My Angelus
11 Agente da S.H.I.E.L.D
Notas iniciais
─ Liza! ─ escutei Sam me chamando. Sai da cama relutante e fui em direção a sala, ainda descalça. Parei ao pé da escada e o olhei com cara de tedio, já sabia o que ele iria dizer.
─ Eu e Dean estamos saindo, Bobby está no quarto, qualquer coisa você chama ele ok? ─ falou ele enquanto carregava uma pistola.
─ Certo, cuidado. ─ falei enquanto voltava a subir as escadas e ir para meu quarto.
Um mês ... Já havia um mês que eu estava com os garotos, nada de interessante havia acontecido neste tempo, eu e Dean nos afastamos um pouco, eu queria estar perto dele mas tinha medo. Já eu e Sam nos aproximamos muito, mas agora eles não tinham tempo para mim, ficavam o tempo todo caçando demônios, atrás de informações sobre mim.
Eles não conseguiram pegar nenhum demônio, claro, a notícia de que os Winchester estavam caçando demônios para terem uma conversinha havia feito todos eles num raio de 300km desaparecerem, e eles eram protetores de mais para me deixarem ajudar.
Eu ainda tinha pesadelos as vezes, acho que era normal para alguém que tem prêmio pela cabeça, e tem o inferno e criaturas sobrenaturais, como velhas corcundas, te caçando. Com o tempo a ideia ia parecendo se acomodar em minha mente, ainda sim, era horrível não saber quando seria o próximo ataque ou sei lá.
Cansada de vegetar na cama, resolvi vagar pela casa, algo que estava virando rotina. Havia saído do meu quarto e estava passando na porta do quarto de Dean quando notei que ela estava meia entreaberta. Institivamente olhei para o corredor para ver se Bobby estava por perto. Que coisa feia, eu ia entrar no quarto de alguém sem nem ao menos perguntar? Ia.
Num impulso eu já estava dentro do quarto do loiro e observava tudo. Eu diria que ele era até organizado, tirando umas roupas jogadas em cima da cama e um fone de ouvido estava tudo certinho. Meu olhar foi preso por uma bolsa que estava no chão, no lado contrário ao da cama, me aproximei e agachei ao lado da mesma. Quando puxei o fecho me deparei com inúmeras armas ali dentro, peguei uma arma grande que estava por baixo, eu não entendia muito de armas, mas era louca para ter contato com alguma. Quando segurei ela e mirem na parede, um choque percorreu meu corpo, como eu queria atirar.
─ Elizabeth? ─ escutei Bobby me chamar e sai do estado de torpor, guardei a arma rapidamente, arrumei a bolsa e sai afobada do quarto. Quando terminei de descer as escadas me deparei com Bobby olhando desconfiado para mim.
─ Você estava passeando pela casa de novo, não é mesmo?
─ Não, eu estava no meu quarto senhor.─ falei sarcástica . Ou talvez no quarto vizinho ─pensei─.
─ Hum, e os garotos? ─ perguntou ele enquanto ia até a cozinha e eu ia atrás acompanhando.
─ Adivinha. ─ falei com falso entusiasmo.
─ Ah, claro ... ─ disse ele voltando para sala com uma cerveja na mão e se sentando no sofá. ─ Pegue uma para você. ─ falou se referindo a cerveja.
─ Ah, não, valeu. ─ respondi com uma careta, cerveja era tão ruim.
─ Não bebe cerveja mas bebe absinto até passar male ainda por cima fuma ...vai entender. ─ resmungou Bobby.
─ O Dean é um bocudo mesmo, para que compartilhar este tipo de informações ?! ─falei indignada. Me sentei perto de Bobby e ficamos alguns minutos em silencio, eu queria pedir a ele uma coisa, mas já tinha em mente o grande não que iria receber.
─ Diga logo o que quer! ─ falou ele carrancudo. Encarei ele por alguns segundos, estudando as possibilidades dele concordar.
─ Bobby, preciso que me ensine a atirar.
─ O que? De jeito nenhum. ─ falou ele arregalando os olhos.
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─ Desative a trava de segurança e coloque o dedo no vão do gatilho. ─ falou ele se posicionando atrás de mim. ─ Agora, não puxe bruscamente...
Ele começou a me dar as instruções, mas quando assustei já havia disparado com a arma, meu braço foi impulsionado para trás e eu acertei a carcaça do carro velho ao lado do que estávamos utilizando. Senti o olhar severo de Bobby, este era meu 2° tiro e eu não havia nem acertado o carro, muito menos o retrovisor.
─ Posição de tiro. Postura correta. Alinhamento da mira. Disparo. Repita para mim Elizabeth. ─ falou ele andando atrás de mim. Estou no exército?
─ Posição de tiro. Postura correta. Alinhamento da mira. Disparo. ─ falei alto.
─ Agora fale enquanto segue os passos. Corretamente. ─ disse ele elevando o tom de voz.
─ Sim, senhor. ─ respondi sorrindo. Mesmo estando parado atrás de mim pude sentir seu olhar severo e me concentrei.
─ Eu não deveria estar fazendo isso garota, é bom você me impressionar, se não essa será a primeira e última aula.
─ Posição de tiro. ─ falei enquanto levantava a arma─ Postura correta─ abri as pernas na largura dos meus ombros. ─ Alinhamento da mira─ olhei o alvo e deixei a mira um pouco abaixo do mesmo. ─ Disparo. ─ falei, soltei o ar dos pulmões e apertei o gatilho. No alvo. Ok, havia passado de raspão no retrovisor do carro, a meta era quebrar o espelho mas havia trincado, já era um começo.
─ Quase, você leva jeito ─sorri com as palavras dele.─ mas agora imagine que aquele retrovisor é um demônio, você tem uma bala, uma. Não tem o direito de errar. ─ falou ele parando ao meu lado.
Olhei o retrovisor, ele estava significativamente longe, mas ele era o demônio que queria me matar ou me levar para o chefão deles. Repassei mentalmente as 4 etapas do uso de um revolver: Posição de tiro. Postura correta. Alinhamento da mira. Disparo. Disparo... Abaixei a arma e olhei o retrovisor... partido, ao, meio.
─ Ai meu deus, você tá zoando ?! Eu acertei Bobby! ─ falei levantando as mãos ao céu. Com a adrenalina no sangue eu agi por puro impulso, ergui a arma, mirei no retrovisor do carro ao lado e atirei. Fiz isso com os carros ao lado até acabarem as balas.
─ O que foi isso? ─ perguntou Bobby espantado. Segui seu olhar e me deparei com diversos retrovisores quebrados, eu havia matado não somente um demônio, mas sim quatro.
─ O que foi isso? ─ repeti em estado de choque. Eu sou muito foda.
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─ E ai eu arrasei com os retrovisores! ─ falei gesticulando freneticamente.
─ Uhh, o terror dos carros velhos. ─ rebateu Dean indiferente e Sam soltou uma leve risada.
─ Você deveria reconsiderar a minha ajuda, agora que sei atirar. ─ falei seria. A alguns dias eu tentava convencê-los a ajudar com os demônios.
─ Elizabeth, n-ã-o. E você não sabe atirar só porque acertou alguns alvos. ─ falou ele irritado.
─ Claro que sei, eu levo jeito e você tem que admitir. Deean, que droga, sem mim vocês não irão conseguir, os demônios passam longe de vocês, mas não sei se reparou, eles querem meu lindo rostinho. ─ falei dando um sorriso falso.
─ Dean, ela tem razão, nós podemos pegar um demônio até de alto escalão se ela servir de isca. ─ falou Sam fechando o livro velho em suas mãos. Eu afirmei com a cabeça e Dean ficou trocando o olhar de seu irmão para mim.
─ Serio, é isso que vocês querem? Só não se esqueça que da última vez que foi isca, quase teve o rosto arrancado por uma velha. ─ falou cerrando os olhos.
─ Hum, eu confio em vocês para me protegerem dos demônios malvadinhos. ─ falei tentando soar despreocupada, mas na realidade eu estava com medo. Só me ofereci para ajudar, porque não aguento mais ficar no escuro e sem saber qual o interesse desses malditos em mim.
҉ ҉ ҉
─ Está pronta? ─ perguntou Dean me fazendo lembrar do dia em que pegamos a velha corcunda.
─ Sempre... ─ sussurrei próxima ao seu ouvido.
Meu coração batia em ritmo acelerado, caminhei em passos confiantes até a cafeteria. ─ nem tão confiantes assim.
Os Winchester seguiram pistas de um demônio de médio escalão em Canton, e como não ficava tão longe de Sioux Falls nos chegamos rápido. Eu tinha um ponto eletrônico no ouvido, uma coisinha bem maneira que eu consegui com um colega de um colega da faculdade, com apenas algumas ligações ... Bom, precisamos dos nerds as vezes.
─Branco, cerca de 45 anos, cabelos em corte militar, terno barato imitando os de marca. ─ escutei Dean falar em meu ouvido. Ele e Sam estavam em uma viela próxima ao estabelecimento.
─Certo. ─ respondi baixo enquanto entrava no estabelecimento. ─ Uhn, já pode ser estilista, leva jeito pra coisa. ─ falei liberando meu nervosismo e sarcasmo e recebendo um ‘’HáHá’’ como resposta.
O local estava relativamente cheio, a maioria das pessoas pareciam ser classe média alta, a cafeteria não se encontrava em um bom ponto mas era sofisticada, com uma decoração em madeira escura e granito preto, neste caso a decoração é a típica menos é mais. Observei o local com atenção e logo achei o demônio, muito elegante por sinal.
Me sentei em uma mesa redonda com dois lugares, próximo ao homem, que estava sozinho e parecia anotar algumas coisas em uma caderneta. Estava a quase um minuto o encarando fixamente ate que o mesmo, pareceu notar e começou a observar o local, logo nossos olhares se encontraram e não reprimi um expressão de espanto, desviei o olhar mas senti o dele sobre mim.
Me levantei apressada e sai do estabelecimento, não havia dado nem 10 passos quando notei que estava sendo seguida, continuei em passos rápidos virando a rua.
─ Tudo certo. Dois minutos. ─ falei para o ponto eletrônico e recebi um ‘’ Ok’’.
Atravessei a rua pouco movimentada em direção a um beco fétido e deserto. Quando cheguei a meu destino o demônio apareceu a minha frente.
─ Olha só o que temos aqui... O tesouro que o Rei tanto quer. ─ falou dando um sorriso sarcástico. Um passo meu para trás e um dele em minha direção, dois, três passos para trás e ... Ele olhou para baixo e viu a armadilha do diabo desenhada a sua frente e escondida com jornais velhos que se camuflavam com o ambiente sujo.
─ Se acha esperta... ─ disse ele dando um sorriso ameaçador. Quando me assustei o homem estava me puxando pelo pescoço e me jogando contra a parede ao lado. ─ Diga, o que queria indo atrás de mim? Não achou que conseguiria me capturar sozinha... Estou no lugar errado. ─ disse ele se referindo a armadilha ao lado.
─ Na verdade, está exatamente onde eu queria. ─ sussurrei em seu ouvido me aproveitando da proximidade e me desvencilhei de seu aperto saindo de dentro armadilha do diabo desenhada na marquise acima dele. ─ E só para constar, eu não conseguiria capturar você sozinha, por isso trouxe os Winchester.
Os irmãos vinham apressados por trás do demônio e quando chegaram perto imobilizaram o mesmo e colocaram um algema cheia de símbolos estranhos.
─ Esta algema impede que ele use seus poderes. Pode desmanchar para mim? ─ perguntou Sam que segurava o demônio apontando para cima com a cabeça.
Eu não dava altura, nem Dean, só Sam era o gigante. Tirei a pistola semiautomática do cos da calça, destravei a mesma e atirei na armadilha, fazendo alguns pedaços de cimento caírem próximos aos irmãos.
Os dois me olharam espantados mas logo Sam enfiou um pano preto na cabeça do demônio que nos olhava espantado e saiu o arrastando pelo caminho de onde vieram.
─ Que lance foi esse com a arma? ─ perguntou Dean arqueando a sobrancelha.
─ Nada ... Estou me sentindo uma agente da S.H.I.E.L.D com essa calça de couro e empunhando uma pistola. ─ falei guardando a arma no cos da calça.
Dean deu um riso sonoro e depois aproximou de mim passando o braço por cima de meus ombros.
─ Mandou bem hoje. ─ disse ele me puxando mais para perto de si. Caminhamos em silencio pelo beco sujo e fétido em direção ao Impala estacionado mais à frente.
Caçar monstros, ser uma agente da S.H.I.E.L.D, ser abraçada por Dean ... não tem nada melhor pra hoje.
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