Notas iniciais
"Continue respirando meu anjo, se você cair eu caio junto com você. Continue respirando, apenas continue." - Mayday Parade (One Man Drinking Games)

Deixei a Morg dormindo no quarto, estava exausta do dia e eu estava feliz por tudo estar se encaminhando pra dar certo, ela estava deitada dormindo tranquilamente, eu já tinha acordado há um tempo, era de manhã na Georgia, eu escrevia do meu caderno de poesia, e já fazia um tempo que tentava escrever uma poesia pra ela, sorri de canto com alguns pensamentos, deixei o caderno em cima da mesa. Fui até minha mochila peguei uma camisa e sai do quarto, acabou que encontrei Alexis também saindo do quarto dele.

— Amanda ainda está dormindo. – Ele colocou as mãos no bolso. – Já tem um plano?

— Tenho sim... – Comecei a caminhar pra uma recepção que tinha no nosso andar e sentei no sofá. – Brad mandou uma mensagem falando que já tem todo itinerário da embarcação que vai chegar e que ele ficou de olho no Hermes, parece que o Madson realmente o contratou.

— Você pretende contar isso pra Amoi? – Suspirei e olhei pra minha perna, eu balançava nervoso. – É o pa...

— Eu sei é o pai dela apesar de tudo. – Passei a mão pelo meu cabelo. – Eu não tinha a intenção de matar ninguém, apesar de às vezes ser incontrolável.

— Tom você nunca contou como se sentiu quando matou o Burk. – Fechei os olhos e respirei fundo, me acalmando. – Nem pra psicólogo, nem pra ninguém.

— Só pro tumulo da minha mãe. – Eu ri sarcástico. – Eu nunca disse que era bonzinho Alexis.

— É Anjo Vingador, eu acho que sei como me sentiria no seu lugar.

— Como assim? – Eu olhei pra ele confuso.

— Já me coloquei no seu lugar, eu personalizei o câncer da minha mãe e fiz tudo como se eu fosse você, como se o câncer no cérebro dela fosse o Burk e eu encontrando o “Burk” depois de uns dois anos. – Ele apertou os punhos e me lembrei da mãe dele. – Eu teria o maior prazer em mata-lo e teria muito mais prazer em matar gente como ele, seria uma forma de vingar.

A mãe do Alexis, Helena Ambrósio, tinha a mesma idade da minha mãe, mas ela morreu na mesma época do 11 de Setembro, enquanto eu velava meu Tio, Alexis velava a mãe dele, minha mãe cuidou dele por um tempo ficamos mais próximos naquela época, Alexis não conseguia aceitar que a mãe dele morreu de câncer no cérebro, mas o pior não foi a morte, foi ver ela definhar, ela não lembrar mais do marido... e do Filho, acho que isso era o que mais doía pra ele, até doía em mim o fato dela se esquecer do Porquinho Thomas.

— Minha mãe disse que me amava antes de morrer, mesma ela não sabendo quem eu era. – Vi que ele sorria, mas que também chorava. – Você fez a mesma coisa que eu Tom, eu também invadi o quarto da minha mãe... e logo depois que ela disse isso... Morreu.

— Gosto de pensar que nossas mães estão juntas, afinal elas sempre foram assim. – Alexis secou as lágrimas e sorriu como sempre fez, ele seguiu um caminho diferente de mim por falta de opção, pois se pudesse faria o mesmo que eu. – E você tem razão Alexis, o fato de eu ser um assassino não me arremete culpa e sim prazer... Um justiceiro, assim como o Anjo Vingador.

— Aquele que veio para julgar as almas na terra devido à tamanha crueldade que ele viu, de anjo da justiça para anjo da vingança. Sempre foi sua lenda preferida desde criança, seu Tio contava pra gente antes de dormir.

— Tio Johnny... – Peguei o colar que fora dele no exercito. – Ele e o Madson eram cão e gato, e por falar em Madson... Vamos ao plano. – Eu peguei uma folha e entreguei ao Alexis. – O que esta marcado em vermelho é a carga do Madson, vai chegar no dia 27 de Dezembro.

— Nós desviaremos a carga, sequestramos o responsável dela e fazer com que ela não chegue ao Madson, fazendo ele ficar puto e ir atrás da gente.

— Exato, assim que ele nos encontrar, deixaremos tudo gravado e faremos ele assumir o contrabando. – Peguei um cigarro na minha jaqueta e coloquei na boca, Alexis me olhou e eu ri. – Qual é? Eu adotei a medido do Augustus Walter, coloco o que me mata na boca, mas não dou poder pra ela me matar. E esse era o cigarro preferido do meu tio, ele me ensinou a fazer.

— Você não aprende Thomas, deixa sua namorada ver isso ela te mata. – Eu ri e continuei com o cigarro na mão. – Só que ai o Madson vai te acusar de também estar no contrabando e alguns outros crimes.

— E é ai que eu rezo pra ter sorte no tribunal, peixinho. – Guardei o cigarro, suspirei. – Vou apresentar as provas que eu tenho pra me inocentar, pra tentar convencer o Júri, mas o promotor vai pegar pesado, vou ver se tudo vai dar certo...

Ficamos discutindo mais alguns detalhes do plano e algumas possíveis falhas deles, quando demos por si já havia se passado uma hora então resolvi ver a Morg, talvez ela já estivesse acordada, me despedi do Alexis que entrou no quarto dele, girei a maçaneta e a vi acordada, sentada na poltrona, come meu cader... Pera ela estava lendo minha poesia? Merda!

— Não sabia que escrevia tão bem Smith. – Ela sorria em quanto folheava o caderno e pela primeira vez no meu tempo de namoro com ela eu fiquei vermelho pra caralho, de até esquecer de respirar. – Thomas vermelho eu não acredito no que vejo!

— Morgana!! – Corri pra tentar pegar o caderno dela, mas ela era mais ágil e atravessou na cama. – Me devolve isso agora!

— Tom não sabia que você era tão poético! – Cruzei os braços e a ouvi gargalhar, me joguei na cama e suspirei de olho fechados, senti o corpo dela em cima de mim. – Eu vi que você tinha um poema pra mim... Mas queria que você lesse.

Eu abri os olhos e vi um brilho no olhar dela, aquilo fez qualquer tipo de negação do meu corpo ser esquecida, peguei o caderno da mão dela e me sentei com ela no meu colo, um sorriso brincava nos lábios dela e podia sentir a expectativa que ela tinha ao me ouvir citar o poema, respirei fundo e comecei.

Anjos das Trevas

Anjos na calada da noite e estou no meio deles.

Nem todo o anjo é bom, mas alguns podem ser curados por eles.

Comigo não foi diferente, eu era um anjo perdido.

Eu por minha vez caminhava só, até que ela cruzou meu caminho.

Anjos do anoitecer e olho a Lua pela janela.

Me recusei a me apaixonar, mas era impossível recusar os olhos dela.

Eu sou um anjo das trevas, que dentro tem um demônio.

Esse anjo que é ela, talvez só terei nos meus sonhos.

Anjos da meia noite fugindo ao sol nascer.

Não fugi mais da luz, eu queria a proteger.

Sou um anjo vingador e é da noite que permaneço.

Serei o pecado dela, talvez arderemos em meio ao desejo.

Anjos das trevas se entregando ao sol se por.

Talvez eu vá para o inferno, mas pra ela darei meu amor.

Agora olho nos olhos dela e uma promessa no alento eu manterei.

Quero que saiba Morgana Curts, que para sempre te amarei.

Não tive coragem de levantar o olhar, apenas fechei o caderno e de repente as espirais deles começaram a ficar mais interessantes, cada detalhe do relevo que tinha no caderno, onde eu passeava os dedos tateando a textura, não sei quanto tempo foi, mas pareceu uma eternidade.

Senti os dedos dela passear nos meus cabelos, arrepiei com o toque a outra mão dela pousou no meu peito e subiu pro queixo levantando meu rosto, fui obrigado de uma forma sutil a olhar pra ela, eu ainda estava um pouco envergonhado, nunca tinha recitado um poema ou poesia apesar de escrever, nem a Morg sabia que eu escrevia, era um Hobby secreto.

Eu não consegui decifrar a forma que ela me olhava, os olhos dela brilhavam e não consegui distinguir o porquê, ela segurou meu rosto e me beijou, foi de uma forma diferente de todas as outras vezes que nos beijamos e não sabia definir, pra mim, aquele sentimento era novo. Que beijo foi aquele? Era como se... Selasse a eternidade.

—-x—

Depois de Thomas ler o poema pra mim, eu não sabia exatamente o que fazer. Nunca fui ligada a poesia, mas as dele eram incríveis. Consegui capitar cada sentimento dele naquelas palavras distribuídas pelo papel, não acreditava que ele me escondera isso, apesar de saber que ele não gostava de demonstrar o que sentia e por isso me senti uma mãe bisbilhotando o diário ultra secreto do filho.

A poesia que ele lera para mim me deu um "bang". Thomas conseguiu demonstrar melhor do que eu seus sentimentos por mim e na hora estava com mil sentimentos que não conseguia os organizar e quem dera falar! Foi então que eu deixei meu corpo falar por mim.

Eu até poderia dizer "eu te amo mais que tudo" ou qualquer coisa do tipo, mas "amar" parecia nada diante do que sentia pelo Thomas. Era algo que doía no peito de tão enorme e... Bem, vocês devem ter entendido. Ficamos com nossas testas encostadas e de olhos fechados, eu sabia que ele sorria e eu também.

Uma certa vez eu e o Alexis havíamos feito um pacto de sangue: ficarmos unidos, protegendo um ao outro não importa o que acontecesse. Foi algo infantil, eu sei, mas ali diante de Thomas, no nosso silêncio costumeiro eu prometi, jurei por todas as coisas mais sagradas que eu o amaria por toda a minha vida e até depois dela.

—Morg... — Ele sussurrou perto dos meus lábios e abri meus olhos.

—Hum?

— Seu celular está vibrando. — Rimos juntos. Eu poderia ignorar, mas nunca se sabe o que pode ser.

Me inclinei para o lado e peguei o celular embaixo do travesseiro. Thomas fazia carinho na minha cintura e eu sentia como se fossem pequenos choques, adorava isso.

—É uma mensagem da Mands, ela diz que eu preciso ir à universidade acertar algo. — Franzi o cenho. Não me lembrava de eles terem falado algo do tipo, mas como era a Amanda falando... — Hm... E ah! Os caras da produtora ligaram. Querem a resposta e fazer logo o contrato. — Sorrimos e trocamos um selinho, nossa conversa ficaria para outra hora.

Eu e a Mands estávamos em uma cafeteria na frente da universidade, eu tomava um café junto com pão de queijo (meu favorito). Pelo silêncio e a inquietação da Mands eu tinha certeza que eu não precisava acertar nada. -Algo me diz que você mentiu sobre eu ter que fazer acertos na faculdade. — Sorri de canto e ela levantou o olhar com um suspiro.

— Quando você passa no vestibular automaticamente já está inclusa na universidade- "Eu devia saber!"- É sobre o Thomas...

Eu travei e larguei a xícara na mesinha e a encarei.

— O que...

— Calma, ainda não aconteceu nada. — "AINDA?"— Você sabe que ele e o Alexis estão planejando contra o Madson e o Owen não é? — Confirmei com a cabeça e já a olhava preocupada, não gostava muito da ideia, mas não tínhamos muita escolha. A Gabriela não merecia isso e muito menos o Thomas. — Se eles conseguirem e o Madson ir pra justiça certamente vão acusar Thomas e...

—Ele não vai ter provas para se defender, ainda mais que ele está sobre a supervisão deles. — Suspirei e cruzei os dedos apoiando o queixo sobre eles. Eu precisava pensar... Não podia deixar Thomas voltar para a cadeia sem ter feito nada. -Temos muitas testemunhas a nosso favor. Não é só o Madson que supervisiona o Thomas. Tem o diretor, o sargento, o Sr. Thomps e até a Gabriela.

—O problema é que nenhum tem prova concreta que o Madson batia no Thomas mesmo sem ele ter feito nada. — Amanda concluiu meu pensamento e eu fechei os olhos suspirando.

—Precisamos de uma testemunha que tenha visto Thomas apanhar ou algo do tipo... Se bem que o Tom nunca falou porque foi parar na escola aquele dia.

— Morg... Você tem que perguntar pra ele, pergunta como foi e qualquer coisa já vale de pista. — Ela me olhou esperançosa.

— Está bem, eu farei. – Suspirei, rezando pra que desse certo.

Notas finais
Oi gente, postei cap hoje.... AWEEEEEEEEEEE A fic ta começando a ter mais acessos, parece que tem atualmente 23 pessoas acompanhando... to happy *-* então divulguem a fic ajude mais aeee... ME FAÇAM FELIZ!! E o poeminha do Anjo das Trevas, realmente fui eu que fiz então eu quero saber se gostaram, me contem!!! POR FAVOR Ç.Ç