My Avenger Angel
50 New Born Final
Notas iniciais
Era Domingo de manhã, ainda estávamos de férias antes que a faculdade começasse, o almoço de hoje era por minha conta e da Morg, fizemos sorteio porque não rola fazer comida todo domingo, ainda mais quando tem algum jogo. Então eu e a Novata perdemos no palitinho, prato do dia seria comida comprada do restaurante e a Amanda e o Alexis não podiam nem sonhar com isso.
– Se eles descobrem vão ficar irados. – Ri sapeca enquanto beijava o rosto da Novata. – Eles fizeram mesmo o do fim de semana passado.
– Eu sei amor, mas nos dois na cozinha nunca da certo... – Ela me olha. – Você nunca me deixa terminar a comida.
– Não tenho culpa se você fica sexy e irresistível cozinhando Amor. – Dei um beijo calmo nela. – Você também fica babando porque cozinho sem camisa.
– Smith! – Ela bateu no meu peito sorrindo, e arqueei a sobrancelha pra que ela desmentisse. – Está bem, eu não resisto quando vejo seus músculos trabalhando.
Colocamos a comida pronta na panela pra esquentar e arrumamos a casa, que sinceramente estava muito arrumada até pra mim. A Morg quando cisma de limpar sobra até pro Chad fazer alguma coisa, apesar de crescido ele ainda age como uma criança e sempre anda desfilando pela casa, até parece que o sonho dele é ser modelo cão.
Como era dia de jogo dos Eagles, logo depois que esquentamos a comida eu fui pro ritual de todo o jogo o que sinceramente as vezes acho que irritava a Morg, mas ela também não admitia que fazia ritual quando o Red Socks jogava e sabe eu até estava pegando gosto de baseball com ela. Tinha até preparado uma surpresa pra levar ela num dos jogos, já que ela fez o mesmo por mim.
Tomei meu banho e sai de toalha enrolada na cintura, ela estava no quarto guardando algumas roupas que tinha acabado de lavar, fui até ela e dei um selinho. Era engraçado pensar que só estamos noivos, mas mesmo assim temos uma vida de casados e diem que depois de casado a frequência que se faz sexo diminuiu.
Eu acho que não sou um desses caras que vai fazer isso, não quando se trata da Morgana Gostosa Curts, ela estava me encarando tentando descobrir os meus pensamentos, apenas sorri de canto e roubei um beijo um pouco quente dela e pude notar que ela entendeu o recado.
“Ele está pensando naquilo de novo.” – Era isso o que seu sorriso transmitia.
Terminei de me secar coloquei minha cueca e uma calça jeans, peguei minha camisa sagrada do LeSean McCoy original que a Morg me deu, passei tinta verde no rosto fazendo um risquinho de cada lado, me virei e já vi a Morg arrumando o Chad, ele era o Cão Águia da sorte.
– Todos uniformizados. – Ela beijou o Chad e sorriu, a campainha tocou. – Eles chegaram, vamos amor.
Me encaminhei pra sala e abri a porta pra eles, como sempre a Amanda insultava os Eagles na Philadelphia ela sempre secava nossos jogos e vinha com a camisa do Dez Bryant dos Cowboys, e eles estavam voando nessa temporada, mas sempre tinha a maldição de Dezembro, abracei os dois, Alexis estava vestido como eu tirando o fato de que ele estava com a camisa da Formiga Atômica dos Eagles Darren Sproles.
A novidade da família agora era o mais novo amigo do Chad, Ted foi um cachorrinho que a Amanda deu pro Alexis logo depois do primeiro show que fizemos, ele é uma mistura de raças ou seja um vira-lata com a pelagem toda branca e alguns riscos cinzas, provavelmente a mesma idade do Chad e advinha só... Um grude e tanto com o Alexis, as vezes até parece que a Amanda tem ciúmes.
– É hoje que os Eagles arrebentam o Seattle Seahawks. – Fomos pra cozinha onde a comida já estava na mesa. – Nos precisamos dessa vitória ou os Cowboys podem alcançar a gente... De novo Thomas!
– Você acha que eu não sei Alexis, mas também o Seahawks está voando nessa temporada. – Ouvi a Morg pigarrear. – Desculpa amor!
– Garotos! – A vi revirar os olhos e então começamos a nos servir.
Depois que todos comemos eu e o Alexis ficamos de arrumar a cozinha, como as garotas iam aguentar a gente gritando e torcendo não ia fazer mal agradar um pouco, olhei o relógio na parede e o jogo estava pra começar, assim que terminei de varrer o chão e o Alexis secar a louça, cada um pegou seu cachorro e pulou no sofá.
– Ainda não sei porque vocês torturam seus cachorros pra ficarem com vocês nos jogos. – A Novata acariciou o Chad.
– Amor o Chad gosta de assistir o jogo comigo. – Soltei ele no meu colo que colocou as patas no meu peito e lambeu meu rosto. – Viu só, eu falei!
– Para de ser bobo Thomas, o Chad só gosta de te lamber mesmo... E essa é a única hora que você esta quieto pra ele fazer isso.
Fiz bico e os três deram risadas de mim, cruzei os braços e virei o rosto pra não olhar eles, mas a Morg sabia que era só um jeito de pedir um beijo, então ela logo não tardou de beijar meu ombro e depois subir para o pescoço e por mais que ela não me visse sorrir, ela sabia que eu estava sorrindo, então mordeu o lóbulo da minha orelha.
– Não fica assim Tom. – Voltou a beijar meu pescoço. – Eu te amo.
Assim que eu virei meu rosto vi seu sorrisinho vitorioso e não me importei sem com o sorriso e nem com o Alexis e a Amanda na sala, segurei a cintura e a nuca dela com força e beijei com vontade, ficamos daquele jeito por alguns segundos e separei dando vários selinhos e sorrindo.
– Eu também te amo. – E como sempre o ciumento Chad também queria beijo. Resultado: Ele lambeu nos dois. – Sim eu também te amo seu cachorrinho ciumento.
Os Seahawks deram o ponta pé inicial e o jogo começou, e eu tinha que preparar meus nervos... Pois o dia seria longo.
– PUTA QUE PARIU... VAI SE FUDER, MARK SANCHES É MEU PAU! – Não tinha nem acabado o ultimo tempo e eu estava possesso da vida. – CARALHO!
Nem o Alexis perdia o controle como eu nos jogos, ele sempre foi mais calmo, era do tipo que sofria a perda calado, eu também era, mas aquele tipo de derrota, perder por um erro idiota do Quarterback, faltando 30 segundos com o jogo ganho ele me passa um pato morto que é interceptado e retornado pra touchdown.
Eu acho que estava com tanta raiva que nem a Amanda que tem o costume de cantar a vitória das nossas pernas fez isso dessa vez, até a Morg tentou me acalmar, mas eu pedi desculpas e só pedi pra ficar sozinho. Foi com relutância que ela atendeu ao pedido, mas mesmo assim o fez, sei que não devia deixar meu humor ser levado pelo futebol e na maioria das vezes eu aceito as coisas, mas hoje não era o dia.
– Nos vamos no mercado, tenta se acalmar. – Ela me deu um selinho que retribui acariciando seu rosto. – Não fica assim.
– Desculpa Amor.
Os três saíram pro mercado e me deixaram sozinho, respirei fundo e desliguei a TV me sentando no sofá tirei a tinta do rosto de qualquer jeito e fechei os olhos apoiando meus pés na mesa de centro que eu quase tinha quebrado com um murro. Escutei a campainha tocar novamente.
– Será que ela esqueceu algo? – Me levantei e abri a porta. – Oi A.. Doutor Picker?
– Oi Thomas, posso entrar? – Dei passagem ainda não entendo porque meu Advogado estava aqui.
– Aconteceu algo? Eu estou com problemas de novo? – Era só o que faltava, mais um problema judicial nas minhas custas. – Fala logo Picker!
Senti ele visivelmente incomodado e meu coração disparou, com certeza era algo sério ele sempre foi um cara direto pra falar as coisas, pra que ter tanto rodeio agora. Picker respirou fundo, apoiou a maleta no chão, estava de calça jeans e uma polo social.
– Thomas, recentemente um dos soldados que foi do mesmo batalhão do seu pai morreu e deixou um testamento. – Fiquei confuso, mas deixei-o falar. – Ele mencionou você indiretamente no testamento. – Picker tirou da maleta um envelope e me entregou. – Leia com atenção.
Fiquei ali parado com o envelope enquanto o Advogado saia de casa, por um momento esqueci toda a raiva que eu sentia pelo jogo e encarei o papel ali em minhas mãos, abri o primeiro lacre e tirei um papel escrito a mão, não era do meu pai, lia tanto as cartas dele que reconheceria a letra em qualquer lugar.
“Espero que leia isso com cuidado, sinto que tenha demorado tanto pra chegar em suas mãos, mas descobri recentemente seu paradeiro e quando te vi nos noticiários até pensei que estava vendo meu amigo Jason vivo. E eu tenho certeza que o que você fez garoto, o deixou muito orgulhoso. “
Ass: Capitão Liam Hoth.
Engoli seco e senti minhas mãos suarem, sentei no sofá e deixei o papel na mesa de centro, voltei a olhar o envelope e vi uma carta e um embrulho do exercito, vi o numero do batalhão, puxei o embrulho e a carta, eu tinha certeza que era a divisão que o meu pai comandava. O Senhor dos Mortos e o Exercito assassino, eles eram a linha de frente, tinham êxitos em suas missões, tudo o que eu tentava saber do meu pai se limitava a isso.
– Jason Carter.
Peguei a carta e tinha certeza que era do meu pai, estava endereçada a mim, só tinha meu nome Thomas Smith, a escrita estava tremula e um pouco forçada, não era a forma impecável que eu estava acostumado a ver nas cartas dele com a minha mãe, mil pensamentos vinham a mente e nenhum deles me deixava em paz, com toda paciência abri a carta e me prendi as palavras.
Olá Thomas.
Primeiro de tudo eu vou começar pedindo desculpas! Desculpa por não conseguir ser um pai presente, pois se chegar a ler isso é que não consegui voltar pra você e sua mãe e eu realmente sinto muito por isso. Você não tem ideia de como me dói saber que não vou poder estar com sua mãe e nem com você, ver seus primeiros passos, te dar conselhos, te ensinar coisas que só um pai sabe.
Mas eu também não poso abandonar meus amigos e espero que entenda isso um dia, filho quero que saiba de muitas coisas sobre mim, mas não sei como colocar isso num papel e nem sei como escrever pra um garotinho que ainda está na barriga da mãe. Olha eu te amei desde o dia em que sua mãe disse que estava grávida, eu fiz planos de morarmos juntos e conseguir um emprego pra poder ficar com vocês.
Saiba que nunca vou te abandonar esteja onde eu estiver, eu vou seguir seus passos, vou te guiar por ele, e Thomas a vida é dolorida o caminho é difícil e suportar as dores é torturante, você um dia pode seguir sozinho por um tempo e não ter um pai do lado pode te deixar confuso e um pouco sem rumo, mas nunca desista proteja o que você ama com esses dois braços que você tem. Se é importante pra você lute até o ultimo segundo, lute até o fim e se o resultado não for o que você queria escute seu coração, eu vou estar sussurrando pra você seguir em frente.
Me faz um favor? Cuide bem da sua mãe, ela é uma mulher forte e encantadora, mas toda mulher precisa ser amada meu filho, então a ame muito e sempre, cuide dela, pois toda mulher amada precisa de um protetor e mesmo eu falhando com isso eu quero que você faça isso por mim. Ouça seu Tio Johnny, não faz muito tempo que ele entrou no exercito então ele vai ser um ótimo cara a se espelhar, assim como seu avô.
Agora o mais importante, sei que queremos nos agarrar a algo físico daqueles que amamos, eu queria muito ter te pegado no colo pelo menos, queria que você tivesse na lembrança o sussurrar da minha voz, eu queria poder te dar algo pra te mostrar que eu fui real e que eu sempre pensei em você filho.
Mantenha esse seu coração valente puro, nunca se entregue as dores sempre siga em frente. E ame muito, eu sempre vou estar com você, em todos os momentos da sua vida, você foi o melhor presente que eu poderia receber Thomas. Cresça um homem forte e saudável, não se meta em brigas e trate bem a mulher que você amar, pode ter certeza que ela vai ser à salvação dos seus dias e fazer todas as suas dores valerem a pena.
Eu queria ter mais tempo com você, espero que entenda. E não importa o que você faça meu filho, eu sempre vou te amar.
Com todo meu amor e orgulho, Jason Carter... Se me permitir... Seu pai.
Eu acho que estava chorando, algo quente escorria pelos meus olhos aquelas palavras soaram tão pesadas e com um certo arrependimento, mas também orgulho... Meu pai tem orgulho de mim, eu finalmente tive algo dele, finalmente eu senti o que é ter um pai de verdade depois de todo esse tempo, mesmo que só por uma carta.
Peguei o embrulho do batalhão e abri, nela tinha uma foto do meu pai beijando a barriga da minha mãe com a roupa do exercito, aquilo me fez fechar a garganta e soluçar, deixei a foto de lado e olhei novamente o embrulho e tinha mais duas coisas nele. Uma delas era um par de sapatos de neném que deduzi que seria o que ele me daria quando eu nascesse.
– Papai...
O segundo pacote era maior e um pouco pesado, pude notar que era um livro e o preferido do meu pai “O resgate do Soldado Ryan”, sorri de canto e pensei o quanto aquilo era a cara de um soldado, voltei minha atenção pra foto e vi que atrás tinha alguma coisa escrita.
“Obrigado por me dar este filho. Obrigado por me fazer pai. Eu te amo Meredith e vou amar o Thomas ainda mais, estarei sempre com vocês dois.”
Não consegui mais me conter e chorei como na vez que a Morg me salvou, só que era um choro de alivio, de saudades e um pouco de dor por não ter tido meu pai ali, me levantei e foi pra porta eu precisava correr por ai espairecer meus pensamentos, e antes de sair encontrei a Morg na porta.
– Eu preciso dar uma volta. – Falei rouco e sai, mas ela me segurou pelo braço.
– Thomas é só um jogo pelo... – A Cortei.
– Não é pelo jogo Morgana! – Tinha angustia na minha voz. – Me deixa ir!
Antes mesmo que ela protestasse eu sai correndo com as lagrimas rolando e marcando meu rosto, eu queria o meu pai, eu precisava do abraço dele e correria pra encontrar, mesmo que parecesse impossível eu precisava encontrar alguma forma de sentir ele comigo, como ele sempre disse que estaria.
–-x—
Não dava pra entender toda essa sensibilidade do Thomas por causa de um simples jogo de Futebol, não era nem final de campeonato pra ele ficar daquele jeito, era um jogo sem qualquer importância. Fiquei alguns segundos parada vendo ele sumir pelo corredor, algo estava errado, já o vi chateado por futebol, mas nunca desse jeito.
Outra coisa estranha estava acontecendo, Chad era sempre de acompanhar o Tom quando ele está chateado até mesmo em dia de jogo, mas ele estava choramingando aos meus pés e isso me chamou atenção, larguei as compras no chão e vi a mesa de centro.
– Mas o que?
Minha mente começou a viajar, achei que podia ser outro processo, algo que deu errado. Peguei Chad no colo e tentei consola-lo. Caminhei com ele até a mesinha e vi um sapato de criança, um simbolo do exercito, um livro e... Jason Carter? Peguei o envelope com aquela caligrafia, ela não me era estranha, tinha certeza que já tinha visto essa letra em algum lugar e esse nome não me era estranho era...
– Deuses...
Um estalo veio a minha mente e agora tudo fazia sentido, a letra estava um pouco diferente, mas era o pai do Thomas, nas cartas pra mãe dele assinava como Jason C. Smith. Deixei Chad deitado e percebi que ali estava o motivo de deixar Thomas tão chateado e sensível.
Entretanto, como essa carta chegaria só agora pra ele? Quer dizer, esse tipo de coisa não leva 18 anos pra chegar da posse de seu dono, isso só podia ser piada. Peguei minha bolsa e coloquei a carta com a identificação do pelotão, meu celular e me preparei pra sair.
– Amoi, o que está havendo com o Thomas... — Ele parou a frase e olhou a mesa de centro. — Isso não... Eu vou atrás dele.
– Alexis... — Amanda entrou assim que ele saiu correndo. — O que está havendo com eles?
– Mands, preciso de um favor. — Peguei o Chad. — Preciso que você fique quieto aqui na bolsa.
Mands não fez muitas perguntas, mas diferente de mim ela sabia o caminho pra Universidade muito melhor que eu, iriamos pra biblioteca já que era uma Universidade parte Militar, o melhor lugar pra se procurar seria aqui.
Em cinco minutos estávamos a caminho da Universidade, minhas mãos estavam suando e não parava de mexe-las durante o percurso, sabia que ela queria fazer muitas perguntas, mas estava agradecendo por manter essas mesmas perguntas em silêncio no momento. Mands dirigia o Mustang com certa pressa, então não demoramos pra chegar ao nosso destino.
Descemos rapidamente e fui praticamente correndo até a biblioteca, minha aparência com certeza não era das melhores, porque logo quando entrei a Bibliotecária me olhou e assim continuou até eu sumir de vista, tenho que confessar que tive uma sensação estranha sobre ela, quase como se ela me conhecesse, mas seria loucura.
– Estou tentando não perguntar, mas... O que estamos procurando Morg?
– Arquivos do exercito dos últimos 20 anos. — Falava enquanto olhava as prateleiras. — Onde fica a sessão militar pelos deuses!?
Amanda me puxou e fomos pra outra área da biblioteca, ela realmente sabia o caminho que ir porque em menos de 30 segundos eu poderia jurar que tinha encontrado a biblioteca que tinha todas as copias de arquivos sobre um exercito.
– Aqui estamos... O que você quer? — Ela perguntava enquanto olhava uma lista com temas do que procurar.
– Ahn... Eu quero saber obre alguma guerra que coincide com 1996.
– Não sei de nenhuma Guerra que os EUA tenha se envolvido de fato nessa época. — Senti Chad balançar. — Parece que ele quer por a cabeça pra fora.
– Desculpa Chad. — Abri um pouco a bolsa e ele colocou a cabeça pra fora. — Bom garoto... Então, vamos procurar por um livro que fale disso aqui...
Peguei o pacote que Tom deixou com o símbolo do pelotão e mostrei pra Amanda, ela rapidamente procurou na lista e me levou entre os corredores, por incrível que pareça muita gente gostava de pesquisar sobre os militares. Mands subiu numa escada, puxou um dos livros e depois foi até a mesa.
– Aqui tem os registros dos pelotões. — Ela folheou mais um pouco. — Aqui... Vejamos, é um pelotão de grande sucesso, mas que teve que ser separado, pois muitos deles morrerão, mas o que poucos sabem é que eles, os sobreviventes, tiveram uma missão especial...
– Qual missão? — Virei o livro.
– Aqui não diz, mas temos nomes... dos que sobreviveram antes dessa missão. — Ela folheou algumas paginas. — Olha, aqui tem uma foto deles recebendo medalha de honra. Diz aqui que o capitão desse pelotão foi impecável, salvou muitas vidas, mas matou muitas outras... Foi apelidado de Hades, como o senhor dos mortos.
"Meu pai era chamado de senhor dos mortos, então eu realmente sou filho de Hades."
– Diz aqui que o nome do Senhor dos Mortos é... Jason Thomas Carter. — Eu estava atônica, é realmente o pai do Thomas. — Porque quer tanto saber disso?
– Por que... — Tirei as cartas e mostrei a foto que foi deixada por Thomas. — Ele é pai do Thomas, e isso chegou em casa hoje.
– Quer dizer que...
– Thomas recebeu coisas do pai dele, por isso ele estava daquele jeito. — Reuni e guardei as cartas e a foto, peguei o livro. — Vou levar isso pra ele, talvez goste de saber que o Pai fez história.
Então assim sem falarmos mais nada descemos novamente até a recepção, aquela mesma mulher que me encarou quando eu entrei, voltou a me seguir com o olhar até que eu chegasse com o livro e colocasse sobre o balcão.
– Só aluno pode pegar esses livros, tem uma identificação? — Ela me olhava por cima dos óculos e sinceramente estava me irritando. — Cachorros não são permitidos.
– Desculpa... — Escondi o Chad e entrei minha carteira da faculdade. — Está aqui.
– Curts? — Ela me olhou sem acreditar. — Realmente é você!
– Como assim sou eu? Claro que sou eu! — Pisquei varias vezes confusa. — O que você está falando?
– Curts é o sobrenome de uma amiga em comum que eu tive, eu ajudei a muito tempo essa amiga a adotar uma criança de outra amiga minha. — Meu coração parou por um instante. — Você é filha de Atena Curts.
Sinceramente estava achando que era muita coisa pra se passar num dia só. Como essa mulher sabe tanta coisa de mim? Isso é impossível, quer dizer, eu nunca estive na Philadelphia só em Nova York... que fica há alguns quilômetros daqui, deuses!
– Srta. Curts... Eu receio que tenho uma coisa a qual lhe pertence, se me permitir... Poderia me acompanhar?
– Eu... — Olhei pro lado e a Mands me confortou.
– Pode ir, eu cuido do Chad e falo com o Thomas caso ele volte, está bem? — Ela beijou meu rosto, pegou minha mochila e o livro. — Até mais Morg.
Esse é o tipo de dia que você nunca esquece na sua vida, era pra ser um dia normal, era pra eu estar sei lá... Transando com o Thomas agora pra ele não ficar mais chateado... Isso saiu muito vadia, mas era pra eu estar em casa com meu noivo e não no carro de uma estranho que por acaso sabe muitas coisas sobre mim.
– Chegamos. — Ela sorriu ternamente. — Antes de entrarmos, você precisa saber que eu sou amiga da Familia Dools e fui muito amiga da sua mãe tanto a que te gerou quanto a que te criou. Então, quero que escute tudo o que eles tem a dizer então você é livre pra escolher.
Apenas afirmei com a cabeça e olhei a casa, não era uma mansão de ricos, mas com certeza a Família Dools tinha uma poupança cheia nos cofres talvez. Caminhei lentamente pelos Jardins e me peguei imaginando minha mãe crescendo e se criando aqui.
– Desculpa, mas.. nem sei seu nome. — Olhei enquanto parávamos em frente a porta.
– Sou Ellis Curts. — Arregalei os olhos e pisquei. — Explicarei com tempo.
Algumas batidas foram efetuadas e logo uma pessoa veio abrir, fiquei completamente estarrecida, parei pra pensar alguns segundos "Sua mãe está morta.", mas era impossível ao ver que tinha alguém tão parecida com ela nesse mundo.
– Srta. Curts... Esse é Roy Dools. — Eles se cumprimentaram, até que ele virou e me encarou. — Roy, essa é sua sobrinha... Morgana Curts.
– Prazer. — Murmurei rapidamente e entrei.
Pra ser bem honesta eu não estava me sentindo nada bem ou muito menos confortável naquele lugar, bom... Eles me odiavam certo? Dei uma boa olhada no local, pude ver algumas fotos e na maioria delas, minha mãe estava presente, não pude aguentar o impulso de tocar as fotos.
Estava tão distraída nos meus pensamentos, e nas fotos em que minha mãe estava tão presente e sorridente que não percebi que algumas pessoas se reuniram na sala e que a tal de Ellis estava conversando com eles sobre algo, só despertei dos meus devaneios quando ouvi alguém chamar.
– Morgana, certo? — Me virei assustada e afirmei. — Nós temos muito a falar, sente-se por favor.
– Ok. — Me sentei um pouco encolhida.
– Como você sabe eu sou Roy, irmão gêmeo da Rosi. — Ele pigarreou. — Não sei bem por onde começar, sobre sua mão... Sobre você ter sumido.
– Você quer dizer, vocês terem me deixado num orfanato. — Fui grossa demais talvez. — Desculpe, continue.
– Sei que tem muito a culpar a nossa família, minha mãe não aceitava em nada as condições da Rosi, eu tentei de toda forma ajuda-la, mas quando minha irmã morreu.. Eu não sabia o que fazer.
– Então me abandonou no orfanato?
– Na verdade. — Ellis pousou um copo na mesa. — Roy me pediu ajuda, como eu disse, eu era amiga da sua mãe, eu o aconselhei a deixa-la no orfanato e fui eu quem a encaminhei para minha irmã, Atena.
– Então porque não me disseram a verdade? Porque se esconder por tanto tempo? Vocês não sabem pelo que tive que passar, eu não pude conhecer minha mãe ou família porque vocês eram fracos pra lutarem por mim.
– Eu sinto muito Morgana... Eu... — Roy começou a chorar, as outras três pessoas presentes apenas ficavam em silêncio. — Eu amava minha irmã, ainda a amo, e também amei você, eu tentei fazer o melhor que eu podia. Rosi era nova quando teve você, nossa mãe era bem rígida, eu... Só
– Tudo bem Roy. — Me levantei e olhei as fotos em volta. — Eu não tenho que te culpar, na verdade eu tenho que agradecer, porque se não fosse por você, não teria conhecido a Vovó Atena ou o Vovô Louis, muito menos teria conhecido o Thomas. Obrigado por ter ajudado minha mãe e por alguma forma ter lutado por mim.
– Morgana... — Ele começou a chorar e comecei a me sentir meio estranha. — Posso... te abraçar? — Apenas afirmei com a cabeça. — Obrigado!
– Tudo bem.. — Ele me abraçou apertado e retribui. — Eu acho.. Tio Roy.
– Me desculpe.. Ahn, eu tenho uma coisa que sua mãe deixou pra mim e me fez prometer que só te desse quando crescesse e eu explicasse tudo. — Uma das pessoas que estavam ali subiu e voltou com uma pequena caixa em mãos. — Aqui está sua herança mais preciosa de Rosi Dools.
– O-obrigada...
Rapidamente me sentei e comecei abrir a caixa, o que não deveria ser uma surpresa pra mim, estava ali dentro. Um diário assim como todos os outros diários da minha mãe, mas aquele parecia não ter sido usado, eu o abri e uma carta caiu.
Oi Filha.
Eu não sei bem como começar, não sei como sua vida vai estar. Mas tenho uma certeza, se você estiver lendo essa carta na primeira página do seu diário, eu infelizmente não pude ficar com você. Então eu prometo explicar da melhor forma... Eu escolhi seu nome como Morgana, espero que tenham contado isso pra você.
Atualmente estou grávida de você de 8 meses, sabe você tem sido a alegria de todos aqui em casa, seus avós não param de conversar com você, seus tios são uns chatos, mas são todos sorridentes. Só que tem uma coisa que eles ainda não sabem e eu pretendo contar só pra você. Eu conheço minha família e sei qual seria a escolha deles, incluindo o seu pai. Hermes.
Morgana eu tenho uma doença que se não der certo o médico vai ter que escolher entre a minha vida e a sua, você ainda nem nasceu, mas só de pensar na possibilidade que você pode não viver me tortura e eu fiz minha escolha sem que ninguém soubesse porque todos me escolheriam e eu quero que você viva. Eu estou aqui pra dar a sua vida e farei isso nem que seja a ultima coisa.
Mas eu rezo pra que possamos ficar juntas, eu te pegar no colo, ver seus primeiros passos, te ajudar a falar. Eu vou te dar todo amor e carinho que eu puder na sua vida. Eu te amo mais que tudo e sei que você vai ter um futuro brilhante, eu sinto isso, sei que vai ter sofrimentos como muitos outros. Um deles vai ser não me ter por perto caso o pior aconteça, mas filha eu sempre... SEMPRE vou estar do seu lado te dando o melhor, guiando seu caminho.
Eu sei como a mente humana funciona, queremos algo físico pra se apegar, queremos imaginar como seriam as coisas assim como eu imagino agora como você seria na minha vida, e eu não me vejo mais feliz do que isso que eu sonho. Com você. Espero que me perdoe por não estar presente com você, só Deus sabe como eu queria estar.
Então filha aqui vai uns conselhos da sua mãe, a vida é difícil então curto toda sua infância é a fase mais feliz que se pode ter, brinque e apronte bastante, mas nada que deixe seus avós muito preocupados certo? Coma bastante chocolate, eu amo chocolate e é como se você pudesse comer a felicidade. Mas mantenha-se saudável, ir ao dentista por causa de carie é horrível, experiência própria meu amor.
Na escola, sempre vai ter o grupo dos populares e das patricinhas, eu sinceramente nunca gostei do grupo delas, mas seja você mesmo, ande com pessoas que realmente se importe com você. Aqueles que sabem dizer se você está só com um olhar, e que te deem um animo só de sorrir.
E sobre os garotos, bem... Esse é o assunto mais complicado pra se dizer num pedaço de papel. Encontre um cara que te faça sentir completa, e faça ele s sentir completo também sejam amigos, pois namoro sem amizade se torna um saco e terrivelmente chato. Eu e seu pai nos odiamos no começo quando nos encontramos, ele era o tipo de garoto que tinha tudo pra dar errado, mas nos mudamos um ao outro.
Siga seu coração, e o garoto que mais implicar com você pode ter certeza que é ele que mais te ama e se importa com seu bem estar, e os famosos badboys são os que mais tiram o folego então tome o maior cuidado com eles, são o que roubam o coração de uma garota só com um olhar e um sorriso. Mas fazer o que se é que eles que sabem o que uma garota quer?
Eu queria poder ter mais tempo com você, poder te amar muito mais do que amo agora. Espero que você tenha muito amor na sua vida, que cuidem bem de você e que perdoe se eles ficarem bravos com o que acontecer, saiba que você não tem culpa de nada e que eu sempre vou te amar minha filha.
Com todo amor do mundo, Sua mãe.
P.S.: Eu sempre gostei de diários, achei que você poderia gostar também.
Guardei novamente a carta e respirei fundo, a última coisa que eu precisava era desabar no choro em frente de desconhecidos, familiares desconhecidos pra falar a verdade. Apertei o diário contra meu peito e olhei em direção ao Roy, ele mantinha o olhar firme e carinhoso. O silêncio estava um pouco perturbador e eu precisava sair dali.
– Eu tenho... Que pensar um pouco.
– Eu te levo pra casa. – Ellis fez menção de se levantar.
– Não precisa, não estou longe de casa e preciso pensar um pouco. – Sorri delicadamente. – Não precisa me explicar nada Ellis sobre a vovó, eu entendo... Roy... – Respirei fundo. – Tio Roy, prometo vir aqui com mais tempo pra conhecer vocês melhor.
– Traga o... Thomas. – Ele se levantou e beijou meu rosto. – Você sempre será bem vinda e leve isso com você. – Ele pegou um retrato e entregou pra mim. – Rosi, sua mãe, sempre estará com você.
Não demorou muito até que eu voltasse pra casa, aparentemente Thomas ainda não havia voltado, mas Chad já estava em casa, coloquei as coisas do Jason Thomas Carter em cima da cama do lado do Thomas, olhei o sapatinho e criança e sorri um pouco.
– Sr. Carter... Esse sapatinho ainda será usado.
– Pelo seu neto. – Thomas estava parado na porta. – Você não me viu, mas eu estava na cobertura vendo você chegar.
– Sobre mais cedo... Desculpa por... – Antes que eu terminasse Tom me puxou e beijou.
– Vamos lá pra cima.
Não questionei e o segui até o andar de cima onde era a cobertura, Chad estava logo atrás de nós. Estavamos naquele silêncio habitual, Thomas sentou na beirada da cobertura e eu fiz o mesmo, apenas ficamos ali sentados olhando a cidade de cima, de uma altura não tão alta, mas ainda sim privilegiada.
– Amanda me disse que você também teve surpresas. – Ele acariciava minha mão e continuava a olhar as estrelas. – Ela é uma boa ouvinte.
– É... – Apertei de leve sua mão. – Minha mãe deixou uma carta e um diário pra mim.
– Meu pai me deixou cheio de memórias... Memórias que antes eu nunca tive. – Sua voz estava diferente, como se fosse uma criança sem traumas que ele era. – Sabe, por muito tempo, no fundo eu o culpava por tudo de ruim que me acontecia, meu tio morrer, minha mãe morrer... E eu ser um órfão, mas no fundo eu me culpava.
– Sei bem como é isso amor.
– Ele pediu que eu a protegesse. – O vi morder o lábio. – Eu falhei com ele, mas de alguma forma, eu sei que ele sabe que fez tudo que pude, porque agora eu acredito que fiz tudo que pude, assim como ele fez de tudo pra poder ficar comigo. Eu não acho ele um herói, ele é meu pai e isso me basta, ele me amou, me protegeu... E no dia que eu morrer eu quero poder no meu ultimo segundo de vida poder ver os olhos do Senhor da Morte e dizer que eu o honrei, como um bom soldado... E como filho, que eu fiz de tudo pra deixar ele orgulhoso.
– Thomas... – Ele me olhou. – Você sabia que o verdadeiro nome do seu pai é Jason Thomas Carter?
– Sério? – Ele me olhou com um brilho lindo e não pude deixar de beija-lo.
– Você tem o nome de um cara de coragem, e tenho certeza que você já o honrou bastante e que ele está feliz por você.
– Eu digo o mesmo sobre você... – Ele acariciou meu rosto e deu um selinho. – Sei que sua mãe não e arrepende de nada e que sempre vai estar com você, assim como meu pai está comigo.
– Olhando nos seus olhos Thomas... Eu tenho total certeza disso. – Sorri. – Nós vamos ter uma família.
– Sim... Nós vamos.
Foi então que Thomas me envolveu nos seus braços e selamos ali mais uma nova promessa... A promessa de um novo dia, uma nova vida... Uma nova família.
Não encarem isso como um fim... Esse é apenas o começo.
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