Murmúrio

9 Lar Amargo Lar


A viagem foi silenciosa, Patch estava triste assim como eu. Ele apenas se preocupava em não pegar a estrada errada, as vezes olhava em minha direção, mas eu apenas conseguia olhar pela janela enquanto chorava.

– Anjo… as coisas não terminam aqui. Eu já lhe disse isso. — Ele suspirava enquanto formulava as frases. — Só precisamos de um tempo para arrumar tudo.

Não respondi.

– Eu sei que é difícil, não quero ficar longe de você. — Ele queria uma resposta.

– Não fique. — Eu respondi, parte de mim estava de mau humor.

– Anjo… — Eu pensei que Patch fosse começar a chorar na minha frente. Mas ele se conteve. — Por favor… não me trate assim.

Meu coração pesou, e voltei a olhar em seus olhos. Pareciam um mar negro e revolto.

– Eu só não quero ficar sem você, Patch. — assumi.

– E não vai ficar, anjo. Nunca.

– Então pra que tudo isso? — Eu não entendia. Nunca entenderia… Afinal o que era mais importante do que o amor?

– Para que possamos ficar juntos, anjo. — Ele afundou no banco. — Olhe… Me dê dez dias, eu vou procurar ajuda e formas para remediar tudo isso… — Ele escolhia as palavras. — Enquanto isso, viva a sua vida… Eu estarei sempre por perto, eu vou saber quando você precisar de mim, estarei lá se for necessário.

– Necessário? — eu ri sem humor algum. — Você? Necessário? Patch você é fundamental, não consigo enxergar minha vida sem você. — As lágrimas teimavam em transbordar meus olhos novamente, minha voz estava embolada.

Ele parou o carro… E foi ai que percebi que estávamos parados na frente da minha casa.

Lar amargo Lar.

– Anjo… — Ele inclinou a cabeça, seus lábios procuravam os meus, e por mais que eu quisesse protestar contra tudo isso eu jamais poderia resistir a aquela boca. Ele me beijou suavemente. — Vou sentir falta disso todos os dias… — Ele abaixou a cabeça e apertou a ponte do nariz.

O silêncio pairava… Até Patch quebrá-lo.

– Não se prenda ao tempo. — A voz dele era um sussuro. — E eu estarei aqui logo que você piscar. Eu prometo anjo, não vai ser dessa vez que vão nos separar.

– Eu amo você, Patch. — E antes que outro ataque de lágrimas pudesse me dominar eu já havia batido a porta e caminhava em direção a casa.

Enquanto dava adeus a Patch eu estava dando ” olá” para uma série de coisas que eu preferia ter deixado perdidas no passado.

O piso rangeu sob meus pés, enquanto eu abria a porta.

– Nora? — A voz da minha parecia estranhamente surpresa. — Ah, Nora… Eu estava tão preocupada com você, os segundos não passavam de jeito nenhum.

E naquele momento meu coração pesou, minha mãe havia tirado as palavras da minha boca ” os segundos não passavam de jeito nenhum”, enquanto tudo isso tornava minha casa um grande abrigo frio e vazio a porta atrás de mim se fechava tornando-se a primeira barreira entre mim e Patch.