My Angelus
12 Modo Romanoff
Notas iniciais
Haviam 27 minutos e 32 segundos em que eu estava encostada na parede, ao lado da porta do quartinho do terror, de onde vinham gritos e urros. Tenho que confessar que eu estava desconfortável com a situação, os irmãos torturavam um demônio por minha causa e ... Bem, eu sabia que era um ser infernal, maligno e obscuro, mas ainda era muito recente essa história de matar monstros, caça-los e tortura-los. Pelo visto eu teria de me acostumar.
28 minutos e 2 segundos. A situação era insuportável, eu poderia muito bem sair dali e esperar eles acabarem, mas meus pés pareciam estar colados ao chão. Não ... na verdade eu esperava que ele parasse de gritar e falasse algo construtivo. Eles me instruíram a não acreditar em nada do que o demônio dissesse, a não conversar com ele, não interagir com ele de maneira alguma, que eram seres mentirosos e cruéis... Mas é claro que eu não seguiria as instruções por dois motivo: O demônio já havia deixado bem claro, só conversava comigo... E porque meu nome é Elizabeth Louise Grier, ex agente da S.H.I.E.L.D ... Mentira... E não aceito ordens de ninguém.
Entrei pela porta fazendo estardalhaço, abri com um chute e fechei com outro. Acho que ao lidar com criaturas sobrenaturais eu teria de interpretar um personagem, talvez assim ficasse mais fácil para mim lidar com essa situação. Modo Natasha Romanoff ativado.
Dean injetava uma injeção de liquido incolor no demônio, que se contorcia de dor, Sam mexia em uma mesa cheia de instrumentos de tortura. Os dois arregalaram os olhos quando entrei chamando atenção, o demônio? Sorriu.
─ Queria falar comigo? Fale. Fale tudo que sabe. Mas seja breve. ─ disse sem expressão, tentando ser fiel a meu papel, poucas palavras, poucas expressões, e muita ação.
O demônio sorria abertamente e depois começou a farejar o ar, logo em seguida soltando um gemido de prazer. Mas que porra é essa?
─ Beth ... saia daqui por favor. ─ disse Dean entredentes depois de se recuperar da minha entrada chamativa. Não olhei em sua direção, eu havia entrado ali para conversar... extrair, informações do demônio, os irmãos não eram prioridade.
─ Qual o seu nome demônio? ─ perguntei me aproximando até a beirada da armadilha do diabo.
─ Tão deliciosa... ─ disse ele rindo e espumando. Eu não sei o que eles estavam injetando nesse cara, mas não deveria ser algo bom.
─ Beth... ─ Dean voltou a exclamar, também senti o olhar de Sam sobre mim, mas ele se manteve calado.
─ Deliciosa, sim, obrigada. Qual o seu nome? ─ perguntei com menos paciência. Das poucas lembranças que tenho da infância, uma delas é da minha mãe me falando que não se conversava com pessoas sem nome.
─ E esse cheiro? Uau! ─ continuou o demônio zombando de mim, cometi um deslize em minha atuação. Romanoff já teria agido.
Entrei na armadilha tomando cuidado para não pisar nas linhas e acabar apagando o desenho. Dean soltou a seringa, que ficou presa no pescoço do homem.
─ Elizabeth! O que nos...
─ Calado! Não me atrapalhe. ─ sibilei apontando um dedo em sua direção. Caminhei até me posicionar estrategicamente atrás do demônio, que tinha uma expressão assustada. ‘’Qual. È. O. Seu. Nome? ‘’─ sussurrei em seu ouvido.
─ Murphy. ─ respondeu fingindo desinteresse. ─ E o seu?
─ Elizabeth.
─ Não seu nome humano criatura, seu nome de criação. ─ falou ele como se eu fosse a pessoa mais ignorante deste mundo, e eu não entendi, mas nem por isso deixei a máscara Romanoff cair.
─ Eu não sei, me diga você, que parece um cachorro farejando o ar, já deve ter descoberto o que eu sou só pelo cheiro. ─ falei com um mão em seu pescoço, próxima a seringa.
─ Tenho meus palpites, mas não irei desperdiça-los com você, prefiro contar ao rei. ─ falou virando o rosto para o lado tentando manter contato visual. Aproveitando sua distração eu criei coragem para fazê-lo soltar as informações. Segurei a agulha com firmeza e a enterrei totalmente no pescoço do demônio soltando o resto do liquido que havia ali. Ele urrou de dor e estremeceu. Seus olhos negros e vazio se voltaram contra mim.
─ Eu não sei o que você é sua vadia, você é a coisa mais linda e mais horrenda que eu já vi em toda minha vida, seu toque me causa prazer e medo ao mesmo tempo. Deixe que eu te leve até o Rei do inferno, ele deve saber o que você é. ─ disse ele me fitando com ... pavor?
─ A raiva e a dor são boas aliadas para soltar a língua das mentes mal treinadas. ─ falei usando meu conhecimento sobre a mente humana e rodeando a cadeira em que ele estava preso, olhando em seus olhos, agora castanhos. Passeei minhas mãos pelo corpo do demônio que me olhava com puro pavor.
─ O que mais você sabe? ─ sussurrei próxima a ele. ─ Não precisa ter medo, se você me contar tudo eu mato você bem rápido... Até porque, só pelo o que você já disse, acho que o seu rei não será tão piedoso como eu. ─ falei sorrindo macabra.
Sentia o olhar dos três sobre mim, os irmãos deveriam estar me olhando com espanto e o pobre demônio, com pavor. Acho que essa história de incorporar um personagem estava dando certo, eu quase sentia ódio dentro de mim ... quase?
─ Eu não sei de mais nada... por favor não toque em mim está doendo. ─ choramingou ele.
─ Eu nunca vi um demônio agir assim. ─ se pronunciou Sam pela primeira vez.
Como se eu não controlasse o meu corpo eu levei minha mão até o pescoço do homem e apertei enquanto dizia coisas como “me diga a verdade”. O demônio começou a gritar e a se debater na cadeira. Eu nem colocava tanta força assim, e pelo que eu saiba, demônios não morriam por falta de oxigênio... O que apavorava tanto essa criatura?
─ Já chega! ─ disse Dean saindo do estado catatônico, passou um dos braços pela minha cintura e começou a me arrastar para fora do quarto. Antes que a porta se fechasse meu olhar cruzou o do demônio que me olhou receoso ... e eu, sorri sarcástica.
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