Notas iniciais
"Não há diferença entre um sábio e um tolo quando estão apaixonados" - George Bernard Shaw

Cheguei à escola como de costume, não esperava encontrar a Bessie ali tão cedo. Estacionei minha moto e a prendi como sempre, minha primeira aula era Geografia, um saco de aula, eu lá queria saber o relevo da cidade. Meu avô vive pegando no meu pé falando que é importante pras guerras, de certo modo ele tem razão.

Esperava encontrar a Morg no armário, mas pelo visto ela também não estava lá. Suspirei frustrado, arrumei minha mochila em um dos ombros e podia notar o pessoal cochichar, eu confesso que já estava ficando irritado. Resolvi colocar meu fone de ouvido e ir pra escadaria, abri meu caderno de poesias e comecei a escrever em quanto ouvia e batia o pé conforme a música.

Meu coração estava inquieto, acelerado e ansioso ri comigo mesmo, era assim que os adolescentes apaixonados ficam. Só que, não queria perder a pose, faltava alguns minutos pra aula e me encaminhei pra 310, estava na torre norte da escola, então a caminhada seria longa.

Cheguei na torre sul em poucos minutos entrei e fui sentar no meu lugar, estava aquela zona de sempre. Até que o Alexis entrou que nem um furacão na sala e sentou do meu lado, todos nos olharam e eu como sempre ignorei o Ambrósio escandaloso, odiava quando ele chamava atenção... Mais atenção. Tirei um fone de ouvido pra escutar ele.

– Correio Elegante para o Porquinho. – Ele sussurrou e deixou o papel na minha mesa, levantei e tentei socar o filho da puta, mas ele se abaixou antes. – Relaxa ai Vingador.

Revirei os olhos e voltei a sentar, Alexis sentou no meu lado de novo, voltei a colocar o fone e ele fez o mesmo. Percebi que estávamos escutando a mesma estação de rádio e eu tive que me conter em apenas bater meu pé conforme a música. O Sinal tocou e o nosso professor entrou, sempre pontual. Guardei meu celular e peguei meu caderno, prestei atenção nos primeiros cinco minutos de aula, então peguei o papel e abri.

“Me encontre no terraço na hora do lanche.”

Sorri e guardei o papel com a letra inconfundível da minha Morgana Curts, sim ela com certeza é minha, tá se não é vai ser. Tratei logo de esconder o sorriso e esperei as horas passarem, confesso que a aula estava chata e as horas muito longas, balancei minha perna tentando controlar o nervosismo. Até que recebo um papel do Alexis.

“Cara qual é do terremoto?”

“Nada de mais Alexis, estou impaciente.”

“Eu sei o que rolou ontem, amoi me contou. O que tinha no papel?”

“Ela quer me encontrar no terraço. Vou a chamar pra sair.”

“Boa Sorte Tom.”

Não sei quanto tempo passou depois da troca de bilhete, mas finalmente o sinal tocou. Não queria chamar atenção então sai por ultimo, assim que não tinha um sinal de vida no corredor, sai em disparada pro terraço, subia de 3 em 3 degraus, parei na porta de metal e respirei fundo antes de sair... E cara ainda bem que eu respirei.

Assim que passei pela porta vi ela encostada na beirada do terraço, calça jeans rasgada, uma regata do AC/DC que deixou ela maravilhosa, eu acho que fiquei um tempo babando, prendi o ar, olhei no rosto dela. Usava um pouco mais de maquiagem que o comum, mas aquele batom vermelho estava pedindo pra ser beijada, mas não queria me precipitar, gaguejei sem querer.

– O-oi Morg... – Ela riu da minha gaguejada e eu fiquei mais encantado.

– Oi oinc... – Contei até 3 mentalmente odiava o apelido, foi o troco por chamar ela de novata.

Comemos o lanche da D. Atena, como sempre a Deusa da Sabedoria arrasou na cozinha, ficamos naquele silêncio que só nós dois conseguíamos ter. Me apoiei no parapeito e fiquei olhando ela balançar os pés e reparei no all star, deuses como ela era linda, eu inalei o ar... Ah ela usava aquele perfume com cheiro de chocolate, como eu amo esse cheiro dela. Só me trouxe de volta a terra com a voz dela, não tirei o olhar dela.

– Desculpa por ontem e meu ataque de raiva. – Ela não olhava pra mim, resolvi a deixar falar. — É que eu... ahn... sou muito ciumenta e possessiva. – Ela respirou fundo, ela também me queria só pra ela, tive que sorrir. — Não sou acostumada com esse negocio de... – Ela comprimiu os lábios, torturante, ela sussurrou. – se apaixonar. – Meu coração disparou.

– Eu nunca tinha me apaixonado antes Tom e é difícil lidar com um sentimento tão forte e desconhecido. – Ela ergueu os olhos e finalmente olhou pra mim, sabia que os meus estavam brilhando e os dela também estavam. Eu sorri como nunca.

Fiquei de frente pra ela, segurei o rosto da garota por quem estava apaixonado, acariciei com a ponta do meu dedo, me aproximei e a beijei devagar, eu queria curtir aquilo com calma, ficamos ali por uma eternidade de segundos, separei o beijo com um selinho. Ela sorria e eu também.

– Morg... – Contornei os lábios dela.

– Uhn? – Ela estava tão extasiada que não falava.

– Aceita sair comigo? – Peguei a mão dela e beijei.

– Seria uma honra Smith. – Ela riu e eu voltei a beija-la, ficamos assim o máximo que podíamos. Como eu amava ela me tocando, ela deslizou as mãos pela minha nuca, me arrepiei e ela riu, apertei o corpo dela em mim.

O sinal tocou, peguei minha bolsa e ela fez o mesmo, entrelacei minha mão na dela e esperamos até que desse o tempo do pessoal entrar, eu sorri travesso e começamos a descer as escadas, nós dois riamos e passamos correndo pelos corredores, tentamos segurar os risos até chegar o estacionamento, subi na minha moto e dei o capacete pra ela.

– Vamos dar uma volta. – Ela assentiu, colocou o capacete e nós fomos. – Gosta de Fliperama?

Não pude ouvir muito bem, mas pelo sorriso e o tom de voz a resposta foi sim, sai sem muita pressa. Ela apertou o abraço e eu sorri, não demorou muito e chegamos ao Fliperama. Ela desceu da moto e eu guardei o capacete, na verdade prendi na moto e entramos. Olha o lugar era enorme parecia mais um parque de diversão e era perfeito pra se divertir.

– Pronta pra se divertir com o Vingador? – Ri segurando a mão dela. – O piquenique romântico fica pra outro dia.

– Isso está perfeito. – Ela me abraçou pelo pescoço e me beijou, segurei a cintura dela e retribui.

–-x—

Depois do terraço Tom me levou até o fliperama e bem, eu era viciada em qualquer tipo de jogo. Acho que Thomas se arrependeu de ter me levado, eu ganhava todas dele e a moral do nosso Anjo Vingador estava ficando bem baixa.

Resolvi "perder" nas garras e ele conseguiu pegar um ursinho pra mim, dei um beijo em agradecimento e ele se esqueceu da nossa "rixa" por um momento.

Decidimos ir até o Guitar Hero e foi ali que eu perdi de verdade, não porque eu não sabia jogar ou porque ele era melhor que eu, mas...Thomas decidiu tirar a jaqueta para tocar bateria e bem, ele estava de regata. Eu prestava mais atenção nele tocando do que na tela do jogo... PQP ele estava muito sexy.

–Desisto! — Suspirei colocando a guitarra de lado. — Não levo jeito para imitar o Angus. — Eu ri e ele se virou pra mim.

–Tudo bem. — Ele sorriu de canto e pegou o celular. — Melhor irmos pra aula de Quíron. — Ele se levantou e segurou minha mão entrelaçando nossos dedos e me deu um selinho.

Caminhamos até a moto dele naquele nosso habitual silêncio, e enquanto ele tirava o capacete da moto resolvi arriscar uma pergunta.

–Posso pilotar? — Coloquei a voz mais angelical que podia com meus olhos brilhando pidões.

–Ahn... — Ele coçou a cabeça e parecia relutante.

–Por favor... — Eu passei a mão na moto como se fizesse carinho. — Eu juro que cuido dela tão bem quanto a Bessie. -Mordi o lábio e arquei as sobrancelhas. Vi-o soltar um suspiro e me jogou as chaves que eu peguei no ar sorrindo.

–Vai com calma. — Ele colocou a mão no bolso e eu o beijei perto ouvido.

–Obrigada. — Sussurrei e percebi que ele se arrepiou.

Subi na moto e coloquei o capacete, Tom sentou logo atrás e me abraçou por trás cheirando de leve meu pescoço. Me arrepiei, isso devia ser o que chamamos de dar o troco. Acelerei e é, corri mais do que deveria. Apesar de amar a Bessie eu tinha fetiches por motos, gostava da adrenalina e principalmente de sentir o vento no rosto, era uma sensação de liberdade gratificante.

–Isso é o que você chama de ir com calma? — Ouvi Tom gritar e ri acelerando ainda mais pra escola.

Estacionei com um cavalo de pau e respirei fundo controlando as batidas aceleradas do meu coração. Desliguei a moto e Tom desceu me encarando abismado (?), me virei pra ele e tirei o capacete ajeitando meus cabelos.

–Desculpa, eu me empolguei. — Ergui os ombros e sorri de forma inocente.

–Caramba novata... — Ele segurou a minha mão e me puxou pra perto dele. — Desde quando...

–Meu avô me deu uma moto, eu sempre andava nos finais de semana. Tive que vender quando vim pra cá. — Dei um sorriso torto e o sinal tocou.

Puxei Thomas pra corremos antes que Quíron fechasse a porta, entramos na sala rindo e de mãos dadas. Se isso chamou atenção? Não, imagina. Aquela bagunça de antes parou subitamente e o silêncio ala cemitério se estabeleceu na sala. Vi que Thomas fechou a cara como de costume e eu devo ter ficado corada. Alexis parecia estar segurando a risada e falou em código Morse "Que fofinhos", não usei nenhum código pra mandar ele pra aquele lugar.

Seguimos pra nossas carteiras de duplas e o professor Quíron entrou. Prestei atenção nos primeiros minutos da aula, depois fiquei concentrada no carinho que Tom fazia na minha mão embaixo da mesa. Ficamos assim pela maioria da aula e então ele solta minha mão e eu dei um suspiro em protesto. Ele escreveu algo no caderno e me mostrou:

"O que acha de não irmos à biblioteca amanhã? Quero passar o dia com você."

Eu sorri e confirmei com a cabeça, peguei o caderno dele e escrevi:

"O mesmo horário na frente da biblioteca. Não se atrase, tenho problemas com pontualidade"

Entreguei o caderno pra ele que sorriu. Nunca fiquei tão ansiosa para chegar um sábado.

Notas finais
Então pessoinhas,O QUE ESTÃO ACHANDO DA FIC???? É sério, gostaríamos de saber....depois não reclamem que abandonamos a fic u.u (é sério). NÃO PERCAM O PRÓXIMO!