My Avenger Angel
8 Remember to breath
Notas iniciais
Todo mundo já tinha ido embora, era pra hoje eu treinar com o Sargento Will, mas entreguei o atestado pra ele, e como o “acidente” foi recente ele mandou o treino pro sábado à tarde, era o tempo suficiente pra dores amenizarem e eu aguentar pancada de novo. Não estava com muita pressa e nem podia, mas enfim eu acostumei com a dor e já andava normalmente.
Alexis me avisou que o pai dele precisava do carro, mas que tinha trazido as motos e tinha deixado a chave na diretoria, arrumei meu corpo e entrei, cumprimentei a secretária que piscou pra mim, revirei os olhos, quando peguei a chave ela segurou minha mão, e passou a unha do dedo indicador na palma da mão, no caso a minha. Retesei na hora pegando a chave, Alexis me explicou o que aquilo significava.
"Normalmente esse sinal indica que a pessoa quer transar com você" — Que NOJO!
Por que essas funcionárias tem fogo na perseguida? Porra, os namorados ou maridos e afins não comparece e sobra pros alunos com hormônio à flor da pele tirar o atraso, isso me irrita, sai de lá apressado e fui pro estacionamento. Vi Alexis e a Morgana conversarem, rindo. Fechei a cara, eles ainda não tinham me visto, dei as costas e vi minha moto.
Desprendi ela e fui pra saída dos professores empurrando a moto, não ia atrapalhar o momento, assim que me afastei o suficiente montei na Harley e sorri, achei meu fone de ouvido no capacete, botei o AC/DC no ultimo e fui em direção a oficina entregar o atestado de 2 dias que consegui, eu tinha que cuidar do meu avô, não o vi há quase 3 dias. E assim segui meu caminho, ao som de Thunderstruck, ao fim da música eu já estava na oficina.
Nem cumprimentei o Johnson, apenas fiz o que estava pendente, peguei umas ferramentas minhas e iria brincar de mecânico em casa, minha Harley precisa de cuidados, não queria passar pela Peterson, o caminho seria mais longo, só que eu tinha que passar no ferro velho que era no caminho, a área das Fazendas da Cidade.
Assim que peguei a rodovia, tinha meus belos quilômetros até meu destino, o calor estava infernal e então aquela guitarra melodiosa começou, e eu estava no caminho do inferno, escutando música na minha moto, me torno o cara mais feliz do mundo e eu também tive essa sensação quando cantei na sala com a Senhorita Curts, era bom encontrar alguém que goste de curtir o momento.
Living easy, livin' free season ticket, on a one way ride. Asking nothing, leave me be taking everything in my stride. Don't need reason, don't need rhyme. Ain't nothin' that I’d rather do going down, party time!My friends are gonn a be there too.
Então veio a introdução pro refrão e eu levantei um pouco na moto, não existia dor ali, era o AC/DC.
– I'm on the highway to hell, on the highway to hell. Highway to hell, I'm on the highway to hell!
Deixei meu coração sentir o momento, acelerei mais minha Davidson e a música ficava cada vez melhor.
No stop signs, speed limit
Nobody's gonna slow me down
Like a wheel, gonna spin it
Nobody's gonna mess me 'round
Hey, Satan!
Payin' my dues
Playin' in a rockin' band
Hey mama! Look at me
I'm on my way to the promise land
I'm on the highway to hell
Highway to hell
I'm on the highway to hell
Highway to hell
Don't stop me!
Assim que aquele solo de guitarra se iniciou eu me desliguei do mundo, mas claro não esqueci de passar no ferro velho, já tinha deixado tudo no esquema, só peguei a sacola e fui embora, andei mais uns quilômetros na direção da minha casa e uns 500 metros eu vi uma pessoa encostada na caminhonete velha, já sabia quem era, fui diminuindo a velocidade aos poucos.
Assim que o Brian Johnson terminou de cantar, eu parei a moto ao lado da caminhonete, e quando Angus Young tocou a ultima vez na guitarra tirei o capacete e olhei pra novata.
– Eu estava certo sobre a caminhonete, dei um prazo de uma semana pra caranga velha ai. – Ela se sentiu ofendida com o que eu falei, mas só dei de ombros. – Você tem sorte.
– Porque teria sorte? – Ela me olhava arqueando as sobrancelhas e eu sorri de canto, e tirei minha camisa, não tava mais enfaixado, mas ainda tinha marca e hematoma.
– Porque eu sou mecânico, e trouxe peças e ferramentas.
Coloquei minha camiseta na moto, abri minha mochila e peguei as ferramentas. Como eu sabia que ia movimentar bastante, peguei meu analgésico e tomei, logo depois passei uma espécie de gelol, eu gemi de prazer confesso, deu uma sensação de alivio no meu corpo, guardei tudo e fui avaliar a situação.
– Eu posso fazer isso andar, por uns 10km.
– É o que eu preciso pra chegar em casa. – Ela falava rápido e sem prolongar muito. – Quebrou de vez?
Eu tinha me enfiado praticamente pra dentro da caminhonete, parecia que o motor fundiu, a gasolina era adulterada, velas precisando ser trocada, o óleo estava baixo. A Garota estava com um carro assassino em mãos.
Fui até a minha moto e abri a mochila da lateral, tinha um reservatório de água, eu abri o compartimento e coloquei água o suficiente pra resfriar o motor.
Olha estava um calor de 35°C com uma sensação de Apolo está me abraçando, já que estava enfiado em uma lataria bem quente, passei meu braço pela testa limpando o suor, peguei uma espécie de mochila e desenrolei no chão revelando varias ferramentas me agachei e olhei pra garota. Acho que ela estava um pouco corada, voltei minha atenção pras ferramentas, minha calça caia um pouco, mas não podia ficar arrumando a calça e concertar o carro.
Fui pra parte traseira da caminhonete, tinha uma caixa de papelão e uma tabua e achei perfeito, peguei com um pouco de dificuldade, olhei pro meu corpo e estava sujo de graxa, suspirei, coloquei o papelão na parte de baixo do carro, fui pra dentro da caminhonete e vasculhei em baixo do banco, e por um milagre encontrei um macaco.
Fiz a coisa padrão, levantei o carro me enfiei de baixo dele, me arrastei pra fora e vi que ela me olhava, limpei a fuligem do rosto, mas acho que espalhou mais já que ela riu.
– Faz um favor, me da aquela sacola preta e vê se põe uma música. Odeio trabalhar no silêncio. – Ela obedeceu as ordens, colocou o celular dela e trouxe o que eu pedi. – Obrigado.
– Não há de que Thomas. – Ela sorriu de canto e começou a cantar, eu só cantarolava junto.
Acho que passou quase 40 minutos até que eu fiz os “primeiros socorros” na caminhonete da Morgana, ela suava devido ao calor, e eu me sentia o Edward Cullen no sol, tinha tanto suor que eu brilhava, tirando a parte de estar manchado de graxa.
Sai de baixo do carro e guardei o material, coloquei minha camisa por cima do ombro e peguei a tabua, abri a carroceria da caminhonete e fiz uma rampa.
– O que você pensa que esta fazendo? – Vi ela se afastar pra ter uma visão melhor, subi na minha moto e dei a volta na rodovia e coloquei minha Harley na caminhonete dela. – Thomas, que história é essa!?
– Vou até sua casa! – Falei subitamente, pulei da carroceria pro chão, me arrependi porque a perna doeu, mas disfarcei bem... Eu acho. – Seu carro pode não aguentar.
Ela não parece ter gostado nada da ideia, eu dei de ombros e fechei a carroceria, parei na porta do passageiro e vi ela sair rapidamente de perto de mim.
Peguei novamente a pomada gelol no meu bolso e passei na costela, gemi de alivio e sorri, naquele momento senti um olhar pesar sobre mim e então parei, coloquei minha camisa e entrei no carro.
Morgana fez o mesmo e sem falar mais nada ela saiu com a caminhonete a estação de Rádio dos anos 60 do meu avô tocava e eu bati o pé conforme a música.
–-x—
Eu não merecia aquilo, sério. Gostaria de que o corpo do Thomas não chamasse tanta atenção, a sensação térmica foi de uns 35ºC para uns 50ºC. Eu estava vermelha como sempre, me amaldiçoava por isso e agradecia por garotos serem tão lerdos.
Thomas estava de camisa agora, mas não conseguia parar de imaginar ele sem. Estávamos ouvindo as músicas anos 60 da rádio e ele parecia estar gostando, menos mal já que tocar de rádio era proibido.
Ouvi meu celular tocar ao som do trailer do minions e Thomas arcou as sobrancelhas me encarando.
– O que foi? O filme é engraçado!
Ele balançou a cabeça rindo um pouco e o olhei de relance me concentrando na estrada de volta. O sinal voltara e isso era ótimo, meu celular começou a tocar de novo e eu lembrei que poderia ser minha vó preocupada.
– Tom pode pegar meu celular na mochila e colocar no alto falante? — O apelido saiu sem querer, mas ele não pareceu se importar e fez o que pedi colocando o telefone perto de mim.
–Alô? Morg querida, onde você está? — Reconheci a voz da minha vó e fiquei feliz em saber que ela estava bem.
– Oi vó, desculpa, Bessie deu problema e eu tava sem sinal no celular.
Falei mais alto que o costume por causa do barulho da caminhonete e o problema de audição da vovó. Thomas começou a rir e eu tinha certeza que era pelo apelido da minha caminhonete, o cutuquei com o cotovelo e lancei um olhar intimidador que o fez parar, um pouco.
–Quem está ai?
–Thomas. — Falei em um suspiro. — Foi ele que me ajudou.
–Thomas... Aquele rapaz do corpo bonito que você trouxe aqui em casa machucado? — Ela indagou e eu bati a mão na testa ignorando a risada do Thomas de novo.
–Ahn... er... Mais ou menos vó, já tô chegando. A gente se fala, tchau! — Falei rápido tentando não ficar um pimentão.
– Ah está bem... Mas se precisar demorar não se preocupe. Já tive sua idade e ele é um pãozinho querida! Beijos.
Ela desligou e eu não me contive, comecei a gargalhar junto com o Thomas. Acho que dei mais risada pelo nervosismo do que o resto, sentia minhas bochechas queimarem, mas resolvi ignorar.
–Não precisa ficar vermelha. — A voz dele era de sarcasmo e podia sentir que ele gostava de me ver assim.
– Cala a boca!- Falei ríspida mudando meu humor rapidamente, preferia Thomas assassino do que Thomas convencido. Apesar de dar um toque sexy nele... O que eu tava pensando?
Estacionei nos fundos como de costume e nem fiz questão de fazer sala para o Thomas, peguei minha mochila e fui direto para dentro de casa.
–Oi vó. — A vi na cozinha preparando um lanche e dei um beijo no rosto dela.
–Veio rápido querida, algum problema? — Ela me olhou por cima dos óculos e então soube. Minha vó não era desentendida das coisas, ela tinha feito eu passar vergonha de propósito.
– A senhora tem que parar com isso é sério! — Subi as escadas correndo com meu sangue fervendo. Esse lado da família era desagradável quando acontecia contra mim.
Peguei minha toalha e me encaminhei para o banheiro tomar um banho pra tentar relaxar um pouco. Pelo visto a mulher já tinha saído e fiquei chateada com isso.
Tirei a roupa suja e joguei em um canto me sentindo exausta. Ouvi Thomas conversando com a minha vó e me apressei em abrir o chuveiro para me concentrar na água gelada caindo.
Demorei o máximo possível no banho e peguei a toalha que ficava um pouco curta de comprimento e me enrolei bem nela. Pelo tempo que eu demorei pensara que Thomas tinha ido embora ou ainda estava arrumando a caminhonete.
Quando eu abro a porta e me deparo com ninguém mais que Thomas Smith sujo e adivinhem? Sem camisa,de novo.
–O que tá fazendo aqui? — Minha voz saiu um pouco mais alterada do que deveria e pela primeira vez vi Thomas desnorteado.
–Eu...ahn...preciso de uma...uma — Ele suspirou longo sem tirar os olhos de mim- uma esponja porque...
Levantei a mão para ele parar de falar, não precisava saber o porque e queria que aquela conversa terminasse logo já que a raiva estava fazendo com o que meu rosto queimasse pela milésima vez.
Peguei a esponja que estava no box e praticamente joguei nele indo rápido para meu quarto. Que dia filho da puta hoje!Me troquei rápido e pensei 20 vezes antes de descer de volta.
Não teve jeito quando minha vó me chamou pra janta e meu estômago começou a reclamar de fome. Desci relutante e me sentei na mesa sem olhar para a cara de ninguém. Eu estava estressada e quando isso acontecia, era melhor ficar longe.
Minha vó era uma ótima cozinheira e pelo que meus avós contaram foi assim que ela arrebatara o coração do meu avô, sempre achei engraçado a história de como eles se conheceram e romântico também.
–Chama o Thomas pra jantar querida? — Bufei e ela me olhou repreensiva. Tudo bem, aquele olhar era trauma de infância e achei melhor não discutir.
Thomas ainda estava embaixo da caminhonete ouvindo as músicas da rádio do meu avô. Eu o chamei, mas ele não ouviu,então eu me abaixei e coloquei um pouco do corpo pra dentro da Bessie.
–O jantar está pronto. — Falei o encarando e ele se assustou batendo a cabeça no cano. Segurei o riso e ele me olhou.
–Não precisa...
–Saco vazio não para em pé, e se eu fosse você não recusaria experimentar a comida da Dona Atena.
Arquiei as sobrancelhas e sai de lá sem fazer muito caso. Percebi ele saindo de baixo da caminhonete e suspirei percebendo que teria convidado para o jantar. Só esperava que essa janta fosse silenciosa abstrata de conversas. Burra por pensar isso sim ou claro?
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