Notas iniciais
"Para conseguir a amizade de uma pessoa digna é preciso desenvolvermos em nós mesmos as qualidades que naquela admiramos." - Sócrates

POV ESPECIAL ALEXIS

Eu tinha que dar um jeito nos celular rastreado do Tom, a vantagem de ser mecânico é que você acaba entendendo de rastreador pelo GPS, olha eu sei que não é correto rastrear o celular de alguém sem ordem jurídica, mas eu tenho que explicar uma coisa que o Tom mantem em segredo e prefere não contar.

O Oficial Madson é a lei do bairro ou você está com ele ou você está contra ele. Infelizmente Tom ficou contra ele quando aconteceu tudo aquilo depois da morte da mãe. Thomas Smith enfiou uma coisa na cabeça, a morte da mãe dele tinha uma causa e um motivo e não era aleatório, então ele deu uma de detetive particular e descobriu coisas que o descontrolou.

Isso resultou em um cara quase morto, ele indo pro reformatório e hospício durante um mês e o pior, agora ele tinha que ser sua própria lei, já que o Oficial Madson declarou abertamente pra ele, que no que dependesse dele o Tom voltaria pra cadeia. Então qualquer um que se envolvesse com o Tom era alvo do Madson, eu sei que o Anjo Vingador se afastou de mim por isso, não queria problemas. Entretanto de uma forma ou outra tínhamos que nos falar, mas foi só o necessário.

Como não podíamos confiar nem nos nossos celulares, eu e ele passamos a criar uma comunicação entre atitudes e olhares era o nosso código Morse e funcionava bem, só que agora temos mais uma no grupo, Morgana Curts. A Morg conseguiu chegar no Tom de um jeito que nem ele esperava, como no dia que ele levou a surra, ela querer ficar fazendo dupla com ele no grupo e... Eu não sou idiota Tom brigou e fez aquela zona na escola não foi por ele estar na fofoca, mas foi por terem magoado a Morg.

Quando vi ele abraçar a Morg no estacionamento eu fiquei relutante pra chamar ele, mas precisávamos dar o fora dali, se o Owen chega e tem aquela confusão Thomas iria ter sérios problemas. Voltando, agora estou no escritório do meu pai, ele fez engenharia mecatrônica e trabalha na marinha, então eu tenho alguns conhecimentos e comecei a mexer no celular trocando os sinais.

Olha não sou aquele Nerd, mas eu tenho meus conhecimentos e consegui embaralhar as informações, sempre que tentassem rastrear o Tom teria algum momento que daria linha cruzada e mandaria pra outro telefone, é um sistema de defesa básica do Exercito.

Não demorou muito e ouvi a Harley dele chegando, continuei concentrado e ouvi o barulho da porta e logo sua voz se instalou atrás de mim, me virei pra ele e joguei o celular.

– Fiz uma espécie de bloqueio, mas por via das duvidas.. – Me levante e peguei uma caixa. – São telefones antigo que o exercito não usa mais, meu pai trás pra mim.

– Então teremos linha segura agora. – Ele pegou três telefones e guardou na mochila, pude notar que ele estava com a cabeça longe, conheço ele.

– Continua usado seu telefone pro Madson não desconfiar. – Fiquei apoiado na mesa de braços cruzados, ele continuava com o olhar distante e o pior ele sorria de canto, ah cara aquilo era de mais pra mim. – Tom qual é a piada?

– Nenhuma Ambrósio. – Ele voltou ao seu “normal”, mas eu sabia alguma coisa tinha acontecido com ele e a Morg. Só que também sabia que ele não iria falar. – Ainda são 10:05 da pra gente pega a aula depois do lanche é do Quíron se não formos ele nos mata sabe disso.

– Você esta certo, só temos um problema com a volta. – Cocei atrás da nuca. – E a caminhonete da Morg?

– Eu vou levar pra oficina depois volto pra buscar minha moto na escola. – Ele arrumou a mochila e batia o pé inquieto. – Melhor eu ir sozinho eu tenho certeza que o Madson vai atrás de mim.

Depois daquilo trocamos aqueles olhares que só nos dois entendíamos, e eu já sabia o que era pra fazer, corri até meu quarto. Olha o bom de ser da área do exercito, sua casa vira um quartel general, desci correndo e coloquei um chip no colar do Tom, ele guardou o colar e suspirou.

– Quando você acha que vamos conseguir? – Eu analisava e Tom. – Quanto tempo você suporta?

– Até o juiz me dar o bom comportamento, ou seja, o ano inteiro tentando fazer o máximo que puder. – Ele foi saindo de casa e eu fui logo atrás, ele montou na moto dele e eu na minha. – Ele mexeu com o garoto errado.

Naquele momento eu lembrava do porque do apelido Anjo Vingador, ele vivia por isso e precisava disso, ele colocou o capacete e baixou a viseira, olha juro que se ele tivesse com a jaqueta de couro e pegando fogo ele sério o motoqueiro fantasma. Ele faz jus ao apelido.

– Você busca a Morgana... – Senti que ele travou um pouco pra falar. Até imagino o que ele fez, se não o conhecesse juraria que ele tinha corado de baixo do capacete. – Nos vemos na escola... Peixinho.

– Até mais o porquinho. – Aquele era o velho Thomas eu odiava ser chamado de peixinho e ele odiava o porquinho. Fazer o que? Apelido de mãe!

–-x—

Minha mente estava um turbilhão, eu não sabia o que sentia e merda eu agi por impulso. Quando eu estava na casa dela e vi ela naquele estado... Eu só quis protege-la, quando ela me contou a história dela, entendi o porquê de não ter medo de mim.

Ela era como eu se você olhasse do ângulo certo, ai vem a parte que agi por impulso, quando eu segurei o rosto dela minha mente já tinha se desligado, ela era realmente a melhor coisa que aconteceu pra mim nesses últimos anos e não queria ninguém estragando isso... Talvez eu estraguei quando beijei ela.

Também não me arrependo, eu me sinto atraído por ela, foi como eu falei... Hormônios. Se na aula de Ed. Física ela me chamou atenção, ela de toalha me deixou desnorteado.

De uma coisa eu tenho certeza, a partir de agora ela se tornou minha responsabilidade, se afastar dela não vai adiantar, então traga ela pra mais perto e veja no que é que dá.

Entretanto não pretendo andar com ela mais que o necessário, andar comigo pode ser mais perigoso do que um relógio bomba estar perto de você, então sim eu precisaria de ajuda e porque não do capitão do Time de Futebol?

Acelerei ainda mais minha moto e passei pela casa da vó dela, nem pensei em parar, mas vi pelo retrovisor que o Alexis estava entrando, me senti mais aliviado e arranquei com a moto.

Sabia que qualquer minuto sozinho iria requerer o dobro de atenção então não ousei parar em qualquer lugar e sempre passar por lugares com mais pessoas possíveis, não demorou muito e cheguei na escola, olhei no estacionamento e a Bessie ainda estava lá, coloquei minha Harley na traseira e olhei o relógio.

Ainda me restava meia hora antes de começar a aula de história, então entrei na Bessie e fiz uma ligação direta, afinal não estava com as chaves, sai com ela estourando o escapamento e soltando óleo, suspirei e rezei pra que ele não parasse até a oficina.

Bom ela pelo menos chegou até lá, estacionei nos fundos e a tranquei como pude, tirei minha moto e voltei pro colégio, Alexis e a Morg também tinham acabado de chegar.

Não sabia como tratar ela depois do que aconteceu, então optei por não falar nada, desci e prendi minha moto. Os dois estavam rindo e abraçados, suspirei fundo e tentei me manter impassível, fui andando e eles foram do meu lado, acho que devido ao esforço minhas costelas começaram a doer, peguei o analgésico do bolso e tomei, esbarramos com alguns alunos no caminho, eles não ousavam olhar pra Morg ou fazer qualquer cochicho inclusive perto de mim.

Entrei na sala e sentei no meu lugar, Alexis foi pro outro lado da sala perto da janela e sentou, Morg ficou do meu lado e um silêncio constrangedor se instalou, até que eu respirei e contei até dez, sussurrei pra que só ela me ouvisse.

– Sobre o que aconteceu mais cedo... – Olhei pra ela e senti que ela travou e ficou um pouco vermelha, lutei pra não abraçar ela de novo, não ali na sala. – Não conta pra ninguém.

– Não vou. – Não sei se foi impressão, mas acho que ela estava um pouco triste com o que eu disse. – Ta tudo bem.

Eu sabia que não estava, eu não queria perde-la, mas aquele beijo eu não sei bem o que significou, foi só o desejo por ter visto ela daquele jeito, se foi por proteger , ou pior se foi por tudo isso junto. Eu não sabia o que pensar e pra não magoar ou piorar mais a situação, não queria que aquilo acontecesse assim, só queria que ela entendesse isso. Eu ia voltar a falar, mas o sinal tocou e ela resolveu prestar atenção no caderno, eu suspirei e fiz o mesmo, fiquei surpreso quando abri o caderno e estava uma poesia que eu transcrevi, adivinhem o nome?

“Será que estou apaixonado?”

Li e reli aquela poesia durante a aula inteira do Quíron, meu coração batia rápido. Antes eu lia aqueles versos sem entender, hoje eu via que eles tinham um significado, mas também me veio uma duvida... Será que ela pode sentir o mesmo por mim? Olhei na direção do Alexis e depois pra ela, qual seria o tipo de sentimento entre os dois? Eu não sabia bem o que fazer, mas eu só tinha certeza de uma coisa... Eu queria os lábios dela de novo.

Um pouco antes que o sinal tocasse, eu escrevi um bilhete e entreguei na mesa da Morg, ela me olhou um pouco assustada e eu apenas sorri pra ela.

Me encontra no terraço na hora do almoço”

O sinal bateu e eu esperei todo mundo sair, não tinha muita pressa, afinal eu tinha tempo de sobra, subi as escadas até o ultimo andar e esperei um pouco impaciente, até que ouvi o barulho da porta de metal se abrir e me virei pra ela.

– O que aconteceu Tom? – Antes de mais nada eu peguei o celular que o Alexis forneceu e entreguei pra ela. – O que é isso?

– Já tem dois números salvos ai, um meu e outro do Alexis. – Eu não tirava os olhos dos olhos dela. – Não da pra ser rastreado por ele.

– Ah, obrigada Tom. – Ela sorriu agradecida e guardou o celular. – Olha eu não quero você se metendo em confusão por mim e...

– Cala a boca, Morg. – Naquela hora eu queria que o mundo explodisse, eu puxei ela pela nuca e pousei outra mão na cintura dela e a beijei, dessa vez não teria ninguém pra interromper e eu aproveitei. Não sabia se faria isso de novo, beijei como se fosse a ultima vez e senti meu peito queimar... meu coração palpitar. Deuses como aquilo era bom.

–-x--

Meses se passaram, já estávamos no meio do ano, e nada de anormal acontecera na escola. A não ser o fato que me viam como uma ameaça agora, ninguém me tocava ou falava comigo, diziam até que eu era a protegida do Anjo Vingador.

Certa vez Jamili cochichou para mim "Muito esperta, se não tem como derrotar o inimigo, junte-se a ele" eu soltei um "Tá doida garota?" e ela se encolheu praticamente correndo longe de mim.

Sabia que Tom não gostava que eu não tivesse amigos e que todos tinham medo de mim tanto quanto dele, mas eu não me importava, aqueles meses estavam sendo os melhores da minha vida.

Entrei no time de vôlei pra ter ainda mais pontos extras no meu boletim e isso significava aguentar a Madson. Ela não implicava diretamente comigo, mas seus cortes e saques estilo nazista eram todos pra mim.

Eu ligava praticamente todos os dias pro Alexis e de repente nos conhecíamos mais do que nós mesmos. Ele finalmente tomou coragem e chamou a Amanda pra sair e até eu me surpreendi.

Alexis cantou pra ela na frente de todo o refeitório, deu flores, se ajoelhou e falou a frase que eu mandei por mensagem já que ele estava com um tique nervoso. Toda a escola aplaudiu e eu e o Thomas nos entreolhamos e sorrimos, fiz "legal" pro Alexis e ele em disse em código Morse "Obrigado".

Depois do beijo no terraço eu e Thomas estávamos só entre olhares e toques... Não levem a malícia, eram pequenas coisas como ele segurar minha mão quando eu tropeçava (o que acontecia muito já que eu era mega desastrada) ou quando estávamos sentados lado a lado nossos joelhos se encostavam involuntariamente, como se nossos corpos tivessem imãs e não pudessem ficar longe um do outro.

E cada vez que isso acontecia meu coração disparava e eu não conseguia conter um sorriso. Eu sabia o que era isso e eu estava assustada porque nunca me... Apaixonara antes. Tinha medo que aqueles beijos não tivessem significado para ele ou até que ele não sentia a mesma coisa por mim, porque era difícil ele mostrar o que sentia e eu também.

Nos encontrávamos todos os sábados de manhã na biblioteca para fazermos o trabalho de história, conseguimos concluir a metade e tudo indicava que íamos terminar antes do prazo.

Depois da história especializada com o Quiron nós dois íamos até a sala de artes para fazer a maquete do Olimpo e sem querer me gabar, estava ficando muito foda. Sempre escutávamos música juntos e não demorava para estarmos cantando loucamente pela sala.

– Tom me passa a cola. — Ele jogou e eu peguei no ar, eu adorava aquele momento com ele, ficávamos sozinhos falando sobre qualquer coisa.

– Qual vai ser o lanche de amanhã? — Ele perguntou e eu ri. Minha vó sempre mandava lanche a mais para eu entregar pro Tom, ele nem trazia mais de casa para comer o meu lanche.

– Acho que vai ser coxinha, traz o ketchup e a maionese. — Sorri ajeitando "Zeus" no seu trono.

–Combinado- Ele sorriu de canto e começou a tocar Monster do Imagine Dragons. Eu simplesmente amava aquela banda e fiz Thomas ouvir o CD inteiro deles.

– Sempre lembro de você quando escuto essa música. — Eu falei e logo fiquei corada. PUTA QUE PARIU onde eu estava com a cabeça? Ah é, eu não racionalizava quando eu estava com ele, me odiava por isso.

– If I told you what I was... Would you turn back on me? — Ele sorriu de canto e caramba! Como eu gostava daquele sorriso- é.. Eu gosto dessa musica... Mas por quê?

– Não sei, é aquele tipo de música que quando você ouve sem querer lembra da pessoa, entende? — Eu ergui os ombros e o olhei.

–Everything I touch isn't dark enough if the problem lies in me. — Ele continuou cantando e pegou o pincel sujo de tinta e passou na ponta do meu nariz.

–Ei! — Protestei e ri passando o dedo na tinta vermelha e passando na bochecha dele. Rimos juntos e ele ficou me olhando enquanto ajeitava algumas partes do "chão".

– Porque você... Ficou vermelha no primeiro dia de aula? — Ai senhor... Não acredito que ele lembrava disso! Automaticamente eu olhei pro corpo dele e lembrei como era perfeito...

– Eu fiquei vermelha no primeiro dia de aula?- Desviei da pergunta dele usando outra, era expert nisso.

– Quando você me viu na aula do Quiron. — Ele lembrava até disso e tentei disfarçar um sorriso, tentei não olhar pra ele e me concentrei na maquete.

–Não lembro disso... Como você lembra?- O olhei de canto.

–Porque você me chamou atenção. — Ele colocou o queixo na mesa, deitando sobre ela e fiquei em choque por alguns segundos.

–Chamei? — Parei de prestar atenção na maquete e o encarei. Ele franziu o cenho pensativo e afirmou com a cabeça fechando os olhos.

– Na aula de ED. física também.

– Ahn... Por quê? Achou engraçado eu levar a bolada no estômago?- Arqueei as sobrancelhas. Me lembro de ele ter dado um sorrisinho quando fui na enfermaria com o Alexis.

– Alexis não te protegeu por acaso sabia? — Ele me olhou- E sim foi divertido pra mim... Só odeio quando acidentes acontecem por minha causa.

– Então... Eu ter ido parado na enfermaria foi culpa sua mesmo você não tendo jogado?

– Tudo o que te aconteceu de ruim dentro da escola é culpa minha novata. — Ele riu sínico. É, eu sabia até aonde ele queria chegar... Na verdade em quem.

– Odeio quando me chama de novata — Fiz uma careta e bufei- Por que diz isso? — Ele me deu um beijo no rosto demorado e eu sorri de canto.

– Você sabe quem fez as maldades com você... Tanto pela bolada quanto a brincadeira dos papéis. — Lá estava a confirmação que eu queria, ouvi dizer que havia uma garota que tinha uma fascinação pelo Tom. Eu odiava aquela vadia.

– Madson... — Suspirei e trinquei os dentes.

–Isso ai — Ele pegou o pincel da minha mão e começou a brincar com ele. — Você só vai ter mais problemas... Sabe o dia que você me encontrou no estacionamento? — Eu afirmei com a cabeça e indaguei pra ele continuar a falar. Ele olhou para os lados e sussurrou. — Eu apanhei aquele dia...

– Disso eu sei, você não mente tão bem Thomas. — Revirei os olhos sussurrando de volta.

– Do meu policial... — Tom soltou uma risada sarcástica, mas eu percebi um pouco de angustia na sua voz.

Senti meu coração sendo rasgado ao meio... Odiava ver Thomas assim. Peguei a mão dele e fiz carinho com o dedão e o olhei nos olhos.

– Por isso não queria denunciar não é? Você não podia e nem teria como. — Ele afirmou com a cabeça e sorriu olhando nossas mãos

–É...

–Queria poder te ajudar, de verdade. — Suspirei olhando pro chão buscando na minha cabeça alguma solução.

–Você ajuda ficando fora de perigo... — Ele penetrou seus olhos escuros em mim fazendo meu coração falhar. — Sinto melhor com você a salvo.

–Já falei que é a confusão que vem até mim e não ao contrário. — Sorriu de canto e apertei a mão dele.- Sei que você vai estar sempre do meu lado me protegendo... Certo?

–Sempre... — Ele falou baixinho e eu beijei sua bochecha. Acho que pegou o canto do lábio dele, mas não me importei, ele havia sorrido.

Notas finais
Olha ai os nossos pombinhos apaixonadinhos... SÓ FALTA NAMORAR!!!! SE COMAM, SE BEIJEM SE AMEM..... Mas para isso acontecer, é necessário um incentivo, comentários u.u aceitamos! Obrigadinho espero que tenham gostado!