Mudanças
8 Capítulo 8
Armando não pôde resistir. Mesmo com dor por conta da surra que levou, se levantou e abraçou a Betty por trás. Ela estremeceu com o gesto. A virou com cuidado e lhe deu um apaixonado beijo.
Betty resistiu no começo, mas acabou cedendo e retribuiu o beijo. Depois de alguns segundos, ela notou o que estava fazendo, afastou-se dois passos de Armando, levantou sua mão aberta. Iria esbofetear a face dele. Armando apenas fechou os olhos esperando o golpe. Betty, porém, desistiu. Ele já estava com o rosto toda machucado, não lhe deixaria mais um hematoma.
–Vá descansar, doutor. Amanhã o dia será corrido. -Betty comentou e se retirou para o seu quarto.
Armando não acreditou no que tinha acabado de acontecer. Estava feliz, sentiu novamente sua Betty. Betty havia mudado muito no exterior. Havia mudado o cabelo, estava sem sua famosa franja. Fez as sobrancelhas, usava roupas mais modernas, condizentes com a sua idade, mas por dentro ainda era a mesma Betty que ele conhecera e se apaixonara.
Armando caminhou até sua cama e deitou-se. Não demorou muito para pegar no sono. Somente Beatriz lhe dava a paz que necessitava. Dormiu bem como há dias não dormia.
Betty, em seu quarto, estava aflita. Não sabia como permitiu que Armando a beijasse. Estava se deixando enganar novamente. Mas esse beijo havia sido diferente dos demais, ela reparou isso e ficou mais confusa do que nunca. Já não sabia mais em que acreditar.
Beatriz deitou-se, mas, ao contrário de Armando, não conseguiu dormir. Armando lhe tirava a paz de uma forma inexplicável.
Armando, no dia seguinte, levantou-se revigorado. Tudo lhe doía, mas acordou nas nuvens. Ainda sentia o sabor de Betty em seus lábios. Levantou-se da cama e dirigiu-se para o quarto de Betty. Bateu na porta e poucos segundos depois ela atendeu.
–Bom dia! -Armando disse alegremente.
–Bom dia, doutor. -Betty disse de uma forma seca.
–Ainda vamos voltar para a capital, não vamos?
–Vamos. Estava cuidando disso agora. Já fiz as reservas para o voo. Sai daqui a 2 horas.
–Sempre pensa em tudo. O que seria de mim sem você?
Betty fica constrangida com o comentário e Armando percebe.
–Vamos tomar um café? -Armando pergunta tentando cortar o silêncio que havia se formado.
–Não tenho tempo. Ainda tenho que arrumar minha mala. Acho que seria bom também se o senhor tomasse um banho e trocasse de roupa. Não é muito bom que fique andando por aí com essa camisa suja de sangue. -Betty diz apontando para as enormes manchas vermelhas que estavam cravadas na camisa azul clara de Armando.
–O banho eu posso tomar, até sei que estou precisando, mas só tenho essa camisa. Assim que descobri que você estava aqui vim correndo, não trouxe bagagem. Já não suportava ficar longe de você, Betty. -Armando diz se aproximando de Beatriz.
Betty rapidamente dá alguns passos para trás e Armando para.
–Não se aproxime. Ontem não lhe esbofetei, mas hoje não pensarei duas vezes. -Betty o adverte.
–Perdão. Não consigo me controlar perto de você. Te amo, Betty, te desejo.
Uma lágrima escorreu dos olhos de Betty.
–Não recomece, doutor. Será que já não bastou tudo o que aconteceu? Será que depois do que eu lhe contei o senhor não sente um pingo de remorso? -Betty já estava com a voz alterada pelo choro.
–Agi da pior forma com você, Beatriz. Mas esse foi meu melhor erro. Se não tivesse feito o que fiz, nunca descobriria a mulher maravilhosa que você é, nunca teria me apaixonado por você. Você é minha única razão de viver.
Armando se aproxima de Betty e tenta abraça-la, mas ela se afasta.
–Sei que ainda está muito magoada por tudo o que aconteceu, mas prometo que farei de tudo para te provar o quanto mudei e o amor que sinto por você. -Armado diz isso e se aproxima de Betty, lhe dá um beijo na testa e se retira.
Betty fica perplexa com a atitude dele. Tudo o que mais queria era acreditar, mas sentia medo de voltar a ferir-se novamente.
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Armando toma um banho rápido e decide tentar comprar umas roupas. Como Betty havia dito, não seria bom ele ficar andando com a camisa ensanguentada. Ele acha uma loja e compra uma simples camisa polo branca. Volta para o seu quarto, troca de roupa e faz a barba. Queria voltar a ter uma boa imagem novamente, por Beatriz. Feito isso, seguiu feliz até o quarto dela.
Beatriz assim que abriu a porta deparou-se com um Armando diferente. Apesar dos hematomas, seu semblante estava diferente. Não era mais um semblante triste, era um alegre.
–Já estou pronto. -Armando diz alegremente.
–Também já estou. Já iria chamá-lo. Vou só pegar minha mala e vamos pro aeroporto.
Armando entra no quarto de Betty e pega a mala das mãos dela.
–Deixa que eu carrego. É o mínimo que posso fazer. -Armando diz.
Betty, prevendo que ele daria mais um de seus chiliques, deixou que ele carregasse a mala, preferiu não discutir.
Fecharam a conta no hotel, pegaram um táxi e foram para o aeroporto. Permaneceram calados o tempo todo. No avião, Armando entristeceu-se ao ver que Betty reservara assentos afastados para os dois. Queria poder ir ao lado dela.
O voo durou pouco mais que uma hora e assim que chegaram cada um foi em um táxi diferente. Armando foi para seu apartamento e Betty para sua casa.
Assim que chegou em casa, Betty sentiu medo. Sabia que seus pais lhe encheriam de perguntas. Tomou coragem e entrou. Julia rapidamente cumprimentou a filha com abraços e beijos, Hermes, desconfiado como sempre, a encheu de perguntas.
–O que faz em casa, Beatriz? Já acabou o contrato com a dona Catalina? -Hermes questionou.
–Não, papai. A dona Catalina me liberou para que eu viesse resolver uns assuntos que ficaram pendentes na Ecomoda.
–Que assuntos são esses?
–Não sei, papai. Vou lá hoje para ver. -Betty mente.
–Não estou gostando disso não. O diabo é porco, minha filha. Muito cuidado. -Hermes adverte.
Betty rapidamente guarda suas coisas, se arruma e vai para a empresa. Sabia que o que estava por vir não seria fácil, mas teria que encarar o que havia feito.
Continua.
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