Notas iniciais
" Descobre que, algumas vezes, a pessoa que você espera que o chute quando você cai, poderá ser uma das poucas que o ajudará a levantar-se." - Willian Shakespeare.

Resolvemos ir pra uma lanchonete ali perto, sentei ao lado da Morg em quanto a Madson estava na nossa frente, minha cara era de poucos amigos eu tenho certeza, a da Morg tinha um semblante quando normalmente queria entender algo e a Madson além da cara lavada parecia um pouco aflita, mas ouviria ela mesmo assim. Fizemos nossos pedidos e ficamos em silêncio até eles chegarem.

– Então Gabriela... O que você tem a dizer? — A Madson sabia que quando eu a chamava pelo primeiro nome era um sinal de trégua.

– Você não me chama assim desde a quinta série. — Ela sorriu como se lembrasse dos velhos tempos. — Tom... — Eu olhei pra ela e suspirei, acho que a Morg não gostou muito.

– Desembucha logo... — Eu ri fraco, sabia que ela estava com ciúmes então segurei a mão dela em baixo da mesa. — O que você quer com a gente?

– Eu sei que o Thomas apanha do Owen e do que o meu pai faz. — Na hora fiquei incomodado, eu sei que ela sabia de muitas coisas, não das pancadas. — Na verdade sei quais a intenções do Owen em relação ao Thomas.

– Ele é um maníaco pedófilo que usa o distintivo pra pegar os adolescentes e estupra-los quando bem entender, e como o Madson é o delegado normalmente essas acusações sobre o Owen são arquivadas. — Eu olhei pra minha mão. — O histórico da família dele é asqueroso, o irmão dele estuprou minha mãe e a fez morrer e eu revidei o serviço mandando ele pra UTI com o crânio afundado e a cara deformada o velório teve que ser de caixão fechado. — Trinquei os dentes e apertei o punho.

– Calma porquinho... — Morg acariciou meu cabelo e eu relaxei, ela sabia quando eu estava prestes a explodir e me acalmava bem rápido. — Continua Madson...

– Meu pai faz o contrabando com o México trazendo algumas drogas o Owen é o braço direito dele...

– E o irmão que eu matei era quem fazia os serviços de transporte, por isso ele só aparecia na época de natal. — Olhei pela janela. — Como agora.

– Você está bem informado Vingador.

– O que você achava que eu fiquei fazendo esses anos todos Gabriela? Por que você acha que seu pai me odeia tanto? — Minha vontade era de sair dali e arrebentar a cara do pai dela. — Ele sabe que eu tenho provas contra ele, mas não o suficiente pra ganhar em tribunal.

– É aí que eu entro. — Ela mexia o copo vendo a bebida. — Meu pai como está sem o irmão do Owen me fez ser a transportadora das drogas, além disse ele deixa o Owen abusar de mim... — Ela apertou o copo e na hora eu choquei, eu sabia como o Owen gostava das coisas, sádico como sempre. — Não suporto mais isso, por isso eu quero a ajuda de vocês... Eu posso encontrar as provas que faltam pra prender os dois, podemos fazer uma emboscada, o Sargento Will pode ajudar.

– Vamos com calma Madson... — Morg tentava assimilar tudo aquilo, ela não conhecia bem essa parte da cidade, a parte suja. A parte onde eu e a Madson já éramos mais do que chegados.

– Calma amor, faz assim Gabriela consegue o máximo de provas possíveis até a formatura. Quando chega o contrabando do México?

– Entre a semana de natal e ano novo...

– Ótimo, eu vou me preparar até lá... Madson vai ter um prejuízo esse ano. — Eu ri e chamei a garçonete pra pagar a conta. — E Gabriela... — Eu olhei pra ela e suspirei. — Eu ainda tenho o apartamento do Johnson alugado... Sempre que o Owen tentar algo... — Apertei o punho. — Me liga... Eu te levo pra lá.

Eu me levantei da mesa e paguei a conta, a Madson olhava incrédula pra mim e tinha certeza que a Morg estava muito mais, olhei pras duas como quem não entendesse o porquê daquela reação e revirei os olhos, deixei 10 dólares com a Madson.

– Pra você voltar pra casa. — Segurei a mão da Morg e sai da loja, ela ainda me olhava sem acreditar. — Porque essa cara amor?

– Por quê? Desde quando você trata a "Gabriela" daquele jeito? — Ela tinha um tom de raiva na voz, eu entrei na Bessie e ela logo depois. — Fala Thomas!

– Desde que eu conheço ela desde pequena, costumava brincar com ela... Ás nossas mães eram amigas. — Liguei a Bessie e olhei de canto pra ela. — Só que com a morte do meu Tio eu me afastei dela e do Alexis, depois da morte da minha mãe eu nunca mais falei com ela... E ela começou a aprontar comigo, dai vem a nossa rivalidade.

– Você devia ter me contado isso antes sabia? — Ela cruzou os braços emburrada. — Não sabia que você era educado com ela. — Eu ri e me virei pra ela, puxei ela pela nuca e a beijei com vontade e desejo.

– Eu sei o que ela deve passar, não sou um monstro sempre. — Coloquei a mão por dentro da blusa dela e arranhei de leve. — E para de ciúmes... — Voltei a beija-la e passei a mão por cima do sutiã dela, ri durante o beijo e me separei. — Eu sou seu... E terminamos isso em casa, eu tenho que ver minha roupa.

Assim que eu sai com a bessie ela colocou a mão na minha coxa e apertou, se aproximou do meu ouvido mordendo, depois beijou o meu pescoço e arranhou toda extensão da minha coxa, eu sinceramente agarrei forte o volante e pressionei meu corpo contra o banco.

– A-amor... — Mordi o lábio com força, ela sabia que isso me excitava e não era legal fazer isso. — Para...

– Porque deveria? — Ela sussurrou no meu ouvido. — Você não é meu Dono. — Eu ri rouco.

– Sou sim... — Parei o carro no sinal, coloquei minha mão por dentro da calça dela e pressionei meus dedos ali, ela gemeu em resposta e segurou minha mão. — A gente termina isso em casa...

Tirei a mão de lá e o sinal abriu, vi de canto ela morder o lábio e suspirar, ah como eu adorava ter esse poder sobre ela, eu sorri de canto e ela ligou o rádio, fiquei com a mão por cima da coxa dela repetindo pra mim mesmo.
"A gente termina em casa..."

–x-

Era difícil conter certas perguntas e evitar aquele sentimento... Sim, ciúmes. Eu tenho um problema com possessividade impressionante, acho que é um pouco anormal, mas o que poderia fazer? Nunca fui uma garota que chamasse muita atenção, até porque nem tinha muito contato com garotos já que estudava em uma escola só para meninas.

Como não tinha amigas, não saia no final de semana e consequentemente eu deveria ser uma menina muito, muito pura, e eu era. Perdi meu BV com 15 anos, tem gente que perde bem mais velhas, eu sei... Mas na minha escola era até anormal.

Nos tempos de hoje crianças querem ser adultos, era o que meus avós sempre falavam. E sabe? Eu realmente gostei do meu primeiro beijo, acho que foi minha primeira paixonite de... 5 dias? É, eu conheci o garoto na praia durante as férias de verão. A pesar de eu ter medo do mar adorava a praia, era um bom lugar para pensar e se divertir de certa forma.

Eu estava mesmo gostando do garoto, mas ai ele me deu a notícia que iria fazer intercâmbio no Canadá e, provavelmente não nos veríamos mais. Sortuda não acha? Entretanto as coisas acontecem sempre por um motivo específico. Se o garoto tivesse ficado, talvez eu não teria conhecido Thomas e as coisas seriam diferentes.

Então sim, valeu a pena minha primeira paixão ter dado errado. Até porque eu encontrei o amor... Algo bem mais forte. Eu ainda tinha medo, ainda mais agora que eu soube sobre Tom e a... Gabriela. O amor e ódio estão a um passo de distância, as coisas podem mudar subitamente, como agora, desde quando eu iria imaginar que a Madson iria nos ajudar?

–Chegamos...

Tom parou a bessie na frente de casa e me olhou. "A gente termina quando chegar em casa". Os hormônios dele deveriam estar aflorados ainda. Apesar de Tom me deixar completamente fora de mim e aquela garota pura ser arrancada quando estamos juntos, eu sabia controlar perfeitamente os meus hormônios. Ainda acham que o sexo feminino é o mais fraco? Preciso rir de vocês que acham isso.

–Seu avô está em casa. — Olhei e sorri de canto. Adorava o provocar, é bom sentir que você tem esse poder sobre a pessoa. — Vamos ter que deixar para mais tarde! — Vi e ele suspirar e mordisquei o pescoço dele. — Qual é? Você aguenta. Isso foi até bom porque preciso estudar, não adianta eu fazer uma formatura se não passar de ano.

– Tudo bem, mas você sabe que o velho Thomps não vai ficar essa noite em casa então... — Ele se aproximou de mim e apertou minha coxa. — Não pense que vai escapar. — Ele sussurrou e eu suspirei, merda, ele sabia contra atacar.

–Vamos... No celeiro?- O olhei e vi malicia claramente nos seus olhos. — Quero atirar um pouco. — Eu ri quando os ombros dele caíram e ele dar um suspiro frustrado... Quem disse que eu gostava de facilitar as coisas?

–Vai querer atirar, de novo?

–Eu gostei. — Ergui os ombros e ele riu. No celeiro geralmente ficava um sistema de tiro ao alvo (com latas e balas de borracha), eu gostava de ir lá para pensar e descarregar a raiva quando as lembranças me atormentavam.

–Tudo bem, vamos lá. — Ele abriu a porta e eu desci junto pelo outro lado.

–Tom, já imaginou se você fosse um semideus quem seria seu pai ou mãe olimpiano? — Segurei a mão dele indo ate o celeiro. Tom era um ótimo professor, se daria bem no exército.

–Ahn... Acho que não. — Ele franziu o cenho e rio. — Porque a pergunta?

–Só fiquei curiosa... Acho que seria Filha de Hermes. — Sorri de canto e o olhei. — Você tem cara de Filho de Hades.

–Faz sentido. — Ele sorriu de canto e senti o meu celular vibrar, olhei a tela e reconheci o numero do orfanato... Isso não podia ser muito bom.

–A-alô? — Atendi insegura e parei no meio do caminho com Tom me olhando como se dissesse "Quem é?"

–É a Morgana Curts, certo?

–Sim...quem gostaria?

–É a Célia querida...

–Ah! Oi, como está? Aconteceu alguma coisa?

–Ahn... Não é que... Seu pai veio te procurar e está insistente quanto a sua adoção.

Eu não falei nada... Minha garganta estava seca e meu coração palpitava como se fosse parar a qualquer hora. Isso não podia estar acontecendo, não agora.

Notas finais
Esse cap vai pra Ester Grace, ela recomendou a hitória então gostaria de agradecer e dedicar esse cap e toda a fic pra ela. Obrigado vocês por acompanharam e comentarem, vocês é que fazem essa fic continuar!