Notas iniciais
Lágrimas escorrem do seu rosto, quando você perde algo que você não pode repor. - Coldplay (Fix You)

Assim que desliguei o telefone fui correndo pagar a gasolina e mandei mensagem pro Alexis e a Amanda, apenas disse que a tinha encontrado e que logo dava notícias, subi na minha moto e arranquei com o motor, eu estava a quatro quarteirões do Hospital demorei nem dois minutos pra chegar, corri pra lá eu já era conhecido do pessoal, alguns médicos pra ser mais exato. Esse era o hospital que minha mãe ficou e o que eu vinha quando apanhava às vezes, cheguei na recepção.

– Oi Kate... – Eu parei ofegante e ela me olhou. – Morgana Curts deu entrada com a Avó dela, onde estão?

– UTI no...

Não deixei ela terminar, peguei o cartão de visita e corri pra escada, merda eu tinha que chegar. Bati meu recorde por subir quatro lances de escada em uns 40 segundos. Virei no corredor e fui pra ala de emergência, sinceramente eu tava ofegante não pelo esforço, mas pela necessidade de encontrar a Morg, assim que eu dobrei mais um corredor eu vi ela apoiada na parede com as mãos no rosto, corri na direção dela e sem aviso eu a abracei.

– Eu to aqui amor... Desculpa a demora! – Na verdade eu tinha chegado a uns 5m. – Não precisa falar nada.

– Tom a minha vó... – Ela enterrou a cabeça dela no meu peito e começou a chorar, eu apertei ela em mim, afaguei os cabelos dela e fiquei ali abraçado sem dizer nada. Eu me via nesses corredores, sozinho com o Velho Thomps.

– Amor... – Eu segurei o rosto dela e sequei as lágrimas, dei um selinho demorado e encostei nossas testas. – Vamos pro terraço... – Ela olhou pra mim como dizendo que não sairia dali. – Eu já estive no seu lugar, deixa eu te ajudar eu prometo que te trago de volta e você vai ter noticias da sua avó!

Ela olhou pros pés e confirmou com a cabeça, eu a abracei pelo ombro, passamos pela recepção e disse que daríamos uma volta e que esperava notícia da UTI, a Senhora Mily me olhou com melancolia eu evitava muito vir pra cá depois de tudo o que aconteceu, eu queria deixar aquele Thomas de quase 15 anos pra trás, mas agora eu precisava no mínimo cuidar da Morg, o pior era saber que isso não tinha consolo.

Não demoramos muito pra chegar ao terraço, dava uma espécie de Jardim, eu apoiei no parapeito junto com a Morg e dali podíamos ver quase todo o bairro de New Iberia e até algumas áreas fazendeiras do Bairro, ficamos uns minutos em silêncio, sentindo aquele vento gelado bater e queimar o rosto e o nariz quando inspiramos, estava chegando à estação fria e o ar que soltávamos condensava fazendo fumaça.

– Por que me trouxe aqui? – Ela tinha a voz fraca, então segurei a mão dela.

– Por que... Está na hora de você conhecer a história de um garoto. – Eu suspirei e ela olhou pra mim. – Um garoto que praticamente morreu junto com a mãe neste mesmo lugar, aqui no Hospital San Francisco.

Era véspera de natal a cidade estava toda luminosa, as festas estavam quase todas organizadas e um garoto, pré adolescente de 14 anos andava com a mãe pela cidade, já era de noite, o filho queria buscar a mãe no trabalho e com a permissão do avô ele pegou a bicicleta e foi atrás da mãe, ele queria dar um presente pra ela o dinheiro que ele passou juntando o ano inteiro, era duas passagens de ônibus pra New York no Ano Novo.

– Espero que ela goste! – O garoto corria com a bicicleta, já estava quase dando o horário da mãe dele sair.

Ele finalmente tinha chegado à área residencial da cidade ele se sentia feliz, era o espirito de natal nada podia dar errado, até que um imprevisto aconteceu, assim que ele chegou à loja viu um cara fechando e as luzes estavam apagadas, o garoto ficou apreensivo e foi até o senhor.

– Hey Johnson! – O mesmo Johnson da mecânica era dono da loja da cidade. – Minha mãe já saiu?

– Já sim, eu a deixei sair mais cedo pra te ver como presente de natal. – Ele colocou as mãos no bolso, era realmente uma noite fria. – Ela saiu faz um pouco mais de meia hora.

– Obrigado Johnson!

O menino pegou a bicicleta e fez a rota que a mãe dele sempre fazia pra voltar pra casa, perguntou pra alguns conhecidos se tinham visto ela e nada de noticias da mãe dele, o garoto era um pouco traumatizado e bem protetor em relação à mãe, por mais que fosse um garoto, ele sentia-se no dever de cuidar da mãe dele, então ele passou a procura-la pela cidade.

Já era quase meia noite, o garoto parou na frente de um telefone publico e ligou pro avô em casa, perguntou se a mãe já havia chegado e a resposta foi não, assim que desligou o telefone o coração dele começou a apertar, ele sentia necessidade de encontrar logo a mãe, queria ver o sorriso dela e a ouvir chamar pelo apelido, por mais que parecesse infantil pra ele.

Por puro instinto ele resolveu ir pela rota mais longa que dava pra estrada que iria pra casa dele, era uma rota um pouco perigosa às vezes, mas que costumava ser bem policiada costuma ter muitos bares por ali, então ele passou de bicicleta devagar por lá a procura de qualquer sinal da mãe, ele parou em frente a uma loja e viu um velho conhecido do avô dele, Brad Will ex-fuzileiro do exercito.

– Oi Sargento Will, você viu minha mãe por ai? – Ele já estava agoniado, o coração disparava.

– Vi sim, não faz muito tempo que ela passou aqui... – Ele sorriu pra mim e me olhou. – Ela comprou aquela guitarra que você queria, amanhã deve estar na sua casa. – Não sabia o porquê aquela noticia não o deixou tão feliz.

– E você viu por onde ela foi? – Brad apontou o caminho e o garoto montou na bicicleta e seguiu. – Obrigado Sargento!

Ele passou por mais alguns bares e parou em uma rua, ele podia ver que tinha um cara saindo do beco e resolveu prestar atenção, ele se escondeu em um ponto cego onde a luz era fraca e viu o cara sair normalmente, ele seguiu o cara com o olhar e um carro da policia passou e foi então que ele correu, não precisava ser muito esperto pra saber que ele era bandido, o garoto não ia se importar era normal isso acontecer, mas então ele ouviu um gemido vindo do beco.

– Mãe...

Ele largou a bicicleta na rua e correu em disparada pro beco, ele viu uma mulher com roupa rasgada toda ensanguentada, a luz do poste estava com mal contato piscando e não podia ver muita coisa, quando ela finalmente funcionou ele pode ver o rosto da mãe, estava cortado e com sangue, ele se abaixou do lado dela e a apoiou no colo.

– Por..porquinho... – Não tinha duvidas era a mãe dele, ele segurou as lágrimas. – Feliz... Natal...

Ele olhou no relógio e já era meia noite, o único pensamento que ele tinha era que merda de natal era aquele, ele viu o cara que deixou a mãe naquele estado e não podia fazer nada ali, ele viu a bolsa da mãe e vasculhou em busca do celular dela, assim que encontrou ele ligou pra uma ambulância, era merda do natal e acidentes de carro aconteciam, as ambulâncias estavam lotadas, eles demorariam 20 minutos pra chegar.

– Mãe... – A voz dele estava embargada, ele acariciava o rosto da mãe e beijava a testa dela, as lágrimas caiam. – Feliz Natal... – Ele pegou as passagens que tinha comprado e colocou nas mãos dela, ela reagiu e apertou as passagens e murmurou.

– O-obrigada... Tom. – Ela estava tremendo, o garoto pegou a sua roupa e tentou cobri-la, mas era tarde ela tinha desmaiado nos braços dele.

– Mãe por favor não me deixa... Mãe!!! – Ele estava aos prantos, até que finalmente uma ambulância chegou. – Mãe fica viva por favor, por mim... Seu porquinho!

A ambulância estava cheia e ele não podia entrar, ele correu até a bicicleta e perguntou pra que hospital a levariam, era o da divisa do bairro, o hospital San Francisco, ele ficou com o celular da mãe e ligou pro avô dele contando toda a situação e rapidamente seguiu pro hospital.

A mãe dele tinha dado entrada na UTI o estado era grave, mas não queriam contar pra ele já que era só um garoto, ele teve de esperar o avô chegar o que demorou um pouco, tiraram o garoto da área da UTI porque achavam que não faria muito bem pra ele, então resolveram deixar com uma enfermeira.

Só que ele queria saber da mãe e então ele conseguiu ir até a área da UTI, se escondeu e ouviu parte da conversa do Médico com o avô dele.

– A sua filha foi violentada e espancada, as lesões são múltiplas e ela não está forte o suficiente pra realizar as cirurgias...

– Então façam ela ficar forte pra aguentar! – Era a voz do avô.

– Não é tão simples, mas faremos o que pudermos, mas estejam preparados para o pior.

Foi com aquela noticia que o garoto ficou na mente a mãe dele iria morrer a qualquer hora, ele não iria com ela pra New York como queriam, todo o futuro que ele imaginou estava sendo tirado, dia das mães, natal, ano novo, formatura... Tudo aquilo pra ele ficou sem sentido se a única pessoa que ele mais prezava estava sendo tirada dele, como ter uma noite de natal assim?

Não sabe quantos dias aquele garoto passava no hospital, não importava como ou o que dissessem ele não tirava o pé de lá, todos no hospital já o conheciam, o avô já desistirá de tentar tirar ele do lado da mãe e simplesmente deixou o garoto, uma senhora sempre trazia comida pra ele, era a Vanda Peterson, uma grande amiga da mãe dele.

O caso foi parar na policia, mas até aquele presente momento nenhum suspeito foi preso ou interrogado, o caso da mãe do garoto ainda era grave, sempre tinha mais uma complicação, sempre mais um cirurgia pra fazer, e ela ficava cada vez mais fraca. Até que era noite de ano novo... O Garoto deu um jeito de entrar na UTI pra ver a mãe na virada do ano, os funcionários iam pro terraço ver os fogos e foi ai que ele aproveitou.

Assim que entrou no quarto viu a mãe, ela não tinha toda uma aparelhagem cobrindo ela, estava normal com um soro de medicamentos indo pra veia e ela dormia tranquilamente, aquela visão acalmou um pouco ele, até que ele se aproximou e segurou a mão dela, os médicos diziam que ela vivia sedada e não acordaria, mas ela estava acordada.

– Feliz Ano Novo mãe... – A mulher a frente dele sorriu com o olhar, era assim que eles aprenderam a se falar.

– Eu...te... – Ela tossiu e ele acariciou o rosto dela, pediu pra que não falasse, mas ela insistiu. – amo... Porquinho.

– Eu também te amo mãe, serei sempre seu porquinho. – Ela fechou os olhos e parou de reagir.

Era como se ela estivesse viva só para ter aquele momento com o filho, como se ela não descansasse até se despedir dele, pois assim que essas palavras foram ditas, o aparelho de batimentos cardíacos começou a apitar, a mão dela que ele segurava ficou sem vida e os olhos que antes estavam felizes olhando pra ele, agora estavam imóveis e sem cor.

E foi na noite de ano novo que aquele garoto morreu junto com a mãe, tudo o que ele tinha de bom morreu com aquelas palavras e ele ficou perdido e descontrolado, e ainda mais a procura de justiça pela mãe dele.

– Essa é a versão da história que ninguém sabe. – Eu estava chorando relembrando tudo aquilo de novo, Morg segurava minha mão. – Depois daquilo eu fui atrás do Madson pra procurar explicações e ele disse que o suspeito daquela noite fugiu.

– Amor eu... – Ela secou minhas lágrimas e me beijou. – Não sei o que dizer...

– Tudo bem... – Segurei a mão dela que estava no meu rosto e sorri lembrando da minha mãe. – Aquela Les Paul que eu toco foi o ultimo presente da minha mãe, por isso eu sou tão fascinado por guitarra.

– Porque foi o ultimo presente que ela te deu... – Ela voltou a olhar a cidade iluminada.

– Isso vai fazer quatro anos... Quatro anos que não ouço aquela voz me chamar de Porquinho. – Eu ri fraco. – Se bem que quando você me chama assim, eu tenho a mesma sensação que tinha com ela, a mesma felicidade.

– Por isso o Alexis te chama assim? – Eu confirmei.

– O apelido de Peixinho também é da mãe dele... – Mordi o lábio. – Agora a parte de quase matar um cara... É porque ele era o cara que estuprou minha mãe, na mesma época de natal do ano passado ele esteve na cidade e eu o reconheci, fui atrás dele e bem... Você já deve imaginar, também mandei ele pro hospital... E foi aí que tive meus problemas com o Madson e o Owen, o cara que matou minha mãe era o irmão do Owen e um dos caras que fazia esquema com o Madson, por isso ninguém foi preso no caso.

– Tom... – Ela me abraçou forte e eu retribui. – Eu também teria feito o mesmo.

– O Sargento Will era formado em Ed. Física ele junto com meu avô depois de meses de processos conseguiram me tirar do reformatório, avaliaram como caso emocional pela morte da minha mãe e eu agora sou supervisionado pelo Owen e o Madson... logo os dois que me querem pelas costas.

– É por isso que te temem e te chamam de Anjo Vingador... Alias qual é a história desse anjo? – Ela estava apoiando as costas dela no meu peito em quanto eu a abraçava. – Nunca me contaram.

– Uma das lendas que tem na Dark School é de um anjo que veio a terra pra proclamar justiça entre os homens, ele era um anjo bom da justiça, mas certa vez alguns anjos caídos ficaram incomodados com esse anjo e resolveram mostrar o outro lado dos humanos, eles o levaram para o inferno e mostraram as atrocidades na Terra pra esse Anjo, que da Justiça que ele fazia se tornou a vingança e o amor que ele tinha se transformou em ódio.

– Assim como você que mudou com a realidade cruel desse mundo. – Ela acariciou o meu braço. – A vida não é justa...

– Dizem também que esse Anjo amava uma humana e que ele fez dela o seu anjo protetor, eles eram como o equilíbrio entre o bem e o mal. – Eu virei ela pra mim e a olhei nos olhos. – Você é o meu anjo...

– Assim como você é o meu... Anjo Vingador! – Ela passou os braços pelo meu pescoço e me beijou, meus dias de escuridão com ela ao meu lado acabaram.

–-x—

Eu não saia do hospital nem por um minuto. Eu me sentia culpada por não estar com ela e se esse fosse os últimos dias de vida dela queria estar presente, mesmo não podendo a ver. Alexis e Amanda sempre passavam lá para me apoiar e trazer comida, às vezes até cobertores para eu passar a noite e claro tarefas que a escola mandava para recuperar os dias que faltava.

E Thomas... Ele não saia perto de mim, talvez para ir ver como estava o Sr. Thomps que veio nos visitar e eu pedi desculpas por não ter feito o jantar que prometi. E pela primeira vez o Sr. Thomps me abraçou com afeto e senti que ganhara mais um pai. Ele não podia demonstrar, mas sabia que ele era tão carinhoso como qualquer avô.

Minha avó continuava em coma profundo, acho que nem ao menos uma despedida eu teria dela já que se ela conseguisse sobreviver teria várias sequelas. Eu me lembro de um dia que ela falou que se fosse para ficar como um vegetal preferia morrer, eu a entendia. Foi por isso que eu entrei na sala de UTI escondida junto com Thomas, ela precisava desse descanso por mais que eu não queria que ela fosse e que provavelmente iria pro orfanato até ser maior de idade.

Entrei no quarto com cautela, tive a visão da minha vó deitada, dormia tranquila como se a qualquer momento fosse acordar sorridente, perguntando se eu queria o bolo de chocolate que eu tanto amava, ou parar cuidar da horta. Vovó Atena tinha algumas aparelhagens ligadas a ela.

Senti meu coração falhar e acabei dando um passo em falso, senti minhas costas se apoiar em algo e já sabia que era o Tom, por um momento aquilo me tranquilizou, ele estava ali pra me apoiar, olhei rapidamente pra ele e vi que se encontrava com um olhar longínquo.

Sabia que ele estava se vendo ali, e por um momento experimentei a dor que ele provavelmente deve ter sentido, naquele momento eu desejei ter estado com ele dando a mesma força e apoio que ele esta me dando agora, talvez era tudo o que aquele garoto que perdeu a mãe precisava, talvez era tudo o que o Tom queria, saber que não estava sozinho.

Me encaminhei até o lado da cama dela e vi com mais detalhes seu rosto tranquilo, se não fosse os tubos e o soro, poderia jurar que ela só estava descansando, dormindo por mais um dia exaustivo que teve.

–Oi vó. — Segurei a mão dela e vi uma pequena reação nos batimentos cardíacos. — Eu sei que pode me ouvir, a senhora é a mulher mais forte que conheço. — Sorri de canto e uma lágrima caiu. — Passamos por tantas coisas juntas, sinto muito por todas as vezes que você e o vovô tiveram que ir à escola por mau comportamento e aquela vez no mar, lembra?

As lágrimas saiam descontroladas, não tinha mais controle sobre meus olhos, meu peito ardia, minha visão ficou embaçada, então a imaginei sorrindo pra mim, mantive minha voz estava firme, e senti meu namorado ali comigo, isso me tranquilizou, Tom estava lá do meu lado, percebi naquele momento o quanto ele era perfeito e me perguntei se minha vó também notava isso.

– Mesmo assim vocês nunca me deixaram ou deixaram de sentir orgulho de mim. Você sempre dizia que eu era o anjo e a alegria na casa. Um milagre... — Olhei pro Tom e depois pra ela de novo. — Você não podia ter filhos, era estéril e esse era seu maior sonho e quando você menos esperava eu apareci na frente da sua casa, em um cesto com um bilhete amassado e um cordão. Você... Disse.

Senti minha garganta fechar, perdi toda a firmeza que eu tinha no meu corpo, a minha vontade era só de chorar, mas eu tinha que terminar de falar, só não sabia como. Então senti Tom me abraçar e beijar meu rosto, consegui me manter um pouco na realidade, sequei um pouco minhas lágrimas e tomei folego. Tom me abraçou mais forte, como quem diz que estava aqui pra me apoiar e era tudo o que eu precisava.

– Que foi o dia mais feliz da sua vida. E quero que saiba vó, que você e vovô Louis sempre vão ser meus pais verdadeiros e eu não queria que nada fosse diferente. — Mordi o lábio com força e acariciei os cabelos dela. — Dorme vovó, vovô Louis está te esperando. Lembra, uma pessoa só morre quando é esquecida, e eu nunca vou esquecer vocês. — Beijei a testa dela e sussurrei. — Eu te amo e sei que você me ama, manda um oi pro vovô por mim está bem?

A beijei na testa e depois uni a dela com a minha, eu tive esperança de que ela reagisse, mas a vida não e como os filmes, esse tipo de milagre não acontece quando achamos que queremos... Entretanto somos humanos e sempre esperamos por esse milagre.

Acariciei o dorso da mão dela, ouvi Tom sussurrar dizendo que tínhamos que ir, sabia que não era pra me apressar era como se ele falasse para deixar minha vó ir embora, mas estava mais difícil do que parecia, suspirei e apertei a mão dela... Achei que fosse uma ilusão, mas também senti ela apertar a minha, olhei pro Tom e percebi que ele também notou.

Ele beijou a testa dela e sussurrou algo que eu não pude ouvir, logo após senti a mão dela afrouxar e o aparelho que monitorava os batimentos dela começou a diminuir, até que ele indicou que o coração da Atena Curts estava parado e sem vida.

Não consegui conter a dor de vê-la partir, abracei forte o Tom e chorei, não sei se foi ilusão minhas, mas também senti algo quente no meu ombro e jurei que ele também chorava. Ele me puxou pra fora do quarto antes que os médicos aparecessem, olhei em direção da porta do quarto e me despedi pela ultima vez da mulher mais importante da minha vida.

– O que você disse pra ela Tom? – Minha voz sairá embargada e olhei pra ele, vi os rastros de algumas lágrimas.

– O que ela estava esperando ouvir... – Ele olhou pra mim. – Que você não estava sozinha e que cuidaria de você... E pedi pra que ela desse um oi pra minha mãe.

Ficamos abraçados no corredor, na companhia um do outro... Não tinha mais nada para ser dito naquele momento.

Fora uma semana tumultuada depois da morte da minha vó, primeiro o funeral, me surpreendi pela quantidade de pessoas que foram, talvez até a Madson estava lá, e logo depois o orfanato entrou em ação. Eu fazia aniversário em uns cinco meses, eu poderia aguentar até lá e depois voltar para minha casa e tentar o vestibular para psicologia.

Pedi um dia ao orfanato para eu conseguir me organizar. Depois de dias finalmente fui para casa e Tom foi junto me ajudar apesar de eu saber que ele estava lutando para ser meu tutor.

–Vai cuidar daqui e da Bessie enquanto eu estiver fora não é? — Olhei pro Tom depois de fechar a última mala.

–Claro amor. — Ele falou desanimado e eu suspirei.

–Vai me esperar? — Muita coisa podia mudar em 5 meses. Não queria perder mais ninguém

–Amor, eu espero o tempo que precisar pra ficar com você. — Ele segurou meu rosto e me beijou colando nossas testas. — Além do mais se depender de mim você não vai ficar 2 dias lá — Eu sorri de canto e o abracei forte.

–Eu te amo, mais que tudo. — Meu peito ardia e a vontade de chorar voltara, não sou emotiva, mas ainda estava me recuperando do choque. Teria até atendimento psicológico no orfanato.

–Eu também amor e muito! — Ele beijou o topo da minha cabeça e afagou meus cabelos.

Eu sabia que precisava dele mais que qualquer tratamento psicológico, ele era meu anjo, a razão por ainda querer respirar, mas resolvi esperar... Quando Thomas Smith colocava algo na cabeça, não tinha nada que tirava. Confiei nas palavras dele e segui pro orfanato em mente que dali 2 dias estaria de volta com meu novo tutor.

Notas finais
EU CHOREI FAZENDO ESSE CAPÍTULO, AUTOR TAMBÉM SOFRE OK GENTE? Por favor falem o que acham da fic, pode até dizer que é a pior porra do universo, nos xinguem e nos batam com rabanete, mas por favor comentem. Eu e a Uzumaki estamos seriamente em parar com a fic, só precisamos de um astral. ATÉ O PRÓXIMO (ou nao,vai depender....)