My Avenger Angel
32 My Daddy is Hermes
Notas iniciais
Ótimo eu só tinha problemas pra resolver agora, Morgana estava totalmente estática na minha frente e não conseguia responder o telefonema, eu peguei o telefone e perguntei quem era raivoso pensando que era alguém como o Madson, mas era a Célia a mulher do orfanato e isso fez um frio na espinha passar por mim.
– Calma Célia, você quer dizer que ele reapareceu só agora?
"Sim e ele exige a guarda da filha e de todos os bens dela" – Eu apertei o telefone com força.
– Qual é o nome dele?
"Paul Davidson, ele disse que é de Nova York"– Naquele momento eu gelei mais ainda e algumas lembranças vieram a mente. – "Ele disse que já está indo ai, ele pegou o endereço da antiga casa da Senhorita Curts."
– Obrigado Célia pode deixar que eu cuido disso. — Eu desliguei o telefone e vi que a Morg apesar de ter o olhar em mim, ainda estava viajando em pensamentos.
– O meu...
– Sim nos vamos encontrar seu pai amor... — Acariciei o rosto dela e dei um beijo rápido. — Nós vamos conversar com ele tudo bem? — Ela afirmou e fomos pra casa.
Passou algumas horas e recebi um telefone olhei no visor "Desconhecido" franzi o cenho pensei se atenderia, demorei um pouco quando a ligação estava prestes a cair eu atendi de imediato, a voz do outro lado sussurrava e estava ofegante, parecia até assustada e podia ouvir barulho de coisa de batendo no fundo.
"Thomas... é a"
– Madson... — Eu reconheceria aquela voz em qualquer lugar, Morg estava estudando na escrivaninha do lado da minha cama onde eu estava e logo olhou pra mim. — Eu já sei... Eu chego ai em 10 minutos.
– O que a Madson queria? — Eu levantei e peguei a chave do Mustang. — Aonde vai?
– Pega sua blusa e vamos amor, a Madson está com problemas e vamos encontrar seu pai ele já deve estar chegando. — Ela fechou o caderno e pegou a sua blusa, era inverno, apesar de não nevar ainda sim fazia muito frio, aproveitei e coloquei uma toca. — Tudo pronto?
– Estou sim amor, vamos!
Saímos nos dois, meu avô já tinha ido pra Peterson ver o jogo, entrei no Mustang e liguei o aquecedor, assim eu tirei sobretudo e a Morg também, acelerei e peguei uma alternativa na estrada pra chegar logo ao meu destino, percebi que ela estava nervosa do meu lado, ela não parava de mexer as mãos, resolvi abaixar o rádio e puxar uma conversa.
– Você nunca viu seu pai antes?
– Não, ele se recusava a aceitar minha existência ainda mais porque eu... — Ela abaixou o olhar e suspirou.
– Eu vou estar com você não quero te deixar sozinha com... — Minha voz sai com um tom mais enojado do que eu queria.
– Ele...
– Como assim Tom? Você fala como se... — Ela parou de falar.
– Como se eu conhecesse ele? — Ela afirmou, resolvi mentir aquela hora. — Eu só estou nervoso por ele só aparecer agora e ter te deixado todos os outros anos.
– Eu te amo Tom... — Ela se inclinou até a mim e beijou meu rosto, eu sorri de canto, a ponta do nariz dela estava gelado e aquilo me arrepiou um pouco, segurei a mão dela e acariciei, até que chegamos no nosso destino. — É aqui?
– Sim... Ela logo aparece. — Vi um vulto passar pelos fundos de uma casa e destravei a porta do Mustang, liguei o carro e desliguei os farois, ouvi um barulho de portar abrir e fechar. — Vamos embora!
Eu acelerei e me mandei dali o mais rápido que pude, minha sorte era que o mustang era um carro silencioso então a nossa fuga deu certo, eu me concentrava em dirigir e algo inesperado acontecia do meu lado, a Morg realmente estava ajudando a Madson, ela deu um cobertor que mantínhamos no carro e perguntava se estava tudo bem. Eu olhei pelo retrovisor antes da Morg cobrir ela e percebi que a Madson estava quase nua, confesso que corei um pouco de vergonha e por isso me concentrei mais na estrada.
– Chegamos!
Eu parei o carro em uma rua sem saída, me virei pro Morg e a Madson, abri o porta luvas do carro e peguei uma cópia da chave do Apartamento do Madson, abri o porta trecos e coloquei minha mão ali, suspirei aliviado e fechei de novo sabia que iria precisar daquilo mais cedo ou mais tarde. Dei a chave do apartamento pra Madson e um bolinho de dinheiro com uns mil dólares enrolado, as duas me olharam um pouco assustadas.
– Tom de onde você tirou isso? — Morg estava meio incrédula.
– Eu recebo o pagamento do exercito do meu pai e do meu Tio. — Dou de ombros, não era tão pobre assim minha vida era boa. — Madson você fica com isso e com o apartamento, deixo seu pai e o Owen por minha conta e não volta mais pra lá ouviu bem? — Ela afirmou e agradeceu, saiu do carro e subiu pro apartamento.
– Obrigada Thomas e Morgana... Eu devo minha vida a vocês.
– De nada Gabriela, se precisar... — Morg anotou o numero dela em um papel e entregou pra Madson. — Pode me ligar, sem mais brigas certo?
– Sem mais brigas... — Madson correu pra dentro e eu sorri, liguei o carro estava na hora do jantar, queria ir a uma lanchonete.
– Acho que não vamos encontrar seu pai hoje amor... Vamos jantar e ir pra casa, amanhã tem escola.
– Tudo bem eu não estou pronta pra ver ele ainda... — Ela ligou o rádio e começou a cantar, tínhamos que esquecer os problemas e eu adorava esses momentos com ela.
–-x--
Tom resolveu parar na Peterson mesmo já que quase todos os restaurantes estavam fechados há essa hora, e também porque eu adorava a comida de lá, melhor do que qualquer restaurante que eu já fui, sem mentiras. O Sr. Thomps estava por lá e se juntou com a gente para jantar. Pedi o de sempre: café com leite e macarronada com fritas. Eu sei, sou gorda de certa forma.
–Onde vocês estavam? Pensava que estava em casa estudando para o vestibular — Sr. Thomps estava na minha frente enquanto Tom foi pegar os pedidos. Tinha feito todas as provas que perdi quando fui ao orfanato e estava praticamente aprovada, o que me assustava agora era o vestibular. Já havia me inscrito e a prova seria dali um mês, eu praticamente não tinha mais vida social e vivia com a cara nos livros.
–Bem eu estava estudando, mas... — Olhei de relance para Thomas. Não sei se deveria contar sobre a Madson e tudo mais para o Sr.Thomps, mas sinceramente ele podia saber muito mais do que eu. — Tivemos que ajudar uma... Amiga-Sorri de canto e ele me analisou.
Odiava quando faziam isso, eles praticamente olhavam minha alma e procuravam qualquer informação através de pequenos gestos do meu corpo. Com eles quero dizer o Thomas, Sr.Thomps e claro meu avô Louis... Ele fazia exatamente igual.
–Fico feliz em que Madson tenha encontrado alguém para ajudar ela-ele bebeu um gole de cerveja e eu o encarei incrédula. — Uma garotinha como ela não merece uma vida assim..
–Ahn..como você...- Eu era a única na cidade que não sabia absolutamente nada ou o que?
–Thomas me contou. — Ele piscou e fiquei aliviada por saber que não era a única desinformada.
–O que estavam falando? — Tom chega com os pedidos e senta do meu lado.
– Nada de mais.
Sorri de canto e comecei a atacar a comida. Estava faminta, tinha esquecido a ultima vez que comi... Deveria ser porque eu estava nervosa com tantos problemas para resolver e só de pensar que eu ia ver meu pai pela primeira vez meu estomago se revirava.
Tom colocou a mão na minha coxa e apertou de leve, o que fez eu me arrepiar, óbvio. Desviei a atenção da comida e olhei para ele que me encarava preocupado, como sempre...
–Está...
–Sim amor, não se preocupe. — Sorri e dei um selinho nele com a mensagem " a gente conversa mais tarde". Tom só confirmou com a cabeça e começou a falar com o Sr.Thomps sobre algo que não consegui prestar atenção. Eu pensava em mil coisas ao mesmo tempo o que não fazia nada bem para a digestão.
Me levantei indo pro banheiro resmungando um "já volto" pra eles. Uma água no rosto poderia fazer eu relaxar um pouco... Acho. Mal cheguei ao banheiro e senti meu celular vibrar, olhei o visor e dizia como número desconhecido. Podia ser o Alexis (o que me deixaria muito feliz) ou a Madson já que tinha dado esse número a ela, mas seria estranho...
–Alô — atendi ligando a torneira e molhando um pouco minha mão. Estava frio e a água gelada, de repente a opção de lavar o rosto foi anulada.
–Oi, Morgana é a Gabrila... — Ela parecia um pouco relutante e eu encostei na pia com a testa franzida. — Desculpa te ligar ainda hoje é que... — A voz dela falhou, parecia controlar o choro e isso fez com q eu ficasse com coração mole. Entenda, ajudar os outros para mim é instinto e vocês devem ter notado isso, não importa se seja meu pior inimigo eu sempre ajudo.
–Ei, tudo bem... Pode desabafar se quiser, vai ficar só entre nós. — Minha voz ficou serena e tentei me concentrar só na ligação.
–Eu só... — A senti respirar fundo e encarei meus pés. — Desculpa por ter tentado separar você e o Tom tantas vezes. Admito que... Eu, realmente, gostei dele toda a minha vida e quando eu vi que ele não correspondia comecei a agir como uma... — Ela pausou e eu fiquei em silêncio, sabia que devia dar esse tempo a ela. — Mas eu percebo que ele é seu e você o faz feliz como eu nunca poderia fazer. Mesmo depois de tudo você está me ajudando e... Caramba, você vai ser a melhor psicóloga de todas.
Eu sorri de canto a ouvindo e briguei comigo mesma por não ter notado isso antes. Apesar de ela fazer tudo isso, Gabriela era só uma garota que como todas querem seu "príncipe encantado" cada vez mais raro. O problema é que a maioria procura da forma errada e acaba encontrando o sapo
– Eu li seu texto de português...
–C-como...?- Fiquei estática. De que texto ela estava falando e como ela conseguiu ter acesso?
–A professora pediu para vocês fazerem um texto com relação a profissão que queríamos realizar não é? — Sua voz estava mais animada e eu me senti aliviada com isso. — Eu fui ler sua redação e foi ela que me fez procurar a ajuda sua e do Thomas... Você realmente entende o modo das pessoas e tenta compreender cada reação delas. Tenho certeza que fará um livro sobre isso e muitos vão conseguir achar ajuda como eu.
Ok, eu estava com lágrimas nos olhos. Sempre sonhei em ser uma boa psicóloga e realmente ajudar quem precisa e quem é incompreendido. Ouvir isso antes mesmo de começar a minha carreira era... Não consigo achar a palavra certa, mas me motivou a continuar estudando e esquecer meus problemas de vez.
–Gabriela eu...
–Ah e eu mandei sua redação para a universidade que você quer. — Ela me interrompeu e fiquei estática. ELA O QUE?- Fiquei sabendo que a pontuação para ganhar uma bolsa integral é alta e resolvi te dar uma ajudinha. — Ela soltou uma risada de leve. — Preste atenção no seu correio, uma carta deles vai chegar em breve.
–Gabriela?- eu estava sorrindo de orelha a orelha... Se eles gostassem da redação provavelmente ganharia vantagem e...
–Sim?
–Você é uma das garotas mais incríveis e determinadas que já conheci... Tenho mais do que certeza que você vai encontrar alguém que te faça feliz de verdade. — Eu não estava mentindo, era mais que verdade e pude perceber que eu ganhara mais uma amiga que era minha inimiga. O mundo é estranho.
Ela desligou o telefone murmurando um "obrigado" e voltei fui até a saída do banheiro onde tombei com Thomas.
–Está tudo bem? Você estava demorando e eu... — Ele segurava meus ombros e ri o olhando preocupado. Como eu o amava... O que ele não fazia por mim? Eu era capaz de dar minha vida por ele sem pensar duas vezes.
–Tudo bem amor. — Passei meus braços ao redor dele e o beijei com desejo- só tive que conversar com a Madson um pouco. — Olhei nos olhos dele.- Seu avô ainda vai dormir fora de casa?
–Vai... — Ele sorriu malicioso de canto e eu retribui. Nunca fiquei tão ansiosa para chegar em casa.
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Acordei com o celular vibrando e me atrapalhei toda para achar o celular no meio daquela bagunça. Algum dia Thomas ia me matar daquele jeito... Um sorriso brincou nos meu lábios sem eu querer apenas de lembrar da noite de ontem e finalmente achei meu celular. Não consegui ver o numero por ainda estar sonolenta e bocejei antes de atender.
–Alô? — Falei sussurrando para não acordar o Thomas. A pessoa do outro lado ficou quieta e tentei falar um pouco mais alto. — Quem é?
–Morgana Curts? Sou... Seu pai. — Me sentei na cama rapidamente e fiquei estática. Meu pai... — Acho que precisamos conversar. Teria como você me encontrar na sua antiga casa? É importante que você venha, não posso ficar muito tempo por aqui então... — Eu olhei o relógio. Marcava 9hs e respirei fundo pensando rápido. Uma parte de mim dizia para desligar sem responder e outra se remoía de curiosidade para finalmente eu conhecer meu pai. — Morgana?
–Ahn... Eu... Eu chego em meia hora. — Falei sem pensar e meu coração estava acelerado.
–Perfeito, ate mais.
Ele desligou o telefone e me arrumei o mais de pressa possível. Coloquei uma touca que caia no final, minha vó sempre falava que parecia uma lula sugando meu cérebro, mas eu sempre achei quentinha então dispensava esse tipo de comentário. Coloquei uma blusa de lã e minha jaqueta de couro, amarrei os tênis e olhei para Thomas.
Eu deveria o acordar para ir comigo, mas... Ele parecia tão cansado e achei que não seria tão ruim a conversa com meu pai. Deixei um bilhete no abajur:
"Fui falar com meu pai na minha antiga casa, desculpa não te acordar... Você estava lindo dormindo. Quando acordar e eu não tiver chegado, por favor, vá para lá. Eu te amo oinc"
Desci correndo até Bessie com o celular no bolso e as chaves.
Liguei a rádio do meu vô e cantarolei as músicas baixinhas. Eu realmente não sabia o que iria falar para ele, mas uma pergunta que não saia da minha cabeça era "Porque ele me procurou só agora?" Eu só não sentia raiva porque da última vez que julguei alguém sem a conhecer estava passando por problemas e só depois percebi que poderia ter evitado muitas confusões.
Eu dirigia com calma até porque não podia exigir muito da Bessie e bem... Eu estava bastante nervosa. Mordi o lábio e segurei o volante com força, deveria ter acordado o Thomas...
Entrei e estacionei a caminhonete nos fundos da casa como sempre fazia. Aquilo me fez lembrar de todos os dias que passei com vovó aqui e meu coração doeu. O que ela e o vovô fariam? Que conselhos eles me dariam? Eu sentia tanta falta deles...
Vi alguém sair de dentro da casa, pelo que eu sabia a casa iria ser demolida no final do mês e bom a casa estava interditada. Olhei o relógio 9h30... Estava na hora. O homem parou na frente da caminhonete e sorriu de canto, exatamente o mesmo que o meu.
Seus olhos eram claros um pouco acinzentado como os meus, o resto era completamente diferente. Seus cabelos eram grisalhos e encaracolados, devia medir 1,80 cm e parecia estar em forma apesar de ter... Não fazia a mínima ideia de quantos anos ele poderia ter. Suas roupas estavam surradas e as mãos estavam no bolso. O problema de pontualidade deveria ser dele... Ou ele era costume que ele pegou com a minha mãe? Tantas perguntas...
Tomei coragem e sai da Bessie colocando as mãos no bolso do casaco tentando disfarçar meu nervosismo, agradeci por ele não ser do exército. Pelo menos eu acho que não era...
–Oi, sou Hermes Davidson, você é...
–Morgana Curts. — Estendi a mão e ele apertou me cumprimentando.
–Você é tão parecida com a sua mãe. — Ele recolheu a mão colocando no bolso de volta e eu fiquei inquieta. Meu pai tinha o nome do deus dos ladrões? Eu era parecida mesmo com a minha mãe?
–Ahn... Obrigada.- Eu não parava de o encarar e ele o mesmo. Eu deveria estar tão nervosa assim?- So... Sobre o que quer falar?
– Eu queria conhecer um pouco mais sobre minha filha... Tentar me desculpar por nunca ter te procurado e talvez tentar começar do zero.
– O que quer dizer com isso? — Franzi o cenho e eu me sentia feliz de certa forma por poder falar com meu pai. Quem sabe eu não poderia me conhecer direito e poder finalmente tirar tantas dúvidas.
– Quero que vá morar comigo em New York e eu serei seu tutor... Quero ser o pai que você nunca teve. — Ele sorriu e eu encarei meus pés mordendo o interior da boca.
–Eu... Eu adoraria mas...
–Mas? — Ele indagou e eu respirei fundo.
–Mas eu estou bem aqui e talvez consiga entrar finalmente em uma universidade. Estou realmente feliz por te encontrar e tirar tantas dúvidas que tenho, mas não posso ir com você, sinto muito — O olhei e de repente seu humor se transformou completamente.
– Você não pode estar falando sério... — Ele riu com desdém. — Eu sou seu pai... Você tem que fazer o que eu mandar!- Ele me olhava com fúria e eu tremi por dentro.
–Desculpe... Meu pai de verdade se chama Louis Curts. Foi ele que me acolheu, não foi você!- Falei determinada, essa era a verdade e por mais que eu me desse bem com meu pai biológico esse fato nunca ia mudar.
– VOCÊ NÃO TEM ESCOLHA GAROTA! ME DEVE ISSO DEPOIS DE TER MATADO A SUA MÃE!- Ele berrou e segurou meu braço me arrastando para dentro de casa. Naquele momento minha voz não saia. Eu estava em pânico e o que ele me falara teve um grande choque sobre mim... Eu não podia ser filha desse monstro.
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