My Avenger Angel
7 Crossing lines again
Notas iniciais
Eu não conseguia colocar a cabeça em ordem, apanhava, ficava na sarjeta ia pra casa do Alexis, se eu tivesse a sorte ia pro hospital do bairro vizinho. Só que dessa vez foi um pouco diferente, Morgana Curts foi a pessoa que me tirou da sarjeta e não o Alexis como de costume.
Há tempos não me sentia acolhido em um lugar, não sabia o que era isso há três anos, mas também não quis me importar mais, então em uma bela manhã, sou amparado, confortado e recebo carinho ao invés de um soco. Algumas mudanças não são ruins assim, me senti na obrigação de agradece-la.
Estava sentado no balcão da Peterson, ela perguntou o que aconteceu e eu disse que foi um acidente, mas que estava tudo bem, não tomei café já tinha comido, apenas tinha vindo pegar a chave que o Alexis deixou.
Fui até minha moto e pilotei em direção a mini fazenda do Alexis, não demorei pra chegar, meu corpo todo doía, mas apesar de sentir as porradas recebidas, ainda podia sentir os lábios da novata no meu rosto, não pude evitar de sorrir de canto, caminhei até a casa da Família Ambrósio e entrei, Alexis já estava me esperando na sala, ele não falava nada já me tinha visto daquele jeito, ele só me mandou pro chuveiro e pegou a chave do carro do pai.
Não iriamos a escola hoje, a sorte é que somos menores de idades emancipados então ir ao médico sem acompanhante não daria problemas, dobrei a camisa que a Curts me deu e guardei no fundo da mochila, achei que deveria ser do senhor que vi nas fotos.
Coloquei uma roupa do Alexis, joguei minha mochila nas costas e entramos no carro do Pai dele. Em quanto minha família era de fuzileiros a do Alexis tinha gerações na marinha e não era diferente com o pai, eram só os dois, a mãe dele tinha morrido quando ele era pequeno.
Ficamos em silêncio até a ida ao hospital, eu dei entrada no pronto socorro e começou o questionário.
– Garoto você está todo machucado, tem certeza que foi um acidente? — O Médico me olhava indagando se o que eu dizia era verdade, Alexis se mantinha impassível e eu o mesmo.
– Sim Doutor, eu tava indo pro Trabalho as pressas porque já estava atrasado e sofri um acidente. — Não ousei dizer mais nenhuma palavra, olhei em volta e prendi a respiração, olhei pro Alexis que seguiu meu olhar.
– As costelas ficam boas em duas semanas, o hematoma vou te dar uma pomada e analgésico você vai estar novo em folha logo.
Comecei a suar frio, o Oficial Madson estava cuidando de uma ocorrência logo ali na frente, Alexis rapidamente fechou a cortina, assim que pegamos os remédios saímos em disparada pelos fundos do hospital, olhei no relógio, já era quase hora do almoço, não dariam falta de mim. Menos Quíron e logo eu e o Alexis faltando juntos, pra ele era suspeito, era melhor ir pra aula de especialização. Peguei meu atestado com uma enfermeira que correu até a gente e saímos o mais rápido que podíamos sem chamar atenção.
Não demorou e eu cheguei à escola, tentei disfarçar o máximo possível minha condição, mas tinha uma pessoa que sabia e era a Morgana Curts e para a minha maior surpresa, ela parecia estar me esperando, no estacionamento. Olhei pelo retrovisor ela parada na caminhonete velha dela. Segurei o riso, não daria uma semana pra alguma coisa quebrar.
Sai do carro e vi ela se virar na minha direção, Alexis saiu logo depois e pude ver um pouco de surpresa na feição dela, eu fiquei parado, o Ambrósio foi até ela, os dois sorriam um pouco, ele a beijou no rosto e deram um abraço, por um momento senti um incomodo com a cena, não fazia a mínima ideia de qual era minha expressão, mas pude perceber que a Morgana olhou pra mim no exato momento então tratei logo de afastar aquele sentimento, eu não tinha nada a ver com aquilo ali.
O Ambrósio deu tchau e correu pra dentro da escola, eu simplesmente continuei ali parado, olhando pra ela, então veio a cena do sofá na cabeça, franzi o cenho e desviei o olhar, fiquei muito tempo apoiado na minha perna, respirei fundo e senti minhas costelas trincadas, coloquei a mão por cima delas e apoiei no carro. Pude ouvir a corrida dela na minha direção, acho que acabei a preocupando.
– Onde você esteve Thomas? — Ela evitou encostar em mim e agradeci por isso. – Você e o Alexis não vieram.
– Eu fui ao hospital conseguir um atestado e medicamento. – Me recompus, ajeitei de uma forma e a dor não fosse tão maçante e tive sucesso, caminhei pra dentro da escola.
– Você não vai mesmo denunciar quem te bateu? – Senti meu corpo arrepiar e tive a visão do Owen e a ligação do Oficial Madson na cabeça, meu tom foi sombrio.
– Quem disse que eu apanhei? – Apertei a alça da minha mochila. – Foi só um... Acidente. – Trinquei meus dentes, lembrei da arma de choque do Owen e comecei a tremer, a raiva subiu. – Não se mete.
Não esperei a resposta dela, sabia que iria protestar o que eu disse, juntei toda estamina e adrenalina que eu tinha no corpo e comecei a correr, a raiva não passava, ainda tinha tempo até a aula de especialização começar. A dor na perna era muito forte, mas agradeci era aquilo que estava fazendo a raiva se manter. Parei ofegante na frente da sala 103. Arfei, minhas costelas não deixavam inspirar o ar necessário pra recuperar o folego, apoiei minhas costas na parede e podia ouvir os passos da Morgana pelo corredor.
Com os passos dela me deu um estalo e lembrei da camisa polo que ela me deu, rapidamente, me agachei abri minha mala e fui pegar a camisa com cuidado, sabia que era importante pra ela, assim que ela virou no corredor e me avistou, eu arrumei minha postura e esperei ela se aproximar, assim que ela fez eu estendi minha mão com a camiseta dobrada.
– Obrigado pela camiseta. – Ela pegou e abraçou. – Eu só não lavo porque... Estragaria a camisa.
– Obrigado Thomas. – Ela deu um sorriso de canto e senti meu coração vacilar, segurei minha bolsa e entrei na sala. – Precisa de alguma coisa?
Não queria parecer rude, lembrei das palavras do Alexis e por ela ter me confortado, então apenas neguei com a cabeça e sentei no meu lugar, coloquei a mão no bolso e peguei meu celular, meus fones de ouvido tinham ficado em algum lugar que eu não me lembrava, como só tinha eu e a garota na sala, deixei no alto falante no mínimo, mas de uma forma que nós dois iriamos escutar. E parece que ela gostava do que ouvia. Era a música perfeita pra alguém da Dark School... Eu sorri e a guitarra começou a tocar, inconfundível... Welcome to the Jungle!
–-x--
Thomas havia me devolvido a camisa do meu avô e eu estava contente por isso. Era a camisa da sorte dele e não queria que ficasse em outras mãos. E lá estávamos nós escutando Welcome to the jungle do Guns. Eu tentava me segurar pra não bater o pé conforme a música, mas era impossível!
Comecei a cantar em voz alta, só Thomas estava na sala e fechei os olhos pra não ver a cara dele de "Você é maluca?" estava na parte do refrão e ai que eu me empolguei de mais.
– In the jungle welcome to the Jungle watch it bring it to your knees, knees . I wanna watch you bleed
Peguei o estojo e fiz como microfone. Foi então que algo inesperado aconteceu: Thomas começou cantar comigo, e alto.
– Welcome to the jungle, We take it day by day If you want it you're gonna bleed, but it's the price you pay. And you a very sexy girl — Ele me olhou nesse último verso e talvez eu tenha ficado corada. Eu disse talvez! Ri vendo ele cantar e continuamos juntos a outra parte.
– That's very hard to please. You can taste the bright lights, but you won't get them for free… In the jungle welcome to the jungle; Feel my, my, my, my serpentine I, I wanna hear you scream!
Eu estava me divertindo como há tempos não me divertia e então o sinal tocou. Thomas desligou a música e voltou a sua pose de badboy assassino e meu caderno virou interessante de uma hora pra outra. Acho que alguns alunos ouviram nosso pequeno show de rock e isso constrangia Thomas, dava para ver isso na sua cara de poker face.
Troquei um breve aceno com o Alexis e o resto do tempo se passou rápido. Quiron passou recomendações para efetuarmos o trabalho e já marcou as apresentações. Se meu trabalho ganhasse um A+ junto com as outras boas notas conseguiria ao menos concorrer para uma bolsa. Nos últimos minutos da aula Quiron deixou nós falarmos com nossas duplas para nos organizarmos.
–Ahn... — Me virei pro Thomas e joguei a cabeça pra trás para amarrar o cabelo. New Iberia era um lugar muito quente.- Você tem compromisso sábado?
–Não... — Ele franziu o cenho e acho que minha pergunta soou como um convite para um encontro. Provavelmente eu fiquei vermelha, por que: A- Eu nunca fui a um encontro. B- Era das antigas e sempre achei que o garoto deve convidar a garota, certo? Por ultimo! C- Eu não queria dar essa impressão porque eu nem ao menos pensei nisso!
– A biblioteca da escola fica aberta no sábado das 8h até 11h45. — Falei rapidamente para que minha coloração voltasse ao normal- Vou te esperar dentro da biblioteca as 8h30 e é melhor não se atrasar, tenho problemas com a pontualidade — Sorri de canto e comecei a guardar meus materiais.
Thomas não falou nada e eu esperava que ele não furasse. Realmente eu estava cansada de fazer trabalhos grandes sozinha. O sinal tocou e dei um breve aceno de cabeça para o Thomas que nem se levantou.
Dei de ombros e fui até o estacionamento um pouco apressada, vovó tinha contratado uma mulher para ajudar ela na casa já que eu vivia fora dele e queria ter certeza que a tal mulher era de confiança. Antes de chegar ao estacionamento Alexis me chamou e me deu um abraço.
–Ei Morg, como está? -Ele colocou o braço ao redor dos meus ombros me acompanhando até a minha caminhonete.
–Bem e você? -Sorri de volta e joguei minha mochila pra dentro da caminhonete.
–Ótimo — Ele sorriu de canto e apoio o peso em uma perna- Queria pedir um conselho. — Ele olhava para os pés, parecia encabulado.
–Claro, o que seria?
–Er...é que...ahn...eu — Ele respirou fundo- Como chamo a garota mais incrível, orgulhosa e difícil da escola pra sair?
Eu comecei a rir e vi ele revirar os olhos. Eu havia percebido os olhares que Alexis lançava toda a vez que uma garota de cabelo moreno puxado pro loiro passava pelos corredores ou qualquer coisa do tipo. Tinha certeza que ele entrou no grupo de debate por causa da famosa Amanda.
Ela não era popular por ser da torcida do time ou qualquer coisa do tipo, mas sim por ser a garota mais inteligente e difícil de conquistar. De certa forma me senti feliz por Alexis me pedir um conselho desses, o intuito de ajudar era do DNA, já falei isso?
– Faça algo surpreendente, mas não exagerado e ah... Pare de andar com aquelas líderes de torcida. Ela vai continuar achando que você é um galinha, apesar de ser.
–Ei! — Ele protestou e eu ri encolhendo o ombro. A verdade saia de mim sem querer, eu tinha culpa?- Você podia dizer o que eu poderia fazer?
–Não, ela vai amar ainda mais se souber que a ideia foi sua — Sorri e beijei o rosto dele. — Você consegue garotão.
–Valeu Morg! — Ele sorriu e correu até a moto dele.
Liguei a caminhonete que estava com um ronco esquisito e estranhei por ela não estar assim hoje de manhã. Suspirei encarando os fatos, a qualquer dia eu teria que enterrar a Bessie (sim, meu avô dera um nome para caminhonete).Dirigi devagar para não forçar o motor e nem liguei o rádio por medo de ficar a pé.
Obvio que a pessoa mais azarada do mundo não teria tanta sorte eu havia passado uns 5 km do bar e faltava um bocado para chegar em casa e então Bessie encalhou. Bati no volante com raiva e soltei um bocado de palavrões, minha vontade era de espernear e chorar com o tamanho da minha raiva.
Desci da caminhonete e abri o capo com dificuldade já que eu era baixinha. Saiu fumaça até não querer mais e BUM! Minha blusa branca ficou melada de óleo. Soltei um palavrão tão alto que eu podia jurar que quem estava no bar teria escutado.
Meu avô me ensinou muitas coisas, menos arrumar um carro. Me apoiei na porta da caminhonete e peguei meu celular do bolso, sem sinal. Olhei pro céu ressabiado só pra ter certeza que não havia uma nuvem para eu ter ainda mais “sorte”. Comecei a pensar nas alternativas para conseguir chegar em casa, todas descartadas na hora.
Minha única esperança era que alguém naquela estrada deserta passasse por lá. E então os ventos começaram a soprar ao meu favor e eu pude ouvir uma moto cada vez mais perto. Tentei olhar ao longe e nunca me senti tão aliviada e agradecida por ver uma Harley Davidson 500.
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