Notas iniciais
"Quando você ganha o que quer, mas não o que precisa." - Coldplay

Estamos perto do fim de ano, as estações frias e é na época que eu tenho meus maiores pesadelos, estava dormindo com a Morg no quarto de motel, ela dormia abraçada comigo e eu tinha acordado ofegante e suava frio, não queria acorda-la então eu levantei e deixei-a dormindo, fui até uma pequena sacada que tinha no quarto e fiquei olhando a estrada.

– Eu queria você aqui mãe... Queria você no natal. — Fechei os olhos e inalei aquele ar gelado e as lembranças dela vieram. — Ano Novo em New York.

–Tom? Esta tudo bem?- Ela entrou na sacada, eu me assustei, mas logo sorri.

– Está sim amor... — Me apoiei no parapeito e olhei pra ela. — Pensei que estava dormindo.

– Talvez só um cochilo e você não tava na cama. — Ela sentou no parapeito e ficou me analisando, odiava ser tão transparente pra ela, sabia ler meu olhar. — Está mesmo Thomas?

– É só... — Mordi o lábio e as lembranças vieram átona de novo. — Tá chegando o frio, a cidade vai ficar iluminada... E tem o natal. — Ela me puxou pra frente dela e acariciou meus cabelos.

– É a sua mãe, não é? — A sentia entrar na minha alma me olhando daquele jeito. — Nunca mais teve um natal depois daquele dia? — Eu confirmei a pergunta dela.

– Eu e o vovô ficamos em casa, visitamos ela no cemitério... E mais nada. — Ela parou de fazer o carinho e comprimiu os lábios.

– Vou fazer um natal pra vocês dois, se quiserem claro. — Ela sorriu de canto e eu a fiquei olhando nos olhos, foi então que ela me abraçou. — Prometo que vão gostar, quero te ajudar a perder esse trauma. Deixa?

– Não é isso amor... É que — Eu me afastei um pouco dela e coloquei a mão no meu bolso. — Você parece a minha mãe... — Eu peguei a foto que tinha guardado dos meus pais e mostrei pra ela. — São meus pais...

– No... nossa — Ela riu olhando a foto — Sinto que estou praticando incesto depois dessa. — Eu bufei e ri logo depois.

– Tirando os olhos... Eu sou a copia do meu pai. — Me encaixei entre as pernas dela e fiquei acariciando a sua cintura, inalei o ar gelado de novo. — Você deve ser o anjo perdido, aquele que faz todos os fios da minha vida se unirem novamente. — Ela sorriu de canto e acariciou meu cabelo.

– Você é a minha paz Tom, meu Anjo Vingador. — Ela se aproximou mais e então nossos lábios se uniram e estávamos ali se beijando como se o mundo não existisse, por que ele realmente não existia.

– E seu tutor oficial até os 21 anos. — Eu segurei a risada e olhei pra ela. — Acho que você não sabia dessa parte. — Ela fez cara de emburrada e eu a beijei.

– Não é até os 18 anos não? — A peguei no colo e voltei pra cama com ela.

– No dia que eu arrumei a Bessie e também quando te beijei e a sua avó viu. — Acariciei o rosto dela e coloquei uma mexa de cabelo atrás da orelha, ela sorriu com o toque. — Ela deixou um testamento atualizado no caso de você não ter a maioridade.

– Como ela poderia saber que a gente iria dar certo? Minha Vó me assusta ás vezes... — Ela firmou as pernas na minha cintura e me abraçou pelo pescoço, e também me perguntei como ela saberia.

– Tem coisas na vida que a gente só sabe sem motivo aparente. — Coloquei meu corpo no dela, podia sentir a sua respiração, nossos rostos bem próximos e falei roçando meus lábios no dela. — Tipo eu... Que vou me casar, ter filhos e te amar pro resto da vida... — Mordi o lábio dela. — E até depois disso

– Certeza absoluta? — Ela também falava roçando nos meus lábios, arranhou minha nuca causando arrepios e me beijou rápido esperando uma resposta.

– Toda certeza, assim como tudo nasce pra morrer... -Olhei fixamente pra ela. — Eu nasci pra você, Morgana Curts. — Dei um selinho demorado e ela sorriu, tive certeza de que aproveitaria cada segundo da minha vida com ela.

– Eu te amo Thomas Smith.

Passamos a noite conversando e namorando naquele quarto de motel, levantamos de manhã tomamos um café na padaria ao lado e voltamos a pegar a estrada, tinha umas 5h de viagem, ficamos escutando rádio e cantando, sei que ela estava melhor, mas também sei que isso tem altos e baixos.

Entramos no bairro de New Iberia e sei que as memórias da vó dela viriam, assim como as da minha mãe vem naquele local é inevitável não sentir aquele luto no coração, voltei a segurar a mão dela.

– Você nunca vai estar sozinha, amor.

– Com você eu sei que não.

Peguei a estrada pela parte de trás, não queria passar na frente da casa dela e estavam todos esperando a gente na Peterson, por isso peguei uma rota um pouco longa, peguei meu celular e disquei um numero.

– Oi... É bom que esteja tudo pronto. — Ouvi o barulho do outro lado. — Já entendi estou ai em alguns minutos.

– Falando com quem? — Senti o olhar dela em mim.

– Com o Alexis. — Desliguei a rádio e logo avistei o bar. — Finalmente chegamos!

Desci do carro e ela me acompanhou, abracei-a pelo ombro e entramos no bar e como planejado, estavam nossos amigos de festa lá, todos comemorando a volta da minha novata, Alexis e Amanda foram os primeiros a cumprimenta-la com um abraço apertado.

– Bem Vinda de volta Amoi! — Ele beijou o rosto dela e estava sorridente. — Festa toda sua!

– Isso ai Morg, preparamos uma recepção pra você! — Amanda a puxou em meio ao bar e fiquei com Alexis no balcão em quanto todos falavam com ela.

– E ai Tom, preparado pro show? — Ele bebia uma Ice e eu o acompanhei. — O Pavilhão do Rock chamou a gente pra festa do Ano Novo e você ta bombando com aquele vídeo na internet.

– Como assim? — Eu virei pra ele.

– Sua batalha contra o Derek e o seu show com a Amoi. — Ele sorriu. — Seremos uma futura banda de sucesso assim.

Estava tudo ocorrendo legal, até que eu subi no palco e tomei o microfone, nunca pensei que me abriria abertamente assim pra falar desse assunto, Alexis e Amanda também subiram e a Morg subiu e ficou do meu lado, eu sussurrei pra ela.

– Acompanha se souber, acho que tem gente que merece ouvir essa canção lá em cima. — Eu beijei o rosto dela.

– Tudo bem amor... — Eu peguei o microfone e todos ficaram em silêncio.

– Apesar de estarmos comemorando a volta da Morg, o objetivo de reunir vocês era prestar uma homenagem pra Atena Curts... — Senti a tensão da Morg. — E também pra minha mãe... — Foi então que ela virou pra mim, estava surpresa já que não era de tocar nesse assunto. — Acho que a maioria de vocês conheceu minha mãe e consequentemente me conhecem... Então. — Respirei fundo. — Essa canção é pra todos nós... — Virei pro Alexis e sabia que ele lembrava da Helena, sua mãe. Comecei a tocar e logo eles me acompanharam.

This is for my peoples who just lost somebody
Your best friend, your baby, your man, or your lady
Put you hand way up high
You will never say bye
(No no no)
Momma's, daddy's, sister's, brother's
Friends, and cousins
This is for my people's who lost their
Grandmothers
Lift your head up to the sky
'Cause we will never say bye


Eu comecei cantando e tocava o violão junto com o Alexis, era mais uma versão acústica, foi então que a Morg tomou a voz e começou a cantar, ela também precisava dizer um adeus.

As a child, there were them times
I didn't get it, but you kept me inline
I didn't know
Why you didn't show up sometimes
On sunday mornings
And I missed you, but what we talked through
All them grown folk things, separation brings
You never let me know it, you never let it show
Because you loved me
And so much more then to say
If you were with me today
Face to face

Foi então a vez do Alexis tomar a voz, e todos ali no bar sentiam o momento. Eu jurava que podia ver minha mãe e meu Tio Johnny ali na plateia, quem sabe até meu pai que nunca vi e me perguntava se Morg sentia seus avós e Alexis sua mãe, foi então que eu percebi que sim.

I never knew I can hurt like this
And everyday life goes on like
I wish I can talk to you for a while
Wish you but try not to cry
As time goes bye
And I'm sure you reached a better place
And still I'd give
The world to see your face
Me right here, next to you
But it's like your gone too soon
Now the hardest thing to do is say
Bye, bye-bye

Então todos os quatros começaram a cantar juntos e o pessoal do bar também acompanhava o show, pra nossa surpresa, assim como faziam em shows alguns levantaram os isqueiros acesos outros o celular, já estava anoitecendo lá fora o que tornou as coisas melhores, então eu fechei os olhos imaginando aqueles três.

Bye-bye
Bye-bye bye-bye bye-bye
Bye-bye bye-bye bye-bye
Bye-bye bye-bye bye-bye

And you never got a chance to see
How good I've done
And you never got to see me
Back at number one
I wish that you was here to celebrate together
I wish that we can spend the holidays together
I remember when you use to tuck me in at night
Or the teddy bear you give me I held so tight
I thought you were so strong,
You make it through whatever
Its so hard to accept the fact you gone forever


Por um momento eu senti minha mãe de volta, meu Tio rindo e meu pai pela primeira vez ali.

This is for my peoples who just lost somebody
Your best friend, your baby, your man, or your lady
Put you hand way up high
You will never say bye
(No no no)
Momma's, daddy's, sister's, brother's
Friends, and cousins
This is for my people's who lost their grandmothers
Lift your head up to the sky
'Cause we will never say bye


Todos aplaudiram nosso canto, eu não podia dizer que estava feliz, mas que me sentia confortado, olhei pros meus amigos e senti que eles também estavam assim, não felizes, mas confortados.

–-x--

Eu estava me acostumando muito bem na casa do Sr Thomps e do Tom. E dormir com ele todos os dias era muito, muito bom (não, a gente não fazia a patrulha noturna). Apesar de a maioria do tempo eu estar estudando para as provas finais e o vestibular de psicologia, me tornei a "dona de casa".

Eu gostava de cozinhar, lavar roupa e... Mentira, não era a melhor coisa, mas como fui prendada quando morava com meus avós e morar na mesma casa de um ex-fuzileiro do exército não podia ficar de pernas pro ar ,e nem conseguiria. Ao menos dessa forma eu poderia agradecer por eles terem me acolhido, e convenhamos já treinava para quando iria me casar. Pode ser precipitado, mas e dai? Sonhar não arranca pedaço.

Quanto à herança dos meus avós... Uau. Eu me surpreendi com a quantia, muito alta. O exército ainda pagava a aposentadoria do meu avô e depositava no banco. Vovó nunca me contara, provavelmente estava segurando o dinheiro para faculdade. Os bolos da minha vó tinha uma quantia boa e não pude deixar de sorrir pelo o que ela fez por mim.

A casa não valia nada e por mais que doesse eu tive que vender o terreno (o que era mais dinheiro pra faculdade ) e a casa tinha que ser destruída. Alguns móveis nós deixamos no porão do Sr. Thomps e outros foram vendidos para uma loja de móveis usados.

Somando tudo eu só teria que passar no vestibular e a faculdade seria paga sem dificuldades. Ah eu teria que arrumar um emprego para me sustentar também já que não tem nenhuma faculdade por perto e não podia ficar tanto tempo com o Sr. Thomps e Thomas me sustentando.

A formatura da escola ia ser no final de semana e eu e o Tom não havíamos nem comprado a roupa.

– Então... Eu não preciso ir de salto?- Olhei pro Tom que ria dirigindo a Bessie.

–Não amor, vai como se sentir bem. — Eu sorri e beijei o rosto dele.

–E pelo que eu sei você não vai de terno não é? — Arquei as sobrancelhas.

–Porque acha que não? — Ele me olhou de canto e eu cruzei os braços o encarando.

–Você ficaria lindo de terno, amor, mas porque não consigo levar a sério isso? — Comecei a rir e ele revirou os olhos.

–Tudo bem, eu não vou de terno exatamente...

–Bingo! — Eu ri junto com ele e por incrível que pareça começou a tocar Monster no rádio do meu avô. Nem preciso dizer que cantamos alto e desafinado.

Não demorei muito pra escolher meu vestido, um tomara que caia preto com laço branco na cintura e rodado. Ficaria perfeito com meu all star e Tom parecia ter gostado. Não mostrei como ficaria em mim pra ele ficar curioso, sou má mesmo. Quando estávamos saindo da loja Madson nos barrou com "sutileza".

–Preciso falar com vocês!

–Madson olha... — Respirei fundo pra não arrancar ela da porta e sair dali.

–É sério. — Ela olhou pros lados e cochichou. — Sei como prender o Owen e... E... Meu pai. — Eu e Tom nos entre olhamos, nunca sabíamos o que esperar da Madson e depois tudo o que ela aprontara...

–Está grampeada? — Tom falou irritado e ela sacudiu a cabeça negativamente.

–Eu até poderia te mostrar, mas sei que sua namorada não ia gostar. — Ela cruzou os braços e admito que aquilo me surpreendeu.

–Se importa de eu te revistar?- Queria ter certeza que aquela garota era mesmo a Madson. Ela bufou e revirou os olhos.

– Só assim vocês vão me escutar? — Balançamos a cabeça afirmando e ela me puxou de volta pra loja indo até o provador.

–Madson por que... — Ela começou a tirar a roupa e ficou de lingerie na minha frente. Limpa... Ou quase. Ela estava cheia de hematomas e por mais que a curiosidade estivesse gritando não perguntei nada.

–Tudo bem, a gente vai te ouvir. — Eu pensava que era alguma besteira, mas percebi logo que não, algo muito grave teria acontecido para Madson estar querendo nos ajudar.

Notas finais
O que acham de capitulo duplo no Domingo???? SE TIVER COMENTÁRIO NESSE CAP EU POSTO OUTRO AINDA HOJE!!