Notas iniciais
Hey, Hey amores! Bom, vocês já sabem que é a Isa e já vou pedindo desculpas por ter atrasado o capítulo

ANNABETH POV

Me assistindo quando estou tendo progressos

Mas aqui vem a lua e parece, parece uma informante

Se esconda rapidamente

Antes que te vejam, você sabe

Que é tudo, tudo um brilho

Eu e Percy caminhávamos lado a lado na rua, mais afastados do que eu gostaria. Uma tanto gélidos pra falar a verdade. Não era isso que eu queria. Eu só queria que fossemos mais sinceros e que confiássemos mais um no outro. Mas agora isso parece algo tão intangível.

É como se não fossem Percy e Annabeth ali, caminhando um ao lado do outro. Pareciam dois completos estranhos perdidos em suas próprias dores, com orgulho ferido e coração doendo. Era algo tão idiota, mas eu não podia mudar nada. Só aceitar e esperar.

Esperar o que?

Não sei. Talvez que um de nós seja maduro o suficiente para acabar com a distância entre nós e dizer que está tudo bem. Gostaria de ser eu. Mas não posso.

Percy me magoou quando disse que o traí. E eu o magoei quando o acusei de sabotagem. Nós dois estamos confusos e irritados. Talvez não seja hora pra maturidade. Só pra caminhar até o estúdio do Luke e resolve isso de uma vez.

Então eu tentei limpar minha mente e só me concentrar nos passos, na calçada e no som do trânsito. Em pouco tempo, pelo menos me pareceu um pouco tempo, nós já estávamos na porta dos Estúdios Castellan’s.

Percy parou ali e eu não sabia o que fazer. Então apenas parei o seu lado, esperando ele tomar uma decisão. Afinal isso era mais difícil pra ele do que pra mim.

― Você já falou com Will? ― Eu perguntei em voz baixa, tocando seu ombro. Ele tremeu.

― Ele prometeu que estaria aqui em vinte minutos quando eu liguei. ― Sua voz saiu baixa e decepcionada. Fria. Não era Percy falando comigo.

Cruzei meus braços e fiquei ali parada esperando o tal empresário chegar.

Depois de alguns minutos um cara com um enorme sorriso chegou até nós e cumprimentou Percy.

― E aí, cara? ― Ele olhou para o prédio e franziu o cenho. ― Por que você me pediu para te encontrar em um estúdio?

Percy suspirou. Ele havia me ignorado completamente.

― Will essa é Annabeth. ― Percy nos apresentou e ele pareceu só agora me notar. Eu sorri e ele retribuiu. ― Estamos aqui porque precisamos resolver algumas coisas erradas que estão acontecendo na banda.

Will pareceu contrariado, mas apenas assentiu. Percy olhou pra mim e eu tomei a liderança,a andando para dentro do estúdio.

― Anne? O que você está fazendo aqui? Achei que sua aula já tivesse acabado... ― Katherine olhava confusa de mim para o relógio. Ela tinha uma garrafa de água nas mãos e caminhava em direção ao estúdio de dança.

Eu sorri para ela.

― Oi Kath. Não, minha aula já acabou. Eu preciso falar com Luke. Na verdade, só precisamos.

Kath olhou para Percy e Will atrás de mim com expressão de surpresa. Depois arqueou uma sobrancelha em minha direção e eu assenti. Ela suspirou.

― Ele está numa aula agora. Daqui a vinte minutos ele estará livre. Se importam de esperar? ― Ela disse e eu olhei para Percy e Will. Percy fez que não com a cabeça. ― Tudo bem. Sentem-se, fiquem a vontade. ― Kath sorriu e voltou para o estúdio.

O empresário se acomodou em uma das poltronas de couro pretas ali perto do balcão e pôs-se a observar as paredes decoradas do estúdio com uma expressão desconfortável, imerso em pensamentos.

Eu ia me sentar ao lado dele quando Percy segurou meu braço. Eu olhei para ele. Os lábios apertados em uma linha rígida, os olhos questionadores, o rosto duro. Ele indicou um canto entre a porta e a janela com os olhos, me pedindo para que o seguisse. Ele soltou meu braço e caminhou até lá.

Olhei para Will e ele estava muito distraído para prestar atenção em mim. Dei meia volta e segui Percy até o lugar que ele havia indicado. Tinha uma parede com discos que impedia a visão de quem olhasse da porta e alguns instrumentos colocados ali ao lado de um sofá de dois lugares que impedia que Will nos visse. Ele se sentou e eu fiz o mesmo, ficando de frente para ele.

Por alguns momentos, ficamos em silêncio. Então ele ergueu seu olhar para o meu. Minha primeira reação foi pensar em desviar o olhar. Mas percebi que ele me fitava de um jeito diferente do que das outras vezes. Ele tentava me estudar e ao mesmo tempo me contar alguma coisa. Então sustentei o olhar, não hesitando em fazer o mesmo com ele.

Seus olhos verdes ainda estavam duros, mas eu podia perceber que logo ele cederia. Não percebi que uma pequena dose de alívio se espalhou por meu corpo quando percebi isso. Só então eu soube o quanto estava tensa com tudo isso.

Eu sabia que se ele se concentrasse em mim, conseguiria perceber como eu me sentia. Então busquei fazer o mesmo, mas havia um muro intransponível em seus olhos que me causavam arrepios e me impediam de vê-lo verdadeiramente. Impediam de eu ver o meu Percy. Eu lutei contra a sensação incômoda que crescia em mim e contra o súbito impulso de chorar. Eu não poderia perdê-lo por algo tão bobo. Não agora.

Ele capturou minha mão e imediatamente senti uma sensação boa se espalhar por mim. Olhei mais fundo em seus olhos e vi que aquele muro começava a se desfazer. Estava dando certo? Continuei a fitá-lo, intensificando o aperto em nossas mãos. Agora eu poderia distinguir emoções em suas feições. Confusão. E depois dúvida. Sua expressão suavizou e eu me permiti um pequeno sorriso.

Percy sorriu também e eu percebi que havia arrependimento em seu semblante. Eu me aproximei dele e o envolvi em um abraço. Ele me apertou contra seu corpo e eu senti um suspiro involuntário escapar dos meus lábios. Agora tudo estava começando a ficar bem, esse que me abraçava era o meu Percy, o garoto com o sorriso mais lindo do mundo e olhos verde mar brilhantes. Ele beijou minha testa, sussurrando contra minha pele:

― Me desculpe. Foi exagerada a minha reação. ― Seu hálito quente banhou meu rosto e imediatamente eu me senti confortável outra vez, a tensão deixando de vez o meu corpo.

Andar sobre a água parece tranquilo agora que você

Tem minha confiança

E parece, e parece sabotagem quando estou puxando

Gatilhos em mim você sabe que é tudo que eu sei, é

Tudo que eu sei

― Kath me disse que você estava aqui, Annie... ― Luke apareceu na porta da recepção, dando de cara comigo e Percy abraçados no sofá.

Assim que ele viu Percy comigo, sua expressão endureceu, fechou-se como uma tempestade repentina e seus olhos azuis tornaram-se escuros como rochas. Nos levantamos e meu namorado apertou os braços em minha cintura, seu semblante, um reflexo do rosto de Luke.

― Annabeth? ― Meu professor de canto pediu, a voz dura e inflexível, ainda olhando fixamente para Percy.

Tentei falar mas um repentino nó de tensão em minha garganta impediu minha voz de sair. Pigarreei e tornei a falar:

― Nós precisamos conversar. Tem algumas coisas a serem esclarecias. Erros para consertar. ― Dirigi meu melhor olhar frio para Will e ele me fitava com desdém. Percy e Luke ainda se encaravam.

Um momento de tensão e silêncio pairou na sala, me deixando aflita, a súbita oda de alívio por eu ter me acertando (ainda que parcialmente) com Percy estava esquecida em algum canto inabitado de minha alma, agora já não tinha efeito algum. Agora eu sentia algo novo.

Totalmente inexplicável. Não sei o que eu sentia na verdade.

Eu amava Percy, disso não havia dúvidas. Mas eu tinha um carinho especial por Luke, ele se tornara meu amigo acima de tudo. Um amigo indispensável, alguém que me faz sorrir quando eu estou mal e que me ensinou que cantar não é somente interpretar uma música. É transformá-la em parte de você.

Assim como eu fiz com Luke.

Um calafrio percorreu meu corpo quando percebi o que realmente acontecia comigo.

E é tão real de fora olhando pra dentro

E é tão real de fora

De fora

De fora, tirano

Tirano

O momento de silêncio foi finalmente foi rompido e eu já era um poço de sentimentos emaranhados. O que pensar? O que sentir? O que fazer?

― Não sei se tenho tempo. ― Novamente a voz de Luke foi gélida.

Senti Percy prender a respiração ao meu lado.

― Vai ser rápido. Eu prometo. É do seu interesse. ― A voz de Percy era carregada de desafio.

Luke ainda o encarou por um longo tempo e eu já temia pelo que pudesse acontecer. Não queria nenhum dos dois machucados. Não por minha causa.

― Tudo bem. ― Luke bufou e desviou o olhar pra mim, desaparecendo pelas portas.

Sem olhar para Percy, desfiz seu aperto e o puxei pela mão até o estúdio propriamente dito. Mas não me atrevi a encarar qualquer um deles.

Só parei em um canto, perto do piano, na sala vazia enquanto Percy e Will se acomodavam nesse espaço tão familiar e aconchegante, que eu já podia chamar de meu. Meu e do Luke. O pensamento me arrepiou.

― E então? ― Luke perguntou, sua voz fria como aço.

E eu sabia, sabia que ele estava se esforçando ao máximo para não quebrar a cara de Percy em consideração a mim. Porquê ele ainda não sabia que era Will quem armou toda essa confusão e acirrou ainda mais a rixa entre as duas pessoas mais importantes pra mim no momento.

E eu era egoísta o suficiente para não querer abrir mão de nenhuma delas.

― Sei que você pensa que eu tentei sabotar sua banda. ― Percy começou a falar, Will ficou lívido e Luke bufou. Percy me olhou e eu apenas o encarei de volta. Ele respirou fundo e recomeçou. ― Mas quero que acredite em mim quando digo que não sabia de nada.

Dessa vez Luke riu.

― E você acreditou nisso, Anne? ― Da voz do garoto loiro despendia sarcasmo como veneno.

― É a verdade. ― Eu respondi, minha voz rouca e Luke bufou outra vez.

Percy perdeu a paciência e abriu os braços, exasperado, levantando a voz duas oitavas.

― Olha, eu nem sabia de nada até algumas horas atrás, quando Annabeth veio falar comigo, tá legal? ― Ele apontou para o empresário. ― Foi ele que fez tudo isso, pelas nossas costas!

Luke encarou Will, que tentava recuar lentamente, não sabendo o que fazer.

Acontece que ele estragou sua melhor chance de sucesso quando armou essa idiotice. Os meninos da bando de Percy eram sua promessa, ele queria lançá-los no mercado, mas queria fazer isso sem empecilhos, sem dor de cabeça. Por isso tentou tirar a banda de Luke da jogada. Eu sabia que Percy não concordava com isso, assim ele acabou entendendo o meu lado e com uma boa conversa mais tarde, todos os nossos problemas se resolveriam.

Eu espero.

Sinta-se capaz de quase tudo

Que esse aleijado aguenta

Vai cantar, vai trazer todos os anos

É rapidamente virado, olhe suas sombras podem

Não podem mentiras

Bonitas para você é o que eles fazem

― Olha, você deveria me agradecer garoto! ― Will gritou com Percy, raivoso. ― Eu abri as portas pra você, investi na sua banda e tentei fazer de tudo para que vocês conseguissem sucesso. Ma você é um idiota certinho que nunca aceitaria isso não é mesmo? Você é um idiota Percy, essa é a verdade! Você nunca vai conseguir fazer sucesso nesse ritmo de tartaruga.

― Ah então foi mesmo você? ― Percy retrucou. ― É óbvio que eu quero fazer sucesso, é isso que todos nós buscamos! Mas anão desse jeito sujo e errado. Se quisermos ter uma carreira bem sucedida, temos que fazer as coisas do jeito certo, Will!

Will riu.

― Babaca, isso que você é. ― Ele chegou mais perto de Percy. Alguns centímetros de diferença o deixavam mais ameaçador. ― A vida é injusta, garoto. Às vezes você precisa jogar com cartas fora do baralho se quiser vencer. Mas você é muito idiota par perceber isso.

Percy virou a cara.

― Sai daqui antes que eu quebre a sua cara. ― Ele murmurou entredentes e Will riu.

E é tão real de fora olhando pra dentro

E é tão real de fora

De fora

De fora

De fora

De fora

Tirano

Ele virou-se para Luke que observava tudo isso com uma expressão de aço.

― É, fui eu quem subornou as gravadoras para que sua banda não tocasse. Mas só fiz isso por um motivo: vocês são bons. Tem talento. Uma ameaça.

Assim que disse isso, ele simplesmente virou-se e saiu da sala, nos deixando atônitos dentro do estúdio.

― Acho que agora sabemos a verdade. Sem mais acusações? ― Quebrei o silêncio depois de um tempo. Não obtive resposta.

A tensão ainda se fazia presente.

― Era só isso? ― Luke perguntou sem olhar para nenhum de nós.

Eu vou ficar com apatia, estou cego, mas eu posso ver

O tirano até o osso

Eu vou ficar com apatia, estou cego, mas eu posso ver

― Sinto muito. Não queria que nada disso acontecesse. ― Percy falou depois de um tempo. ― Vou falar com todas as gravadoras e resolver essa situação.

Luke assentiu.

Ele se virou para nós como se nos dispensasse. Percy caminhou até mim e pegou minha mão. Nos dirigíamos para a porta quando Pery parou e falou por cima do ombro:

― Isso ainda não acabou. Fique longe da minha namorada.

Sem esperar qualquer resposta, nós caminhamos para fora do estúdio, Percy me puxando, quase correndo. Passamos por Kath que nos olhou curiosa. Seu aperto já doía em minha mão.

Por que ele está fazendo isso agora? Achei que tivéssemos nos acertado.

Não me justifique

Não me justifique

Não me justifique

Não me justifique

Não me justifique

Não me justifique

― Percy! ― Pedi quando já estávamos na rua. Ele parou e me olhou confuso e ansioso.

Olhei para nossas mãos e ele me soltou, desviando o olhar.

O que é isso agora?

― Nós ainda precisamos conversar, Anne.

E é tão real de fora olhando pra dentro

E é tão real de fora

De fora

De fora

E é tão real de fora olhando pra dentro

E é tão real de fora

De fora

De fora

De fora

De fora

Notas finais
Bom, é isso aí u.u Espero que tenham curtindo *u* Beijim amores >.