Notas iniciais
"Se te faz sorrir, é porque te faz bem. Se te faz bem, não deixe escapar." - Desconhecido.

Eu estava um pouco nervoso, olhava as estrelas, Morg estava linda do meu lado e me veio uma lembrança que minha mãe me contou da primeira vez que eu perguntei do meu pai. Não sou um garoto sentimental, então tudo aquilo pra mim era novo, minha mãe dizia que meu pai era como eu e se eu quisesse saber dele era só olhar pra mim, não entendi bem quando ela falou, mas agora eu entendo bem.

– Eu tenho uma coisa pra te falar... – Peguei o colar que pertencera ao meu Tio e pedindo pra que os três estivesse me vendo agora. – Só não sei bem como.

– Pode falar Tom... – Ela segurou na minha mão e apoiou a cabeça no meu ombro. – Eu to aqui.

– Uma vez eu perguntei pra minha mãe como ela e meu pai se conheceram... – Vi que tive toda atenção dela, pelo nosso código entre olhares ela dizia “O que isso tem a ver?”.

–Final dos anos oitenta, eles também estavam no Bar da Peterson, meu pai era um forasteiro que tinha se instalado por perto ele veio do Texas em busca de uma vida melhor e acabou prestando serviço na casa do meu avô. Ele estava dispensado do Exercito naquele momento e bom ele se encantou pela minha mãe... – Eu sorri imaginando as cenas dos dois. – Eles também vieram no show de Rock da Epoca, os dois dançaram e se divertiram.

Me sentei de lado no banco e abracei ela de costas pra mim, ela apoiou a cabeça no meu peito e fechou os olhos, ficamos em silêncio por alguns segundos, sentia o coração dela batendo junto com meu em perfeita sincronia, acho que ela também percebeu porque nos dois rimos juntos e eu voltei a falar.

– Minha mãe disse que era noite de Lua Cheia como agora... – Eu olhei pro céu e levantei minha mão como querendo pega-la, a Morg esticou o braço dela também e eu entrelacei com a dela.

– Ela disse que se sentiu a mulher mais feliz do mundo nos braços do meu pai. Ela disse que eu tinha o jeito do meu pai os mesmo cabelos, as mesmas manias, só a cor dos olhos que mudavam, mas que diziam a mesma coisa se olhassem neles. – Apertei ela forte em mim e senti seu cheiro.

– Quando ela me contou essa história, eu queria ter a sorte que meu pai teve de ter alguém que se sentisse feliz nos meus braços. – Eu ri fraco e voltei olhar pro céu.

– Olha Tom... uma estrela cadente. – Eu olhei pro céu e agradeci, a noite estava perfeita. – Fez um pedido?

– Não é pra estrela cadente que eu quero fazer um pedido. – Eu sussurrei no ouvido dela. – É pra você que quero fazer um pedido. Assim como meu pai fez pra minha mãe, nesse mesmo banco... Com a mesma estrela cadente que passou ali.

– Tom... – Ela se afastou um pouco pra olhar nos meus olhos e eu fiz o mesmo.

– Morgana Curts, diante da lua cheia como testemunha... – Eu sorri olhei a Lua e depois pra ela. – Você aceita namorar comigo, o Anjo Vingador?

Eu não sabia dizer se era a luz da Lua ou os olhos dela que brilhavam pra mim, meu coração estava bem acelerado. Olha eu já vi muitos casos de por mais que as duas pessoas estão apaixonadas, quando fazem um pedido recebem um não como resposta, então sim eu estava nervoso do mesmo jeito.

Pela primeira vez o silêncio entre nos dois era torturante, mas eu também não conseguia deixar de ter o contato visual com ela, novamente a olhei pra guardar aquela memória comigo, blusa branca do Guns’n roses, uma meia calça preta com um short, uma bota de cano longo. Olha não podia negar ela tinha estilo, mas era O estilo, perfeito pra mim.

Minha roupa predileta jaqueta de couro, calça jeans e uma camisa por baixo, mas ela... Ela fazia o simples virar um roupa melhor do que aquelas escrotas que aparece nas revistas de moda das meninas da escola, tentei guardar todo aquele momento na minha mente, levei minha mão até o rosto dela e acariciei.

Senti uma corrente elétrica passar por mim e parece que ela também acordou do transe, me sentei mais próximo a ela, nossos rostos estavam quase colados, não ousei tirar meus olhos do dela, nossos narizes se roçaram e eu ri um pouco com as cócegas que fazia, percebi que teria que perguntar de novo, rocei meus lábios no dela perguntei novamente.

– Morgana Curts... Aceita namorar comigo?

Ela colocou as duas mãos na minha nuca, passando as pontas dos dedos, eu arrepiei assim que senti o toque, ela sorriu bem perto da minha boca, podia sentir a respiração dela bater contra o meu rosto, nossas testas se encostaram, deslizei minha mão pra nuca dela e fechei os olhos e foi nessa hora em que tudo ficou escuro pra mim.

Ouvi o barulho do vento e de gente conversando do bar, sabe aquelas cenas de cinema em que toda a tela fica escura e você só ouve a voz da pessoa esperando a resposta? Foi bem assim que eu ouvi... Um grande silêncio se instalou, o ventou soprou mais devagar, o barulho de fundo quase sumiu, parecia que o tempo estava mais lento.

– Sim... Eu te aceito Anjo Vingador.

Não tinha mais porque esperar, eu tomei os lábios dela com vontade e ao mesmo tempo devagar, ela voltou a acariciar minha nuca e eu passei minha mão pra cintura dela, Morg segurou meu rosto me impedindo de parar o toque e eu nem queria parar, atendi ao pedido dela e juntei mais meu corpo, eu queria sentir o toque dela.

Ela passou os braços pelo meu pescoço e acariciou os meus cabelos, era inevitável, aprofundei mais o beijo pedindo mais passagem e ela me cedeu, abracei ela forte na cintura e fiquei acariciando ali.

Não sei quanto tempo durou, mas nos dois éramos humanos, já estávamos ofegantes, suspirei durante o beijo e dei vários selinhos, ela sorria e me abraçava, não precisávamos falar nada, mas também precisávamos, acariciei o rosto dela e dei mais um selinho.

– Eu te amo, Morgana Curts. – Fechei os olhos, uma coisa era gostar de alguém, uma é estar apaixonado... E outra era amar. Eu entendi a história da minha mãe e o que ela quis dizer e eu sabia que aquilo que eu sentia por ela, era amor.

Quando voltei a abrir meus olhos ela estava mais surpresa ainda, eu ri do espanto dela. Acho que eu podia entender, por mais que eu fosse mais solto com ela, acho que ela nunca me ouviu falar sobre amor, nem que eu amasse alguém.

Se apaixonar é coisa simples, talvez não tão simples. Só que olha você se apaixona por uma roupa, uma música, por um ídolo, por uma banda...

Agora me diz às coisas que você ama? Seu cachorro, aquele ursinho de pelúcia que alguém em especial te deu, mas você não ama o objeto e sim o valor sentimental dele.

Você pode se apaixonar por alguém sem amar essa pessoa, mas você não pode amar alguém sem ser apaixonado por ela.

O ser humano é movido de paixões, e onde eu quero chegar? Simples, Morgana Curts era a paixão que me movia, era a garota por quem eu sou apaixonado, e ainda mais agora... é a garota que eu amo e ninguém seria capaz de mudar isso.

Aquela garota tímida do primeiro dia de aula, aquela garota que não se importou em fazer o trabalho comigo, aquela garota que chegou no meu coração quando eu mais chorava, é hoje a garota que está na minha frente, com a blusa do Guns, é hoje a garota que tem a chave de todos os meus segredos... É quem tem o coração desse Anjo Vingador.

Se ela pensava em dizer alguma coisa de volta eu não deixei, dei um selinho e me levantei estendendo a mão pra ela, o importante era estar sorrindo, ela se levantou e eu fui puxando ela de volta pro bar.

– Não posso perder o jogo, senão o Velho Thomps e o Alexis vão achar que amaldiçoei os Birds.

Ela riu, eu abracei ela por cima do ombro, ela enlaçou minha cintura e voltamos na direção do bar, coloquei as mãos no bolso, fui até a mesa em que estava Alexis e Amanda e meu avô, sentei com eles e a Morg do meu lado, me liguei no jogo, pedi dois refrigerantes e alguns petiscos pra acompanhar.

Era Pré-Temporada Eagles vs Giants, os torcedores dos Giants são chatos e agradeci aos céus por não ter cruzado meu olhar com o Owen, sabia que ele estava aqui, já que ele torcia pros Giants.

Resolvi deixar de lado, fiquei de mãos dados com a minha namorada, dei um beijo nela antes de começar o jogo e ela apoiou a cabeça no meu ombro, não precisava nem falar que o Velho Thomps estava de olho em tudo, ele olhou pra mim e sorriu de canto, vi ele mexer os lábios dizendo.

“Igual ao pai”

Revirei os olhos e tomei meu refrigerante, os Eagles tinham dado seu pontapé inicial, e esperava que meu dia acabasse bem, com a garota que eu amo e com o meu Time vencendo. Nem precisava dizer que a Amanda torcia contra e irritava o Alexis, o que arrancava boas risadas minha e da Morg.

–-x—

Eu já era retardada feat. lenta feat. idiota, mas essa noite minha capacidade saiu dos limites. Thomas teve que me pedir DUAS vezes em namoro por que a leiga aqui estava indo pro céu e não voltava mais.

Eu não esperava muito dele, Tom sempre foi fechado e tudo mais... Só que o que ele fez foi muito além de qualquer expectativa, nenhuma garota conseguiria pensar em uma coisa dessas.

Desculpa, exagerei, mas eu realmente estava surpresa. Ele me levara até onde os pais dele começaram a namorar, sobre a mesma lua (sinceramente até Ártemis gostou que eu sei). Sim eu me sentia a mulher mais feliz do mundo, não, talvez do universo!

E como se não fosse perfeito o bastante Thomas falou que me amava. Eu queria dizer que o amava também, tinha certeza disso, aquilo que eu sentia por ele era muito mais do que hormônios ou "química do amor", era algo muito maior do que a ciência ou chata da professora de química podia explicar. Ele não me deixou falar hoje, mas eu com certeza falaria o que verdadeiramente sentia por Thomas Smith, o Anjo Vingador.

Fomos ver o jogo de futebol logo após e eu devo admitir que nunca me sentira tão bem, só faltava vovó Atena lá comigo e eu sentiria a família completa. Eu não era tão ligada a futebol, meu avô era adorador do beisebol e eu peguei isso dele.

Eagles ganhou e foi a vez de Alexis irritar a Mands, eu via aqueles dois casados... Imagina que pé de guerra? Ri internamente imaginando e quando percebi a maioria que estava no bar já fora pra casa.

–Ah, tirei seu recorde no pacman. — Sorri vitoriosa pro Thomas que deixou o queixo cair, arquei as sobrancelhas e tomei um gole direto da garrafa de coca cola, eu nunca falei que tinha bons modos.

–Não acredito que você tirou meu recorde intacto por 6 anos! — Ele me olhava abismado e eu estava adorando isso.

–Não tenho culpa se sou melhor que você Smith. — Sorri de canto e ri quando ele pediu fichas pra Peterson.

Eu queria ver se ele realmente conseguiria bater o meu recorde, mas olhei a hora e me levantei em um susto. Era quase 2hs da manhã, não gostava de deixar vovó sozinha em casa e sabia que ela estava com o coração na mão.

–Tom eu tenho que ir embora, vovó vai me esgoelar por eu chegar a essa hora. — Ele afirmou com a cabeça e me deu um beijo.

–Eu te levo pra casa, protegidinha. — Ele riu e eu dei um soco no braço dele.

–Idiota, anda logo. — Ele saiu do bar e eu só me despedi do Sr . Smith que insistiu que eu o chamasse de Thomps.

Baguncei o cabelo do Alexis e dei um abraço na Mands, ela pediu meu telefone, o que me surpreendeu, mas se socializar um pouco não faz mal. Soltei um "Se comportem crianças" entre os dois e sai do bar rindo com Tom enterrando a mão na buzina.

Ele havia até ligado o rádio e eu sentei no passageiro. Cantávamos as músicas alto e bem... Bem desafinados, poderiam dizer que estávamos bêbados e eu diria: sim, de amor. Isso soou brega? Tanto faz... Estava feliz como nunca.

Tom parou nos fundos de casa como de costume e eu esperei ele tirar a moto dele da caçamba da Bessie, peninha que não conseguia ver os músculos dele em ação.

–Acho que. — Bocejei- Vamos nos encontrar mais tarde amanhã, tipo umas dez horas e...

–Não se atrase porque tenho problemas com a pontualidade. — Ele me imitou e eu tive que rir. — É, eu sei. — Ele me puxou pela cintura e me beijou, coloquei meu corpo no dele sentindo seu perfume novamente... Tão bom. Mordisquei o lábio dele acariciando o rosto do Thomas.

–Boa noite oinc. — Sussurrei.

–Boa noite novata. — Ele me deu um selinho e pela primeira vez não fiquei brava por ele me chamar assim.

Sorri e fui entrando em casa, acenei pra ele antes de entrar em casa e fechar a porta. Corri até meu quarto e o vi montar na sua moto e sair sorrindo.

Fui até o quarto da vovó na ponta dos pés e a vi dormir profundamente. Andei até lá e tirei minhas botas, sentei no lado da cama dela e a observei. O que seria de mim sem ela? Sorri e deitei do lado dela me aconchegando perto dela. Vi que ela resmungou um pouco e ri em silêncio.

–Boa noite vó, eu te amo!

E dormi ao lado dela. Pode falar que eu era uma criançona por dormir com a minha vó aos 17 anos, mas eu aprendi a dar valor as pequenas coisas da vida e curtir cada segundo ao lado de quem amamos. Só assim senti a noite ser completa e a mais perfeita de todas.

Notas finais
Capitulo fofo? Merecem? Foi tão ownt? Quero comentários!