voz falhou um pouco no começo e não tive coragem de o olhar apesar de saber que ele me encarava. — Mas eu sempre arrumo confusão. — Ergui os ombros e respirei fundo. — Achava que iam colocar chiclete no meu cabelo ou jogar tinta neon na minha camisa branca. — Sorri minimamente e ele também, voltei a encarar meus pés — Mas parece que não estamos mais no primário não é?
Ele assentiu com a cabeça e eu olhei pro lado tomando coragem.
–Eu nunca conheci meus pais. — Senti que devia contar a ele minha história assim como ele contou a dele para minha vó e a mim no jantar. — Eles me abandonaram na frente da casa dos meus avós e... — Sentia as lágrimas quererem voltar, mas as engoli.
– A única coisa que sei deles é que meu pai abandonou minha mãe assim que ela ficou grávida e ela morreu no parto. — Tom me ouvia em silêncio e sentia meu peito queimar novamente.
– A família dela sentiu raiva de mim porque destruí a vida dela, literalmente... -Limpei uma lágrima rapidamente e mordi o lábio. — Ela ia ser psicóloga, a melhor de todas, mas eu atrapalhei tudo.
Encarei Thomas e senti algumas lágrimas caírem involuntariamente. Ele parecia não saber o que fazer e apenas penetrava minha alma com seus olhos negros.
– Sou fruto de um erro, não devia existir.
Ele segurou meu rosto e senti meu coração falhar uma batida, Tom passou o dedão limpando minha lágrima que insistia em sair e acariciou meu rosto de leve.
– Acho que...
Ele não desviava os olhos do meu e parecia que tinha dificuldade em conseguir falar alguma coisa.
– Sua existência é a melhor coisa que poderia ter acontecido.
Meu coração parecia ter corrido uma maratona e sentia meu corpo anestesiado, eu não sabia direito o que estava fazendo, mas estávamos com nossos rostos cada vez mais perto e então... é, nos beijamos.
Minha cabeça estava tão confusa que por um breve momento ficou em paz, meu corpo relaxou e eu senti ele me puxar pela cintura aprofundando o beijo.
Só nos separamos quando não restou fôlego e nos olhamos dentro dos olhos um do outro por um tempo, podia ficar assim pelo resto do dia se não fosse pelo fato da minha vó aparecer.
–Querida? O que está fazendo aqui?
Thomas soltou minha cintura e eu me afastei rápido me virando pra minha vó. Eu estava vermelha obviamente e um pouco assustada por minha vó ter saído assim, do nada.
Ou ela estava vendo tudo e resolveu aparecer para me constranger, eu nunca sabia o que se passava pela cabeça da Dona Atena Curts!
–Ah, Olá Tom, como está meu rapaz? — Ela sorriu docemente e alternava o olhar entre nós dois.
– Oi dona Atena, vou bem obrigado. — Ele deu um sorriso tímido e passou a mão pelo braço.
– Quer entrar? Fiz o bolo de chocolate favorito da Morgana.
Eu arregalei os olhos pra minha vó e sabia que ela tinha visto a cena. Nada passava despercebida pela vovó Atena e às vezes (tipo hoje) eu odiava isso nela.
– Não obrigado, preciso avisar o Sr. Thomps. — Ele montou na moto e acenou para minha vó. — Até mais dona Atena.
– Até querido, mande um abraço pro sr. Thomps! — Ela acenou de volta e Thomas acelerou sumindo de vista.
–Vó... — Olhei repreensiva pra ela que só riu.
–Ah, esses jovens! — Ela entrou rindo e eu só pude balançar a cabeça.
Eu sabia que ela iria implicar comigo já que ser irritante estava na nossa genética, mas sabe? Acho que nada mais me importava naquele instante.
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