Murmúrio

29 O que? - Parte III


Liguei a televisão pra me distrair, tombei no sofá de Patch enquanto ele preparava algo na cozinha.

- Pode me contar o que aconteceu agora, anjo? — Patch apareceu com uma bacia de pipoca, ele havia colocado um punhado na boca. — Você parece muito abalada. — Ele se jogou no sofá.

- Vee… — Comecei, enquanto observava os desenhos da tigela. — Mentiu pra mim.

Ele soltou um suspiro alto e colocou a bacia de pipoca sobre a mesinha de centro.

- Anjo…- Ele começou a falar, sério. — Olhe pra mim. — Patch estava com os dedos apoiados em meu queixo. — Sobre o que ela mentiu?

- Virgindade. — Respondi, mas Patch apenas soltou uma gargalhada.

- Anjo? — Ele ainda sorria. — Está aborrecida com Vee por causa de ” virgindade”? — Ele enfatizou a palavra.

- Ela acha que está grávida, Patch. — Eu disse séria, não gostei do tom de brincadeira dele.

- Acha? — Ele parecia confuso, enquanto jogava mais um punhado de pipoca na boca.

- E o pai é o Scott. — Quase sussurrei, mas foi alto suficiente para Patch se engasgar com a pipoca.

- O que? — Ele me olhava confuso. — Scott?

- Sim — Suspirei. — Nem sabia que isso era possível.

Patch ficou em silêncio.

- Espera… — Eu comecei, uma ideia dominou minha cabeça. — Você pode me engravidar?

Ele deu um sorriso malicioso.

- Você está cada vez pior, anjo.- Ele começou. — Mas eu gosto disso.

- Não respondeu minha pergunta. — resmunguei.

- Posso.

Aimeudeus. Congelei com a ideia de ter um filho de Patch, um pedaço dele comigo. Pra sempre. Fechei meus olhos e imaginei uma criança morena, de cachos negros e olhos escuros. Meu coração acelerou e um sorriso brotou em meus lábios.

- Anjo… — Ele parecia preocupado. — Está realmente cogitando essa ideia?

- Por que não? — Sua pergunta havia me irritado.

- Porque isso seria perigoso o suficiente para matarem a criança. — Seus olhos estavam negros e perturbados.

- Eu não havia pensando nisso… — Minha voz estava presa, eu não conseguia pensar na criancinha que eu havia materializado em minha mente segundos atrás chorando, muito menos morta.

Ficamos em silêncio por um bom tempo, o que era desconfortável.

- Gostaria de ter um filho meu? — Patch perguntou, ele parecia realmente querer entender.

- Adoraria. — Respondi.

- Quer tentar fazer um? — Ele se aproximou.

- Patch? — Comecei a rir, apesar de não resistir a proposta aquilo ainda era muito engraçado.

- O que? — Ele me encarava, com os lábios entreabertos. — Eu também gostaria de carregar uma criança com o seu sorriso.

- Nada disso. — Eu cheguei mais perto. — Tem que parecer com você.

Patch apenas riu e balançou a cabeça. Eu queria ficar com ele, mas precisava resolver o assunto com Vee.

- O que eu faço? — perguntei, quebrando o clima.

- Não sei, anjo. — Ele se afastou. Se havia ficado aborrecido, não demonstrou.

- Eu pensei que conhecesse, Vee. — Comecei. — Eu pensei que soubesse tudo dela…

- Anjo… — Ele começou, mas percebi que ele não tinha o que falar e percebi também que não sabia tudo sobre Patch.

- Você mentiria para mim, Patch? — perguntei na cara dura.

- Jamais. — Ele respondeu me olhando nos olhos.

- Tem algo sobre você que eu não sei? — Eu queria que ele me mostrasse tudo.

Ele não respondeu, mas eu não iria me calar.

- Você nunca me contou sobre a sua queda. — Sussurrei.

Ele não estava respondendo as minhas perguntas, ele apenas se levantou e quando eu achei que fosse embora Patch me surpreendeu retirando a blusa de gola V preta.

- Mantenha a calma, e pense no que você quer realmente ver. — Sua voz era quase inaudível.

Fechei os olhos e depois prendi a respiração na garganta, toquei suas costas com leveza, mas quando meus dedos encontraram suas cicatrizes uma escuridão me circulou e me levou para as profundezas das centenas de anos de Patch.