Notas iniciais
Quando você perde uma coisa que não consegue repor, poderia ser pior? - Coldplay (Fix you)

Era segunda feira e eu tinha muita coisa pra resolver na escola, primeiramente eu fiz questão de chegar com a Morg na escola, ela acabou indo de moto comigo direto do apartamento que eu estava no Johnson, sim eu liguei pro meu avô obviamente ele gritou comigo, mas fiquei feliz em falar com ele e dizer que estava tudo bem.

A Morg entrou na minha frente e eu pude notar que alguns riram da cara dela, eu sorri de canto, resolvi que acabaria com a festa deles ali mesmo, assim que um tentou colar um papel nas costas dela eu o agarrei pelo braço e sussurrei no ouvido dele.

– Você ia fazer alguma coisa com a minha namorada? – Ele acenou negando com a cabeça freneticamente, todos no corredor olhavam pra mim e ela tinha um sorriso de canto. – Lembra do que eu disse sobre as brincadeiras?

– S-sim... Vingador – Eu o soltei e ele saiu correndo, olhei em volta e todo mundo se encolhia.

– Eu só vou perguntar uma vez... Cadê a Gabriela Madson? – Todos alunos apontaram na direção do armário dela e eu sai em disparada, Morg veio logo atrás de mim.

– Tom não vai fazer besteira! – Eu virei pra ela e parei bruscamente, ela esbarrou em mim e eu a beijei. – Tom esquece isso, não precisa!

– Amor, não posso deixar isso barato, não quero você com fama do que você não é. – Dei um selinho nela e me virei na direção do corredor.

– Turrão que você é Thomas Smith! – Eu ri e ela me seguiu, cheguei onde a Madson estava e me apoiei do lado do armário dela.

– Thomas? O que faz aqui? – Ela tentou me abraçar e beijar, eu rapidamente joguei ela contra o armário e segurei o pescoço dela. – Vingador!

– Você é muito cara de pau Madson! – Soltei o pescoço dela e me afastei, a Morg estava me abraçando por trás e sussurrando pra eu parar. – É melhor você confessar o que você fez no refeitório e pedir desculpas pra minha namorada!

– Não vou admitir nada, você não manda em mim! – Ela gritava comigo e eu sorri maldoso, peguei meu gravador do bolso e apertei. – Você gravou...

– Eu tenho muitas gravações de cada uma que você aprontou na escola! De cada um que você mandou pra diretoria... É melhor você limpar a barra da Morg ou eu sujo a sua com a escola inteira! Entendeu? – Ela afirmou com a cabeça. – Vou estar lá pra ouvir e seja bem específica, ou já sabe!

Sai com a Morg e fomos direto pros nossos armários pra depois passarmos na sala de Artes e pegar a maquete, quando estávamos na sala de artes é lógico que a gente se deu um amaço, eu coloquei ela sentada na bancada e ela tinha tirado minha camisa, eu confesso que esse tempo separado só deixou tudo mais quente entre a gente, separei do beijo dela com ela mordendo meu lábio e suspirando, eu sabia que ela estava excitada, eu também, mas não faríamos nada, por em quanto.

– Você realmente é protetor, o Anjo Vingador não brinca em serviço. – Ela me deu um selinho demorado e segurou minha nuca. – Obrigado!

– Claro amor, eu tenho que te proteger não podia os deixar falando o que quisessem de você sem nem ao menos ser verdade. – Arranhei as costas dela e beijei o seu pescoço.

– Vou parar de te chamar de vingador e te chamar de Anjo da Guarda. – Eu sorri. – O que você fez com aqueles caras que... você sabe

– Eles eram do mesmo grupo que mataram minha mãe... – Ela me olhou surpresa.

– Pera como assim mataram sua mãe? Você nunca falou que sua mãe foi morta... Apenas que ela morreu.

– Pra eu contar a história da minha mãe eu tenho que te contar o que eu fiz. – Olhei pra baixo e suspirei. – Não sei se você me aceitaria depois de saber...

– Passado é passado... Independente do que você tenha feito, tenho certeza que você é um homem melhor agora. – Ela me beijou cheia de carinho. – Eu já sei a parte pior... Você matou um cara, ou quase isso.

– Eu prometo que te falo depois da apresentação de hoje está bem? – Coloquei a camiseta, dei um selinho nela e peguei a maquete. – E pensar que ainda tem uma segunda parte do trabalho...

– Como assim segunda parte? – Ela me olhou surpresa.

– Depois da parte teórica vem uma mais prática... Como uma feira de ciências, vamos ter que fazer nossa própria Grécia Antiga, Quíron não te contou? – Eu acabei rindo da cara de assustada dela. – Não é tão simples na Dark School Senhorita Curts!

Saímos juntos da sala de artes e ficamos na sala o dia inteiro, estava pouco me fodendo pro pessoal da escola então eu fiquei abraçado com a Morg o dia inteiro, não queria me desgrudar dela ainda, ou melhor não queria desgrudar nunca mais daquela garota e ficamos juntos até a hora do almoço.

– Vamos amor... É a hora da verdade. – Puxei ela pro refeitório, assim que a Madson me viu ficou vermelha de raiva, então eu gritei pra que todos ouvissem. – OW GALERA DA DARK SCHOOL! – Todos olharam pra mim e eu subi numa das mesas. – Gostaria de dizer que a Senhorita Madson tem um comunicado importante!

– Thomas... – Ela ficou mais vermelha e também subiu na mesa, eu desci e fui abraçar a Morg, todos já tinham noção do que iria se proceder ali. – Eu gostaria de dizer... Que os boatos que eu fiz sobre a Morgana e o Thomas eram todos falsos, o Vingador nunca traiu a protegida.

– Fala o que você fez Madson, todos querem saber!! – Eu sorria vitorioso, era a melhor segunda feira da minha vida com certeza. – Mostra a sua verdadeira cara Madson, não que todos não saibam, mas é sempre bom lembrar!

– Eu tramei pros dois se separarem, dei um sumiço no Thomas por uma noite e atendi a ligação da Morgana e fiz o dois se separarem... – Ela desceu da mesa quase chorando. – Não tenho mais nada a dizer!

Todos ali ficaram atônicos apesar de não ser novidade aquela garota aprontar, estava sentado o que normalmente era minha mesa com a Morg, ela estava com o ombro encostado no meu, falávamos qualquer coisa em quanto ela mexia na minha mão e brincava com o nosso anel de namoro, até que ouvi alguém sentar na nossa frente.

– Oi Tom... – Não precisei levantar o olhar para saber que era o Alexis, ouvi outra pessoa e sabia que era a Amanda. – Eu queria pedir...

– Nem começa Alexis... – Eu olhei e mantivemos os olhares ligados, eu queria revidar o soco que ele me deu. – Não vou te desculpar você sabe bem disso, mas também sei que você fez pela Morg...

– Amor... a culpa foi minha. – A senti apertar minha mão e olhar pra mim.

– Não Amoi, Tom tem razão eu deveria saber mais que ninguém que o Thomas não faria isso. — Ele olhou pra própria mão e suspirou. – Ainda mais com a Madson, eu fui totalmente irracional.

– Convenhamos que vocês dois foram... – Olha eu sou um cara um pouco rancoroso às vezes. – Nem a chance de me explicar vocês deram e muito menos falaram o motivo pra mim. – Os dois abaixaram o olhar, eles precisavam ouvir. – Senão fosse a Amanda eu estaria bem longe daqui... Quem sabe o Madson já não teria me mandado pra cadeia como sempre quis.

– Chega Thomas! – Amanda me olhava repreensiva. – Essas coisas acontecem, os dois agiram sentimentalmente e é totalmente compreensível, você não pode ficar magoado com isso pra sempre sabia?

– Tudo bem Mands... A gente precisava ouvir isso. – O tom de voz dela tinha um fio de dor, então apertei a mão dela, virei o rosto dela pra mim e dei um beijo. – Desculpa Tom...

– Vamos esquecer, depois de hoje não se toca mais no assunto. – Estendi a mão pro Alexis. – Afinal irmãos sempre brigam não é Peixinho? – Eu sorri de canto, voltamos a ter uns 10 anos, não falei pra provoca-lo, era assim quando crianças, éramos como irmãos. Ele segurou a minha mão e sorriu.

– Sim irmãos sempre brigam Porquinho! – Todas na mesa sorriram, mas foi por pouco tempo porque o sinal do fim do intervalo já tinha tocado.

Corremos pra sala ainda fomos uns dos primeiros a chegar, ninguém ousava fazer zona até que Quíron entrou e o nervosismo se instalou ali, nós éramos o tema de numero dois em quanto o Alexis e Amanda ficaram com o um, parece que o sorteio não foi muito justo com a gente, mas pelo menos nos livraríamos do trabalho logo.

Ele pegou a prancheta e pediu que começassem a apresentação, tudo ocorreu perfeitamente bem com eles, afinal os dois se entendiam, completavam uma ideia do outro, como diriam eram um casal que tinha Química e eles apresentaram os temas da Guerra Greco-Romana com maestria e de um jeito extrovertido para que todos entendessem, Quíron gostava de dar as notas da apresentação na hora e eles ganharam nada mais e nada menos que um dez.

– Estou nervosa Tom. – Ela sussurrava pra mim e eu a apertei.

– Não fica Morg... Só presta atenção em mim e vai dar tudo certo.

– Próxima dupla... Thomas Smith e Morgana Curts, por favor! – Quíron nos olhava por cima do óculos e fomos para nossa apresentação.

Prestem bem atenção, eu e a Morg somos feitos um pro outro por mais clichê que seja, nós somos um casal que tem química, física, biologia, matemática todas as matérias possíveis e tudo o que puder ter em um casal, tínhamos sincronia, amávamos os gregos e a Mitologia, então posso dizer que fizemos a melhor apresentação de nossas vidas e que ganhamos elogios do Quíron, até pegamos ele mesmo como exemplo, fizemos a coisa ficar muito mais dinâmica e conseguimos um dez com muitas congratulações do nosso professor.

– Eu disse que íamos mandar bem! – Eu beijei o rosto dela. – Arrasamos!

– É você tinha razão Smith! — Rimos e o sinal tocou, Alexis e Amanda vieram até nós dois.

– O casalzinho da Grécia, temos que ensaiar hoje então não se atrasem sexta feira começa a batalha de bandas no Pavilhão do rock! – Alexis estava bem animado.

– Não iremos nos atrasar com a moça da pontualidade aqui, não é amor? – Eu ri e ela me socou.

– Sem graça!! – Ela cruzou os braços e fez bico, como eu a amava daquele jeito. – E não me olha assim!

– Bom gente to atrasado pro trabalho! – Dei um beijo rápido na Morg e fui pra minha moto.

Eu estava fechando a firma, sabia que a Morg ia chiar comigo pela pontualidade, mas eu não podia fazer nada, sai às pressas e corri na direção da minha moto, montei nela e acelerei até a casa do Alexis, não demorei muito pra chegar, podia ouvir o som de uma guitarra e um baixo vindo da garagem, eles deveriam ter começado a ensaiar sem mim, corri pra garagem.

– Desculpa o atraso o Johnson fez eu fazer hora extra hoje.

– Tudo bem Tom a Morg ainda não apareceu, ela não costuma se atrasar. – Amanda falava em quanto tocava o baixo dela. – Ela deve ter tido algum problema, mas já deve estar a caminho.

– Ei porquinho vamos ensaiar até ela chegar! – Eu fiquei um pouco preocupado, mas resolvi não pensar em nenhuma besteira, sei que a D. Atena às vezes pedia um favor pra ela e já sabe.

– Ela deve estar com a vó dela e com a Bessie. – Eu mantive esse pensamento na cabeça e começamos a ensaiar.

Passaram meia hora, uma hora... duas e nada da Morgana aparecer, eu realmente comecei a ficar preocupado, ela não tinha respondido nenhuma mensagem, já estava errando as notas e comecei a pensar o pior, eu tinha que ir atrás dela, e era pra já.

– Cara não da pra ensaiar assim, eu vou atrás da Morg! – Eu guardei a guitarra e fui até a moto.

– Eu vou te ajudar a procurar Tom.

Em poucos minutos estávamos nós três indo em qualquer lugar que ela poderia estar, eu já estava cansado de ligar e só cair na caixa postal, estava em um posto de gasolina abastecendo minha moto até que recebo uma ligação, olho no visor e era o telefone dela, meu coração disparou e eu atendi desesperado.

– Morgana onde você está? – Eu respirei fundo e na hora eu tive um choque... – Como? No Hospital?

–-x--

Eu havia finalmente chegado em casa com a Bessie. Claro que com esse tempo todo fora de casa eu havia avisado a dona Atena, eu não gostava de deixar ela sozinha em casa e evitava o máximo possível de isso acontecer.

–Vó? Adivinha? Ganhei um... — Fui entrando na casa, ela ficava na cozinha ou na sala. A casa estava silenciosa, o que não era nada bom. Subi as escadas correndo e fui direto pro quarto dela. -Vó, esta tudo bem?- Eu afastei a porta do quarto e segurei um grito.

Minha vó estava atirada no chão com sangue perto da cabeça. Olhei ao redor e não parecia que alguém a atacara, corri até ela e percebi que ela estava respirando, ao menos isso... Coloquei a mão na nuca dela e percebi que seu crânio estava afundado e eu comecei a me desesperar. Eu não tinha forças pra levar ela até Bessie e achar um hospital, precisava chamar uma ambulância.

Desci as escadas pulando de dois em dois e achei a lista telefônica da cidade. Um dos grandes problemas de morar no meio do mato era que os hospitais ficavam na maioria no centro da cidade. Passei os olhos correndo pela lista e achei um hospital que demoraria uns 15 min para chegar até em casa e digitei o número com as mãos tremendo.

–Hospital San Francisco, boa tarde. — Era uma moça uma voz fina e irritante.

–Minha vó está desmaiada e bateu forte com a cabeça, preciso de uma ambulância com urgência! — Eu falei rápido de mais, acontecia quando eu estava muito nervosa.

–Isso é um trote? — Ela indagou e eu estourei.

– ELA É A MINHA ÚNICA FAMÍLIA, ACHA QUE EU ESTARIA DE PALHAÇADA? SE ELA NÃO AGUENTAR POR SUA CAUSA EU JURO QUE...

–Tudo bem senhora, se acalme e nos passe o endereço.

Ela me cortou e passei o endereço com a voz embargada. Combinei que ficaria na frente da casa para eles acharem o local facilmente. Eles chegaram em 8 min, nada que uns gritos não resolvessem. Levei eles até o quarto da minha vó e não saia do lado dela, única coisa que eu peguei foi o celular e as chaves.

Quando chegamos eles levaram ela direto para algum lugar e só falaram pra eu ficar na sala de espera. Fui até a recepção e fiz o cadastro da minha vó, quase pulei no pescoço da atendente, mas finalmente tudo ficou resolvido.

Tive que esperar, nada mais se passava na minha cabeça, sabia que Alexis, Tom e Amanda começaram a ensaiar há muito tempo, mas tive esperança que ligaria avisando do em previsto e diria no final "Ela está bem agora!". Claro, eu estava errada.

–Morgana Curts? — O médico surgiu na sala de espera e eu me levantei.

–Ela está bem? — O vi dar um suspiro e sabia que não teria boas notícias.

– Ela teve um infarto e bateu em alguma coisa com a queda tendo traumatismo craniano onde surgiu coágulos de sangue no cérebro. — Eu fiquei estática, meu coração se apertou e o desespero tomou conta de mim. Eu sabia o que isso queria dizer. — Eu não sei se ela vai resistir, provavelmente...

–E-eu entendi... — Controlei as lágrimas e cai sentada no banco. Eu não sabia o que fazer eu só... Olhei meu celular : várias chamadas do Tom. Não havia tirado do silencioso ou... não sei. Estava desnorteada de mais para pensar. Retornei a chamada segurando o celular com força, não parava de tremer. Mal chamou e Tom logo atendeu.

–Morgana onde você está? — Tom atendeu preocupado e eu finalmente consegui respirar ouvindo a voz dele.

–No hospital... — Estava a ponto de chorar, tentava ao máximo ser compreensível o que falava.

–Como? No hospital? — Ele parecia chocado.

–Minha vó... Vem pra cá por favor eu...eu. — Minha voz falhou e não conseguia terminar a frase.

–Qual é o hospital estou indo ai agora!

–San Francisco... Por favor, vem rápido.

–Aguenta amor, já estou indo ai- ele desligou e eu escondi meu rosto nas mãos.

Eu não podia acreditar que aquele pesadelo estava acontecendo de novo... Não poderia perder mais ninguém.

Notas finais
EU VOLTEI AGORA PRA FICAR, PORQUE AQUI... AQUI É MEU LUGAR!!! Oi gente, voltei e cadê comentarios? Cade vocês lendo? Cadê o incentivo? SOMOS ESCRITORAS MOVIDAS A COMENTÁRIOS E RECOMENDAÇÕES! OBRIGADA!