Murmúrio
28 O que? - Parte II
Durante anos eu e Vee fomos inseparáveis, e hoje eu ainda a via como aquela garota gorduchinha que sempre me fez dar boas risadas.
- Tem certeza? — Eu estava limpando a areia da minha blusa. - Quase. — Ela deu um meio sorriso. — Mas eu estou feliz.- Está? — Eu não ficaria muito feliz no lugar dela, não agora. — Na sua primeira vez…Ela desviou o olhar.- Vee? — Eu perguntei, ela havia mentido pra mim esses anos todos? — Essa foi a sua primeira vez, não foi?- Nora… eu — Era estranho ouvir Vee pronunciar meu nome em vez de ” baby” — A primeira vez foi um erro… Não significou nada pra mim, então… — Ela deu de ombros.- Você mentiu pra mim, Vee. — Eu disse com amargura.- Baby… — Ela começou, mas eu não esperei para ouvir.- Conversamos depois, Vee. — Eu disse e comecei a andar na direção de Delphic.Eu não olhei para trás para observar Vee, ela não veio atrás de mim e nem eu voltaria atrás. Andei por um bom tempo até as lágrimas rolarem. Eu estava realmente surpresa, pensei que conhecia Vee e que ela nunca seria capaz de mentir pra mim, mas eu estava errada.A água gelada batia com suavidade em meus pés, minha visão estava turva mas eu podia distinguir ao longe uma figura negra, esguia e alta. Patch.Ele estava mais perto do que eu imaginava.Corri direto para os seus braços e os soluços me dominaram, eu queria esquecer tudo.- Anjo… — Ele sussurrou, enquanto afagava minha cabeça. Seu peito tinha um cheiro inebriante de menta, banho e Patch, era delicioso. Passei meus braços pela sua cintura com força, eu não queria sair dali.- Ei… O que houve? — Ele perguntou com calma. — Alguma coisa dentro de mim estava me dizendo que você não estava bem.- Podemos conversar na sua casa? — Levantei o rosto, seus olhos negros me encaravam com um toque de preocupação.Ele segurou na minha mão e secou meus olhos com a ponta dos dedos. Andamos em silêncio até a entrada de Delphic o lugar que me trazia tantas lembranças, as quais eu não sabia distinguir se eram boas ou ruins, mas todas elas envolviam Patch então era impossível esquece-las.
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