Notas iniciais
Se nos queimarmos, você queimara conosco. - Katniss Everdeen

Hoje seria o grande dia, na verdade ainda é. Eu estava na sala de espera do réu, pelo o que eu pude ver do relógio de parede, é nesse exato momento 9:45. Dentro de quinze minutos o meu julgamento daria inicio, como mando o protocolo eu estava sozinho na sala apenas com o guarda e devidamente algemado.

Eu não usava a roupa laranja de detento, era uma outra padronizada, uma camiseta branca com o símbolo do estado de Luisiana, uma calça moletom cinza e um sapato, tudo passado por vistoria e evitar algum tipo de fuga, como se eu tivesse chance com o Madson na minha bota, ele conseguiu uma liminar pra eu usar a tornozeleira digital.

– Thomas Smith, o juiz está te chamando.

O guarda se postou do meu lado, então levantei e me encaminhei para a sala de julgamento, tentei evitar meu olhar com quem estava ali, mas com a minha visão periférica pude notar muita gente no local. Os conhecidos do bar da Peterson, alguns amigos do Pavilhão do Rock, até mesmo alguns alunos da Avalon School.

Eu estava profundamente surpreso com alguns ali, mas sabiam que eles só estavam ali pelo simples motivo de ver o assassino voltar pro lugar dele, mas também tinham os amigos que apoiavam como o Pavilhão do Rock, antes de me sentar ao lado do advogado, notei a Morg na primeira fileira com meu avô, sabia que a noite deles foi no minimo torturante, sabia que Alexis, Amanda e todos os outros estavam ali.

– Daremos inicio a seção. — O juiz bateu o martelo. — Chame o Juri.

O policial de prontidão e de forma sincronizada fez com que o juri surgisse ali e não era coincidência alguns do juri ser chegados do Madson, dos sete que estão ali, sei que três estão na folha de pagamento do Patrick Madson.

– Iremos começar pela promotoria, por favor, Mr. Parker.

– Obrigado meritíssimo, gostaria de chamar a bancada o acusado Thomas Smith. — O promotor pegou os papeis esperando que eu fosse. — Rápido se possível, Mr. Smith!

Minha expressão ficou dura e inexpressível, me levantei e caminhei até o guarda, ele tirou minhas algemas e fui até a bancada coloquei a mão sobre o livro e fiz meu juramento de apenas dizer a verdade, então me sentei.

– Como sabe, você está sendo acusado por alguns crimes digamos... Que não é nenhuma novidade vindo de você.

– Promotor, se importa de ir pras perguntas? — Fixei meu olhar nele. — Não viemos discutir um julgamento que já foi encerrado, não é? — Sorri de canto por vê-lo desconcertado, ele era novo aqui, eu não.

– Certo, você está ciente sobre as acusações. — Ele arrumou o paletó. — Me diga Senhor Smith, o que você sabe sobre Hermes Davidson?

– Que ele foi um empresário que faliu depois da morte da esposa.

– E como exatamente você sabia disso? — Ele pousou as duas mãos na minha frente. — Qual relação vocês dois tinham?

– Conheci Hermes como Paul Davidson em New York, eu tinha escapado do reformatório naquela época e ele me acolheu, fiz parte do grupo dele, mas resolvi pular fora quando descobri o que eles realmente faziam, foi então que me entreguei para a Policia naquela época.

– E o que ele fazia no dia 27 de Setembro na sua casa? E porque algumas testemunhas dizem que viu vocês dois junto da Morgana Curts na antiga casa da mesma?

– Ele é o pai da Morgana Curts. — Ouvi algumas pessoas prenderem a respiração. — Ele foi até a antiga casa dela porque queriam se conhecer, mas ele estava drogado então eu apareci e lutei com ele. E sobre ele estar na minha casa no dia 27, foi eu que levei ele.

– Então ele é pai da garota que você é tutor. — O promotor passava algumas páginas. — Você e a Morgana são o que exatamente?

– Nos namoramos há um pouco mais de 6 meses, como eu não queria deixa-la numa casa de doação eu lutei pelos direitos que eu tinha por ela e o fiz.

– Então você nega o fato de ter feito isso pelo dinheiro que ela herdou? — Trinquei meus dentes e olhei nos olhos dele.

– Porque você não olha a conta bancaria dela? Eu não mexi em um centavo que ela tem, e nem preciso disso!

– Certo. Então vamos dizer que nos temos provas da sua ligação com o Hermes. — Ele se voltou ao juri. — Temos registros de troca de mensagens do numero de celular do réu, Thomas Smith, com seu antigo amigo Hermes Davidson.

Aquilo foi como uma porrada na boca do estomago, minhas pupilas dilataram e eu fiquei nervoso abaixando o olhar, com certeza isso complicaria ainda mais minha situação e colocava em risco a minha inocência mesmo depois de tudo.

– Os conteúdos eram variados, Thomas prometia que daria toda a herança da namorada para Hermes, caso ele ajudasse com uma mercadoria que estava pra chegar do porto de Luisiana.

O promotor continuo me fazendo perguntas sobre o dia do contrabando, e a cada fato meu ele puxava um fio solto e acrescentava uma prova "incontestável" nela, fazendo com que eu fosse o traficante e o Madson apenas o policial que foi ver se eu estava em casa, olhei pro meu advogado e me limitei a responder o que a pergunta mandava.

– Então você resolveu entregar o Hermes pra se livrar da cadeia? E sua namorada sabia disso?

– Sim eu omiti alguns fatos e entreguei o Hermes pra policia estadual e não a Morgana não sabia de nenhum detalhe.

– E seu amigo Alexis? — Engoli seco e me arrisquei. — O que ele e o Brad Will estavam fazendo lá?

– Eu passei pra buscar o Alexis porque a namorada dele estava na minha casa, o Brad estava lá por acaso do destino.

– Sem mais perguntas excelência. — O promotor voltou satisfeito para sua mesa, então o meu advogado levantou.

– Senhor Thomas, em um dos seus depoimentos você nega que tenha se comunicado com Hermes em relação a sua namorada. Você em algum momento sabia que ele era o Pai da Morgana?

– Não, eu sabia a história que ela tinha me contado. A mãe dela morreu ao dar a luz e o pai largou ela na casa dos seus pais adotivos Atena e Luis Curts, só soube da familiaridade dos dois quando a Célia, diretora do abrigo ligou informando sobre ele. — Passei a mão no cabelo por nervosismo e meu coração palpitava, tentava olhar pra Morg e tentar me acalmar diante daquilo tudo. — E ante que pergunte, eu não sei como esses registros de mensagens surgiram... Eu não sabia o numero do Hermes.

O advogado encerrou e eu pude sair da bancada e voltar pro meu lugar no banco do réu, mordi o lábio e passei o olhar pela minha namorada, sorri de canto, ela me acalmava então voltei a sentar. Foi então a vez da promotoria apresentar mais provas.... E a interrogada seria Gabriela Madson.

Como esperado a Madson tinha uma desenvoltura pra responder com convicção as perguntas, apenas respondia o que perguntava e não revelava nada do que foi combinado, quem sabe ela podia ser uma promotora de classe.

– Então senhorita Madson, é verdade que você era loucamente apaixonada pelo réu, Thomas?

– Protesto Excelência, não viemos aqui pra falar de amor adolescente! — Meu advogado sabia onde aquilo daria, era melhor interromper ali.

– A defesa tem razão, chegue logo ao ponto que deseja promotor.

– Correto. Gabriela Madson, era de conhecimento de todos até do seu pai que você nutria sentimentos pelo Thomas e você faria qualquer coisa por ele. Estou errado?

– Não, eu realmente faria.

– Então, você mentiria por ele. Me diga, é verdade que você passou uma noite sozinha com o Thomas em uma casa, onde até resultou no fim do namoro entre ele e a Morgana?

– Sim, mas não é o ... — O promotor a interrompeu.

– Sem mais perguntas senhorita!

Como não iriamos mais precisar da Gabriela, acabou sendo liberada. Eu sabia o que aquela declaração naquele momento surtia no juri. Eu era persuasivo, tinha influência e podia mudar os fatos a meu favor, então os depoimentos dela seriam irrelevantes, ela me protegeria enquanto eu saciava o desejo dela por mim, simples e conclusivo.

Eu estava no jogo de xadrez, e o Madson sabia mexer bem as peças a favor dele, o tabuleiro estava cada vez menor e ele estava aos poucos chegando a mim pro xeque-mate, mas mal sabia que quem daria o xeque-mate seria eu.

– Teremos um recesso de trinta minutos, e então daremos inicio a defesa do réu. — O martelo foi batido e o recesso aberto.

–-x—

O recesso já havia terminado, eu estava nas salas das testemunhas com Alexis, Amanda e o Sr. Thomps de um jeito furtivo conseguimos trazer o Chad, ele era uma das únicas coisas que me acalmavam e não me deixavam a beira de um colapso.

O som do relógio batendo era como se cada tic tac desse uma martelada na minha cabeça. Acho que eu poderia ouvir meu coração bater. Estava quase em transe, a única coisa que eu queria era Tom de volta para a nossa cama, em meus braços e cheio de saliva do Chad.

Olhei para o lado tentando me despertar, colocar a cabeça de volta para a realidade, mas só o que eu ouvia era as marteladas do relógio na espera pelo meu testemunho e meu coração acelerado. Eu era a última, a testemunha mais concreta, porém a menos confiável.

Não importa o que fosse, para eles, eu era a namorada do Tom e por esse motivo tudo o que falasse poderia ser mentira para ele se livrar. Exatamente por isso o juiz decretou que eu iria para o detector de mentiras. Não me importava, eu não tinha o que esconder.

Mas eu ficava simplesmente nervosa e isso poderia acelerar meu coração e assim dariam como mentira algo que era verdade. Não sei se pode realmente acontecer isso, mas estava inquieta com o pensamento, na verdade eu estava totalmente fora do mundo real.

– Próxima testemunha, Morgana Curts.

A voz me parecia ecoada, vinda de longe. Deuses... Isso parece realmente um sonho. Senti o Sr. Thomps me abraçar de lado e pegar o Chad enrolado no meu colo, me levantei saindo da saleta e caminhei em direção ao homem com gravata de bolinhas.

Alexis passou por mim e me deu um beijo na bochecha, isso significava que a audiência com ele não surtiu um bom resultado, eu deveria ter prestado atenção no que Alexis havia falado. Respirei fundo e me sentei na cadeira equipada.

Encarei Tom da onde eu estava sentada e o sorriso dele me acalmou. Com uma leve martelada e o juramento o interrogatório começou.

– Srta. Curts é de conhecimento de todos que você namora o réu e que ele ainda é seu tutor, correto?

– Sim.

– Thomas se apresentava pra você um cara misterioso... Tinha segredos?

– Quando nos conhecemos ele era misterioso e até arrogante. – Olhei pra ele e conti um sorriso que ele não escondeu. – Depois que ele começou a ir na minha casa as coisas mudaram, ele deixou de ser arrogante e ter segredinhos.

– Mas nunca deixou de ser misterioso? – Filha da puta, sempre achando uma brecha. – Você quer dizer que você sabia de tudo o que ele fazia Srta. Curts? Que sabia quem era seu pai e o que ele fazia? Que contrabandeava mercadorias ilegais? Que só é seu tutor por interesse e que te traia com outra garota pelas costas?

– Protesto Sr. Juiz... A promotoria esta encurralando e induzindo a testemunha a ter repostas ambíguas e que afetam os fatos dela. – Respirei fundo, ainda bem que o Advogado interrompeu.

– A defesa esta correta, promotoria faça a pergunta e não induza.

– Certo, me perdoe. Então Srta. Curts poderia nos relatar o que eu disse?

– Sim Thomas sempre foi e é um cara misterioso, eu não sabia sobre meu pai acredito que ele também não... Até o dia que o orfanato ligou, não nego que o Tom escondeu de mim quem era meu pai, mas eu sabia que era pra me proteger, ele não queria sair dizendo “Olha seu pai é um bandido e vai querer te levar a força.”

– Então ele escondeu que seu pai era um criminoso e te deixou encontrar com seu pai sozinho duas vezes? –Ele riu sarcástico. – Belo tutor e namorado ele é, não acham?

– Eu que fui sozinha, se Thomas não tivesse aparecido eu estaria morta ou bem longe daqui. – Ele sabia tirar as pessoas do sério. – E voltando a responder suas perguntas, não nego que Thomas tinha alguns segredos, eu até sabia o que era algumas coisas, mas ele nunca me contava com detalhes.

– E o que seriam essas... Coisas? – Olhei pro Tom e ele balançou a cabeça, suspirei.

– Eu sei que ele ainda... Procura os caras que mataram a mãe dele, mas nunca tive detalhes.

– Então você, Morgana Curts, está dizendo que ele não esta satisfeito por ter espancado um irmão de um policial até mandar pra UTI? Você diz amar esse cara e que ele é seu protetor... É melhor você se tratar.

Eu estava pronta pra me erguer e desferir um belo tapa na cara, mas as coisas se complicaram. Thomas conseguiu ser mais rápido, pulou a mesa pegou o promotor pelo colarinho e uma aura assassina se instalou no momento, eu fiquei estática, Tom perdeu totalmente o controle.

– Se você quer saber, Promotor. – Seu timbre de voz era ameaçador e sarcástico. – Eu não me arrependo de ter batido no irmão do tal policial e sabe o que mais, eu faria de novo e quantas vezes forem necessários e se você insinuar mais uma vez que a minha namorada precisa de tratamento... Você vai ser.. – Eu tinha que interromper.

– THOMAS! – Ouvi o martelo bater forte, pulei até ele e o afastei. – Você é louco?

– Alguém, por favor, contenha o réu!

– Não precisa senhor juiz. – Ele voltou cabisbaixo pra cadeira e vi o promotor sorrir orgulhoso.

No final da confusão eu fui liberada do testemunho e pra resumir tudo: Sabe quando você fala "sorvete" e as pessoas entendem "prego"? Era exatamente isso na audiência, mal conseguia falar e apesar de a cadeira identificar a verdade toda, eles não queriam acreditar.

Eu sabia que o meu testemunho e nada era praticamente a mesma coisa, então a única coisa que me restava era a nossa testemunha chave, e por um milagre (chamado Amanda) ele veio. Encarei o advogado do Madson e sorri confiante, nós estávamos com a vantagem, só eles que ainda não perceberam.

Por mais difíceis que as coisas pareciam, sabia que Tom ia para nossa casa. Esperei pacientemente até sermos liberados, Alexis quase se descabelou quando ouviu a confusão lá dentro tudo o que nos confortava é que por mais que fosse real, o julgamento estava bem mais teatral do que parecia ser.

Estavamos sentados novamente nas primeiras cadeiras, o júri estava entregando seu papel de sentença, o juiz recebeu e abriu o envelope, um calafrio passou por mim. Por mais que eu soubesse de tudo, ou quase, do que iria acontecer eu não queria que o Thomas fosse...

– Culpado. – O Juiz levantou o olhar. – O Júri declarou o réu Thomas Smith culpado de todos os atos.

Não é real, mas meu chão caiu eu sabia que o Tom iria pra casa... Mas ver o Madson comemorar e fazer questão de algemar ele ali na minha frente, era destruidor. Thomas não tirava os olhos de mim, mesmo sendo algemado, ele sorria... Sorria do jeito mais lindo que eu vi na minha vida.

– Eu gostaria de falar umas coisinhas antes de ir preso. – A voz dele se elevou e todos pararam. – Eu disse que se fosse declarado culpado... Eu iria levar todo um sistema de bandidos comigo.

– O que você quer dizer Senhor Smith?

– Eu como advogado do atual acusado, quero fazer uma acusação. – Ele puxou os papeis. – Eu tenho um dossiê, que inocenta meu réu... E quero também, dar voz de prisão ao Patrick Madson e o Owen Wilson.

Todos na sala ficaram atônicos, os policias que antes prendiam o Thomas engoliram seco. Se esse julgamento fosse uma música de Rock, esse com certeza seria o solo de guitarra.

Notas finais
Oi oi gente, saudades de vocês! Pois e um mês fora, viajando. MENTIRAAAAAAA!!!! Um mês de preguiça das autoras escreverem, essa é a resposta, mas não vamos parar!!!