My Avenger Angel
4 Should I be afraid?
Notas iniciais
Meu dia teve a sua meia hora de perfeição, até aquela garota entrar pela sala. Se fosse até ai seria um dia normal como sempre, mas sempre tinha algo pra fuder com meu dia completamente. Quíron pra começar fez a maldita chamada, eu não respondo, mas todo mundo faz uma merda de silencio quando falam meu nome e então eu levanto um pouco a mão só pra atenção deixar de ser minha.
Nosso querido professor de História colocou na lousa todos os temas de TCC que teria, Egito Antigo e Mitologia Egípcia, Roma e obviamente agregava a mitologia que não passava de uma mera copia dos gregos, então vinha a Nórdica e outros temas aleatórios. Depois de colocar os temas hora de chamar os nomes e ele começou pelo meu tema.
Logo que ele chamou o tema, eu tinha um fio de esperança de que não seria tão ruim, ainda sou um ser humano acho que tenho esse direito, levantei minha mão junto com a garota que estava mais na frente da sala, e foi ai que começou meu inferno.
– Sortudo. – Foi o sussurro que eu ouvi da novata do meu lado e eu apenas a olhei, mas só ficou pior.
– Certo então Thomas e Jamili... – A garota nem ao menos esperou Quiron terminar de falar, nem muito menos deixou pra falar depois, ela começou a dar um ataque histérico logo ali... Na minha frente.
– Por favor, Sr. Quíron deixa eu trocar...
A partir daquele momento eu bufei e revirei os olhos e apenas ouvi a garota chorar em desespero, eu quis me trancar no meu mundo, ouvi o professor murmurar algo e a sala ficar em completo silêncio. Eu sei exatamente o que ele tinha perguntado, eu sei exatamente porque o silêncio da sala e por um momento aquilo me doeu. Só que rapidamente deixei de me importar e engoli seco pra não levantar dali e ir embora.
Em um ato inconsciente olhei pro Alexis e trocamos apenas um olhar que dizia tudo, movemos nossos lábios iniciando nossa conversa silenciosa, olha era nessas horas que o companheirismo com o Alexis valia a pena, me evita certos problemas.
“Tudo bem eu fazer com você, Tom?”
“Faz o que você quiser, mas faz essa menina parar de chorar.”
Quando o Alexis ia se pronunciar algo mais surpreendente aconteceu, a novata do meu lado levantou a mão e parecia feliz com isso. Essa garota é maluca? Eu só consigo imaginar isso, olhei pra minha mão e ouvi a garota parar de chorar, me virei pra Morgana assim que ela sentou na cadeira dela. Eu estava bem irritado, e tinha motivo, todos ali estavam olhando pra ela como a chapeuzinho vermelho que vai direto pras garras do lobo mau. Não queria mais proximidade pra ter outra garota chorando no meu ouvido, então pensei em fazê-la cair fora.
– Isso é perseguição? – trinquei os dentes e mantive o contado visual com ela, achei que por ser tímida ela ficaria na defensiva, só achei.
– O que é? Acha que eu quis trocar por sua causa? – Ela riu com desdém, segurei forte a mesa, na hora veio um lapso de memória e eu resolvi terminar por ali.
– Tanto faz. Só não me atrapalhe ok? – Ela me encarou e eu já pensando que ela me deixaria em paz.
– Você gostando ou não, sou sua parceira do projeto. Se quiser fazer sozinho, peça ao professor, mas eu não largo mão do tema nem fodendo badboy!
Respirei fundo e o sinal tocou, ela arrumou as coisas e saiu em disparada, eu olhei na direção do Alexis e mais uma vez murmurei “estacionamento”, não precisei falar mais nada, apenas peguei minha mochila e fui embora, era hora de ir pra casa e eu ainda tinha que trabalhar na oficina junto com o Alexis, a gente trabalha no mesmo lugar, não quer dizer que nos conversamos.
Não fiz nem questão de passar no meu armário, tinha certeza que aquela garota estaria lá e tinha impressão que iriamos discutir, e amanhã já teria fofoca de mais. O Anjo vingador aqueles que todos temem ninguém se pronuncia e ninguém quer chegar perto, só à desavisada da aluna nova.
Cheguei ao estacionamento e do lado da minha moto estava outra Harley só que era uma 850, sem cumprimentar, pendurei a mochila no guidão e fui tirando a corrente, Alexis estava sentado na moto dele me olhando e viu que não puxaria assunto.
– Você está bem, Tom? – Eu olhei pros lados e relaxei não tinha ninguém em volta, então não precisava manter a cara dura com Alexis, tanto é que não funciona. – Eu diria que está irritado e frustrado.
– Então porque pergunta Alexis? – Tirei a corrente da moto e guardei, sentei na mesma e encarei-o. – Não era pra aquela história ter vazado, mas a Madson é uma filha da puta que tem o pai que trabalha na Delegacia do Menor.
– Então eles ainda não te liberaram? – Ele olhou pro céu e sorriu. Eu e ele éramos opostos, ele tinha olhos verde-mar, eu tinha olhos escuros um tom ônix quase negros, ele era sorridente e eu um cara fechado. – Pensei que com a vinda do Sargen...
– Cala a boca Ambrósio, já falei pra não tocar nesse assunto aqui. – Fiquei mais inquieto e olhei pros lados, tive a sensação de novamente estar sendo observado, ou estava ficando paranoico. – Eu tenho que manter o comportamento até o fim do ano e depois de amanhã eu volto com os treinos do Sr. Will, então faz o máximo possível pra ninguém ir pro ginásio, é o único lugar que fica vazio.
– Combinado Tom. – Ele sorriu pra mim e nos dois batemos os punhos, subimos nas nossas motos e fomos em direção do nosso trabalho, já não chovia mais.
Meu trabalho fica em uma área um pouco mais afastada da escola e quase nunca vejo alunos da Dark School por aqui, ganho o suficiente pra me sustentar. Estaciono minha moto atrás da oficina e cumprimento o Mecânico Johnson ele como sempre fumando a merda do cigarro e lendo o caderno de esportes.
Eu e o Alexis trabalhamos sem camisa por motivos de nenhum tem uma mãe em casa pra perder tempo lavando roupa, somos completamente independentes e isso chega ser dolorido às vezes, sei que ele seria o mais perto de me entender. Guardamos nossos pertences, pegamos nossa ferramenta e começamos a trabalhar em um carro que estava três meses parado na rua, e resolvemos concertar por esporte e que também no final daria um belo carro pra vender, um mustang.
Lá se passaram as horas restantes, já estava anoitecendo e fiquei de fechar a oficina e assim o fiz, depois subi na minha moto e fiz meu caminho de volta pela estrada, passei por uma área residencial que tinha uma lanchonete, parei e entrei comprei minha janta, sabia que quando eu chegasse em casa o Velho Thomps estaria dormindo e ele vai comer na Ms. Paterson e uma hora dessa ela já fechou.
Então tive que deixar minha moto na fazenda, cheguei fazendo o mínimo de barulho abri a porta da frente e fui direto pra cozinha, fui logo tirando a jaqueta e a blusa, coloquei a comida no prato e fui assistir TV, olhei na direção da escada e estava tudo apagado, como eu suspeitava. O Velho John Thomps estava dormindo.
–-x—
Eu estava puta da cara, provavelmente vermelha. Abri meu armário com tanta sutileza que quase quebrei as dobradiças. Guardei as coisas e agradeci a todos os deuses que existiam por ele não ir até o seu armário. Quando fechei o armário me assustei com a súbita presença da garota que teve ataque histérico na aula de história. Ela tinha óculos garrafão e seu cabelo estava preso em duas tranças laterais.
–Ah... Oi Jamili, certo?
–Não devia ter feito isso. — Ela falou em um cochicho e ajeitou os óculos olhando para os lados.
–Feito o que?- Franzi o cenho.
–Ter trocado de dupla comigo- Ela falou ainda mais baixo e eu bufei.
–Olha eu percebi que o garoto é antipático, antissocial e não é fácil de lidar, mas mitologia grega é algo que eu amo desde criança e...
–Não é só isso –Ela cravou os olhos em mim- Thomas é perigoso e quase matou um homem. Ele é conhecido na escola como Anjo Vingador. -Ela sussurrou e arregalei os olhos surpresa. — Mude de dupla enquanto tem tempo. — Ela saiu em disparada me deixando com cara de retardada.
Me encostei no armário absorvendo a notícia. Era por isso que Thomas era dessa forma... Todos o tratavam como um assassino. Encostei minha cabeça no armário e engoli um seco com amargura, sabia como era ser rejeitada dessa forma por um erro ou uma fofoca. Mordi o lábio, de certa forma eu sabia que ele era desse jeito todo por alguma frustração.
Respirei fundo e resolvi procurar Thomas, podia ser só uma fofoca não é? Não dava para acreditar em coisas desse tipo vindo de uma garota que não tinha nem um pouco de afinidade com ele. Não tinha como ele passar por mim pela entrada sem eu ter visto, então eu pensei que ele poderia ter ido pelo estacionamento e corri até lá.
Sou cheia de péssimas ideias, perceberam? Quando cheguei ao estacionamento vi Alexis encostado em uma moto e Thomas em outra. Eles estavam conversando e eu sei que eu deveria ter me mandado dali, mas a conversa deles me chamou a atenção.
–Então porque pergunta Alexis? — Ouvi Thomas falar e virei de costas contra o muro- Não era pra aquela história ter vazado, mas a Madson é uma filha da puta que tem o pai que trabalha na Delegacia do menor. — Mordi o lábio. É, parece que a fofoca estava certa, infelizmente.
–Então eles ainda não te liberaram? Pensei que com a vinda do Sargen...- Era a voz do Alexis, ela soava tranquila mas logo foi cortado.
–Cala a boca Ambrósio, já falei pra não tocar nesse assunto aqui- Tom fez uma pausa e eu prendi o ar- Eu tenho que manter o comportamento até o fim do ano e depois de amanhã eu volto com os treinos do Sr.Will, então faz o máximo possível para ninguém ir pro ginásio, é o único lugar que fica vazio.
–Combinado Tom.
Teve um breve silêncio e ouvi o som das motos sendo ligadas e arrancadas. Esperei até eu não ouvir mais o barulho e espiei por onde eles saíram, só então soltei o ar. Não me sentia nada bem em ter ouvido a conversa, me sentia uma enxerida, coisa que eu não gostava.
Fui até o meu carro, e não pense "oh ela tem o carro!" não. Era uma caminhonete na verdade, e bem velha. Dirigi devagar até a casa da minha vó, era longe da escola e só por isso eu andava com a caminhonete que herdei do meu avô. Liguei o rádio e deixei na estação que ele sempre escutava, não era fã, mas me fazia matar as saudades.
Cheguei em casa e estacionei nos fundos da casa já que não tínhamos garagem. Era uma mini fazenda, única coisa que usávamos lá era a horta. Entrei pelos fundos mesmo e como previsto um delicioso bolo de chocolate estava a minha espera. Larguei a mochila perto da escada, o que eu tinha certeza que vovó iria reclamar e fui até a sala.
– Oi Vovó. — Vi ela em sua poltrona lendo um livro na frente da lareira. Ela se virou pra mim com um sorriso aliviado.
–Oi Morg, sente aqui. — Ela bateu na poltrona ao lado que era considerado minha. A outra na esquerda da minha vó era do meu avô, considerado sagrado, ninguém sentava lá. — Me conte como foi seu primeiro dia de aula. — Ela já servia meu chá de menta e eu sentei do lado dela.
–Foi... — Não queria preocupar ela com pouca coisa, mas não queria mentir para ela- tumultuado. Não aconteceu nada de mais. — Sorri e me servi do bolo de chocolate dela.
– E como foi a aula de história que tanto gosta querida? — Ela levou a xícara aos lábios e me observou através dos seus óculos.
– O professor dividiu os assuntos e cada dupla vai fazer um trabalho detalhado-mordi um pedaço de bolo e saboreei por alguns minutos. — Peguei mitologia grega.
–Fascinante! — Ela deu um sorriso largo. — Seu avô tem bastantes livros, pode pegar no porão se quiser.
–Eu sei, pode deixar vó. — Sorri e terminamos o resto do chá em silêncio. Se meu avô ainda estivesse vivo tenho certeza que faria piadas e daria vida aquela casa.
Dei um beijo na testa da minha avó e disse que queria descansar um pouco, subi as escadas com a mochila nas costas e me atirei na minha cama. Meu quarto não era grande e o que eu tinha era só um roupeiro, a cama e um cômodo onde deixava meu notebook.
Comecei a pensar no Thomas e de tudo o que fiquei sabendo. Me perguntei se seria uma boa ideia continuar com ele no trabalho. Fechei os olhos e decidi que iria agir por impulso como sempre fiz, mas era certo que eu ia falar com ele amanhã. Cai no sono sem perceber e bem, acordei mega atrasada.
O que fez eu acordar foi as batidas na porta do carro e uma senhora de 82 anos muito brava! Me levantei rápido e troquei a roupa, não fiz questão nem de passar um pó na cara quando vi a hora no meu celular: 7h30. A aula começava em meia hora! Peguei a mochila, escovei os cabelos com os dedos e escovei os dentes em velocidade máxima. Nem ouvi o que minha vó reclamava e peguei o lanche que pensei ser para mim.
–Tchau vó, te amo. — Sai correndo até a caminhonete e acelerei indo pra escola.
Cheguei no estacionamento feito louca, meu problema chamado pontualidade me acusava mentalmente. Desci da caminhonete e nesse exato momento o sinal tocou. Eu tinha muita sorte de correr bem e conseguir entrar na sala de biologia alguns segundos antes do professor. Me joguei na última carteira e sorri aliviada. Olhei ao redor e não vi nenhum rosto conhecido.
Queria ter falado com o Thomas antes de a aula começar, mas meu plano foi por água abaixo. Dei de ombros e fingi prestar atenção na aula, talvez na troca de períodos eu pudesse ter a chance. A aula passou rápido e já tínhamos dever de casa, odiava biologia com todas as forças. Fui até meu armário com um pouco de ansiedade, não sabia se ia rápido ou devagar. Cheguei e o avistei trocando de caderno, tomei coragem e fui até ele.
–Ahn....oi — A porta do armário tapava minha cara e ele se inclinou um pouco pra trás para me ver. Ele estava com a testa franzida, mas logo fechou a cara quando viu que era eu.
–O que quer agora? — Ele fechou o armário com força e respirei fundo.
– Queria falar sobre o trabalho de história, será que poderíamos conversar sem nos estapearmos? — Arqueei as sobrancelhas e percebi alguns olhares sobre nós. Ele respirou fundo e também se encostou no armário.
–Fala... — Ele me olhava como se estivesse me analisando e eu limpei a garganta.
– Me contaram sobre você e... — Levantei a mão antes que ele falasse alguma coisa- Eu não me importo, sério. Eu amo mitologia grega desde que era criança e não quero mudar de tema. Em dupla a nota vale mais então é você que decide se quer trocar de dupla ou não.
Ele só ficou me encarando, parecia um pouco chocado. Não fiquei pra ouvir a resposta dele, até porque estava na hora da próxima aula e não queria entrar afobada como da última vez.
– Me avisa o que decidiu depois. Até! — Dei um sorriso fraco e me encaminhei pra aula. Tinha uma estranha sensação deter feito a coisa certa.
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