My Avenger Angel
45 Misery
Notas iniciais
Eu estava numa cela sozinho, o advogado que Poseidon me apresentou usou como pretexto meus traumas e disse que não faria bem eu ficar na mesma cela que verdadeiros bandidos, e que o cliente dele, no caso eu, não era de fato culpado até que o júri de o veredito.
No momento eu estava na cela conversando com meu advogado, já estava de banho tomado e com as roupas necessárias. Com muita luta pedi pra que o Alexis tirasse a Morg dali e ele a convenceu pra ir na casa da Amanda, ela tinha que ficar com a carta em mãos e seria melhor assim.
– Como você está Thomas?
– Doutor Picker... – Suspirei. – Já estive melhor, qual a novidade?
– Que seu caso esta começando a piorar, Madson é seu responsável e exige sua custódia. – Ele se apoiou na cela. – Ele é a lei e sabe que o Estado não pode te manter preso, não antes do veredito.
– Mas que diferença faz pra ele?
– Ele pode te manipular e conseguir digitais pra te colocar na cena do crime que ele quiser. – Ele sussurrou. – Gabriela Madson está correndo perigo e através do seu mecânico Johnson deixou uma mensagem.
Naquela hora meu corpo gelou, Madson iria usar a própria filha contra mim. Mas o que eu ainda não tinha entendido era como ele iria usar a Gabriela a favor dele, afinal o Madson a abusava de todas as formas, psicologicamente, mentalmente e sentimentalmente.
– Ela ainda esta no apartamento do Johnson e pediu uma avaliação, ela disse que o pai dela vai te acusar de abuso sexual... E que tem provas de que você saiu com ela a noite e que passou uma noite fora com ela, no que resultou até no fim do seu namoro.
Soquei a cela com força, aquele filha da puta estava pegando detalhes mínimos e jogando contra mim, apesar da Gabriela ter minha idade, eu sou maior emancipado, e como a Morgana é a maior parte interessada eu sendo seu tutor e também namorado, o depoimento dela seria logo descartado.
– Fala pra Madson apenas dizer o que sabe nada de mentiras... Quanto mais o Madson mentir... Melhor.
– Thomas... Você tem como desmentir que você não teve caso com a Gabriela?
– Tenho coisa melhor... Testemunhas e rastreadores. – O olhei com convicção. – Procure por David Wilson, ele estudava no outro bairro... Mas mantenha o em segredo, diga que é hora dele pagar o meu favor.
– Se você diz... – Ele anotou as informações. – Vou comunicar ao estado, e será colocado tudo as limpas... E sobre os papeis que você tirou do contra bando...
– Eu sei aquilo envolve mais do que o Madson, Alexis pesquisou e afirmou que da pra prender uma quadrilha inteira.
– Exato, o FBI já está investigando os outros nomes... Parece que você tem um lugar garantido nas autoridades meu rapaz. – Ele me olhou melancólico. – Seu pai teria orgulho.
– É o que estão me dizendo. – Eu sorri de canto.
Não fazia a mínima ideia que horas eram, até que ouvi minha cela ser aberta e um policial me acordar a cassetete. Os caras não eram nada delicados, se eu pudesse já tinha quebrado o nariz dele. O fitei com ódio nos olhos, ele era um policial subordinado do Madson e que também era meu carcereiro.
– Visita pra você vingador.
Sorri desafiador e vi o Policial se encolher, cruzei minhas mãos atrás das costas e ele me algemou, com um empurrão segui pro corredor, olhei por cima do ombro, alguns detentos esticavam as mãos, até que um me puxou pela gola e me esmurrou.
Rapidamente eu pulei e passei minhas mãos algemadas pra frente, consegui colocar minhas mãos entre as barras e segurei o pescoço dele o enforcando, o prazer de o matar estava ali presente, ver ele sufocando fazia todas as toxinas de prazer fluir pelo meu corpo.
Ouvi o carcereiro gritar, soltei o detento e olhei com uma fúria inigualável se eu tivesse o poder o queimaria com o olhos, ele tossia e me olhava atordoado, acabou vomitando um pouco, o policial me jogou contra a cela, mas eu não tirava o olhar do detento, então dirigi minhas palavras a ele.
– É bom não colocar suas mãos sujas em mim e nem me bater... Ou não vai ter mão nem pra bater punheta.
– C-certo... Vingador.
Assim que o ouvi senti um sorriso sádico nos meus lábios, os presos agora não se agitavam mais e o Policial se mantinha do meu lado, não esperava ser pego de surpresa por mim. Até que sai da área das celas e me levaram para uma sala de interrogação. Assim que entrei, senti uma mão me apalpar.
– Oi gostosinha...
Ah! Como ele me pegou em um dia de mau humor e seria ótimo mais uma vez pro plano, fiz o mesmo movimento de antes e coloquei minhas mãos algemadas pra frente em um pulo, esmurrei a cara do Owen e depois desferi uma cotovelada, cuspi na cara dele e depois sentei na cadeira, respirei fundo a passei a mão no rosto.
– Não me importo de pegar mais dois anos de cadeia por ter quebrado seu narizinho nojento.
O fracote ainda estava se contorcendo de dor no chão, afinal seu nariz realmente estava quebrado, até que o Madson entrou e mandou o Owen cuidar daquela coisa horrenda que ele chamava de rosto, mas nem com plástica aquele cara se salvava.
– Você sempre com recepções calorosas Smith. – Ele se sentou na minha frente, tirou minhas algemas e manteve um sorriso satisfeito. – Vejo que conseguiu o que tanto queria.
– A cara do Owen amassada? – Gargalhei. – Eu preferia contratar uns caras e pagar pra estuprar ele, mas lembrei que não preciso... – Apoiei minhas mãos na mesa e fixei meu olhar no Madson. – Você come aquele cu todo dia né Madson?
– Você fala de mais... – Pude ver a irritação em seus olhos.
– Que foi? Toquei no assunto que não devia? – Ri mais alto. – Qual é Patrick Madson!? Eu sei de muita coisa que rola de baixo dos panos... Inclusive esse seu lado afeminado!
– CHEGA! – Ele se levantou e deu um tapa na minha cara, senti um filete de sangue, sorri limpei e cuspi na cara dele. – Você... – Ele me pegou pela gola. – Vai pra cadeia!
– Posso até ir, mas vou com prazer de ter dado na sua cara! – Dei uma cabeçada forte nele depois um soco. – Da o fora daqui!
Fiquei sozinho na sala por alguns minutos e estava bem impaciente, aquela sala toda branca só com uma mesa e uma cadeira... Parecia que eu estava numa clínica de reabilitação, só faltava trazer aqueles remédios que dopam a pessoa e não sabe falar nem oi de tão drogada. Ouvi a porta abrir e pensei ser alguém que iria e dar um corretivo... Até que tive a minha surpresa...
Escutei apenas um latido na porta, me agachei e o Chad todo desengonçado veio correndo afobado pra mim. O peguei no colo e ele me lambeu todo, aquilo me fazia cocegas e o rabo dele abanava muito parecia um ventilador com seus latidos agudos.
– Você veio sozinho garoto? — Até que ouvir a porta abrir de novo com meu avô e a Morg entrando meio desesperados.
– Chad você não pode entrar em qualq... AMOOR! – Foi então que ela me notou na sala, correu e me beijou. – Estou com saudades!!
Finalmente eu tinha a visita que eu queria, aquilo com certeza iria me dar mais forças... Amanhã cedo seria bem complicado.
–-x—
Eu olhava pro teto de madeira como se olhasse pra algo realmente interesse ao qual levava meu pensamento longe. Infelizmente não eram pensamentos bons. Chad sacudia a pata de olhos fechados em cima da minha barriga enquanto choramingava, provavelmente um pesadelo. Afaguei atrás da orelha dele que o fez se acalmar um pouco, engraçado parecia que como eu, Chad não consegue dormir sem o Thomas.
Eu não sentia ao menos sono, meu peito ardia com tanta angústia e meu estômago fervia de preocupação. Na ultima visita que fizemos pra ele, apesar de saber que tinha tudo pra dar certo o medo não passava, estava sempre presente. "Não posso perdê-lo". Era tudo o que eu pensava, ou melhor, o que conseguia pensar.
Provavelmente se vovó Atena estivesse aqui iria me fazer um chá pra me acalmar e estaria ao meu lado afagando meus cabelos e cantando aquela melodia sem letra, mas que mesmo assim entrava na minha alma e me fazia dormir serena.
Vovô Louis provavelmente olharia para vovó perdido, era difícil ver sua garotinha sofrer. Mas seus carinhos, provavelmente, me deixariam com um leve sorriso enquanto eu dormisse, porque eu saberia que mesmo com qualquer problema eu não estaria sozinha.
Sem perceber eu não avistava mais o teto e meu rosto estava coberto por lágrimas, eu não estava preparada para a perda deles, nunca estive e se conseguirem prender Tom provavelmente perderei o resto do chão que ainda possuo, a sanidade e o desejo de viver.
Alexis vinha passar algumas noites aqui, ficara comigo até agora, provavelmente ele dormiria comigo de novo e eu enfim me sentiria melhor, mas ele precisava acertar os últimos detalhes com a nossa testemunha surpresa, como era menor de idade os responsáveis precisavam autorizar e também precisava ver a Amanda.
Meus pensamentos são tão altos que nem percebo o Sr. Thomps sentado na beirada da cama, ele olhava para baixo e alisava o cobertor, pela pouca luz que batia no seu rosto, percebi o mesmo olhar que eu tinha, então tranquei as lágrimas e respirei fundo. E assim ele tomou a palavra.
– Thomas é o orgulho da família, se perdeu no caminho algumas vezes, mas sempre... Desde pequeno enfrentava as coisas como homem. Eu queria ter sido um avô melhor pra ele. – Pela falta de iluminação era difícil ver seu rosto, mas eu percebi que não era a única a ter chorado aquela noite, a voz dele era carregada de arrependimento.
– Ele admira o Senhor, mesmo com tantas perdas, você sempre foi forte... Por ele, por sua família. — Falei baixinho, ainda com voz engasgada pelo choro.
Ouvi-o soltar um soluço alto e automaticamente coloquei o Chad ao lado com delicadeza para que não acordasse e abracei o Sr. Thomps. Foi então que percebi, ele também só tinha o Thomas, nada de filhos, esposa, apenas o neto, porem naquele momento era só nós... Compartilhando os mesmos medos, as mesmas frustrações.
Uma vez Tom havia me encontrado chorando muito onde meus avós estavam enterrados, eu tinha ficado o dia todo fora até ele me encontrar, foi então que eu disse que estava me sentindo uma idiota e ele não entendia o porquê.
– Morg, porque você se sente uma idiota? – Ele me abraçava de lado, estávamos sentados no banco do cemitério. – Não tem motivo pra isso!
– Eu estou cansada Thomas. – Me lembro de ter raiva e angustia na voz. – Cansada de chorar pela morte dos meus pais que me criaram, até da minha mãe que não conheci... Os diários... Sou idiota!
Foi então que senti toda a postura do Thomas mudar, ele ficou inquieto e se levantou, caminhou até a lápide da família dele, se ajoelhou limpando e encostou a testa ali, fui até ele e o ouvi suspirar. Confesso que fiquei com uma duvida na hora do que ele pretendia fazer, então ele começou a olhar o anjo com sua frase gravada.
– Você não é idiota por sentir falta daqueles que te deram a vida. – A voz dele era... calma, como que se soubesse o que era ter aquilo consigo... E ele sabia muito bem. – Você não é fraca por chorar.
– Mas também não me faz ser forte... Como você foi por enfrentar a perda deles. – Olhei pra lápide da família dele, que carregavam quatro nomes, eles que mudaram a vida do Thomas. – Você não chora. – Então ouvi ele rir, com um pouco de ironia e me olhar.
– Amor, não significa nada eu não chorar. Não quer dizer que só porque eu não choro que sou forte. – Ele se levantou, me deu um beijo.
Naquela época as palavras dele não fizeram muito sentido pra mim, não como hoje e eu via isso agora, Sr. Thomps devia ter aguentado tanta coisa, sofrido tanto... Quando percebi, estávamos semi sentados na cama, abraçando um ao outro, em silêncio, compartilhando pensamentos. Senti que nunca estive sozinha, eu tinha o melhor sogro-avô que poderia imaginar. Era como um pai pra mim.
– Tom deve ter te falado que você é parecida com a mãe dele. — Ele olhava pra algum ponto aleatorio, eu apenas apoiei o queixo no seu peito para o olhar. — Vocês não são nada parecidas, só possuem algo incomum. — Ele me olhou nos olhos. — São anjos. É como se fossem o Rei Midas, tudo o que vocês tocam se transforma em ouro.
Eu sorri e voltei a deitar no seu peito, imaginando porque exatamente ele me disse isso e quando dei por si o Senhor John Thompson havia caído no sono. Arrumei-o na cama e quando menos esperava era eu que havia pregado o olho. Eu tinha um objetivo amanhã, e era ter Thomas Smith de volta pra casa. Teria isso, ou não me chamava Morgana Curts!
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