Notas iniciais
"Porque amor é justamente isso, é ficar inseguro, é ter aquele medo de perder a pessoa todo dia, é ter medo de se perder todo dia. É você se ver mergulhado, enredado, em algo que você não tem mais controle." - Fabrício Carpinejar

Morgana Curts merece o Oscar por me irritar nos momentos críticos, assim que ela saiu e entrou na Bessie eu joguei a chave do carro pro Alexis e fui andando, ele não perguntou nada, só ligou o carro e foi pra área residencial, provavelmente ver a Amanda como sempre fez, corri um pouco até um galpão que tinha ali por perto, entrei num beco e bati na porta três vezes, logo ela foi aberta.

– É você Tom... Já estava na hora de aparecer! – O Sargento Will estava com seu jornal em baixo do braço e seu café na mão e logo entrei. – O que aconteceu?

– Eu... Preciso me distrair e conversar um pouco, pensei que você poderia me ajudar Brad... — Eu coloquei as mãos no bolso da calça e me sentei num banco que tinha na academia improvisada dali. – Eu estou brabo, mas não sei se estou com a razão entende?

– Isso é até normal pra um garoto como você Tom... – Ele se sentou na minha frente e voltou a ler o jornal. – Então diga...

– Acabei de descobrir que Paul Davidson de Nova York é na verdade Hermes Davidson e pra ajudar... Pai da minha namorada. – Foi nessa hora que o Sargento engasgou com o café e tossiu um pouco.

– Explica essa história direito rapaz! – Ele se recuperou e voltou toda atenção pra mim. – Como ele descobriu ela aqui?

– Isso eu ainda não sei é impossível ele saber dela assim do nada, ele veio atrás de dinheiro eu falei pra Morgana não se encontrar sozinho com ele... – Suspirei e chutei uma latinha que estava ali na minha frente. – Se eu não chego a tempo ou ela estaria sumida ou morta Brad... Por mim eu teria matado o Hermes, mas por mais que ela nunca tenha visto ele, é o pai dela e a única ligação que ela tem com a mãe.

– Mas ele não tem uma ligação com você e então... – Eu olhei pra ele. – Você usou sua arma? – Eu afirmei. – Mas ele te desarmou e quase te matou e é por isso que você está irritado?

– Quase isso Brad... – Me levantei e fui pro saco de areia, tirei minha camisa e comecei a socar ali, Brad também me seguiu e segurou o saco. – Eu sai machucado, tirei ela de lá... Mas mesmo assim ela queria ajudar o pai, eu ia contra, só que o Alexis falou que ela precisa disso e eu respeitei, mas ainda sim você sabe o histórico do Paul... Ou Hermes que seja.

– Ele trabalha no crime organizado de contrabando, alguns até o chamam de Deus Hermes e ele mata a sangue frio, dizem que ele era um executivo de alta classe, mas depois que a mulher dele morreu ele faliu e caiu na criminalidade.

– Quando ele me tirou do reformatório de Nova York foi essa história que ele me contou e bem você sabe foi à época que eu desandei mais... – Eu socava cada vez mais forte. – Vi Hermes agir de perto e resolvi me mandar foi quando me entreguei pra policia novamente e fiz aquela história do garoto com medo.

– Ainda bem que você ainda tem juízo.

– Voltando, ela foi se encontrar com ele novamente e queria ir sozinha e eu fiquei entre a cruz e a espada... Então dei minha arma pra ela, mas ainda não me senti seguro... – Dei um chute forte que fez o saco de areia percorrer todo o trilho que ela passava.

– Então você ficou de vigília atrás dela, só que ela descobriu e ficou braba correto? – Afirmei com a cabeça e comecei a fazer abdominal, Brad segurou minhas pernas e eu fiquei subindo e descendo forçando o abdômen e sentido queimar, a sensação era boa. – Você não aprende Thomas! – Bati com força no chão.

– VOCÊ QUERIA O QUE BRAD? – Ele começou a me atacar e eu defendia como podia o medo, raiva e ódio me consumiram eu acho que estava precisando disso. – Que eu ficasse sentado numa merda de uma cadeira em quanto a... – Acertei um golpe nele o fazendo cair, montei nele e troquei vários socos em quanto ele defendia.

– Mulher que eu amo ia se encontrar com um marginal? – Ele me empurrou e fomos pra luta de pé e estava ficando mais intensa. – Você esperava que eu fosse atrás dela depois porque estava demorando... Com o frio que esta fazendo, com as luzes de natal pela cidade... – A Adrenalina percorria meu corpo, eu não via mais o Brad na minha frente, eu via o assassino da minha mãe e também via o Hermes.

– Que eu perguntasse pra todo mundo da Cidade e no fim da noite encontrasse ela no beco escuro... – Meus olhos estavam queimando, eu socava com mais força... colocava tudo pra fora a cada golpe. – Que eu olhasse pra ela sem poder fazer nada, só pedir pra ela aguentar... E ver ela morrer nos meus braços. – Eu estava chorando? Eu sentia algo quente cair pelo meu rosto.

– VOCÊ QUERIA QUE EU FICASSE PARADO EM QUANTO ELA PODIA ESTAR MORRENDO E EU NÃO ESTAR LÁ PRA PROTEGER COMO DA ULTIMA VEZ? – Acertei um direto no rosto dele. – VOCÊ QUERIA AQUILO REPETINDO DE NOVO... VER A PESSOA QUE EU MAIS PREZO NO MUNDO SER TIRADA DE MIM? E VOCÊ QUER QUE EU NÃO A PROTEJA! – Foi então que ele me acertou um soco e ficou por cima de mim, me imobilizou e eu passei só a chorar. – Eu não iria suportar Brad...

– Você é fruto do mundo Thomas, você é o fruto da crueldade que aconteceu na sua vida... Por isso você é assim triste, magoado, rancoroso... e você tem ódio no coração. – Ele saiu de cima de mim.

– Você deveria ter confiado na Morgana, você tinha dado até uma arma pra ela... Queria que ela matasse o próprio pai? Só que também não te culpo por ser assim, você foi traumatizado e violentado emocionalmente de uma forma irreparável... Talvez aquela garota esteja concertando seu coração aos poucos. – Ele sorriu e olhou pra mim. – Tanto é que você nem percebeu que ela estava aqui há um bom tempo...

Eu me assustei com o que ele disse... Como assim ela estava aqui há um bom tempo? Me sentei com rapidez e sequei minhas lágrimas o máximo que eu pude, talvez... não, era realmente inútil, meus olhos com certeza estavam vermelhos e eu estava ofegante, coloquei minha camisa e minha jaqueta, o galpão era mal iluminado, mas dei um boa olhada e perto da porta tinha uma pessoa de pé, com certeza era a Morg... Ela veio atrás de mim?

Eu limpei minhas mãos na calça, pude ouvir um barulho de chuva lá fora, mas agora era sem trovões, a chuva aumentou, eu abaixei um pouco a cabeça, coloquei as mãos no bolso e foi caminhando na direção dela, não conseguia olhar diretamente pra ela.

Mordi o lábio e pensei desde quando ela ouviu, será que ela ouviu o que eu falei do pai dela? Acho que ela me achava um monstro agora, assim que eu passei por ela murmurei “Desculpa”, abri a porta e sai do balcão, ao fundo pude escutar.

“O que esta esperando? Vai atrás dele garota!” – Então a chuva apertou, eu estava caminhando e estava encharcado e ao que tudo parecia... Ela não me seguiu, ou eu achava que não.

–-x—

–Tom! -chamei mais alto que podia naquela chuva. Eu estava toda encharcada e comecei a tremer, meus lábios deviam estar entre roxo e azulado (merda de imunidade baixa).

Thomas parou de costas para mim e suspirei. Minha ideia inicial era visitar os meus avós e depois ir para a casa da Mands, mas quando eu sentei na Bessie vi Thomas ir para a "academia" do Sargento Will. Sabia que quando ia para lá fora do horário normal era porque precisava descarregar a sua raiva.

Admito, eu exagerei. Não tinha necessidade de eu ter o tratado daquele forma, mas eu só estava irritada e meu temperamento é difícil de controlar. Sabia que ele iria se fechar totalmente se eu não resolvesse isso logo. Fui atrás dele, estava cansada de brigar com ele por motivos pequenos, não queria perder a pessoa que eu mais amava na vida.

– Eu não quero mais brigar com você... Desculpa. — Minha voz saiu fraca por eu estar batendo o queixo. Tom se virou pra mim e eu andei até ele. Thomas resistia mais ao frio, óbvio. Eu era apenas uma garotinha que se achava forte. — Eu te amo... — Puxei a camisa dele o trazendo mais perto de mim. — Não posso ficar sem você Smith.

Olhei em seus olhos, estavam vermelhos por ter chorado e eu percebi que ele ainda estava chorando. Claro, estava na época do natal... Época sensível do Thomas, deveria me lembrar disso antes de ter surtos egoístas.

Eu não sabia mais o que falar, segurei o rosto dele e tentei limpar suas lágrimas, o que não era tão possível com aquela chuva, mas ele entendeu meu gesto afetivo.

Fiquei na ponta dos pés e eu o beijei, mas foi uma forma diferente. Coloquei que sentia por ele naquele beijo, senti aquele frio na barriga e a respiração dele me aquecia.

Thomas segurou minha cintura me puxando para ele, nossos corpos se colaram e eu acariciei seus cabelos. Cena totalmente típica dos filmes, mas foi realmente bom.

–Desculpa... — Tom falou com a testa encostada na minha, ele acariciou minha cintura e sorri. Eu adorava quando ele fazia isso.

–Vamos parar com essas brigas sem sentido está bem? Não quero te perder. — Meus dedos passeavam por seus cabelos molhados e então eu virei o rosto espirrando. Morgana expert em acabar com o clima romântico.

– Você nunca vai me perder novata. — Ele sorriu de canto e beijou entre meu pescoço e minha orelha. — Vamos sair da chuva antes que você pegue uma gripe... — Espirrei de novo. — Ou piore né? — Nós rimos e fomos correndo até Bessie.

Peguei o cobertor que sempre deixava na caminhonete ainda mais no inverno. Consegui cobrir nós dois e fiquei perto dele com a minha cabeça no seu ombro, se isso o atrapalhava para dirigir eu não sabia, ele pelo menos não reclamou. Ficamos naquele nosso silêncio bom e às vezes eu cantarolava as músicas que tocavam na rádio do meu avô. Chegamos em casa e demos de cara com o Sr. Thomps batendo a muleta no chão e com a expressão seria.

–Smith e Dona Curts! Onde vocês se meteram? — Minha vontade era de abraçar ele por se preocupar comigo também-Não me digam que estavam...

–Fazendo a patrulha noturna? — Eu ri fraco. — Não Sr. Thomps, não sou ninfomaníaca. — Tive que rir internamente com a reação dos dois e o abracei molhada mesmo. – Desculpa a culpa é minha. Prometo não te preocupar assim. — Beijei o rosto dele e o nosso rígido fuzileiro americano amoleceu, tão igual ao Thomas... Ou seria ao contrário?

–Tudo bem minha querida, vá tomar um banho quente e descansar. — Eu espirrei e ele me analisou. — Vou fazer um chá também, não quer passar mal justo no dia da prova da universidade não é? — Eu arregalei os olhos. Merda! Quase esqueci da prova que ia definir a minha vida, fiquei totalmente envolvida com todas essas confusões que...ah céus! Precisava revisar tantas coisas!

–Ah e tem correio pra você também, deixei na cama do Thomas. — Ele sorriu gentil e por um momento vi meu avô Louis na minha frente.

– Obrigada Sr Thomps, amo você. — Subi correndo pro banheiro, estava curiosa pra saber qual era o correio e quem tinha me enviado, mas era melhor eu relaxar um pouco e evitar uma hipotermia. Havia um banheiro no peça de baixo da casa e eu esperava que Tom fosse fazer o mesmo que eu.

Me arrepiei quando a água bateu no meu corpo e por um momento de insanidade imaginei Thomas tomando banho junto comigo. Fechei os olhos e mordi o lábio... Deuses, eu precisava me concentrar. A prova seria amanhã e eu queria revisar o que havia estudado.

Minha temperatura voltou ao normal e talvez subiu um pouco mais com a minha imaginação fértil. Corri até o quarto de toalha para a temperatura não cair de novo e vi Thomas sentado na cama com banho tomado e uma xícara de chá na mão.

– Ahn... — Fiquei corada o que era besteira já que ele havia me visto assim umas duas vezes e bem, nua também.

–Quer que eu saia? — Ele mordiscou os lábios e seus olhos claramente diziam "Fala que não".

–N-não tudo bem. — Sorri de canto entrando no quarto e fechando a porta. — Você já viu tudo mesmo. — Ri fraco e comecei a procurar uma roupa nas coisas dele. Peguei um blusão e um abrigo dele, adorava usar as coisas do Tom. Era confortável, quente e tinha o cheiro dele.

– Você viu do que se trata o correio que chegou pra mim? — Tirei a toalha e comecei a me vestir rápido, eu sentia o ar frio na casa.

–Ahn... É... Hm... — Ele gaguejou e eu sorri de canto.

– Qual é? Você me viu várias vezes assim! — Eu ri e coloquei o blusão.

– Meu desejo por você nunca diminui. — Ele segurou o lençol e suspirou. — Só não te agarro porque você tem vestibular amanhã. — Ele me olhou com malícia mesmo eu estando vestida e senti frio na espinha.

–Ahn... Ok. — Mordi o lábio. — Sobre o correio...

–Ah! Um é da universidade que você quer ir. — Eu pulei na cama pegando a carta que ele segurava — Ei, calma. — Ele riu mas eu ignorei rasgando o envelope.

–Ai meus deuses... — Li rapidamente e meu coração... — Deu certo... A Madson e minha mãe... Eu só... — Meu sorriso se alargou, não conseguia tirar os olhos da carta.

–O que? O que foi? Deixa eu ver! — Tom pegou a carta da minha mão e eu cai deitada na cama sorrindo. — Com 90% de acertos você consegue pós-graduação e mestrado com bolsa integral? — Ele arregalou os olhos e se virou sorrindo. — Amor, isso é demais!

–Eu sei! — Ri eufórica e o puxei pra cima de mim. — Só... Só não sei se...

–Ei, não começa... Você vai conseguir, eu sei que sim. — Ele mordeu meu lábio. — É uma oportunidade...

– Imperdível. — Eu completei e Tom sorriu confirmando. Respirei fundo, ele tinha razão, eu podia alcançar essa nota. — E o outro correio? É de quem? — O olhei e o sorriso dele vacilou, parecia hesitar.

–Amor eu acho que você deveria se focar no vestibular agora e...

–Thomas... — O encarei e arquei as sobrancelhas. Ele saiu de cima de mim e pegou um pacote.

–Do... Seu pai! — Na hora eu o olhei sem expressar nada. Pensava que depois de hoje nunca mais ouviria falar dele. Meu único orgulho era saber que minha mãe havia se apaixonado por um empresário e não um marginal.

–Certo então... — Peguei o pacote da mão dele, parecia ser livros. Me sentei e abri o pacote sem muito entusiasmo, não podia deixar o que quer é que fosse me enviado, me afetasse para a prova de amanhã. Não eram livros, eram cadernos velhos.

Franzi o cenho e abri o primeiro que tinha uma capa vermelha pelúcida. Na contra capa estava escrito... "Diário de Rosi Dools". Meu coração disparou e eu sorri segurando as lágrimas. Eram os diários da minha mãe.

Notas finais
Oi gente se quiserem perguntar alguma coisa pra mim http://ask.fm/AlexisAmbrosio_ Ou pra Morg http://ask.fm/putzAtena comentem, compartilhem pros amiguinhos, pra quem vocês acham que vão gostar. Eu amonho vocês, até opróximo