Music In Me
26 Nightingale
Notas iniciais
Annabeth P.O.V. ’s
Minha cabeça girava, como se a qualquer momento eu fosse desmaiar ali.
– Porque você escondeu isso de mim? Justo de mim! – Gritei com o loiro – eu poderia ajudar vocês em algo...
– Você não podia fazer nada – o loiro disse aquilo pela milésima vez – Não há o que fazer!
– ah não? – As ideias brotavam na minha mente e eu resolvi segui-las – Diga a Katherine que nada de aula por hoje.
Sai da sala com o loiro ainda me gritando e não me dei ao trabalho de olhar para trás! Segui o caminho do shopping até a saída onde peguei um táxi discando o número da Piper que atendeu no segundo toque.
– Desocupada na linha
– Piper é a Annie. Sabe me dizer se o Percy está n estúdio?
– Contando com o fato que eles marcaram ensaio pra daqui a duas horas e que o Percy sempre prepara arranjos antes...
– Valeu.
Desliguei o telefone e dei instruções ao motorista ou taxista? Só sei que em poucos minutos o carro parou ao tão familiar estúdio a qual eu sentia tanta falta.
Arrumei minha franja antes de pagar a corrida e sai arrumando meu enxarpe e descendo minha saia, eu não estava vestida para ver meu namorado e sim para minhas aulas de dança por isso a meia calça fina preta com uma saia rodada era o que eu estava usando acompanhado de uma regata azul marinho dando contrastes com a sobreposição de cores neutra complementada por um, sobretudo preto até o fim do meu joelho contra o inicio de inverno já que estávamos em novembro.
Toquei na porta com receio e bati levemente, após alguns segundos lá estava ele...
Cara que saudade.
Era fato que às vezes nos víamos, mas, sempre com pressa para algo e na escola estávamos sempre ocupados. Meu coração acelerou quando vi surpresa em seus olhos e um sorriso em seus lábios e mesmo com raiva avancei em sua direção roubando-lhe um beijo que em seguida foi correspondido na mesma intensidade, fui puxada pela cintura e ouvi a batida da porta sendo fechada com a perna me jogando contra a mesma com força, sua boca quente tinha o mesmo sabor doce que eu me lembrava e por instinto ergui minha perna esquerda junto a sua que ele segurou intensificando o momento ainda mais.
Ofegante me separei dele sorrindo. Como ficar brava com isso?
– Oi — disse baixo
– Oi Annie
– Podemos conversar? – Perguntei com medo da resposta
– Claro – ele sorria como se nada tivesse acontecendo. Nada!
– Na verdade eu queria te mostrar algo, poderia ligar a mesa de som, afinar um microfone e deixar o teclado em som de piano?
– Posso sim, mas, o que houve? – Sabia que iria começar as perguntas
– Só faça, por favor, sem perguntas.
Olhando-me confuso ele seguiu para a ala com a enorme mesa de som que era nova no local. Caminhei até onde ficava os instrumentos na sala abafada, sentei em dos banquinhos em frente ao pedestal e aguardei ele me entregar o microfone.
– Toca mi e ré em melodia com fá, Usa os sustenidos nas pausas e faz mais ou menos assim – tentei fazer um som com a boca, mas não foi preciso. Percy soube o que eu estava falando e perfeitamente fez a melodia como eu queria.
Como toda vez que eu ia cantar respirei fundo e fechei os olhos tentando demonstrar máximo de profissionalismo que eu poderia, lembrei de todas as três aulas que eu tive com o Luke e comecei a música.
Não consigo dormir esta noite
Acordada e tão confusa
Tudo está em ordem
Mas estou ferida
Suas palavras viam na minha mente e eu tentava me lembrar dos detalhes das aulas. Se me concentrasse, conseguiria escutar suas ordens e as vezes que ele me repreendia.
Preciso de uma voz para ecoar
Preciso de uma luz para me levar para casa
Eu meio que preciso de um herói
É você?
Nunca vi o bosque ao invés do mato
Eu poderia realmente usar sua melodia
Baby, sou um pouco cega
Acho que é hora de você me encontrar.
Resolvi esquecer as aulas do meu professor e me concentrar na pessoa a minha frente, abri os olhos e notei os olhos verdes brilhando que me encaravam, seus lábios se abriam e um mínimo sorriso de canto, as bochechas quase vermelhas acompanhavam seu sorriso e me deu uma vontade muito grande de beijar seu queixo másculo...
Você pode ser meu rouxinol?
Cante para mim, eu sei que você está aí
Você poderia ser minha sanidade
Me traga paz
Cante para eu dormir
Diga que você vai ser o meu rouxinol.
Alguém fale comigo
Porque estou me sentindo péssima
Preciso de você para me responder
Estou sobrecarregada
Preciso de uma voz para ecoar
De uma luz para me levar para casa
Preciso de uma estrela para seguir
Eu não sei
Nunca vi o bosque ao invés do mato
Eu poderia realmente usar sua melodia
Baby, sou um pouco cega
Acho que é hora de você me encontrar.
Você pode ser meu rouxinol?
Cante para mim, eu sei que você está aí
Você poderia ser minha sanidade
Me traga paz
Cante para eu dormir
Diga que você vai ser o meu rouxinol.
Eu odiava as partes mais difíceis da música, porque cantar gritando era meio complicado.
Não sei o que eu faria sem você
Suas palavras são como um sussurro, atravessando
Enquanto você está aqui comigo hoje à noite
Estou bem.
Você pode ser meu rouxinol?
Sinto você tão perto, eu sei que você está aí
Oh rouxinol
Cante pra mim, eu sei que você está aí.
Porque, baby, você é minha sanidade
Você me traz paz
Cante para eu dormir
Diga que você vai ser o meu rouxinol.
Abri os olhos me sentindo aflita, isso não era como 'mostrar pro Luke que eu sei ser boa' era 'mostrar pro Percy que o Luke era bom' e dado as rixas infantis deles, isso era meio complicado.
– Annie... Você tem noção do que fez aqui? — resolvi não responder, levantei do branquinho e comecei a andar de um lado para o outro pensando como eu ia começar a dizer isso, será que ele terminaria comigo? — Ei, esta ai?
– Oi? Ah Percy preciso te contar algumas coisas e você não vai gostar muito... — Comecei a falar sem olhar nos seus olhos pra não fraquejar e deixar o medo me dominar. Alguns segundos que pareceram horas de silêncio se estendeu por nós até que ele o quebrou.
– Acho que, você já pode dizer...
– Percy, algum momento da sua vida você já recebeu algum julgamento errado ao qual outro alguém não te conhecia e tinha uma opinião completamente errada de você?
– Eu não... Não me recordo — sua voz rouca estava repleta de tensão e medo.
– E seu eu te falasse que você está agindo assim com alguém?
– O que? Eu jamais faria isso Annie, você sabe disso — desviei meus olhos daquela imensidão verde e procurei por ar — Você sabe não é mesmo?
– Percy eu não aprendi a cantar assim sozinha. Tenho tido aulas de canto e dança.
Faltava só mais um detalhe, um pequeno detalhe.
– O que isso tem a ver com essa conversa? E porque não me disse isso antes? Uma coisa tão boba pra ser escondida... Achou que eu não te apoiaria? — Eu não conseguia responder nenhuma das suas perguntas.
Parei de andar de um lado para o outro e fiquei de joelhos em frente ao banquinho do teclado que ele estava sentado. Minhas mão se encontraram com as dele em um gesto de medo e desespero, medo de fraquejar e desespero pela sua reação.
– Percy, meu amor, me deixe terminar ok? — sussurrei enquanto ele assentiu — Eu estava andando pelo shopping com a Thalia e a Piper e acabei descobrindo uma loja, ou melhor, escola, uma escola de música e eles estavam oferecendo aulas de canto r eu me inscrevi.
– Ainda não entendi o porquê de me esconder isso
– Acontece que a escola é de família e bem, da família Castellan e meu professor é o Luke — disse de uma vez torcendo pra que ele tenha entendido e me privado o desprazer de repetir isto a ele.
Suas mãos soltaram das minhas e ele ficou de pé em um salto, fechei os olhos temendo o que viria agora e me sentindo aliviada por ter dito a verdade a ele.
A sensação de alívio não durou por muito tempo mesmo que ele não dissesse nada. Levantei-me encarando seus olhos e me arrependi no mesmo instante. A calmaria que eles transmitiam se fora, o brilho que sempre estava presente ali tinha se escondido dando espaço para o verde musgo, frio e gélido, suas bochechas estavam vermelhas mais escuras que um tomate e sua expressão não chegava perto de ser a das melhores.
Mais era eu que estava com raiva ali.
– Diz alguma coisa — tentei me aproximar mais seus braços fizeram um gesto para que eu me afastasse — Por favor.
– Eu não... Não consigo acreditar que fez isso comigo
– Percy eu não fiz nada
– Nada? Como nada? — seus gritos ecoavam devido à sala que estávamos e não pude evitar me encolher por isso — Você praticamente me traiu
– Espera aí, te traí? Você tem que rever seus conceitos, Percy, eu nunca te traí! Não há motivos pra todo esse escândalo, por uma coisa tão pequena comparada ao que você fez! — De repente, meus gritos se misturaram aos seus e eu já não respondia por mim.
– O que? Do que você está falando Annabeth?
– Não se faça de desentendido, você me fala de traição, algo totalmente fora do contexto, já que eu nunca te traí! Até um momento atrás, você estava apoiando minhas aulas, mas a partir do momento em que você soube que minhas aulas eram com Luke, você começou a colocar valores à prova! — Suspirei profundamente, tentando me acalmar a diminuir o tom de voz. — O fato é que o que você fez isso sim é uma coisa baixa e estúpida!
– Eu não fiz nada Annie! — Ele tentou falar, mas agora que eu comecei, não conseguia parar.
– Nada? Ah não, tem certeza? — O escárnio escorria de minhas palavras como veneno. — Você está prejudicando a banda do Luke pra conseguir fazer mais apresentações e shows! Você está os sabotando!
Eu despejei tudo de uma só vez, arfante e o encarei. Ele estancou no lugar, a expressão confusa, o cenho franzido. Ele voltou a olhar pra mim e sua voz saiu contida e duvidosa:
– Eu estou fazendo o que, Annabeth?
– O Luke não consegue fazer shows, não consegue contrato com nenhuma gravadora por que sua banda os sabotou. — Eu suspirei.
Alguns minutos de silêncio se passaram tensos, e eu me sentei no banquinho, enterrando minha cabeça entre minhas mãos. Isso não deveria estar acontecendo. Essas brigas.
– Annabeth? — Eu levantei a cabeça relutante e o vi parado alguns passos de distância. — Eu tenho nada a ver com isso. — Nos temos talento, não precisamos sabotar ninguém pra conseguir sucesso. Na verdade, é mais provável que eles nos sabotem...
– Percy, para. — Eu o interrompi antes que ele prosseguisse ofendendo os meninos da banda do Luke, e eu não deixaria isso acontecer. Acabaríamos brigando outra vez. — O fato é que eles estão sendo prejudicados.
– A culpa não é nossa, Annie, acredite em mim! Olha pra mim. — Ele pediu e se ajoelhou na minha frente, as mãos pousando em meu queixo, me obrigando a olhá-lo. — Você acha que eu faria algo assim? Olha nos meus olhos e me diz se eu estou mentindo.
Olhei dentro dos seus profundos olhos verdes, alguns momentos atrás verde escuros, agora estavam em seu tom de verde habitual, que eu tano amava.
Eu não conseguia ver um pingo de mentira e maldade dentro deles.
Fechei os olhos e suspirei.
– Você acha que eu faria uma coisa dessas? Porque, sinceramente Annabeth, se você acha que eu sou capaz disso, você não conhece nada sobre mim. Vai acreditar em mim, ou no Luke.
Suas palavras me doeram. Mas era a mais pura verdade. Eu tinha que confiar em Percy se eu quisesse que esse namoro desse certo. E eu precisava dele, não conseguia imaginar algo dando errado.
– Me desculpe. — E eu estava com raiva. Agora estou pedindo desculpas.
– Me desculpe Annie. Eu não deveria dizer aquelas coisas pra você. Por mais que a ideia de você ter aulas com o Luke, meu rival me desagrade...
– Hey, hey, hey. Não vamos começar com isso, tudo bem? Precisamos saber o que está acontecendo. Se não é você quem está sabotando os meninos, quem está fazendo isso?
Ele se separou de mim e começou a caminhar pelo estúdio. Eu não conseguia pensar em nada, minha mente ainda estava nublada por esse discussão que tivemos.
De repente, Percy soltou um grunhido e voltou até mim:
– Acho que sei por que o Luke acha que fomos nós quem fizemos isso. — Ele fez uma pausa e eu arqueei as sobrancelhas, o incentivando a continuar. — Willian. O nosso empresário.
E uma onda de compreensão atravessou meu corpo.
– Ele estava fazendo isso sem vocês saberem não é?
Percy assentiu a expressão carregada.
Problemas, porque tantos ao mesmo tempo?
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