My Avenger Angel

33 I'm Your Avenger Angel, Remember?


Notas iniciais
"Os velhos desconfiam da juventude porque foram jovens." - William Shakespeare

Eu acordei aos poucos, olhei o relógio 9:15 estava atrasado pra escola, passei a mão na cama e nada da Morg, me sentei de sobressalto e um vento frio passou pela janela me arrepiando em quanto o lençol só me cobria até a cintura, sorri de canto lembrando da noite que eu tive com ela e suspirei.

– Morg?

Estava tudo silencioso demais e eu não gostei disso, passei a mão na cama e estava gelada isso quer dizer que ela acordou faz tempo, me levantei e procurei pela minha roupa, coloquei minha bota do exercito, um moletom e coloquei o capuz pra logo colocar a jaqueta, vi um papel no criado mudo e li o recado que ela deixou, amassei o papel na hora e senti meu coração apertar eu tinha que correr, por instinto segurei o colar que ela me deu.

– Por favor Morgana, aguenta até eu chegar ai! — Peguei a chave do Mustang e sai que nem um furacão, meu avô estava chegando com um amigo da Peterson.

– Hey Tom pra onde você ta indo? — Ele gritava pra mim.

– Salvar minha namorada Velho Thomps! — Cantei pneu e parecia que eu estava nos Velozes e Furiosos, olhei de novo o relógio. — 9:45h Merda eu disse pra ela não ir sozinha eu disse! — Acelerei mais ainda e o marcador batia 150km/h

Demorei meus eternos quinze minutos pra chegar na casa dela, escureceu muito começou a trovejar e cair um chuva muito forte durante o caminho e eu fui obrigado a reduzir, cheguei na casa dela no silêncio, se eu chamasse atenção dele seria péssimo, vi a Bessie estacionada, abri o porta luvas do carro, sabia que iria precisar daquilo, mas não queria nessa situação, sai e fui pelos fundos.

Abri a porta sorrateiramente, caia raios e mais raios, trovões mais fortes o que me ajudava no quesito chegar de surpresa, mas o que fazia meu coração bater mais, Morgana Curts odeia trovões, passei pela cozinha e vi ela sentada no sofá e o Pai de frente pra ela, ele berrava e só culminava mais pra ela ficar ainda mais apavorada, trinquei os dentes.

– VOCÊ NÃO PODE ME DESOBEDECER! — Ele parecia muito alterado, ele com certeza deve ter usado alguma merda como sempre fez. — EU SOU SEU PAI OUVIU BEM? E VOU TE ENSINAR QUAL É O SEU LUGAR... — Eu só vi o vulto dele levantar o braço e ela se encolher, aquilo foi a gota pra mim... Foi ai que eu me tornei o Vingador de sempre e sabia que ele sairia bem machucado.

Antes mesmo que ele conseguisse abaixar a mão em direção a ela eu surgi atras dele e não me pergunte como, nem eu sei, quando dei por mim já estava segurando a mão dele, na hora ele olhou pra mim e caiu um raio iluminando meu rosto e o dele.

Pude ver as pupilas dilatadas, ele me reconheceu e se soltou de mim se afastando, me pus na frente da Morg e murmurei pra ela se acalmar, mas com os trovões eu sabia que era impossível assim, apertei o punho e coloquei a mão nas minhas costas, acabei por levantar um pouco a blusa e meu capuz caiu na hora.

– Então é você mesmo... O assassino de Lousiana. — Ele ria na minha frente, continuava com as mãos no bolso, tínhamos um metro de distância. — Parece que o reformatório de Nova York fez bem pra você, Thomas.

– Eu digo o mesmo Paul Davidson... Ou melhor Hermes. — Ele franziu o cenho e mexeu no bolso, na hora eu saquei minha arma das costas e atirei do lado da cabeça dele. — Se você tentar mais um gracinha na próxima eu estouro seus miolos.

– Tom... — Eu ouvi a voz da Morg embargada atrás de mim, então foi onde eu me distrai e olhei pra ela. — CUIDADO!

O maldito do Hermes fez um corte superficial na minha mão o que possibilitou ele de me desarmar, por puro reflexo eu segurei a outra mão dele e o empurrei contra a parede, ele tinha força pelo visto ele também sabia lutar.

– Morg sai daqui... Vai atrás do Alexis. — Ela olhava pra nós dois um pouco... Não, ela estava bastante assustada, acho que ela nunca chegou a ver uma briga tão de perto. — MORGANA SAI DAI!

Hermes me socou com força e eu fui parar no chão, Morg foi tentar me ajudar, mas eu levantei rápido e a empurrei pra cozinha, assim que me virei ele me atacou com uma faca eu consegui desviar, entretanto ele acertou a lateral do meu corpo, aquilo me deixou enfurecido então eu chutei a barriga.

– Você é um Filho da Puta Hermes... Veio atrás da filha porque esta devendo pra agiota de novo? — Ele se arrastava no chão acuado, eu sorri de canto e senti o prazer me consumir naquele momento. — Seria melhor se você não tivesse aparecido na vida dela, você se tornou um merda!

– Cala a boca delinquente Smith! — Ele se sentou e ficou me olhando. — Você é da mesma laia que eu idiota... Nos tornamos criminosos pelo mesmo motivo não se lembra?

– Eu sou diferente! — Eu voei no pescoço dele e apertei, ele tentou me acertar com a faca de novo, mas fui mais rápido e segurei a mão dele. — Cometemos erros pelos mesmos motivos... Mas com finalidades diferentes!

Foi nessa hora que fui surpreendido, eu não vi a outra mão dele pegar a minha arma, então ele apontou pra minha cabeça e sorriu, se eu o soltasse ele me acertaria com a faca, pelo outro lado eu levaria um tiro na cabeça.

– Pai não faz isso! — Eu ouvi a voz dela atrás de mim. — Eu faço o que você quiser, mas não mata ele. — Eu trinquei os dentes, devia ter tomado mais cuidado.

– Tarde de mais... Ele vai morrer! — Eu lancei meu corpo pra frente e ouvi o estampido, fechei os olhos com força.

– THOMAAAS NÃÃÃO!!! — Eu não queria mais assustar ela, mas já estava uma merda. — O QUE VOCÊ FEZ SEU MONSTRO!

Antes que pudesse acontecer qualquer outra coisa, eu levantei meu tronco mostrando que estava vivo e não morto em cima do Hermes, o movimento que eu fiz com meu corpo com sorte o fez errar, eu peguei minha arma de volta e tirei a faca dele.

– Você ainda está vivo garoto? — Travei a arma e guardei de novo, me levantei e abracei a Morg que chorava bastante.

– Eu vou fingir que nada disso aconteceu Hermes, mas a próxima vez eu te mando pra Nova York de novo. — Eu a peguei no colo, o corte na minha costela reclamou, mas naquela hora eu pouco me importei, ainda trovejava e a cada trovão ela se encolhia mais no meu peito. — Vai ficar tudo bem amor... Eu estou aqui, seu Anjo Vingador lembra?

Foi então que ela chorou mais no meu peito, eu a cobri com a jaqueta, a chuva caia forte, olhei pra Bessie teria de busca-la depois e não queria deixa-la sozinha... Foi então que eu pensei na única pessoa que a acalmaria mais que eu... E era o Alexis.

–-x—

Eu odiava trovões, odiava com todas as minhas forças. Eu podia superar o trauma do mar, mas de trovões... Eram aqueles medos que simplesmente você sente e não consegue superar. Como eu podia fazer isso?

Tom me colocou no Mustang e eu abracei os joelhos escondendo meu rosto entre eles, pensando tantas coisas e até sentindo nojo de mim mesmo. Eu sei, não tenho culpa de ter a genética... Dele, mas mesmo assim, eu odiava parecer fraca e naquela casa eu parecia uma donzela em perigo e Thomas quase morreu por imprudência minha.

Ele havia me falado para não ir sozinha, só não sabia que meu pai era um ladrão (que faz jus ao nome) drogado e queria me usar para pagar agiotas. Como minha mãe poderia ter amado alguém como ele? Eu queria parar de chorar, mas não conseguia, era quase involuntariamente. Ouvi Thomas falar com alguém no telefone, não prestei atenção, só fechei os olhos e tentei bloquear tudo a minha volta.

Sim, eu havia dormido no carro. Não sabia onde estava agora, mas com certeza estava em uma cama. Abri os olhos devagar e tentei reconhecer o ambiente. Não era o quarto do Thomas, mas eu já havia estado ali antes...

–Oi amoi. — Virei para a voz e vi Alexis sentado do meu lado sorrindo de canto e passando a mão pelos meus cabelos.

–Eu estou... — Franzi o cenho o olhando.

–Na cama com o garoto mais gostoso da New Iberia! — Ele riu e eu me sentei na cama confusa.

–Onde está o Thomas? — Esfreguei os olhos que estavam inchados de tanto chorar ouvi um relâmpago ao longe, me encolhi e meu coração acelerou.

–Ele foi pegar a Bessie e já volta. — Alexis me abraçou de lado e eu deitei no peito dele me encolhendo ainda mais.

–Mas... Mas o meu... — Travei. Nunca ia o chamar de pai, porque ele simplesmente não era.

–Está tudo bem Amoi, Tom sabe se virar, daqui a pouco ele volta. — Alexis beijou minha testa e dei um pulo quando escutei um relâmpago mais forte. Comecei a lembrar tudo o que acontecera e abracei Alexis mais forte. — Sinto muito Amoi...

–Eu só... Não consigo acreditar que ele é meu pai. As dúvidas aumentaram e eu não sei o que fazer. — Respirei fundo tentando não chorar novamente. — Queria saber mais sobre a minha mãe e se realmente eu não deveria existir. -Sussurrei.

–Não fala isso Amoi, parece que você é um peso no mundo.

–Talvez eu seja...

–Não é. — Ele segurou meu rosto fazendo eu olhar nos seus olhos. – O que seria a vida da D. Atena sem você? Ou minha e do Thomas? Até mesmo da Madson! — "Ah, ate ele sabia" pensei automaticamente. — Você mudou a vida de todos a sua volta. Se você for um erro é o melhor que alguém poderia ter. — Ele acariciou meu rosto de leve e eu sorri. Ele sabia como me fazer parar de teimar com uma ideia idiota, eram poucos que conseguiam contornar Morgana Curts.

–Eu preciso falar com meu pai. — Sussurrei e respirei fundo. — Preciso acabar com isso de uma vez por todas.

–Tem certeza? — Assenti e ele respirou. — Vamos com você.

–Eu não preciso de guarda costas. — Falei ranzinza e Alexis levantou as mãos surpreso.

–Essa doeu

–Desculpa, mas é que vocês falam como se eu fosse uma donzelinha que não consegue se defender e...

–Ok, eu entendi... Você vai sozinha.

–Sério? — Eu o encarei incrédula e ele afirmou.

–Você precisa mesmo desse tempo a sós com seu pai e vamos te dar, se...

–Se? — Eu arquei as sobrancelhas.

–Se você levar spray de pimenta. — Eu ri e o abracei de volta.

–Prometo voltar inteira. Te amo peixinho.

–Te amo Amoi. – O vi sorrir e beijar minha testa novamente. Um relâmpago soou lá fora, mas naquela hora, por incrível que pareça, não senti medo.

Quando Thomas chegou à casa do Alexis peguei direto o celular dele ligando para meu pai enquanto os dois discutiam na sala. Combinei em um lugar movimentado da cidade conforme Alexis me recomendou e no final da ligação falei que iria o ajudar. Só esperava que ele não usasse drogas, iria dificultar as coisas.

Desliguei o telefone e quando me virei Alexis e Thomas estavam de braços cruzados me olhando. O mais estranho era que eles não estavam bravos.

–Ahn... O que....

–Quando vocês vão se encontrar? — Thomas me cortou fazendo pose de irritado.

–Às três horas. — Franzi o cenho e observei os dois, estavam muito suspeitos.

–Quero que leve isso, só por garantia. — Ele pegou a arma das costas e entregou para mim. Não gostava muito de armas já que eu era tão humanitária como a Mands, só gostava quando os alvos eram latinhas de cerveja do Sr. Thomps.

–Eu pensei que spray de pimenta já estava bom, não acho que ele vai me atacar de novo.

–Quer ir sozinha com ele ou não? — Ele arcou as sobrancelhas.

–Você é muito mandão. — bufei

–Você é muito teimosa. — Nós sorrimos e ele me abraçou forte.

–Preciso sair antes para fazer uma coisa. — Fiquei na ponta dos pés ainda abraçada no Thomas e olhei por cima do ombro dele. — Alexis leva o Tom pro hospital?

–Não preciso.. .-Tom soltou um granido quando toquei no ferimento das costelas dele e o encarei.

–Não precisa do que? — Ele bufou em resposta e vi Alexis assentir.

–Pode deixar Amoi, eu cuido dele. — Eu sorri e beijei Thomas como se fosse a ultima vez.

–Eu te amo. — Dei um selinho e peguei a jaqueta dele escondendo a arma no bolso interno . Abracei o Alexis quando passei por ele e fui até a Bessie com pressa.

Eu passei por toda a cidade, iria ajudar meu pai e depois nunca mais vê-lo. Sai da última firma da cidade com um alivio enorme e estacionei Bessie perto da praça, eram 14h59 min, nem querendo eu conseguia me atrasar. Desci do carro e fui até o banco em que ele se encontrava, senti a arma no meu peito e o nervosismo tomou conta de mim. Não ia conseguir atirar se caso eu precisasse.

–Oi. — Sentei do lado dele um pouco afastada.

–Oi. — Ele disse friamente e eu suspirei, quanto mais rápido melhor.

–Eu vou te ajudar, mas quero que responda minhas perguntas e depois nunca mais quero que me procure. — Encarei meus pés, ele estava com o olhar vazio, mas sabia que não tinha usado nada.

–Feito.

–Como conheceu a minha mãe?

–Em um festival de Rock em NY. — Foi só o que ele respondeu, respostas curtas, entendi, ele queria acabar aquilo tanto quanto eu.

–Você a abandonou quando ficou grávida?

–Não. — Ele suspirou.- Estava até... Feliz. — Meu coração doeu e fechei meus olhos com força. — Mas você a matou... O sentido da minha vida se foi e...

–Você resolveu acabar com tudo o que te restava. — Falei irritada e o encarei. — O que mamãe falaria se te visse assim?

–Eu não tenho culpa se você a matou! — Ele berrou e me olhou com fúria.

–Eu não pedi pra nascer! A imprudência foi sua! — Me levantei e joguei uma pasta no colo dele. — Faça isso por ela... Sei que mamãe te amava e você deve ter algo de bom. — Fiz uma careta e ele abriu a pasta.

–O que é isso?

–Um emprego. — O encarei. — Essa é a minha ajuda por pelo menos ter me abandonado na porta certa.

–Mas eu...

–Agora se vire nada mais é da minha conta relacionada a você.

Me virei e fui em outra direção da praça o deixando ali sozinho. Precisava por algo no estomago antes que eu desmaiasse, e o que me animaria agora seria o bom chocolate. Foi então que eu vi um Mustang preto atrás da lojinha e meu sangue ferveu. Andei até lá pisando firme e bati no vidro escuro, eles abaixaram o vidro devagar e eu cruzei os braços.

–O que estão fazendo aqui? — Trinquei os dentes e vi Thomas e Alexis se entre olharem.

–Bem, nós pensamos que...

–Eu disse que não queria guardas costas! — Interrompi Thomas e fuzilei os dois com o olhar.

–Morg, você não o conhece! Ele... -Thomas disparou em explicações e eu apenas levantei a mão.

–Ah, vão se danar, cansei disso. — Comecei a caminhar rápido e ignorei Thomas gritando atrás de mim. A única coisa que eu realmente precisava agora era visitar meus pais de verdade.

Notas finais
Desculpem a demora pelo capitulo, quem sabe amanhã quando eu acordar, posto mais um pra compensar... Faculdade começou a apertar, sacomé!